segunda-feira, janeiro 23, 2017

Nós somos a conspiração!



por Rafael Belo

As teorias da conspiração nunca se cansam. Estão sempre nos cercando, puxando, empurrando, inundando as programações televisivas, radiofônicas, jornais, web e redes sociais. Ficamos uma espécie impossível de especialistas superficiais sobre tudo induzidos por um tipo de jornalismo que se alastrou e, infelizmente, parece prevalecer. As situações e acontecimentos não estão sendo noticiados para pensarmos por nós mesmos, vêm com intuições e direções já formadas. Não há um balanço de opiniões divergentes e um relato, há fatos divulgados como absolutos e irrefutáveis compartilhados mais rápidos que a reflexão. Vivemos de repetição!

É como se não fôssemos mais capazes de sequer subir nos muros. Ficamos parados em muretas, sentados, amassando o matagal formado em volta, sem olhar os reflexos e compartilhando uma opinião pinçada em alguma matéria fincada em uma plataforma dita de credibilidade como Globo, G1, Estadão, Veja... Quando ainda era estudante de jornalismo fazia algo que não faço mais com tanta frequência: assistia todos os noticiários, lia todas as revistas e jornais para formar minha opinião sobre um assunto, seja qual fosse... Somos, obviamente, humanos e é humanamente impossível ser 100% qualquer coisa, principalmente isentos.

Temos nossos gostos, gestos, valores e tendências, portanto, quando falamos sobre um assunto, e queremos credibilidade, citamos muitas plataformas e fontes para acreditarem mais na gente, para o que dissemos seja levado em consideração. Analisando bem, as pessoas querem ter razão, não basta ter a palavra e serem ouvidas, há de se dar a palavra final, aquela que fica e é considerada a verdade. Seria mais uma teoria da conspiração queremos ter sempre razão ou só mais uma repetição maçante nos fazendo acreditar nisso?


Nem sempre há só uma resposta ou há respostas, mas vivemos nesta privação de sentidos buscando o eterno Arquivo X insistindo que a verdade está lá fora, que tudo tem explicação... Mas, não... Nossa prática é ouvir, mas ainda somos intolerantes e queremos intervir mesmo com fragmentos de informações, nos deixamos ser tomados por emoções ainda mal construídas, mal elaboradas, sustentadas nestes castelos de areia feitos dentro de furacões. Podemos pensar e assim deveríamos...  Não é nossa maior diferença pensar, refletir? Nós somos a conspiração!

Um comentário:

Maria Belo disse...

Muito bom texto...devemos sempre refletir e antes de comentarmos ver todas as fontes!