quinta-feira, dezembro 08, 2016

Mortalha sobre mortalha



todos os sentidos estão afogados nas ruas
em casa a privação tem malícia e sarcasmo no marasmo pasmo com a cegueira das almas


celeiro das inundações cultivadas na própria palma suja de neutralidade
a cidade grita sua fumaça exigente na furtividade do concreto
todo torto reto é frio à indiferença das metades virando deste contexto jogado fora


olha a hora olha a hora não há tempo para achar o lugar do cansaço nas olheiras de aço intolerante aos atrasos


estou cego por ver tanto descaso descalço caminhando calmo sobre os acidentes diários da imprudência
a previdência fez sua prévia fúnebre adornada dos lamentos lascando o povo com os pagamentos da corrupção


quanta privação é necessária para nos despertar - esta gente proletária - e mandar essa cafajestada para Maracangalha?


sente sentido saindo sozinho pelas deficiências escalando a superação das aparências sem sequer sentir o absolutamente nada

apenas chega ao lado das limitações para seguir vestindo novas mortalhas.



(às 15h53, Rafael Belo, quinta-feira, 8 de dezembro de 2016).

Um comentário:

Maria Belo disse...

Descreve bem o caos atual!