segunda-feira, janeiro 30, 2017

Troféu Dono da Razão



por Rafael Belo

As tempestades isoladas na cidade correspondem às pessoas sorridentes por aí. Você não precisa estar nublado e chovendo torrencialmente o tempo todo, basta clarear os sentimentos mesmo com o tempo fechado. Muito sol faz mal, chuvas exageradas nos transbordam e achar que é entendido da maneira que você diz e entende as pessoas é excêntrico até para a excentricidade. Há quem ache as indiretas o antigo suprassumo do ó do borogodó acumulando a redundância no mundo nebuloso da clareza.

Mas, não! Se tem algo a dizer procure fazê-lo da maneira mais clara e direta possível, desenhe se for o caso, compare com situações comuns ao se receptor - ou simplesmente seu ouvinte - e tenha a mais absoluta certeza do entendimento deste. Indiretas só causam confusões a não ser que este seja o caso: causar confusões. Aí é fácil. Talvez queira fazer as pessoas pensarem e fale sobre a situação sem qualquer rodeio tentando colocar em palavras cada detalhe do assunto exigindo uma reflexão e não uma concordância com o dito, sem querer induzi-la a pensar como você... Boa sorte com isso.

Há uma intimidação muito grande diante de uma pessoa com opinião formada e exposição do que pensa. Somos contestados, comparados ou forçados a crer em uma tal obrigação de dois lados sempre. Esta dicotomia inexistente está presente no mais fulo diálogo, na mais simples tentativa de emendar uma conversa, na mais direta aproximação como se houvesse uma competição no jogo de palavras e no final o ganhador levasse o troféu dono da razão. O Bem e o Mal são extremos e nós estamos em várias áreas cinzentas entre eles porque somos capazes de atitudes boas e ruins, mas não somos definidamente uma coisa OU outra, somos esponjas.


Os contrastes são nítidos, mas vivemos em uma sociedade míope que não admite ter problemas de visão. Uma sociedade seguindo as direções do vento, deixando a vida levar... Mas ser mal interpretado pode ir de encontro ao humor do outro, porém vai principalmente de encontro à experiência pessoal de cada um e ir ao encontro do outro é necessário para evitar conflitos porque as tensões são tantas que qualquer atrito pode provocar um incêndio avassalador. Ainda mais na nossa atualidade cada vez mais acirrando a competição e a disputa ao invés da resolução, união e da palavra amiga que tanto precisamos.

Um comentário:

Maria Belo disse...

Transparência sempre! Quem nunca entende as indiretas jamais entenderá as diretas!