quinta-feira, abril 13, 2017

próprias mãos



o outro ouve ouro mas é mais um mantido na manada
não é outro é o mesmo corpo maltratado prata da casa ignorada
parte de degraus escada para o nada não é pedra é almofada
um amortecimento da anestesia vendida em cada esquina liberdade de fachada

valoriza a fogueira das vaidades chamuscando falsos donos por dentro
o orgulho oportuno dá um mergulho no escuro profundo da superficialidade
não há ninguém de verdade nestas covas rasas valas da exaltação do sou bom

pirataria é falsificação do dom quando o sono de outono vai cair sem chegar ao chão
estou a dormir mas não fecho os olhos não vou invadir a minha paixão
desistir da ilusão de seguir repetir o passo de quem está ao lado preso em tantos laços indo na mesma direção
pisando passos partidos pelo perdido passeio alheio da manada manifestação muito jogada está em observação a debandada do eu a ação da destruição da autenticidade da personalidade do outro em vão
mataram nossos irmãos com nossas próprias mãos.


+às 13h01, Rafael Belo, quinta-feira, 13 de abril de 2017+

Um comentário:

Maria Belo disse...

"O sono de outono vai cair sem chegar ao chão" Perfeito#