quarta-feira, abril 15, 2009

“O feriado” novo

por Rafael Belo

Minha mente às vezes está em tantas partes e com tantos Cosmos gritantes, que só posso sorrir. Nestes dias é como se eu estivesse contendo novos mundos em contrações para nascer de imediato – ou renascer posto a Páscoa. Estou inquieto prestes a acontecer. Me coço me impaciento, olho para todos os lados atento e às vezes sem olhar ouço, vejo, escuto, sinto... É o parto mental nietzschiano, mas terei anestesia ou terei me acostumado com qualquer dor? Claro, só porque pareço não a sentir... Pareço aumentar novos sentidos e as coisas do mundo falam comigo. De alguma forma tudo ficou lento e eu estou na velocidade máxima, sozinho. Ansioso por me acompanhar e me vendo afastar. Novos braços, novas pernas, novos olhos, novas bocas, novos ouvidos tudo em sinestesia, tudo tão claro. Minha mente não me deixa parar. Crio mundos em silêncio e controlo o que penso para calar ao dizer de outras formas, livre. Mas, nem sempre tenho controle sobre meus mundos. Que mundo tem controle, afinal? Nem os que são controlados.

Então, vejo repetir “o feriado” nos sites, na tevê, nos jornais, nos rostos das pessoas e nas igrejas. Não tem o mesmo significado, mas tem. Desenho. Ainda é ressurreição daquele terceiro dia quando o corpo se reunificou com o espírito, ainda é o êxito do êxodo dos israelitas quando fugiram de Ramsés II, da escravidão para a liberdade. Esta é a Pessach do hebraico. A passagem. Passamos... Mas, um fim de semana prolongado. O quê ficou? O quê foi esta Páscoa? Como as coisas deixam de ter sentido com o tempo e como deixamos isso acontecer. Mas não controlamos nada mesmo por muito tempo, o tempo todo então... Ouvi na rádio pessoas que desconheciam o significado do feriado, mas é de praxe que não seja o único e o mesmo “despadrão” prosseguiu na maioria dos canais zapeados da quinta-feira à noite.

Foi “o feriado” novo. Nele vi de uma forma diferente a Páscoa que simplesmente passou. E na segunda-feira parece que nada aconteceu e os mesmos comportamentos da dita hipocrisia e sobraram alguns “magros” chocolates. A passagem da Páscoa... Sendo religioso ou não, é história e de história sempre há de ficar algo. Passou rápido demais, mais um dia de folga... Não... Não consigo ver assim. Vi meu terceiro dia, comi chocolate – muito – mas me senti passando da vida para morte, da morte para a vida em um ciclo de liberdade. Nada fatídico, nada fenomenal, uma experiência pessoal com a transcendência das idéias e o calor da família. Nada passa se você viveu de verdade o passado - ou passa?

4 comentários:

Tathy Panziera disse...

Ah... sobrou chocolate?!?
Manda pra mim!

Lindo texto. Acho essa data especial, marca o renascimento, da morte para a vida. Talvez seja por isso que minhas energias se renovam nesta data. Ou talvez não. Vai saber.

Bju Beloto

Rafael Belo disse...

Agradeço Tathy! Talvez ou também... bjs tathyta hehe

Tathy Panziera disse...

Tem selo pra você no meu blog.
Pega lá depois.

Anne disse...

Páscoa. É mais que uma passagem... é um renascimento. Cristo veio e morreu por mim, pelos meus pecados. Deus se fez homem e feito homem humilhou-se a si mesmo. Morreu de morte de cruz e fez da minha vida uma nova aliança. Depois, o Espírito veio e veio para ficar. Devíamos anunciar que Cristo e Deus nos ama, exatamente do jeito que somos. Ele nunca nos abandona, nós que abandonamos Ele e ficamos longe da Luz...
Minha Páscoa, meu amigo, com certeza foi além dos poucos chocolates que eu ganhei. Na Páscoa, e para muitos do que eu conheço também.
Em compensação, teve gente que nem se deu conta da importância... =/

Beijocas Rafa.