segunda-feira, outubro 10, 2016

Camuflados



por Rafael Belo
O quanto podemos esperar para nos permitir? Limitar-nos a ter a experiência do outro é pensar estar tudo definido. Impor-nos barreiras para evitar o nosso inevitável dom é morrer sem sentidos. Como viver sem experimentar, sem dar um passo adiante, sem sentir...? O que vivemos não serve para evitarmos, afastarmos, excluirmos e sim para lidarmos de uma maneira melhor com as situações e pessoas. É como estarmos sozinhos em uma balada curtindo e nos sentirmos obrigados a procurar alguém.

Há sempre olhares insinuantes e cortantes em busca de não terminarem sozinhos. Mas, o medo de ouvir um não, da rejeição deixa estes olhares parados ao avesso do motivo do contato. Olhar é a primeira aproximação, é a exposição das intenções em jogo, mas também há olhares jogando pelo melhor que a vista pode ver. Não estão sozinhos, estão descontentes, insatisfeitos com a escolha, porém foi uma opção segura e é arriscar e se arrepender ou ficar incomodado com aquela segurança insuficiente... Estão camuflados.

Permanecem olhando como se fossem o próprio ambiente. Não querem perder. Preferem o ditado melhor um pássaro na mão do que dois voando.  É isto mesmo produção? Vamos ficar no ok? Vamos aceitar o normal? Vamos esquecer que há sempre um lugar para voltar? Vamos é nos arrepender de não termos arrependimentos porque só se arrepende quem tenta, quem sai da caixinha, quem arrisca ser feliz apesar de tudo, quem não tem medo de pensar e agir, de falar o que sente, de lutar para melhorar...!

Somos nós que escrevemos nossos destinos mesmo sentindo sermos predestinados a certos caminhos. Não criamos uma vontade inabalável por algo impossível porque o impossível não existe. Precisamos escutar nossa alma. Ela conversa o tempo todo e está lá nos sexto, no sétimo, no oitavo sentidos... É nossa intuição querendo ser intenção até estar interação... Se ignorarmos quem somos e quem podemos ser passaremos a vida camuflados e faremos parte do ambiente ao invés de tomarmos o mundo para nós.

Um comentário:

Maria Belo disse...

Infelizmente,muito verdadeiro!Vivemos ignorando quem somos! Quando acordamos,tropeçamos na ânsia de nos encontrarmos! Como diz no texto devemos escutar nossa alma,o quanto antes! Bela reflexão!