terça-feira, junho 11, 2013

O Mártir Indígena

O Mártir Indígena
por Rafael Belo
Mártires sempre foram as formas mais fáceis de promover uma causa e a morte do índio Terena Oziel Gabriel, o guerreiro, deixou isso mais evidente. Desde Corpus Christi, ou seja, há 12 dias (13 se contarmos a data do falecimento e sem referências partidárias...) os termos conflito, demarcação de terra, índio, Terena e Mato Grosso do Sul estão abrindo as chamadas dos telejornais do Brasil. Para “melhorar” o primo de Oziel, Josiel Gabriel, um ano mais novo com 34 anos, foi baleado nas costas. Ficou paralítico. Confusão generalizada. Primo morto e primo debilitado. Confundidos desde a cobertura local, quem dirá nacional sem nem falar da internacional. Mas é uma complicação simples de entender (por serem palavras quase homófonas).

Hoje são suítes (um retorno a origem do tema – invasão da Fazenda Buriti, morte na tentativa de desocupação, mais invasões, até o presente e futuro), mas novos fatos surgem diariamente com estopim motivador: pelo guerreiro morto, pelo índio debilitado. É sempre depois da morte que alguma ação mais contundente começa a se desencadear. Passados sete dias da morte – contado com o dia fatal – o ministro bem mandado voador da Justiça, José Eduardo Cardozo, chegou. Seja por desconversa com os indígenas ou pela chegada da tropa da Força Nacional, ou pelo vale-não vale, obedece-não obedece a ordem judicial, a Fazenda que foi a pólvora da explosão reocupada Buriti, amanheceu vazia. Mas ainda segue a diáspora do gado da região...

A tropa da Força Nacional assustou inicialmente e depois conversou, ponderou, permanece mesmo como garantia e "reconhecendo o território". E o que ficou vazio voltou a se preencher... As justificativas são as primeiras a surgirem com o mea culpa longe de acontecer, afinal foi um conflito da velha tragédia anunciada entre índios bem armados, capacitados e policiais estaduais, especiais e federais desarmados e desprotegidos. Até a cega Justiça já sabia do sonho premonitório do Mártir Indígena... Reintegração de posse (posso?) ou demarcação de terra? Em início de corrida eleitoral, ninguém quer se manifestar definitivamente sobre a ferida pré-Américo Vespúcio, que mesmo chegando depois de Colombo teve seu nome batizado na nossa América, era um grande mentiroso... Ou politicamente falando, exagerado.

Todos procuram uma solução que não afete ou se atrele a sua imagem aí em 2014. O ano eleitoral onde Oziel Gabriel, o guerreiro, será tão citado diante do palco tão montado e divulgado do conflito entre polícia e índios. Só que o palco é entre proprietários de terra e os tutelados da União. Claro, que proprietários pode ser lido como políticos ou vinculados com. O guerreiro morto exaltado, teve sua finalidade de unir a massa mais manobrada desde sempre. As palavras do cacique da aldeia Córrego do Meio, Antônio Aparecido Jorge, foram as mais pontuais e que junto ao mártir entrará para a história: “Para desenrolar um processo levam décadas, mas para surrar indígenas é questão de segundos. Mataram o corpo, mas não mataram nosso pensamento.

O problema é saber qual é esse pensamento. Depois de quatro dias de espera para o enterro, o corpo se foi, a idade ficou parada naquele corpo de 35 anos, mas esse pensamento desconhecido segue e o morto vive junto às justificativas das novas invasões e ao “confundido” primo paralítico. As manifestações apenas começaram e vem em caminhada acumulando outras vozes alteradas. Mas, a ingenuidade de quem está no poder é ensaiada com a nossa que pensamos: “finalmente a União agirá”. Fingindo não saber que a reunião só aconteceu depois da invasão indígena à sede do PT no Paraná. Foi totalmente sem pressão.


Vamos voltar ao pensamento coletivo que deduzimos ser respeito, o mínimo de condição de viver e o direito à terra como todos nós o temos, mas não somos todos tutelados... Os Terena recebem agora apoio de todos os índios que tiveram conhecimento de seu mais novo mártir, - além do Movimento Sem Terra (MST) e dos que assumiram ser indígenas e dos indignados e ... - ele uniu as tantas tribos desunidas. O índio percebeu a força que tem,rasgou o desafio da Justiça em forma de mandado e o transformou em um grito de guerra. O medo do colonizador voltou depois de mais de 500 anos e ainda não se sabe quem veio primeiro: a terra ou o índio...!? (Deve ter sido a política...!).

3 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom, coerente, objetivo! mamys

José María Souza Costa disse...

Olá, Bom dia.
Quando Cabral, ancorou a sua canoa, no litoral da Bahia, e pegou aquele índio, colocou dentro, e conduziu até uma de suas "naus",e deu-lhe para degustar, um pedaço de presunto de porco, cru ( isso está relatado na Carta de Pero Vaz Caminha , certamente iniciava-se ali, o maior estrupo interhumanitário nesta terra. A História, de violação aos Direitos dos Povos Indígenas, é patrocinada por um Estado, que patrocina uma elite, que por sua vez, tem os seus desejos individuais-familires, alimentada por esse mesmo Estado. A violação, aos Direitos dos Povos Indígenas, patrocinada, por um Estado sanguinário, preconceituoso,selecionador, discriminador, é ancorado na impunidade contra os menos favorecidos, onde os artigos, incisos e demais, são redigidos exclusivamente, para proteger assassinos, assaltantes, malfeitores e asseclas, pincipalmente, se estes usarem ternos e gravatas, e uma cadeira em quaisquer dos parlamentos.
O Brasil vive hoje, um pool, de Manifestações, entendo ser um comportamento salutar, fazem parte das ferramentas, que sustentam as Democracias e elencam as Liberdades de Expressões. Sempre surgirá um cadáver nessas manifestações ? Aí depende da Elite que está sentada na Cadeira Executiva. Não é salutar. Não é Republicano. Não é lícito. Arrastar cadáver, bisbilhotar, espionar, fugir do diálogo, é um comportamento de Ditaduras Sangunarias, e muitas delas, enfeitam-se, com reboceteios democráticos, até, fingem fazerem escolhas populares através do voto. Aqui, no Brasil, a politica partidária, escoradas em Siglas que não difere muito uma da outra. Talvez, a diferença esteja na cor do logotipo, e no modo ou modelo de como enganar e tanger a patuléia.
Precisamos, nós, escolhermos com sabedoria, os nosso representantes.
Adoro, vir até aqui.
Abraços.

Rafael Belo disse...

É bom ter opiniões tão contundentes e embasadas, além da tua nobre presença por aqui meu caro. Obrigado pelo comentário que reluz nas vozes unidas pelas ruas. #vempraruacg