quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Só na memória (miniconto)



por Rafael Belo

O caos impera minha ordem como o amanhecer precede a tarde e o anoitecer. A família esta toda ali se encarando, se analisando, falando amenidades só para enfatizar não ter diálogo, não terem nada haver. É uma legião de pessoas com legiões de pessoas dentro da própria mente. Arquivos de mágoa, rancor, ódio, confusão e o silencio mortal. Há tanto veneno destilado, guardado e destinado... A cada individuação ali, o Eu grita para ser sentido dentro da própria ignorância, mas a percepção só percebe a partir dela mesma e, às vezes, tudo são resmas empilhadas de papel sulfite em branco. Não adiante escrever, ler, perceber, mas não se envolver... Meriene tenta só observar, porém todo vez é arrastada para o meio de qualquer coisa.

O ambiente e o comportamento padrão e repetitivos podem remontar há milhares de anos do mesmo nesta família, a Mixes. É possível eles nem sequer terem tido oportunidade de fundir, ou equilibrar, pensamentos e coração. Sentir e pensar entram em conflitos de emails pela distância absurda criada por Meriene Mixes. Cara mente de Meriene, sabichona como é, sabe quem somos, mesmo assim nos apresento para, afinal, agir. Somos os sentimentos longínquos perdidos de Meriene. Fomos isolados do coração. Pelo movimento e correria, estamos nos pés. Estamos muito doloridos e latejantes. Deve haver muita quina e objetos escondidos no caminho...

Viramos fobias e medos criando sintomas doloridos em diversas partes do corpo, mas não podíamos nos desenvolver apenas sendo nós mesmos, precisávamos de orientação. Juntos, saímos todos dos fragmentos do coração e depois de tanto tempo tentando chegar até você, nos perdemos. A mente não se envolver sozinha, mas consegue lembrar de como era se envolver, aí estão os erros tanto procurados por ti. Para se resolver, precisamos nos encontrar para identificarmos nossas origens. Nosso coração só tem cicatrizes frágeis. Ainda somos os mesmos e vivemos as sombras de sermos mais. Sabemos, somos o coletivo sentimentos e precisamos dos seus conhecimentos para ir a algum lugar.


Seria o começo do fim, mas não sabemos haver meio ou meios. Este email pode acabar na lixeira ou ser eliminado como spam e todos nós vamos viver como teclados, cordas, válvulas, sopros... Enfim, instrumentos com notas de outros tons, de outros sons, emoções adulteradas, formas corrompidas de viver ou extravasar nós mesmos, os sentimentos. Lamento, lamentamos, se puder entender o significado, se não, acesse a memória e entenderá, espero. Esperar vem de esperança. Você entende o conceito, mas já não esta cansada de só pensar sem se conectar com o agora? Separados assim podemos ambos deixar de existir porque o passado não existe mais, está só na sua memória. Vamos nos encontrar e começar uma nova história. Atenciosamente, Sentimentos.

Um comentário:

Maria Belo disse...

"Esperar vem de esperança".Muito bom!