quarta-feira, maio 11, 2011

Vida da confusão entre sono e sonhos


*(O Louva-a-Deus observa atento da mesa do mundo quem serão os louvadores... Catei na sala da Uems CG)

 

Por Rafael Belo

É cômodo como nos deixamos levar pelo silêncio quando deveríamos falar e pela clausura quando deveríamos aproveitar a liberdade da vida. É como se desistíssemos e um fardo nos vestisse e resultasse sono pescador... Aquele sentimento alienígena toma conta e olhamos em volta querendo saber onde está nosso lar, onde estamos... Sabemos bem a resposta... Não estamos aqui. Pelo menos a maior parte do tempo, nos sentimos deslocados como se estivéssemos evoluído, mas não acompanhamos nossa própria evolução. Uma balança da nossa própria Justiça...

De fato é difícil acompanhar o desprendimento incondicional do coração. A mente não entende - nem tenta entender – e o corpo só tenta ser o receptáculo de toda a expansão incabível tão complicada por nós, meros obstáculos de nós mesmos. Pressionamos um dedo vazio da nossa visão de divindade em nosso peito misturando compressão e vazio e nos deixarmos ser abatidos – mesmo que por um segundo – por uma apatia de caminho errado, de escolha torta porque todo o ideal é uma previsão de respostas confortáveis e cada verdade uma crença de cabresto e anteolhos.

Viver destas ilusões é a desilusão. O sonho real, o toque preciso são aquelas pessoas passadas, presentes e estas que mesmo ausentes continuam no nosso tempo, não importa em qual tempo estejamos. Sentar no fundo da nossa mente e lamentar, seja lá o motivo da lamentação, seja lá o fato do bloqueio de ser quem és, é o desejo mais íntimo do nosso demônio interno. É preciso coragem para o medo ser apenas um impulso nestes sequenciais passos da vida. Todos têm medo do isolamento, da próxima etapa, de assumir não ser mais jovem – nem menos – e continuamos a viver como adolescentes mal-humorados.

Não importa a profundidade de nossa perda, o abismo do nosso descaminho nem a queda do nosso pedestal de vidro... Merdas acontecem é uma ótima expressão para muitos acontecimentos, mais daí a chafurdar nela é uma história completamente diferente. Por isso, reconhecer os inúmeros problemas no nosso pacote diário é se libertar de si mesmo e juntar os fragmentos de identidade aplicados a cada espaço-tempo dos nossos deslocamentos, mas o mais importante é não deixar o sono se disfarçar de sonho e nos fazer dormir por toda a estada da existência.

2 comentários:

lu disse...

Primo, ler o q vc escreveu, foi como olhar para um espelho e ver refletido o que tenho dentro de mim, eh como se eu achasse as palavras certas e organizadas para sentimentos tão embolados, que há muito eu venho vivendo e jamais conseguiria descrevê-los com tanta nitidez e coesão.
Vc tem o dom de desenhar emoções em letras.Parabénsss!!!

Déia disse...

Oiiii querido q saudade!
Eu n me calo, falo, esperneio, imponho minhas decisões!
Olha, o Divã e o blog do Leo, agora são fechados, mas eu gostaria q vc continuasse fazendo parte! Se vc quiser também, mande seu email pra deagalletti@gmail.com pra eu te mandar o convite. Não esqueça de se identificar, ta?
bjkas
Déia