sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Vou estar lá (miniconto)




por Rafael Belo

Já era um ano perdido. Eu, Anara, vou mudar de nome. Talvez as más escolhas parem de me encontrar. Se pararem de me procurar já fico satisfeita. Quem conhece meu rosto já se foi… Agora preciso de uma nota de desaparecimento e morte por dedução com um nota de falecimento veiculada em toda parte. Depois é voltar-me a força divina mais próxima, quem sabe uma novena, e pedir para ser esquecida e não atacada.

Houveram guerras invisíveis aos meus olhos, mas não aos meus ouvidos e minha intuição. Nada fiz. Preferi a razão tão em desuso. Minha cabeça rolou duas vezes e nada a substituiu nem minha função foi preenchida. Devo ser uma lenda ou a lenda específica da mula sem cabeça com adaptação brasileira para a burra sem cabeça. Seria redundante? O peso de uma pena pode derrubar um elefante…

Viviam me perguntando se vivo de ética, de moral e caráter. Pelo visto morro deles também, mas consigo sorrir de verdade, dormir com leveza, ser bem lembrado… E minha alma, vestindo este corpo, é toda gratidão mesmo quando não há um tostão para um filão, vulgo pão. Talvez eu tenha valores de mais ou seja demais ter valores, mas agora penso em um nome novo para mim? Você pensou em utopia? Já me sugeriram antes…


Não se preocupe. Vou encontrar um. Morro todo dia um pouco de mim. Outras pessoas vão diminuindo anonimamente minha população mental, às vezes um universo inteiro explode sem deixar vestígios, mas é bem possível um novo surgir no lugar… Uma supernova sem bandeiras separatistas, extremistas, consumistas da mente, devoradoras de alma, Jack Estripador dos corações… Quando eu me calar, vou estar lá.

Um comentário:

Maria Belo disse...

.....morro todo dia um pouco de mim..muito bom! Forte!