segunda-feira, outubro 22, 2012

Multidões silenciosas


Multidões silenciosas
por Rafael Belo
Sabe quando a eletricidade estática vira um gerador em seu corpo e os estralos dos choques dão impactos constantes em qualquer pessoa e metal tocado? Você sabe... Há algo a ser mudado. Há um sentimento silencioso se manifestando fisicamente. Há um impulso insistente retumbando pelo corpo até incomodar a mente. E somos diversificações de semblantes, e somos concentrações de energia. Esta energia acumulada precisa ser liberada, ser direcionada... É hora de abraçar mais, apertar mais mãos e principalmente andar descalço para ser hábito.

Por os pés no chão nos coloca em contato com o mundo e nos faz sentir a vida conectada. São multidões silenciosas mal acomodadas dentro de nós e não é só isso... Você não está sozinho. Basta ver a acomodação encalhada também na praia deserta de outrem. Há alimento em abundância, há água potável, há toda a sobrevivência e ponto. Nada mais. Mas é o suficiente para a vida, para todas as possibilidades e obstáculos nos nossos caminhos? Não é preciso responder o óbvio. Só é preciso sentir o vento soprar diferente, sussurrar um rumo desejado por nós interiormente...

Abrir os olhos não é só ver o primeiro plano da imagem vista. Há muitos planos nesta imagem, há ângulos demais para à primeira vista tudo ser enxergado. Mesmo porque a totalidade não nós é permitida, pelo menos não sozinhos. Existem influências e tendências no caminho de cada um de nós e são nós absorvidos de forma a somente nossa individualidade poder atar e desatar. Esta é a razão pela qual quando a compatibilidade de uma causa passa de 50% a adesão chega a ser avassaladora e, portanto, não é inexplicável (vale também para a amizade e talvez para tudo na vida).

Inexplicável poderia ser não haver o estranhamento de si em alguns períodos, pelo simples fato da imposição publicitária imagética ser tão forte por toda parte. Mas quando o incômodo começa, a mutação de gerador e transformador no nosso coração e cérebro uma hora ou outra nos consume. Somos consumidos. Não pelo mundo, pelo acaso, pelo óbvio... Por nós mesmo. E somos uma multidão silenciosa reprimindo o desejo de andar descalço e nossa energia se alimenta de nós, não ao avesso.

4 comentários:

La Sorcière disse...

Vc tem ideias quando dorme, vê situações do quotidiano q te inspiram, pensa durante o dia no que vai escrever...???
Conta como funciona tanta inspiração!!

Rafael Belo disse...

É uma questão de observações de mais e reflexões em demasia rs as palavras estão sempre sendo geradas e parindo outras e outras e ás vezes ficam assim coerentes rsrs
ps: adorei o cotidiano a moda antiga rs ótima semana

socorro disse...

Muito bom, como sempre, seu texto....Parabéns!

Rafael Belo disse...

obrigadooo