terça-feira, outubro 15, 2013

A luz na escuridão

A luz na escuridão
por Rafael Belo
A luz atrai e melhor exemplo desta atração é no meio rural. Aquela escuridão total e ao longe um ponto iluminado. Depois de todo um dia anterior chuvoso, tudo vai para a luz. Parece representar aconchego, segurança e paz. A não ser que a chuva tenha dado a vida a milhares de insetos. Fascinados pela claridade se jogam, se entregam e vão.  Um frenesi sem fim. Para quem não vê a origem do debater nas paredes, teto e chão pode confundir o som com chuva de granizo. Mas a chuva é de insetos e não termina enquanto a luz estiver acesa.

Há tanta variedade de insetos nesta mistura voadora de pequenos kamikazes que é impossível não confessar que pode assustar, e assusta. Como dormir com tantos insetos rastejantes procurando um vestígio de claridade ou quem sabe uma fragrância de calor. Confesso detestar e levantar as orelhas para escutar qualquer sinal voador zumbido no meu quarto para encontrar a origem do som e tirá-la dali. Há muitos orifícios que ninguém gostaria de ter invadido por uma mosca, barata, besouro... Nem Nada.

Então imagine... Certa vez sonhei que tinha uma caranguejeira vencedora do Guinness Book dormindo em minha mão direita e quando acordo uma barata dormia com as antenas rebaixadas... Épocas de reforma no início da adolescência dormindo no chão na casa da irmã mais velha. Mas, veja bem, não temo insetos. Até os fotógrafo bem de perto. Mas pense dormir no chão com eles por toda parte e cada vez mais aumentando. Forrando o chão. Fazendo o chão parecer vivo, tonto e a cada varrida mais e mais aparece.


Portanto, não há sossego para quem quer a luz. Concretamente e metaforicamente parece ser assim. Quem está mentindo, agredindo, roubando, matando e outros males, parece até querer ir para a luz também e a segue, mas nem sempre sai da escuridão, não consegue clarear este escuro sentimento de se sobressair custe o que custar.

Ser a sombra apagando o outro. Querer ser à força o mais forte, mesmo os tempos serem outros e os sobreviventes serem aqueles que melhor usam o maior e mais pesados músculo. Assim o cérebro equilibra a equação. E a adaptação evolui. Porém, os insetos. Ah, estes sempre fazem sua chuva ser maior do que seu som acusa.

2 comentários:

Leoana Melo disse...

Estou lendo seu blog de ponta a ponta, as palavras parecem tão... incríveis escritas da sua forma. Você faz coisas cotidianas (ou talvez não) parecerem tão diferentes, e quase inexplicável, um incrível modo de escrever. Gostei muito e prometo aparecer sempre aqui no blog. E também gostaria de saber se você já escreveu ou pretende escrever um livro?

Rafael Belo disse...

Obrigado pelas palavras Leoana. É um prazer compartilhar e saber que toca assim. Mas, não infelizmente não tenho um livro, mas pretendo sim começando por publicar este blog neste formato. Pique achas? Bj