segunda-feira, março 06, 2017

Pequenas luzes refletidas do Amor



por Rafael Belo

Há tantas formas de se relacionar nesta extensão virtual de nós. Tornamo-nos trocadores de likes, interpretadores de indiretas, avaliadores de hahaha, desculpe é haha só, uau, amei e grr. Na hora do diálogo aparecem centenas de páginas em branco e sorrisos amarelos. Naturalmente é possível ir para os ditos finalmentes sem antes, durante e depois. Mas, nosso coração está distante dos nossos pensamentos e mesmo assim eles estão em conflito. Ao mesmo tempo do querer, há o medo de sofrer e de se machucar de novo. Quando vamos em fragmentos para onde deveríamos estar inteiros nada acontece de verdade, é só um trailer bem editado.

O filme na verdade é bem ruim nem valeria à pena assistir porque a vida não é um filme, porém, precisamos praticar para aprender e nos permitir. Somos protagonistas mesmo em plena amnésia alucinatória do nosso amador coadjuvante, escrevemos nossa história. Óbvio. Existe o medo, a insegurança e todos os obstáculos para vencermos. Demoramos para entender e, às vezes, nem entendemos qual é o nosso caminho, mas temos uma necessidade imensa de compartilhar, torcer por alguém, ter alguém ao nosso lado, mas quase a totalidade dos nossos relacionamentos estão longe do Amor. Cobramos presença, reciprocidade, satisfação, atenção, carinho... Amar é espontâneo, é soma, é liberdade, leveza e totalmente de graça.

Se precisarmos cobrar, já tem algo errado fazendo ruídos de correntes arrastando no chão. Não nascemos para sofrer, nem perder, é uma questão de ângulos do olhar. Estamos evoluindo – ou pelo menos deveríamos. Honestidade e sinceridade são os melhores guias e olhar pela visão da outra pessoa também. Não somos donos de nada nem ninguém. No entanto, jogamos expectativas para toda parte e deixamos de somar para dividir, diminuir... Vejo anulação, acúmulos, parcialidades e submissão por toda parte, presentes em relações nada saudáveis. O Amor não é cego. Cegos somos nós com nossa arrogância e egoísmo pintados na aparência, peso, conhecimento e tão pouco discernimento quanto à pequenez da alma. É fácil matar a palavra amor e seus derivados, mas o verbo, a encarnação Amor não acaba, não morre.


Somos fortalecidos por Ele. Os relacionamentos vividos por mim e aqueles do meu conhecimento não me deixaram hoje só, pelo contrário, me esvaziaram de preconceitos e clichês para um novo eu crescer. Precisamos estar bem e saber sermos inteiros para abrirmos a mais tenra intimidade para o outro. Não aquele a nos completar, mas a caminhar conosco. Somos completos. Somos inteiros. Quando formamos casais de qualquer gênero só precisamos estar dispostos e disponíveis a sermos mais livres, além de entender o caminhar juntos, mas individualmente nós mesmos. Até lá, viveremos fragmentos, lampejos, pequenas luzes refletidas do Amor.

Um comentário:

Maria Belo disse...

......até lá viveremos fragmentos...perfeito! Somos sempre inteiros!