segunda-feira, junho 07, 2010

De volta ao tacape e o arrastar das cavernas

8 captei na universidade federal daqui porque... à noite as sombras invadem mesmo quando é dia...

Por Rafael Belo

Pensando ainda estar viva, ele decapitou a senhora septuagenária. Assim foi o assassinato brutal na última quinta-feira (12 de abril) em Campo Grande. Primeiro os criminosos acertaram a cabeça da senhora de 73 anos, com uma panela de pressão, foram embora e depois voltaram para esfaqueá-la pelas costas e na “tentativa de degolar” houve a decapitação. Friamente o jovem matador de 23 anos, confessou seus atos como quem comenta de uma festa qualquer e denunciou o comparsa foragido.

Alegou estar sob efeito de maconha e álcool. Por isso estendeu a cabeça em um varal interno da casa antes de incendiá-la. Tudo virou pó. Acredito que tenha visto a “cabeça ainda não encontrada” durante a reportagem (dias depois ele foi encontrada aonde achava eu tê-la visto...). Creio ter sido carbonizada e eu impressionado. Mas, o bizarro e grotesco foi a atitude simplista do assassino confesso. Como quem faz uma entrevista de emprego conquistado, acusou muito indignado a assassinada de influenciar sua mulher a denunciá-lo para polícia devido ao não pagamento de pensão.

Se não tivesse acompanhado o caso pelos meios de comunicação, pensaria ser uma obra de Edgar Allan Poe ou Anne Rice. Se não visse na televisão a reportagem ainda acharia uma fantasia, um conto de terror. Mas, ‘presenciar’ a prisão do elemento e registrar a casa em pó e o corpo carbonizado trouxeram o horror para muito perto. A crueldade e covardia do ser humano vão além da indefinição do bem e do mal, ultrapassam a Bruxa de Blair, transpassam as supostas pedras atiradas pelo vizinho na casa da septuagenária... Sim, porque este também foi ‘um motivo’ alegado do assassino da porta da frente.

Não temos o direito de encerrar a vida de ninguém e depois sorrir para as câmeras. Quando a vida tornou-se tão banal...? Melhor, quando tornamos a vida banal...? Hoje não há limites nem fronteiras dentro ou fora de casa, o respeito foi desintegrado, aonde eu começo e você termina inexiste e assim como o amor – diria Zygmunt Bauman – o sujeito, a sociedade perderam a solidez, estão todos líquidos e em constante liquefação. Em todo seu poder de escolha, o ser fica impotente e torna-se animal.

6 comentários:

La Sorcière disse...

Rafa... peraí... vc viu a cabeça??? Como assim??? Credooooo!
Vc participou da equipe de reportagem q cobriu o caso???
Nossa, rafa, que barra!Que coisa mais horrível...

Mônica disse...

"E nessa terra de gigantes que trocam vidas por diamantes... quanto vale a vida?"

Já dizia Humberto Gessinger.

Bjo, Rafa.

A Língua Nervosa disse...

gente...
quando começei a ler pensei q tava no lugar errado...olhei o título do blog...e percebi que a vida é quem está do avesso....
são realmenet incríveis as notícias diárias e paralisantes até...
...oi!...
boa semana pra vc!
mesmo diante destas tristes cenas...qque vc encontre a LUZ!

Karen disse...

Que Deus tenha misericórdia dessas pessoas pelo preço que vão pagar por tanta covardia. E acredite, vão.

Beijos, dear.. Ótimo post. =*

Déia disse...

Que horror!!

Acabou a ética, o respeito, a cidadania e os direitos humanos!!

Triste realidade

Bj

Rafael Belo disse...

Não rsrs eu vi na filmagem da reportagem... pelo menos tive a nítida impressão tanto que comentei em casa;

Parece não valer nada Nikinha... bjs;

Encontrar e manter, Vivi querida.. obrigado bj;

Obrigado Karen... irão sim; bjs


Horror claro Déa, bela. bj.