sábado, novembro 26, 2011

Somos anjos e demônios



Trilha - É preciso dar vazão aos sentimentos - Bidê ou Balde.




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*(  se tiver que tocar a Luz sua fé é fraca e pode se apagar depois do terceiro toque...) Foto Rafael Belo

por Rafael Belo
Email anônimo destinado ao mundo
Perto do fim tudo parece voltar ao início para o derradeiro. Como um minuto eterno de consciência onisciente do coletivo e das extensões dos universos. É como se a compreensão final sorrisse e o som da linha reta pudesse se perpetuar na UTI invisível. Mas, antes dos pontos finais e da pontuação necessária, há um surto de pluralização única de nós, seres sem iguais. Nunca só calmos, nunca só irritados, nunca só gentis, nunca só sorridentes, nunca só tristes, nunca só felizes, nunca sós enfim, porque somos detentores de todas as sensações das mais diversas formas captadas pelo corpo e pela alma.

Já não sei mais quem sou – se é que já soube um dia – mas, não somos uma coisa só, não somos os anseios de ninguém e o ideal?  O ideal é sinônimo da utopia. Uma referência, uma luz no fim do túnel posta para nos indicar o caminho. Somos anjos e demônios sim. Não adianta negar, procurar com a cabeça os ombros esquerdo e direito vigorosamente. Admita. Somo fortes, fracos, somos humanos... Doamos opiniões e agimos pouco. Pouco em demasia. Chega da nossa hipocrisia reconfortante! Nossos pecados serão perdoados e quando compreendermos de fato, no soar da maturidade desta ou daquela idade, nos arrependeremos.

Como ninguém sabemos ser sábios e tolos. É da nossa natureza humana. Mudamos muito de assuntos, insistimos muito no mesmo ou não temos assunto nenhum. Mas fazer justiça com as próprias mãos ajuda a incitar o ódio, a decepar cabeças de hidras mitologias só para vermos duas novas nascerem no lugar. Não precisamos tirar a vida de ninguém ou nos privar da liberdade de ser quem somos, basta nos adaptarmos. Existem sempre vários caminhos para chegar a um objetivo, existem vários objetivos para um caminho.

Nosso mundo é tolerante e sabemos bem o significado de tolerar – distante o suficiente de aceitar ou respeitar. Queremos respostas, queremos perguntas, queremos responder, queremos nos calar, queremos o silêncio, queremos guerra, conflito e queremos paz. As pessoas têm interesses, nós temos interesses nas pessoas. Amamos – ou pensamos que sim – nos apaixonamos e perdemos a paixão, fingimos desamor e às vezes o promovemos. Para no final voltarmos ao início de um email anônimo desabafado (desesperados enviados a todos e todos os meios de comunicação) e descobrirmos que fizemos várias rotações e translações e, tonteados, desabamos na beira do edifício mais alto das proximidades. De lá deslumbramos as nossas necessidades: alguém que nos ame, alguém para amar, um grupo de amigos e lembranças, um refúgio e os momentos de silêncio e solidão. Somos o próprio paradoxo em harmonia.

5 comentários:

Luna Sanchez disse...

Nunca consegui promover desamor, e em algumas fases da minha vida, teria sido útil...

Muito bom, moço querido.

Um beijo, ótimo domingo!

Evelyn Dias disse...

Escrito bem.
(:

Liziane Berrocal disse...

E eu tento descobrir todos os dias quem sou...

Luna Sanchez disse...

Passando pra deixar um beijinho de boa semana, Rafa!

=*

Rafael Belo disse...

às vezes querida Luna, basta não Amar para causar desamor;

Obrigado Evely, seja bem-vinda;

é um exercício constante adorada Lica;

Beijos Luna, ÓTIMA SEMANA.