quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Estranho do próprio ninho

*Foto tirada do ninho de sabiá a meia altura em casa

Por Rafael Belo

Deslocamento de ar, deslocamento de gente, deslocamento de informações, deslocamento de alma, desloca mente... E eu na certeza de estar de mudança completa. Afinal, já são pouco mais de cinco meses de retorno. Ainda me sinto, e nem sabia, fora de eixo. Alguns dirão “é assim mesmo, normal”. Mas, eu sou a mudança em pessoa e em nenhuma circunstância dos meus deslocamentos pelo país senti-me estrangeiro. Agora sou o próprio... Pensando bem, não é bem isso.

Montamos situações na nossa mente fantasiosa a nos deixar assim sem entender qualquer contexto ou pior, interpretando livremente sem base. As relações acabam por ser assim. Queremos fazer nossa parte e gritar para todos “eu fiz”, “eu doei” “eu sou solidário”... É uma tirania da “bondade”, mas estou tirando o foco da minha pessoa. A força doada por nós a segundos e terceiros é tamanha, a nos pesar certas horas. Porém, continuando a enrolar, porque nos achamos referência para alguma coisa. OO Prepotência. Pensamos ter sido agradáveis, sendo nós mesmos, com as pessoas e de repente mal se trocam palavras. Há um constrangimento...

Costumo tratar a todos da mesma forma e no mínimo espero honestidade. No entanto, nada se deve esperar. Ultimamente fico pensando: “onde estão as vidas inteligentes deste planeta? Ainda é possível manter uma conversa sem mencionar reality shows, contas bancárias, status e a vida alheia? Há mais franco-pensadores orais por aí?” Então, eu sento, visto um sorriso e exalo arrepios para começar a escrever. É um alívio poder reunir as palavras em algum sentido.

Nada de compactuar com as expectativas inquiridoras sociais. Quero mais originalidade ou então fica aquela expressão da boca espremida, a sobrancelha esquerda levantada, a testa “dobrada” e a respiração quase estática a encarar. Quero ouvir “não gostei de você”, “te acho arrogante...” e poder saber por que da onde. Chega da inquisição velada no banco sem pernas do júri.

Não me entendam mal, adoro socializar, extrair e trocar com as pessoas. Contudo, ando tão anti-social e a música é a companhia perfeita, é a expressão percorrendo a alma, mas quando sento é silêncio até nascer algo, até meus olhos brilharem e eu sorrir. Olhar para o som, para as consoantes e vogais juntas e saber ter sido um parto. Sou horas solitário e horas multidão. Minhas partes são assim e sinceras ao extremo. Pari sentimentos no ar empático e ganhei minha nacionalidade de novo, até voltar a ser estranho no meu próprio ninho.

4 comentários:

Déia disse...

A vida com alguém é troca, são duas vias, é dar e receber...sem pesos e sem balança.

Querido, que lindo esse ninho... esse é o milagre da vida!

bj

Rafael Belo disse...

Por que poucos de nós entendem isso?! "We are sooooo yourself" Ah, miraculosidade! bjs querida.

Mai disse...

E como tu, o sabiá não sabia.
Estranhos ninhos...

Rafael Belo disse...

Ninhos estranhos, estranhos ninhos, ninhos nos estrahos, estranhos nos ninhos... Mai mai mai bela bjs