sexta-feira, maio 28, 2010

O Apocalipse de cada um

8 as faces dos sentimentos se multiplicam em desordem da razão, aprisionados em psicodelia... Captei a banda Autoramas
Por Rafael Belo

Parecia sangue em seus olhos e de certa forma era. Resultado de silêncios quando as palavras sufocaram na garganta. Soma de todas as vezes onde o engano tornou-se alguém até então confiável. Multiplicação da quantidade de indigestões ao invés do regurgitar. Era a raiva finalmente solta dos grilhões amargos da contenção indevida, a exalar trêmula de um rosto fechado e injetor do medo. Não havia quem olhasse ou se aproximasse. O cheiro da raiva ardia na pele e no respirar nas pessoas mesmo a quilômetros de distância.

Os pensamentos se perdiam como latidos em uma noite agitada onde as rinhas selvagens eram permitidas na mente sem identificação e todos os cães latiam enfurecidos sem controle. A raiva se personificava na carne latejante, na respiração densa e acelerada e naqueles olhos vidrados por destruição varrendo olhos feitos possessões a encontrar a ira alheia para o despertar. A Raiva, a Ira e a Fúria provavam o sangue diariamente em parcelas pouco satisfatórias. Cada uma agora se procurava e procurava uma a outra. Estavam por aqui com seus olhares sanguinários, por aí com seus dentes afiados e garras assassinas.

Descontrole era a visão daqueles três corpos entregues as próprias barbáries, até então guardadas em um canto sinestésico qualquer esperando ser esquecido... Mas na verdade a espera era para ser lembrado. Bastou o vazio, as mudanças constantes e a derradeira caminhada sem rumo finalmente acontecerem para a dissimulação cheia de água na boca ser enraivecer, se irar e se enfurecer naquele silencio medonho, mas não mais contido, não mais escravo do controle.

Aqueles corpos viam sua capacidade e queriam parar, mas já era maior o sentimento maculado pela revolta e inaceitação. A morte desejada se realizava para cada um capaz de afrontar o ideal daquelas três despersonificações, já desumanas, já arrependidas de terem cedido a sede do corpo para a devastação sem fim. Eram obrigadas por cada instante de eternidade, a se verem de dentro de si acabando com o pouco restante de um mundo tornado vadio e ganancioso. O apocalipse em todos já era certo.

4 comentários:

Naty Araújo disse...

E mais uma vez admiro esse seu jogo nas palavras.

Adoro textos fortes assim.. que mexem com os sentimentos e deixa com resquício de sangue nas entrelinhas.

Tá perfeito esse aqui!
E a foto... nem poderia deixar passar em branco... Deu um toque todo único no texto. Com esse "ar" trêmulo e os verdes dos fios em destaque.

Quer mais? Nem precisa... amei mesmo.

Jamylle Bezerra disse...

Passando pra desejar boa semana! Os dias de correria estão passando. Logo logo voltarei a te visitar quase que diariamente!!

Gostei da foto...

Mônica disse...

Rafa, desculpa o sumiço, mas seus textos devem ser lidos com tempo e atenção, coisas que andam me faltando um pouco.

Muito bom esse seu texto, expressa bem a demonstração dos sentimentos que tentamos reprimir.

Bjs.

Rafael Belo disse...

Aa Naty obrigado linda, agradeço amada;

Jamy... que passe a correria :D;

está desculpada querida, obrigado beijos.