sábado, junho 22, 2013

(miniconto) Por toda parte

(miniconto)Por toda parte
por Rafael Belo
Parecia ainda que viviam no século 18. Todo aquele planeta descolorido. Todo quadro preto ou branco. De cada janela quebrada não saia nada nem entrava. Apenas vento e luz. Além das luzes permanecerem acesas - a maior diferença de três séculos. Apenas uma janela permanecia às escuras. Nem sombras era possível enxergar caso alguém alguma vez tivesse olhado além do próprio horizonte. Acontece que isto estava prestes a acontecer. Distraída ela tropeçou. Tentando e conseguindo se equilibrar jogou o corpo para trás. Nisso seus óculos de aros verdes claros decolaram. E ela olhou para o alto.

Foi como se uma cirurgia complexa, demorada, mas muito eficiente acontecesse naquele instante. O branco/preto foi ficando amarelado. Nem reparou o local da queda do precioso óculos. Estava próxima o suficiente para reparar. – Engraçado - pensou consigo mesma – nunca havia reparado neste contraste. Nem em muitas outras coisas diga-se de passagem. Vagarosamente deslocou a cabeça para a direita. Janela por janela. Todas jorrando luz artificial, afinal era noite. Todas quebradas. Do lado esquerdo também. Entre as luzes a janela intacta e apagada. Mas parecia emitir uma claridade latente. Girou 360° e aquela era a única. Um detalhe...

Vou entrar e subir até aquele andar. Ah, meus óculos. Tem algo estranho nisto tudo. Nunca tinha visto esta tonalidade. Toc Toc? Oláaa? Alguém em casa? Nada... Assombrosa. Detesto portas rangentes. Dá-me arrepios. Mas vamos lá garota: co-ra-gem!  Que sobrado colorido é este! Deve ser impressão. Onde está o interruptor... PRONTO. UAU. Incrível. Que lugar mais lindo. Está limpinho, mas parece abandonado há séculos...

A janela. Melhor me apressar... Vai quê... Nada de interruptor aqui. Humm... Vidro blindado e o restante azul clarinho. Confortável. Ooh quantos desenhos espalhados e bloquinhos e anotações e fotos e... e... NOSSA! Esta é a minha cidade. Dá pra ver todinha e quantas cores. I-na-cre-di-tá-vel. Dá uma alegria. Uma inspiração...


Todos as noites desvincilhava-se de todos e acabava por lá. Diziam as más línguas que andava de namorado e tal. Aí já sabe...Logo logo aparece barriguda... Aí quero ver ficar sorrindo assim... Não se sabe porque tornou- se uma pessoa melhor, mais atenciosa. Diziam até que conseguia ler as pessoas. Mas, vai saber, há tanta fofoca por toda parte...!

3 comentários:

Stella disse...

Bonito. :)
Acredito que todo mundo sabe ler as pessoas, só que a maioria não se interessa. Geralmente nossos umbigos parecem tão interessantes que o resto vira cinza. Se nos importássemos mais um pouco em tirar a blindagem que temos na frente dos olhos, talvez conseguíssemos ver todas as cores dos outros. Mas talvez eu só esteja vendo demais.
Novamente, bonito texto! :)

Abraço!

Anônimo disse...

O que acontece é que hj vemos cada um por si....mas acredito que ainda temos chance de olhar mais para o outro...Parabéns pelo text mmy

Rafael Belo disse...

obrigado Stellinha! também acredito, assim como creio que não esteja vendo demais. bj e obrigadoo de novo.