sábado, setembro 14, 2013

Só a Chave (miniconto)

Só a Chave (miniconto)
por Rafael Belo

Como muitos gostariam de fazer, vez ou outra, ele pegou o carro e dirigiu sem destino, tentando não pensar em nada. Só percebeu o quanto o tempo havia passado quando o carro acusou que o combustível estava para terminar. Aquele som o trouxe de volta, mas logo se dispersou novamente e seguiu se esvaziando. Pensava estar tudo sobre controle com ele ao volante. Pensava assim até o carro ir perdendo a velocidade e parar de vez. Acabou o combustível. Não era a mente que estava vazia.

Olhou para o pulso, mas há tempos não usava relógio, procurou o celular e viu a imagem deste espatifado na parede quando um aplicativo travou. Olhou para um lado para o outro, girou sobre si mesmo atento a falta de detalhes ao seu redor. Circulou o carro, tirou a chave do bolso e a girou no painel o tein tein tein do tanque vazio acusava, mas ele estava interessado nas horas no painel. Exatamente 19h. Recém-noite. Pensou na real economia do carro: “Oito horas seguidas sem reabastacer...”. Depois de um primeiro passo.
Nunca havia feito nada sem planejar, sem analisar, sem saber cada detalhe antes de abrir a boca e realmente se aproximar e agora... Bem... Agora estava em um lugar totalmente desconhecido há 973 passou de seu carro e volta e meia torcia o pescoço para tentar enxergá-lo no meio da poeira e secura do ar. Seus olhos ardiam. Os fechou e começou novos passos cautelosos, “tateando” o chão com os dedos dos pés e depois com toda a planta. Estava descalço como não fazia desde criança.

Sua companheira angústia parecia ter desistido dele quando perdeu o controlo, junto a imagem do celular. Após tropeçar e machucar os pés em algumas pedras, cair e dar com a face em diversas árvores. Voltou a abrir os olhos. Tinha perdido toda a referência de tudo. Não sabia em qual direção torcer o pescoço para enxergar seu carro. Portanto decidiu não ter torcicolo. Teria passado um filme em sua mente sobre sua vida, mas a vida não era um filme, ele entendeu. Nada de mocinhos e de vilões ou movimentos calculados. Suspirou e largou os ombros. Ergueu a cabeça, marejou os olhos e decidiu caminhar até os pés calejarem. Mas em sua mente ainda não tinha certeza se havia ligado o alarme e travado o carro.

2 comentários:

Cristina disse...

Es un poco loco salir sin rumbo y no pensar que el combustible se acaba... pero depende la situación, a veces cuando uno quiere desenchufarse y apartarse del mundo no razona las consecuencias.
Un relato excelente, te dejo un fuerte abrazo.

http://perfumederosas-cristina.blogspot.com/

(¯`'•.¸(♥)¸.•'´¯) Te deseo un hermoso fin de semana! (¯`'•.¸(♥)¸.•'´¯)

Rafael Belo disse...

Gracias querido Chris. metáforas son tantos, pero siempre es para asegurarse de que no tenemos control, pero se pueden preparar. un domingo excelente para usted, mil besos.