segunda-feira, agosto 13, 2012

Monocromático olhar pecilotérmico

*(Entre a Luz e a Sombra, só não há a escuridão. A Luz sempre virá mesmo se você estiver no ponto mais alto de costas e sem liberdade para voar - foto do crepúsculo do sítio dos meus sogros)

por Rafael Belo

Entre a vulgaridade e a paciência há um desentendimento e uma aparente fórmula única de ser. A necessidade de espelho e controle nos contradiz solenemente no nosso cotidiano, quando todo visto é reticências de quem somos no esquecimento dos três “dês”. As dimensões ficam limitadas ao modo eu de ver o mundo, a vida como os outros veem e como realmente é, são realidades paralelas. É como se todos sofressem de monocromatite aguda deixando o olhar sobre o mundo com a cor da vontade imposta. São seios à mostra como um belo sorriso e o descontrole explodindo como um abraço de tamanduá-bandeira.

Uma disfunção daltônica não referente à percepção visual, mas racional a se transformar e fortalecer este anteolho profissionalizante de viver em um viral real. Ai ai ai a ousadia se manifestar contrária a esta correnteza descolorida onde somos imperceptíveis aos distúrbios insones das nossas contradições. Este arco-íris preto e branco tem os disfarces da coloração tênue tensa espalhada pela mágica camaleônica de se ambientar e engolir venenos e coachares. É como se a peciloterma tomasse conta de nós, involuções de valores, e nós tornasse homens-répteis aptos a estarem ambientados em qualquer lugar, mas como irracionais agindo da mesma forma procurando o mesmo ângulo solar.

Além da percepção e da racionalização, ou mero uso digno do cérebro, esta diminuição de cores nos pasteurizaria à falta de luminosidade na extinção da diversidade... Há uma “não declarada” busca pelo pensamento único tão veementemente negada e criticada da boca para fora e tão fortalecida e robótica dos atos para dentro no ponto dos noticiários diários não nos dizerem nada e, muitas vezes, servindo para coisa alguma. Entre paciência e vulgaridade, nossa “agoramania”, “momentoemergencialidade” nos perde da paciência, nos esquece na vulgaridade e segue clonando o pertencido a outro, a personalidade alheia.

Somos sensíveis ao mundo mesmo sem admitirmos. Temos horror ao erro público, a aceitar falhas em cima do palco, a pedir e aceitar ajuda, ao comando autoritário, e, por isso, nosso branco só tem esta cor no nome. A sobreposição das cores primárias resultando na intensidade da clareza na luz emanada dos nossos olhos diversos parece estar ausente, carece de uma pretude originada exatamente desta ausência da luz, das cores... O preto. Admitir primeiro sermos diferentes e ao mesmo tempo iguais, não é bipolaridade é assumir a diferença. Tentar, arriscar, vestir o novo, ver por uma nova cor, enxergar por um novo olhar e se aquecer primeiro antes de procurar o sol é permitir ângulos serem esquadrinhados e mesmo assim sobreviver com sua essência e neste mundo, ou talvez esta seja a maneira da real vivência.

4 comentários:

Naty Araújo disse...

E que saudade eu tava de te ler.
Que linda crônica, Belo.
Olhe... A imagem também não fica de fora. Uma liga a outra no sentido da perfeição.

Espero que continue postando, estarei sempre por aqui.

Beijo

Rafael Belo disse...

Obrigado Naty! Sempre carinhosa nas palavras, sempre te esperarei então. beijos

Jamylle Bezerra disse...

Saber enxergar o arco-íris que se esconde por trás das coisas realmente não é fácil, mas também não é impossível. A humanidade precisa disso, sair do óbvio, do preto e branco, para dar vez ao colorido. Bju e boa semana!!!!!

Rafael Belo disse...

Precisa mesmo... Facilidade não ensina ninguém rs obrigado Jamy bj