sábado, agosto 31, 2013

Não é de uma hora para outra (miniconto)

Não é de uma hora para outra (miniconto)
por Rafael Belo

Estava olhando para o céu limpo, cheio de estrelas que pareciam brilhar mais de onde estava. Longe da cidade, as únicas luzes vinham das estrelas. Nem a lua aparecia. Mas, na verdade o universo estranhamente olhava de volta. Como um chamado, todo o espaço o fazia se sentir observado. Algo dizia a ele que era vigiado por aquela imensidão sem fim. Nada de perseguição, eram palavras. Ele as via se formar na mente, embaralhadas. Eram rastros de significados.

Ele sempre se sentiu assim, porém o céu o chamava com mais força. Demorou para compreender que este brilho que o cegava como um incêndio intenso e abrasador não vinha da sua mente rápida e de atropelos... Vinha... Vinha de outro lugar. Nunca se preocupou em olhar para cima. Conhecia prédios e edifícios pela metade, meias árvores - se é que existe algo assim - e assim por diante. Não pensem que isso o deixava infeliz ou no prejuízo, pelo contrário. Ter resposta para tudo, ter cada coisa limitada pelo próprio conhecimento, ou falta de, o fazia feliz.

Não é de uma hora para outra. Aliás, nada acontece de repente. Mas, para não cair na besteira de assim pensar e bradar aos quatro cantos é preciso de um empurrãozinho. Neste caso um belo tropeção e aquele estabaco no chão. Estabacado e desiludido. Ele estava lá naquela visão panorâmica, escura embaixo e em cima, quando deu por si, havia dado uma volta no ar e caído com tudo sobre as costas. Sem ar e dolorido permaneceu na posição por quase uma hora completa. Deixou seus olhos passearam por onde podiam e, finalmente, admitiu aquela confirmação de vigília.

No entanto, era mais. Era um encontro. Seu universo definitivamente parava de chamar e se encontrava naquele olhar inocente e estrelado. Além de qualquer saber ele sentia. Sua alma se acendia com uma chama interminável e assim como o universo se via nos seus olhos ele se via no reflexo do universo. Eram continuação um do outro. Não queria se levantar, mãos fez. Se afastou da cidade e do alto do morro cercando a cidade, não olhou para baixo se deitou na grama molhada e se olhou por brilhos. Não estavam só chamando, todos os rastros de estrelas que já não estavam mais vinham de tudo, mas principalmente de sua própria alma.

2 comentários:

Cristina disse...

Excelente relato... sentir un destello de luz desde el interior del alma.
(Algunas veces el traductor puede confundir el texto, pido disculpas si me equivoco en la interpretación).
Bello sábado, abrazos miles.

http://perfumederosas-cristina.blogspot.com/

Rafael Belo disse...

es una interpretación más bien, Cris , rs muy adecuado . gracias por la presencia hallazgos. un fin de semana increíble para usted. besos.