sexta-feira, setembro 02, 2016

Renovação (miniconto)



Todos pareciam ter deixado seus lares. Uma cidade fantasma oscilava diante de Mayana. Ela não conseguia pensar em nada capaz de produzir sons e temia aquela situação, mas já não sabia se era bem assim. Estava em dúvida se surgisse algum barulho teria esperança ou gritaria assustada. A noite parecia ter mais um tom de escuridão e era certo querer contradizê-la. Havia algo acolhedor, um silêncio acariciando os ouvidos com uma intimidade de arregalar os olhos e dilatar as pupilas... Além de... Algo mais...

Seria isso humanidade? Por que me sinto tão atraída para este buraco denso e escuro? Que colorido é esse? Parece vivo... Está fazendo círculo e mais círculos... Produz vento... São borboletas?!!! Mas à noite? Onde estão as mariposas? Tão lindas. Uau! Parecem até estarem dentro de mim também... Quanta luz!! Nossa! Qual a quantidade de transformações? Não é possível acompanhar... Espere! Como... Como... Como isso é possível! Estou em chamas! Em chamas!!! Elas estão queimando o silêncio...

Uma delas. Das borboletas. Está vindo! Rodeando-me. Escuto perfeitamente o bater das asas. Será que tempestades estão se formando em algum lugar do mundo? Droga! Esqueci o carregador do celular no serviço. Precisava registrar estes momentos! Olha! É como se todas as outras borboletas se concentrassem no caminho desta. Pousou na minha mão. Tenho certeza: está me encarando! Será mesmo verdade... Tudo? As borboletas são a parte física das almas? Onde estão todos? E o mundo?

Se for... Serão todas almas? Nossa, será... Uma cortina celestial me esperando para fechar? A escuridão está clareando como se A Luz viesse dela... Rareando, rareando... As Borboletas... Elas têm cores diferentes com todas as variações do amarelo e vermelho, amarelo e vermelho, amarelo, vermelho, amarelo-vermelho...O chão não está mais liso... Tem algo aqui... Eu vou...Ai que dor!! Que dor... Que... Ué! Passou!! ... Quanto tempo eu fiquei desacor... Estou deitada, mas não sinto frio... Sinto a Luz, mas está escuro ainda! A escuridão está viva! Ei!!

Uma leve garoa caia e Mayana entendeu estar cercada de miríades de borboletas. Mas, já havia amanhecido. Todas voaram e desapareceram no ar como se fossem a própria Luz. Só sobrou uma borboleta em uma flor e a borboleta a seguiu depois de um tempo sendo contemplada. Ela sabia. Ela sorria sem querer entender o porquê, mas sentia.

Um comentário:

Maria Belo disse...

Amo borboletas,elas sempre me levam a pensar em renovação...texto perfeito.