segunda-feira, julho 27, 2009

(Pacato) Cidadão

(foto do last show The Doors, tirei esta do Brett o vocalista substituto, mas bom)

por Rafael Belo

Veio a letra com a melodia enquanto assistia Mandela, beirando a madrugada. A cantava muito, mas nunca analisei a letra. É uma ironia aos supostos cidadãos que somos. “Pacato Cidadão”. Ô Pacato Cidadão!,é o Pacato da civilização, Pacato Cidadão!, é o Pacato da civilização...” Agora me lembrei do He-Man, mas deixa pra outro texto.

“Pra que tanta TV, Tanto tempo pra perder, Qualquer coisa que se queira, Saber querer. Oh! Pacato Cidadão!, Eu te chamei a atenção, Não foi à toa, não, C'est fini la utopia,Mas a guerra todo dia, Dia a dia, não...” Creio ter feito a conexão com Mandela pela guerra diária que enfretava e todo dia há uma guerra dentro e fora de nós. Faz sentindo estar nele e lutar nela. Porque o princípio básico –nascer livre- não cai do céu (ou cai?).

Tirar vidas não é uma opção, acaba por ser uma escolha e assim nasce uma guerra –ou continua. Ficar em casa, ir diariamente ao trabalho, depois fazer os sociais não é o bastante. Me incomoda. Quero lutar pela minha liberdade, ter minha própria utopia. Não sou guerrilheiro, não quero portar armas -não as usuais. Fico muito incomodado ao pensar ser um pacato cidadão. Então, vem a velha história –estória?- de direitos. Certo. Vamos exigir.... E os deveres? O Quê fazemos? “Eu” tenho o dever de tornar as “coisas” melhores. A outra velha história de cuidar do próprio jardim –ao menos ao meu redor- e lá vem as borboletas. Agir? Não, obrigado! Apenas “crescer, multiplicar, envelhecer e morrer” como uma árvore... Ah, não! Árvores “limpam” nosso ar.

“Pra que tanta sujeira, Nas ruas e nos rios, Qualquer coisa que se suje, Tem que limpar, Se você não gosta dele, Diga logo a verdade, Sem perder a cabeça, Sem perder a amizade...” Mandela ficou quase três décadas preso pela liberdade do seu povo. Mohandas Gandhi, mais conhecido com Mahatma (do sânscrito “a grande alma”) Gandhi espalhou os protestos de não-agressão como um meio de revolução, pedindo ao mundo o mesmo com a paz, sem tocar em armas. Há ainda os biblícos como Moisés vagando quatro décadas pelo deserto, tirando o povo da escravidão do Egito e Jesus, pela PALAVRA, libertou nossa alma e a morte dos nossos medos.

“Consertar o rádio, E o casamento é, Corre a felicidade, No asfalto cinzento, Se abolir a escravidão,Do caboclo brasileiro, Numa mão educação,Na outra dinheiro...” Estávamos muito bem no ventre presos, aquecidos e nos soltaram para a vida: choramos. Depois saimos do ventre dos pais, e “hemos de sair”, outro parto. Mas, sempre procuramos um ventre pacato para nos aquecer e esconder. Ah, pacato cidadão “não foi a toa não...”

20 comentários:

Stella disse...

Acho que pra lutar a vida inteira por uma causa, você tem que acreditar muito nela. E creio que esse era o caso dos que você citou. Eu não acho que conseguiria lutar assim por alguma coisa, porque não tem uma causa maior que eu acredite que vai mudar DE VERDADE alguma coisa, sabe? Tento fazer a minha parte aos pouquinhos. O objetivo nunca foi mudar o mundo... :/ Porque pra mudar alguma coisa, você tem que saber como e pra onde está mudando.

Sei lá... minha opinião, né.. rs

Beijos, moço.

Rafael Belo disse...

Moça Stella (risos) ótima opinião a sua e obrigaduuu."Porque pra mudar alguma coisa, você tem que saber como e pra onde está mudando." Palavras sábias. E exatamente o que quero dizer -ok, não exatamente mas quase- muitas vezes não há nem vontade de saber, saber como e a causa consequência... Por isso lembrei de "PAcato Cidadão" quando assistia "MAndela". beijos, moça e obrigado de novo

Déia disse...

Muitos de nós... somos pacatos demais!Pena não sabermos a força que temos!
bj

La Sorcière disse...

Show de texto, Rafael!
Vc está falando de questões complexas, mas acho que o problema é bem mais básico: ninguém entende o que é cidadania, que a construção do "todo", só é possível com a contribuição do coletivo....
bj

Nathália E. disse...

Acho que pior do que ser pacato demais é ter noção disso e não fazer nada para mudar.
Coisa que muitos infelizmente fazem.

Beijo!

Nikinha disse...

São tantas as coisas que nos consomem que acaba sendo mais fácil fechar os olhos para tudo que está a nossa volta. Essa é a primeira luta que devemos travar: contra o comodismo.

Bjs

Jamylle Bezerra disse...

Adoro essa música do Skank... passei minha adolescência ouvindo isso!!! Adorei a reflexão.

Tathy Panziera disse...

amei esse texto...

Pacato cidadão me fez lembrar da pré-adolescencia, ouvia essa música com meu irmão, saudades dele, ai, parei!

Bju

Rafael Belo disse...

É uma pena mesmo Déia! obrigadoo beijos

Rafael Belo disse...

do coletivo... indivíduo por indivíduo, todos juntos. É Xandra, falta conhecimento e devida interpretação deste. Beijos querida, thanks.

Rafael Belo disse...

É Nathi, muitos fazem infelizmente. Obrigadoo pela visita >D, volte. Beijos

Rafael Belo disse...

Um levante contra o comodismo e que não nos acomodemos ao levantar hehe Obrigado, Nikinha, beijos.

Rafael Belo disse...

Obrigado Jamy! Adoro tb, tanto que depois deste dia a tirei na voz e violão assim a toco diarimente kkk beijos

Rafael Belo disse...

Oun Tathita amiga querida, agradeço. Músicas sempre lembram algo e alguém...Achei fotos nossas com o Kanasha e a Alice... beijos

☆ Sandra C. disse...

the doors???
aonde???

fiquei tão tonta que nem consigo comentar o resto. valha meu Deuso!

Rafael Belo disse...

Ah, Sandrinha hauahu um dos melhores show da minha vida faltou só o Jim Morrison. Eles estavam em uma última turnê. PAssaram por várias capitais e Ribeirão Preto, onde moro. MAnzarek (o Ray) e Krieger (O Robby) muito brincalhões (risos) achei que fossem rockstars mas não... Há o Ty Dennis na batera e o vocal do ótimo de Brett Scallions e agora com um baixista -que não lembro o nome- jamaicano. Não podm usar o nome d The Doorntão usam Riders of the Storm dvm tocar a té o fim da vida hehe na verdade. beijos

Fernanda Soares Antunes disse...

Ótimo texto. Coincidentemente assisti ao filme de mandela, esses tempos. Adoro todos os heróis que vc colocou: Jesus, Ghandi, Mandela. Seres incríveis que lutavam por seus ideais. A luta pelos direitos está restrita a pequena parcela do povo. Precisaria que houvesse a conscientização, a reflexão crítica das pessoas para que elas compreendessem e a partir daí se mobilizassem em grupo em prol das mudanças necessárias. As grandes questões são: como matar o comodismo humano e como despertar neles uma natureza mais divina, guerreira e solidária?

Rafael Belo disse...

São grandes questões Fer. Matar o comodismos vem a ser descobrir o que acomoda cada um e após uma quarentena de valorização ao próximo e a si, mas enfim... Sã oalguns acaminhos. Beijos Fer. Ótimo fim de semana

Dora Casado disse...

Mas que interessante, Rafael... Eu vi esse filme também. E pensar que agora ele está entre a vida e a morte... uma pena. Realmente nossos textos têm uma conexão. As manifestações tiveram um papel importante. Aliás, sempre têm, né? ;)

Rafael Belo disse...

Sempre pode tentar enganar a voz do povo, mas não é possível ignorá-la! Dora outro cheiro pra ti. Bj