segunda-feira, outubro 15, 2012

Descanso prolongado


Descanso prolongado
por Rafael Belo
Nas ruas não há descanso. No trabalho também – pelo menos não durante o expediente, mas descansar é preciso. Não ao ponto da preguiça, dos pecados dos bocejos constantes e o lacrimejar inevitável... É preciso para o corpo funcionar como deve e a mente estar tinindo como deveria. Conhecer novos lugares não é regra. Regra é poder se afastar do ambiente de trabalho, de vivência comum... Dificilmente um fim de semana é o suficiente. Para sanar nosso déficit com corpo e mente é preciso prolongar. Parar, respirar fundo e se preparar para continuar é tão necessário quanto à correria diária dos bits, bytes e touch screen.

Estamos tão conectados a ponta dos dedos, ao falar – de longe – sozinhos, a deixarmos de usar nossa educação. Sair às ruas isolados ao celular sem parar de falar, passar por pessoas e fazer compras, ignorando tudo isso, é um constante ato cansativo de isolada solidão. Como não cansar de tentar se ocupar o tempo todo, de misturar resoluções na mente de pensar no adiante, de se esforçar a não fazer nada...? As vistas já vão cansadas e o horizonte treme diante dos cochilos acordados de quem acha ter de continuar sem parar.

Sem descanso o seu infinito se limita a visões constantes do chão. Sem descanso o corpo não funciona direito, as barreiras de proteção se rompem, ou simplesmente enfraquecem, e nós adoecemos. A mente oscila, as frases não se formam, o raciocínio patina e nós caímos. O pior da queda é se levantar sem saber por que caímos, sem reconhecer o tempo para cada feito e desfeito das nossas pedras empilhadas, nada encaixa.

Como construir sem montar nosso quebra-cabeça, sem formar a mera imagem do presente? Um descanso prolongado supre os fins de semana de descanso in loco quando é possível ter o fim de semana. Toda máquina precisa de manutenção. As feitas por Deus, deuses e homens. Estar parcialmente montado é estar parcialmente desmontado. Pode ser verdade ter tempo de descansar quando nosso Tempo acabar, mas como estará nossa consciência se não sabemos o tempo no qual estamos agora?

2 comentários:

Naty Araújo disse...

Que bela fotografia, Belo.
Realmente, quando temos tempo para descansar?
Quando descansamos?
Temos tempo para tanta coisa, para trabalhar, nos atarefar e quando descansamos?

Talvez, esse descanso prologando não exista. Ou, aliás, existe, mas é praticamente uma utopia.

Gosta de livros, né?
Estou fazendo um sorteio em meu blog.
Confira lá e participe, Belo.
É no Revelando sentimentos. Um beijo

Rafael Belo disse...

Obrigado Naty! É assim mesmo mas precisamos nos organizar rs ou não servirá de nada nosso esforço. Logo estarei por lá para participar bj