segunda-feira, outubro 24, 2016

Somos desconhecidos


por Rafael Belo

Hoje é domingo e estou escrevendo para amanhã.  Amanhã é hoje. Você esta lendo este texto hoje e, até então, tudo era desconhecido. O eu de segunda não é o mesmo eu de domingo. Somos desconhecidos. Estou preso no quarto vendo a chuva escorrer no vidro, a janela balança. Há fortes ventos se cruzando e eles assobiam na varanda. Estou enjaulado aqui dentro sem saber quanto tempo a chuva vai durar. Este barulho de chuva me faz sorrir, imaginar, viajar... Mas qual o nosso conhecimento sobre o tempo? Sobre o clima? Sobre temperamentos? Sobre o outro? Não temos rótulos, etiquetas nem manuais... Somos desconhecidos.

Agora sei. A chuva demorou cerca de duas horas e causou os desastres previsíveis de sempre. Rasgaram os céus cerca de 10, 5 mil raios, a luz se foi em muitos lugares. Mas, até então era tudo escuro, um clarão absurdo de nadas, de zeros, de inícios... Mas se somos algo, seríamos... Não importa o quanto ache ser o mesmo. Qualquer fragmento de ontem atingindo você te fez outro hoje porque somos sim estranhos uns aos outros. Vamos entrando na vida diariamente alienígenas de nós mesmos. Planetas inteiros com gravidade própria absorvendo e colidindo com o planeta mais próximo ou aquele a cruzar conosco. Isso, porque o desconhecido nos espera na janela, na esquina... Aqui dentro do nosso peito.

Estamos sujeitos a autorrejeição se rejeitamos o sistema solar complexo circulando em seus particulares sóis. Para sair do sistema é preciso primeiro entrar e não sabemos o efeito da chuva nos outros porque nem sempre chove do mesmo jeito na para agente. Todos somos desconhecidos em mais da metade dos nossos pensamentos e atos, mas nossa essência continua acesa com a mesma chama intensa. Precisamos nós conhecer melhor...


Eu preciso conhecer pessoas. Você precisa conhecer pessoas. Todos precisam conhecer outros seres humanos. É isso ou seremos sempre vítimas do desconhecido a nos esperar, mas só seremos conhecidos, colegas e, finalmente, amigos se pararmos para nos olhar nos olhos e sorrir. Ouvir para ser e estar no presente, no agora, neste momento porque quando este momento passar o próximo chega e vai nos conhecendo enquanto ainda nos é desconhecido.

Um comentário:

Maria Belo disse...

Precisamos nos conhecer melhor.....sempre!