segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Ilhas e tempos

Ilhas e tempos

por Rafael Belo

O tempo pode ser considerado uma ilha. Uma ilha particular. Cada um tem a sua. Às vezes poucos segundos, ou menos que isto, e já criamos pontes com outros tempos, outras ilhas. Outras vezes são necessários mais minutos, meses ou anos. Mas é preciso que tempos e ilhas convivam e queiram conviver para desbravarmos onde estamos, somos e muita calma para dar as mesmas oportunidades para o outro. Porque sabemos da lupa e os problemas. Lidar com eles, ignorá-los e os tratar como se não existissem é uma forma de nos colocarmos no lugar do outro porque realmente para algumas pessoas nada disso existe. Nem tempo nem ilha.

Mesmo vivendo neste arquipélago psicológico e repleto de temperamentos se digladiando e alfinetando, os fenômenos naturais aliados as nossas persistências se repetem todo ano. Chuvas e fatalidades, velocidades e mortes, marcas carregadas pelo oráculo repetitivo no calendário, no noticiário e nas conversas por aí. Carregamos o desleixo com o qual tratamos nossas vidas fazendo questão de esquecer o peso de cada decisão, escolhida a dedo, no atropelar de nossa pressa, feita pelo nosso tempo.

Do ponto mais alto da nossa ilha cercada de serras e da nossa própria natureza, até o outro faz parte disso. O vemos por meio de nós, através dos nossos olhos pré-concebidos. Estes nossos olhares do avesso. Avesso porque por mais que se aproxime da versão original deste, não é como ele se enxerga, não é como ele se encaixa no arquipélago concebido em um todo como mundo. Mas nestes tempos cada vez com ilhas mais isoladas, há pegadas dos outros nas praias, há sinais nas cachoeiras, há muito de nossa areia por aí, nos pés, pele e olhos dos outros.

Somos nós ganhando um espaço nas outras praias, em outros tempos. Tentando compartilhar nosso particular e, com o tempo, nossas fronteiras se libertam se misturam com outras ilhas e são outros tempos por mais que esta Roda-Gigante, esta Montanha-Russa, acelere, gire, caminhe de costas, fique de ponta cabeça, diminua, em algum ponto descobrimos que o vento nos carrega e deixa um pouquinho do avesso do nosso olhar circulando em quem faz/fez parte do nosso ilhar tiquetaqueando.

2 comentários:

José María Souza Costa disse...

Estimado, Rafael Belo.

Este fenômeno que chamamos de vida, tem dessas coisas; cada um, desenha e arquiteta a plenitude dos seus sonhos. alguns sim, fazem da vida um verdadeiro carrossel, outros uma planície, e existem até, os preguiçosos iguais a mim, que nada fazem, senão contemplá-la.
Viver, é uma arte. Ancorar a vida nessa ilha do tempo, é uma questão filosófica.
Que bom que tenhas voltado.
Desejo-te um tempo novo de: Paz e Alegria.
Um abraço.

Rafael Belo disse...

Obrigado meu caro. É sempre bom estar de volta com o sentimento de novidade nas palavras e os bons amigos para compartilhar. Abs