sexta-feira, fevereiro 20, 2009

___________________________________Luz acesa 

Por Rafael Belo

Foi dormir e acordou com o coração disparado. Não havia ninguém em casa. A Escuridão mais uma vez tenta afastá-lo da Luz. É com freqüência esta repetição. Uma tentativa de trabalhar em conjunto com o medo. Um pesadelo e tanto o deixou tremendo. De longe, sob a luz da tevê, ele vê os objetos da cozinha rodarem no ar como uma dança macabra. Sons ininteligíveis viam. Ele sabia a direção de tudo aquilo: ele mesmo.

Diogo se afastou muito desta vez. Lá fora ele via a escuridão se aproximar, o pressionar. Mas, também estava no pé do ouvido tagarelando. Ele ouvia como pensamentos e cavava mais a ilha de desilusão e desespero se arruinando na solidão dolorida de talvez não existir. Uma depressão o anulou, o deixou com vontade de suicídio e sua ilha era engolida mais e mais para a escuridão chamada para entrar. Seus olhos tremiam na cozinha. 

Decidiu ir até lá com uma respiração pesada e um medo absurdo como se não tivesse ninguém como se fosse abandonado. No dia anterior ele se sentia manipulado e com maus pensamentos de todo o tipo de morte e destruição. No decorrer de um domingo ele sentiu uma paz imensa que dizia confiar nele.  Sem precisar de mais ele imediatamente sem sequer perceber parou com os maus pensamentos. Descobria ali um a um os motivos da falta de vontade e descaso próprio.

Viu o abandono dos dons e a obsessão por desejos vazios. Mudara com um sentimento. Mas, quando à noite veio ele quase clamou pela volta. O pesadelo durou horas e ninguém presente (pais e sobrinha) ouvia nada, via coisa alguma. A sobrinha arrumava as malas, os pais vidrados na televisão... E toda aquela Escuridão o danando como um caldeirão de cozidos dele mesmo. Acordado olhou para os vazios da casa e voltou a deitar ainda tremendo o pesadelo. 

Havia abandonado suas crenças e seus dons. Ao voltar se deparou com uma barreira. Poderia ter “voltado atrás”, mas não agüentava mais tanta escuridão. Tudo como uma metáfora mais elaborada do que apenas o Bem e o Mal. É o aviso de maldade. Da má influência. De como somos mais carne e obscurecemos o espírito para satisfações e nossas luxúrias. Como podemos ser fracos sendo tão fortes? Nossa Alma é tão maior e ainda fingimos termos outras necessidades... Acenda a Luz!

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2 comentários:

Isolda disse...

“Como podemos ser fracos sendo tão fortes?”. Mais uma dúvida da cruel humanidade. A frase me chamou atenção no texto – geralmente, as dicotomias têm esse poder. Qualquer resposta não será mais que hipótese, então vou considerar uma. Na minha alucinógena opinião, todos nós, seres humanos, somos, de alguma maneira, fracos. Mas precisamos, a vida inteira, ser fortes.

Não sei. Posso estar falando besteira, mas acredito na fraqueza (na preguiça) como natural do homem. Fortaleza (coragem) é artifício quando precisamos levar a vida de outro jeito.

Devo estar muito down hoje.

Abraço.
Isolda.

www.isolda.blogger.com.br

Rafael Belo disse...

Não só está estava tendo uma visão específica do mundo. As fraquzas existem, penso eu, e devem sempreee existir para nos fortalecer. Mas, não vejo fortaleza como coragem. Fortaleza é quando se tem confiança em si e em ALgom Maior! Beijo ISolda. Obrigadoo