terça-feira, setembro 21, 2010

Renegando a criação de seu mundo

(A poeira toma conta de nós, nós tomamos conta da poeira e na confusão somos todos pós desta terra  - Captei imagem da pista de motocross saída para Três Lagoas, rumo a Stock Car)

Por Rafael Belo

Carlos se afastou de si. Depois não mais se aproximou. O início veio depois daqueles passos silenciosos do vazio da sua casa... Então, seus sentidos não pareciam mais funcionar. Enquanto pensava, tentava saber de onde vinham aqueles ecos se o dia ainda não se movia e a manhã nem amanhecera... Arrastou-se até à tarde sem barulhos, feito o sol seco sepulcro. Se não se arrastasse em círculos estaria completamente catatônico. Um coma de se renegar. Renegado inconscientemente diante de si... Três vezes se negou, silenciou a mente e costurou os lábios com os metais de seu antigo aparelho dental.

Carlos Shift estava na dúvida em dívida, dividindo a dúvida com a ignorância enfeitada. Não queria tirar o enfeite e fazer os seus feitos. Já não sabia o quanto era escolha permanecer na sua profissão de gosto, não sabia mais o quanto gostava de seu emprego... Sabia sim! Não gostava mais, não agüentava... Queria desistir de tanto dinheiro infeliz. Repetia: “Por que meu Deus?! Por que usar este papel da ganância cheirando a morte...? Por que te abandonamos?!”. Esta igreja que somos, sempre transferida a concretos fechados e cheios de segurança lotados de verborragia... A negação de nós templos... Ah, Tenho me comprimido tanto a deixar minha mente calada, como esta casa sussurrante.

Shift sempre segurou e selecionou em massa suas decisões. Sua aparente tristeza e raiva colérica era simplesmente sua resignação. Um basta corpóreo cerebral... Direcionando aquela imagem perdida no reflexo, destoada naquele contorno de sombra. Seus sentidos não faziam sentido algum. Pareciam ter entrado de férias para fazê-lo cair, não importasse a altura, não importava a morte e viver tinha se tornado feio... Até errado.

Mas, a morte virá de outra forma... Quando tiver de vir. Percebe voltar a perceber e uma sensação de abafamento interno me impede de respirar naturalmente, minha garganta seca fechada, arde como minhas narinas, meus olhos cansados realmente tornaram-se parentes do luto... Estão fundos como sentimentos rasos julgados... Sinto-me parte de meus ídolos mortos... Sinto-me Kurt Cobain, Renato Russo, Cazuza, Jim Morrison... Mas desta vez é diferente. Não é só um sentimento, é um reconhecimento.

Achei das outras vezes ter sido estas almas amplificadoras do mundo – por pensar as entender-, mas sou o ser amplificador, o mesmo não a vida dos corpos... Meu fim será outro, não por minhas mãos ou desatos condenados. Sou renegado e desta vez renego quem criei para o mundo. Inicio neste fim meu grito para voltar a me aproximar de mim.

3 comentários:

Déia disse...

Ela virá...impetuosa, e sempre levará quem queremos que fique mais um pouco!

bj

Deise Anne disse...

O que me pegou foi a legenda da foto. Li o texto inteiro pensando que no final todos somos pó.

Belo texto, Belo.

P.S. Eu mudei o título da última postagem, por que ficou meio ressentido demais, mas obrigada pelo comment, viu? rsrs

Rafael Belo disse...

Sempre vem rs bj Déa;

Somos sim com excessão da imatéria rs obrigado querida. não tinha achado ressentido mas rs bj.