segunda-feira, novembro 07, 2016

É o inferno!



por Rafael Belo
O lamaçal do ranço das sobras da Guerra Fria ainda me faz pensar não em um mundo múltiplo, mas ainda em algo polarizado. Ainda somos capitalistas e comunistas, liberais e sociais, democráticos e autoritários, egoístas e... Bem, estamos aqui cheios de etiquetas e marcas, tecnologia e distanciamento de profundidade... Basta ver que Dante Alighieri estava certo: “Os lugares mais sombrios do inferno estão reservado para aqueles que foram neutros em tempo de crise moral”.

A moral atual é sobreviver e somos obrigados a escolher um lado para mesmo assim continuar em crise moral. É o inferno onde estamos do nosso lado constantemente porque não há lados. Há a necessidade de analisar todos os fatos possíveis para tentarmos entender a moral da história e o problema mora justamente aí: na História. Se vamos falar de lados opostos, mas que não deveriam se opor bem-vindo à França. Hoje, o país possui dois partidos: do movimento e da ordem.

Obviamente diríamos que ordem é direita e movimento é esquerda. Na concepção engessada intolerante atual – ou seria a de sempre? – haveria opiniões de direita e esquerda se sobrepondo, substituindo, aniquilando a visão de certo e errado. Você escolhe um lado e o outro é o inimigo. Na Revolução Francesa em 1789, os membros da Assembleia Nacional, se dividiam entre quem concordava com o imperador Napoleão Bonaparte e quem discordava. Os à favor do rei sentavam à direta e os simpatizantes a revolução à esquerda. Os supostos de direita não queriam a disposição das cadeiras porque acreditavam sim no apoio a interesses particulares ou gerais pelos deputados, mas não em facções e partidos políticos.

Passados dois anos a Assembleia Nacional foi substituída pela Assembleia Legislativa totalmente renovada, mas as divisões continuavam com “inovadores à esquerda”, “moderados” ao centro e “defensores da consciência da Constituição” à direta. Mais dois anos se passaram e um golpe de Estado mudou a dança das cadeiras. Ninguém sentava mais do lado direito porque os Girondinos estavam presos e quem sobrou foi para o centro. Um ano depois, no 9 do Termidor, marcado pelo fim do regime do Terror onde o próprio Robiespierre e seus seguidores foram decapitados como fizeram com o Rei Luís XVI, a extrema esquerda foi totalmente excluída e o método das cadeiras também foi definitivamente encerrado.

Robiespierre foi o último de cerca de 40 mil pessoas vítimas deste regime, literalmente eles perderam a cabeça, a ideologia original foi distorcida. Em 1814-1815, o “definitivamente” perdeu o sentido. Mas até antes de 1871, início da Terceira República, nunca havia sido usado para definir ideologias, eram a localização das cadeiras do Legislativo. Com a nova República, os partidos passaram a adotar os termos e no século XX, os termos Direita e Esquerda passaram a representar ideologias específicas. Em 1914, os partidos chamados de esquerda se sentavam à direita. Marx diz em seu Manifesto do Partido Comunista:


"classe média - pequenos comerciantes, pequenos fabricantes, artesãos, camponeses - combatem a burguesia porque esta compromete sua existência como classes médias. Não são, pois, revolucionárias, mas conservadoras; mais ainda, reacionárias, pois pretendem fazer girar para trás a roda da história." Para girar para trás é preciso seguir em frente e faz tempo que pegadas solitárias brilham adiante como um visão do horizonte onde estamos parados no inferno criado por nós.

3 comentários:

Jan Ribeiro disse...

Esse período que estamos vivendo é beeeeem doloroso. É urgente que tomemos posição sobre os acontecimentos, mas percebo cada vez mais pessoas fazendo isso sem o menor equilíbrio, o que é muito perigoso.

Rafael Belo disse...

é perigosíssimo não conhecer nossa história, insistir nos erros e ser erro. obrigado por comentar Jan Ribeiro

Maria Belo disse...

Muito importante esse texto,nos faz refletir em mudanças....mudar é preciso!