sexta-feira, agosto 17, 2012

Miniconto - Bebendo do próprio ego transbordante


por Rafael Belo
“Vergonha alheia”. Mal tenho vergonha dos meus fazeres e afazeres quem dirá do dos outros. Condescendência típica... Mas esta é a moda moldada na boca das ruas e na linha do tempo do face. Não tenho vergonha da comédia e do drama da queda de outro no chão. Eu rio, dependendo da gravidade, e chego para ajudar a levantar, pronto. Realmente ficou no passado. Mas ai daquele que vier de dedo em riste dizer como devo ser, qual forma tenho de agir e o sentimento vazado no rosto. Demais, ainda mais se você for se definir pelo meu nome: Ególatra Eussim.

Mas desta forma eu ajo. Eu dito como as pessoas devem ser na minha visão e eu as adéquo a minha maneira, a mais correta de se viver. Eu comando, tenho tudo nas mãos... Estes fios invisíveis a te moverem são a “informação desnecessária” sobre você. Você é meu títere. Além de meu fantoche onde enfio minha mão e te movo. Você não percebe, eu sou teu mestre. Você está sob meu comando e cada dedo meu mexido faz algo contigo feito uma pressão não sentida. Meus queridos Pinóquios. Minhas madeirinhas esculpidas a fogo e talhadeira, bebem de mim como seu fosse água. Coitados, tenho dó!

... Não, não tenho! Os quero seguindo como degraus me elevando, me dando suas glórias mesmo parecendo serem suas. “Vergonha alheia”... Fala sério! Mostrem esta mágoa, este rancor, esta explosão de ódio guardado para uma vingança sem fim na Avenida Brasil ou escrachada e Cheia de Charme. Vai lá diga a verdade, mostre suas garras afiadas e suas presas esverdeadas de veneno. Chega de fingir este seu puritanismo apodrecido há décadas. Sei do seu gosto pela manipulação. Assuma seu sabor de manipular e se adequar de maneira subversiva aos seus interesses e somente por eles.

Vamos confirmar o nome: Ególatra Eussim. Todos somos. Mas eu sou mais. Eu sou o Aliciador dos aliciadores, o serial killers dos seriais killers, Eu sou Eu. Vocês venham a mim, me adulem, me idolatrem, me fotografem, façam primeiro comigo ou as consequências serão... Digamos... Articuladas ao fundo, armadas em silêncio, matutadas feito pasto bovino, ruminando... Porque eu não sou nada além de mim, e tudo sou eu. Não há nada a ser aprendido se eu não ensinar, então, aprendam agora... Na próxima receberam só meu esporro.. Bem... A não ser... Humm, quando eu precisar de você eu te aciono, fique no aguardo. Até a próxima.

3 comentários:

Marycleide Vasques disse...

Bom dia, Belo!
gostei muito da sua crônica "baseda em ficção e vida real". Enquanto meus olhos se deliciavam em suas palavras, vivi momento de incrível realidade diária.
Parabéns, meu caro!

Marycleide Vasques disse...

Belo, sua página está incrível!!!

Rafael Belo disse...

Obrigado MAry. Ler e observar faz milagres tb rs bj