sexta-feira, janeiro 01, 2016

Eu Tempo (miniconto)



“O que aconteceu entre nós será notícia no primeiro dia do ano, o que veio antes e virá depois irá preencher o início do novo... Você é meu ano novo – sempre digo isso – e também minha virada”, ontem eu disse isso para a Força e pensava se o silencio era melhor diante da quantidade de palavras, ou melhor, sentimentos a dizer. A olhei nos olhos até tudo distorcer perante as lágrimas de entendimento escorrendo sobre meu sorriso bobo.

Bobo ou não era fácil ver que todos esperavam 2016 e há algumas horas este ano chegou mesmo com a cachorra olhando sem noção de ir ou voltar. Sexta-feira é um ótimo dia para chegar como quinta também o é para partir. Não sei se há forma ruim de ir embora ou chegar e por mais maltratado que 2015 tenha sido, acredito terem sido necessários de alguma forma o que se passou. Até os piores anos aconteceram e não foram todos eles eu?

Podem dizer - e o dizem – eu ter sido mal coletivamente e não tão bem individualmente, mas reclamar resolve? Tomar atitude não é remédio é ação. Movimento da mente e do corpo, mas olhe bem: tanta gente foi incrível e para tantos foi maravilhoso. Desde antes de eu começar a ser contado já dependia da forma de olhar, de se comportar, de dar o primeiro ou último passo... Só digo ser inútil me marcar com números e me guardar com as roupas limpas, pois eu serei um lençol branco, porém sujo, te assombrando.

Prometer ao seu suposto ano novo ser diferente do velho não só seria um despautério (ou besteira mesmo) como agir da mesma forma não, não, não, na na na na na não... Você será passado como eu sou fragmentado para todos terem referências ou o mais próximo de uma lembrança datada. “Enquanto tudo acontecia eu crescia sem saber ter que perceber, mas percebia não ser mais o mesmo e pela primeira vez me comparei com um rio...”, disse a Força certa vez.


Falar de movimento das horas... É falar de mim. É como a ladainha sempre feita e eu sou o culpado do início ao fim. Vocês dizem 2016 promete. Eu lembro que sempre dizem isso e mais recentemente 2015 também não prometia? Sou eu ambos os anos! Eu exijo que faça algo, mas não prometa e me use! Chega de me desperdiçar e ignorar e esperar algo de mim... Eu vou envelhecendo (admite envelhecer e reconhece?) não mudando de nome. Não venha me perdendo, me contendo ou me comendo, pois sou simplesmente o Tempo e não deixo de passar.

Um comentário:

Maria Belo disse...

"Sou simplesmente. O tempo e não deixo de passar!" Verdadeiro! Tempo...tempo...tempo! Parabéns pelo texto!