quinta-feira, agosto 04, 2011

Brincadeira de criança na ingenuidade de nos perdermos matutos


*(Como saber se o animal é apenas aquele que late se mal sabemos nosso ladrar... captei nesta quinta (4) )


Por Rafael Belo
Quem aqui que nunca quis protagonizar uma ação heróica e ainda hoje sonha em realizar tal ‘disparato social’? Aliás, quem em qualquer parte não pensou em realizar um ato de bravura.  Abrir todas as gaiolas, alimentar todos os carentes – de afeto, alimento e fé – e fazer a justiça ser um ato rotineiro poderia bem ser comum, mas não o é. Por isso, é surpreendente quando um adolescente de 13 anos, cujo parceiro é uma criança de sete, brinca com a realidade, inconformado com o ato desta, e munido de sua vontade e ingenuidade pratica um resgate incomum.

Como nos antigos filmes de cowboy, o adolescente invadiu o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) de Corumbá montado a cavalo e com uma arma de brinquedo para resgatar duas vacas. Enquanto este ameaçava, seu parceiro de aventura libertava os dois animais. Eles foram presos e levados para a delegacia, as comedoras de pasto eram do tio deles e quem cuidava delas era a dupla. A arma era de um videogame. Como na fantasia controlada, o garoto ameaçou atirar em todo mundo. A polícia o liberou declarando que não passava de uma brincadeira.

Eu não acho. Eles sabiam e planejaram o ato. Mas foi à revelia das punições. Não imaginavam que haveriam consequências por salvarem seus animais. Não agiram por mera rebeldia. Me parece mais por amor. Então, penso na falta e na distância e confusão entre nós e os animais com outra racionalidade. Os parceiros da iniciativa pseudoheróica ainda não foram influenciados pela desapropriação da aldeia global. Eles têm um lar e aprenderam a amar os animais, cuidar deles e os proteger. A dupla foi resgatar não sua propriedade, mas dois seres que amam.

Quantos de nós se arriscam pela liberdade do outro? E pela liberdade daqueles animais que dizemos serem nossos amigos? Não estou escrevendo sobre provas de amor. Escrevo sobre o reconhecimento deste. Quando temos um animal de outra racionalidade em casa, este nos cuida, nos diverte e nos quer bem incondicionalmente. Nós em troca os deixamos na pior. Os mimamos e os transformamos em humanos de quatro ou duas patas mesmo. Hoje a maioria dos animais domésticos ou são substituições ou meros cães de guarda.  Por isso, lá na zona rural da minha dupla de heróis até duas vaquinhas ensinam valores e justiça. Me lembra o quanto ficou feliz a imensa criança que vive a se manifestar em mim.

5 comentários:

Ari.Osshiro disse...

Amei o post, mais do q todos os outros.. pela pureza, ternura e sensibilidade...

Ari

La Sorcière disse...

Lindo texto, Rafa...
Adorei, repleto de delicadeza.
Bjs
Alê

Mônica disse...

Pois é, Rafa. Os animais e as pessoas, inclusive, estão sendo vistos como algo descartável.

Lindo cachorro!

Bjs

Luna Sanchez disse...

"...alimentar todos os carentes – de afeto, alimento e fé..."

Que lindo, me fez sentir um nó na garganta.

Tem dias em que choro não só por mim e pelos meus problemas e sim pelo mundo inteiro, por todas as dores de todas as pessoas. Acho que todos nós temos esses momentos.

Gostei muito do post, vou puxar um banquinho e ficar por aqui, tá, Rafa?

Um beijo grande.

Rafael Belo disse...

Obrigado Ari, voê sempre com sua intensidade e sinceridade bj

Lele que bom vê-la por aqui de novo agradecido rs

a Nikinha somos capazes de tudo ...

Luna querida; obrigado por vir com sua fases por aqui, arme sua rede e balance à vontade reverencio seu dom bjs