quinta-feira, julho 20, 2017

para de acabar




aquele sopro frio do tempo foi aquecido no exato momento do calor amigo
perigo jamais existia neste saboroso prato envolvido palato nosso abrigo
nos ingerindo interino viva poesia por este contar comigo sem fim

em quantos invernos tu não foi fogueira e seta na minha direção?

esta chama infinita aquece tanto o coração a congelar sorrisos em qualquer menção tua
nem na lua há dispersão e desperdício já que somos proprícios a melhor imaginação
ação real na atuação dividindo a vida sem distância nos damos esperança somos irmãos

sãos somos nada mas na insanidade do outro somos estrada vamos jornada verdadeira amizade itinerante lar
rimos até do ar estamos prontos para doar nossa força e fantasia ombros todo o precisar

caímos folhas hibernamos ursos somos fogo e úmidos caminhamos juntos e o mundo para de acabar.


+ às 08h43, Rafael Belo, quinta-feira, 20 de julho de 2017 +

quarta-feira, julho 19, 2017

Até o próximo (miniconto)





por Rafael Belo

Nevou pela primeira vez durante minha existência. De repente a densidade daquele branco pareceu nos transportar. Foi como um sonho que tive durante boa parte da minha curta vida. Éramos sobreviventes sem memória. Eu ia à frente e ele da metade para trás. Eu corri quando a brisa fria marítima trouxe a maresia aos meus cabelos. Terminei não só pelo inverno tenso, mas pela liberdade. Decidi que a verdadeira liberdade começa com esta frieza por falta de reconhecimento. É como um fechamento a vácuo, um passeio no limbo ou queimar o chuveiro sem a gente perceber e a temperatura está negativa...

Quando corri ninguém me seguiu, a temperatura estava muito baixa e pesou em todos. Ninguém sabia de nomes ou lugares. Éramos os caminhantes. Vestidos iguais. Andando iguais. Mas não. Isso me incomodava. Eu precisava sair dali com muita pressa. Por isso, ainda estou correndo e já não há frieza. Eu reconheço está liberdade.   Eu sei o que não sou. Já é muita coisa, não é? Ainda é 2017? Não vejo torres, prédios, barcos, carros nem ruas ou postes... Espere! É um poste lá entre as pedras e a areia cinzenta?! Este vento me açoitando não me deixa entender o motivo das minhas lágrimas... Ainda esta frio aqui dentro!

Eu corria sem olhar para trás. Mas não precisava. Sabia que ainda desciam aquela estranha escadaria, seguiam em direção as pedras arredondadas para as areias cinzentas e aquele mar agitado avançando sobre a fila. Não viriam atrás de mim. Não hoje. Não agora... Talvez amanhã se o houvesse... Mas é bem provável não haver nada mais até o fim do dia. Veja! O mar está avançando metros em minutos. Tudo vai voltar a ser mar. Tudo não! Esta sobra por aí... Seremos lavados, as energias limpas, renovadas e então... Descobriremos. Nós somos o passado e nem sabemos disso.


Olhei para cima e vi os pássaros migrando. Era isso não? Mas eles estavam atrasados. Alguns caíam como folhas soltas pelo tempo seco. Outros viraram cinzas, mas dois... Aqueles dois... Pousaram! Pousaram exatamente na minha dúvida. Era um poste. É um poste e tem fiação... Eles parecem saber de muita coisa. Eles esperam algo... São o mesmo, não são? Outono, Inverno, Primavera e Verão... São estes dois e no fim são um só. Eles são as estações... Não se pode atrasar as estações. Uma hora a gente entende a necessidade de passar por cada uma delas, por isso não posso me atrasar. Vou continuar correndo até me lembrar o motivo porque ou você vive como ela vem ou fica como está até o próximo inverno chegar.

terça-feira, julho 18, 2017

deixe o inverno ser



migram pássaros para quentes espaços no silencioso estardalhaço de sobreviver
instigam o abraço de cada mulher de aço oferecendo ninhos temporários para quem precisa crescer
florescer pequenos invernos fraternos direto do poro solo do conviver
vir ver viver cada caída temperatura do topo das alturas de quem não sabe querer

rompe na pele toda uma floresta de galhos no entreter intrigam quem não pode ser ilusão e é multidão fria secando ao estremecer
entortam os trens polares formados no verão com tanta solidão no arroxear do close das flores abertas sozinhas enquantos outras vão fechadas sem saber
com a própria leveza congelam o olhar do extremo alvo alvorecer e algo dentro de nós passa a aquecer

é preciso dar o primeiro passo até para as asas ascenderem e deixarem de manter
o sopro frio do inverno na nuca nua tentando tremer toda a rua começando por você

caminhante esquecido desfavorecido pelos temperamentos caindo como folhas no seco tempo a nos perder

quando o inverno fica desperdiça todo o fogo dispersa a friaca apaga quem atiça a fornalha com a brasa coronária da chama divina detalhando decididamente a hibernação do nosso ocorrer.


+ às 10h43, Rafael Belo, terça-feira, 18 de julho de 2017+

segunda-feira, julho 17, 2017

aparentemente parados



por Rafael Belo

As horas passam e as temperaturas despencam, afinal estamos no inverno e é sempre incerto o quão frio fará. O corpo funciona melhor porque a qualidade de sono é maior e qualquer coisa a gente esquenta. Com os dias mais curtos, as temperaturas menores, as noites mais longas, os temperamentos moderados...  A preocupação mesmo nem é o vento gelado é o clima seco por aqui – onde a má-fama é exatamente as pessoas serem secas e frias. A frieza também mata, não só o descaso com os moradores de rua sem abrigo e roupas suficientes para esquentar. Basta ver os caminhantes vivendo em seu próprio mundo e deixando de hibernar seus desvios sociais, perder “folhas” para desperdiçar e dispersar.

Talvez por vir antes da primavera e depois do outono esta seja a estação adequada para maturar. Pensar melhor e amadurecer. As noites são mais longas para descansar e pensar. Ver as folhas caindo, ou já no chão, não nos leva a refletir? Caem as folhas para as árvores manterem o pouco de água ainda existente nelas, hibernam plantas e animais para conservar energia e a gente faz as máscaras permanecem sem permitir o ciclo natural do envelhecimento e adubo do nosso solo. O inverno é a incubadora do recomeçar, do renascimento e precisamos deixar as sementes plantadas já serem vistas florestas e campos imensuráveis de buquês.

Mas, ao invés disso há um grande campo de nós vestidos de passado, ultrapassados em comportamentos de antepassados apenas mantendo o já possuído contaminando no toque gelado com medos e este olhar superficial de única forma, ao invés da visão em todos os ângulos, todos os jeitos, todos os seres... Somos sujeitos seguidores de conceitos formando multidões de leigos e caos. Os dias passam cada vez mais rápidos e os vemos mais lentos, as noites mais longas e as vemos mais curtas... Nossos invernos estão mais longos para quem sabe a gente possa aprender, aliás, estão à prazo para não esquecermos o motivo do inverno.


Neste período a luz do sol é distribuída desigual: é o solstício. Significa sol parado (do latim sol + sistere= solstitius), ou melhor: ponto onde a trajetória do sol parece não se deslocar. Aparentemente a gente não se move, mas aduba com nossa caminhada até onde chegamos para termos flores para oferecer, aromas para compartilhar, uma trajetória para ser lembrada e a evolução necessária para deixarmos de caminharmos frios e secos para a divisão, distanciamento e o isolamento. Não podemos caminhar em vão até o próximo longo inverno. Deixe as folhas caírem e a hibernação fazer o seu papel ou o passado morto continua a ser seco e frio em cada um de nós.

sexta-feira, julho 14, 2017

Síndrome da Liberdade (miniconto)





por Rafael Belo


Levei um susto. Já estava para derrubar o celular de novo. Veja só esta tela rachada. Está vendo? Parece moda, mas é modo pobre mesmo... Compensa comprar outro a trocar a tela... Anham... Então, por que tem tantas telas parecendo ter levado uma pedrada?!! Onde eu estava? Ah, sim. Lembrei. O susto... Era a notificação do babaca do meu ex, aquele... Solicitando minha amizade. Amizade? AMIZADE? Fala sério. Agora? Na minha vez de ser livre?!  NÃO! Passou é passado. Acabou está acabado. Eu tenho pressa de viver agora. Seria total burrice e voltar para a bolha agora? Nunca. Eu acabei de estourá-la.

Pronto. Por que as pessoas acham saber os reais acontecimentos dentro de um relacionamento? Fofinhos?! Tão bonitos juntos? Cara! Frase de efeito não. A vida já não vai tão clichê... Não vou falar nada. Não vou prejudicar minha liberdade... Olha isso! Todo mundo ressurgindo das cinzas para dar opinião. Eu mereço! Mereço sair deste aplicativo. Pronto! Pôxa!! Véi! Nem deu tempo... Não vou atender ninguém. Nem adianta. Pode parar! No messenger? Na na ni na não! Sai fora povo! Vão escolher um rolê longe de mim... Se começarem a ligar o desespero dele de ficar sozinho já extrapolou... Poutz! Não devia ter falado... Não vou atender!

Se a pessoa não sabe ficar só, não vai saber ficar de outro jeito. Caraca! Wow! Sai daqui! Gente! Mas... ! Quantas prisões me cercando. Deve ser assim o sentimento do passarinho cercado só tendo o canto triste sem saber sobre as asas cortadas terem crescido... Além disso, apanhou tanto a ponto de enxergar a gaiola aberta a porta direta para a dor. Meu! Na boa! Sai dessa vida! Olha quem está falando! Honestamente. Tudo isso aí é balela! Eu sofri da Síndrome da Liberdade! Bodei por meses sem saber sobre qualquer coisa sobre mim! Esta tudo miado! Aquele miado rasgado de abandono...


Mas, isso é passado. Passado! Desculpe! Eu revivo fácil as coisas... Isso aconteceu há doze meses. Estou na última etapa. Está estilhaçando mesmo e esta tela não vai me permitir aproveitar este lugar! Bom esta Live esta acabando. Se quiserem me ver ao vivo... Bem! Fiquem querendo! Não devo nada a ninguém! Quem precisa saber como estou sabe... Espera! Não! Esta é a ultima etapa. Nada! Nada! Nada! Nada pode me prender! Ninguém precisa ter vínculo se não quiser. Esta é a palavra clichê: ninguém é obrigado! Bom pessoas! Chega de dependências a não ser de mim mesma! Aqui é Laíne Boatrilha direto do meu topo do mundo dando adeus as ultimas prisões e a este celular! Uuuuhuuuuu!! E lá se foi o celular se abrir na estrada e ficar irreconhecível de tantos atropelamentos.

quinta-feira, julho 13, 2017

dez vezes além




não sei se a liberdade seria livre sem o rock’n’roll
suas misturas metálicas simplificam tudo que já se criou
arrebenta as portas da censura nos faz novas criaturas
jaz correntes dedilhadas pelo vento acabam com o status quo

toca rimas sem rimar dá razão as desrazões nos ensinam a lição de libertar
na melodia invasiva desaharmoniza para harmonizar dá voz a exclusão
atitude rock’n’rol é extravazar não deixar preciosismos macular é derrotar o Grande Irmão

desafio questionar a vida de ovelha a balir e saltitar
quem de fato é livre sem se posicionar? vamos proferir o pensar

escute a batida da bateria do coração capaz de carregar dez vezes além de qualquer peso da mais fértil imaginação.


+ às 09h34, Rafael Belo, quinta-feira, 13 de julho de 2017 +

quarta-feira, julho 12, 2017

Acumulado de nada




por Rafael Belo

Lá estava ela. Mesmo ponto, mesmo jeito, mesma fala como um reloginho. Ela achava ter caído de amores. Mariara tinha caído sim, caído em uma forma de escravidão sentimental. Caiu e não levantou. Bem até ser rejeitada por mais um canalha. Aí levantou. Quando estava aparentemente sem marcas, livre… Aprisionou-se novamente. Caiu e esqueceu de usar as mãos. Mas já era outra Mariara…

Quando percebeu os sinais. Gritou: não quero mais. Mas, o novo canalha tentou de todo jeito. Ela pensou: talvez este sujeito tenha solução. Qual nada! Queria vingança pela rejeição! Mais uma vez Mariara estava estatelada… Lá do chão jurou ao coração não ser mais pisada. Levantou era a própria Liberdade. Mostrou todo o poder lá dentro dela esperando até ela ser acordada. Mariara adotará o sobrenome Liberdade.

Mariara Liberdade agora era feliz sozinha. Não era impossível. Era necessário. Comprou um aquário… Achava ser assim a vida destes homens otários: fazendo nada pra lá e pra cá… Ainda arrastando os outros para afundar. Quando se apaixonou novamente era diferente. Ela via a frente todas às possibilidades. Não era só ele. Não era só ela. Cada um tinha sua individualidade toda a própria aquarela.


Ela parou na janela e já não escutava os gritos de socorro do coração. Só via liberdade e nunca tinha se sentido tão livre. Hoje ia sair sozinha. Não era obrigada a nada. Veria as amigas, contaria as novidades e sairia andando pela cidade. Nem precisaria ser sozinha como nunca foi, mas achou ser. Andava com ela tatuada uma série de lembranças minimizadas. Uma corrente prendendo um aquário em um acumulado de nada.

terça-feira, julho 11, 2017

semeados



não penso nem tento cercar a liberdade
o vento me cheira e eu o tento respirar
sobra ar me engasgo em tanto espaço livre
abro todo minha pele me rasgo nada mais me agride

convive todo o possível olhar com tanto invisível em saudade
minha promiscuidade é inocente como dente de leite arrancado
pingos aturdidos soam no telhado com a chuva sonhando cair neste tempo seco

eco da desapropriação avive o despertencimento
cativo a Verdade todo o momento no cultivo do vento

somos semeados salvamentos até na soltura das gotas das torneiras noturnas na temperatura do temperamento.


+ às 09h07, Rafael Belo, terça-feira, 11 de julho de 2017 +

segunda-feira, julho 10, 2017

O vento na face



por Rafael Belo

Eu olho pelas janelas e não vejo prédios, casas, limitações... Não! Eu vejo possibilidades e imensidão. Não consigo ser periférico, ficar olhando enviesado, obliquamente, pelos cantos... Encaro. Olho nos olhos da vida. Vou ao centro. Estou no meio. Minha liberdade não me permite rodeios, ficar cercando enquanto os acontecimentos são centrais. Quero participar. Fazer parte. Modificar, evoluir, continuar... Abrir os braços e abraçar os riscos, abrir as gaiolas onde os cantos não alcançam seus limites e dão palpites ocasionais capazes de amarrar cordas invisíveis cerceando a si mesmo sem nem saber por quê.

Quem não sabe ter a liberdade acaba com as nuances da solidão cultivando uma variedade tão vasta de solidões para uma fazer companhia à outra e se alimentando deste plantio doente. No meio destas solidões contamina outros e espalha o sentimento de pertencimento do outro para quem já aprisiona sua liberdade. Neste ciclo de desconhecimento pensa ser possível perder o imperdível.  Não há como perder a liberdade. Ela é a essência de quem somos. O máximo permitido é uma hibernação neste inverno devastador criado por nós incapaz de semear sentimentos, pois há o medo da colheita. Mal sabemos ser a liberdade um estado de graça, uma força do espírito habitando a mente e o coração.

Se a liberdade é parte fundamental de quem somos realmente não a perdemos e, portanto, não nos perdemos. Acontece de nos afastarmos de quem somos. Tentar silenciar aquela voz clamando por mais quando só damos menos e até absolutamente nada, é tarefa inglória responsável por noites mal dormidas e pesadelos sem fim. Consequentemente quem vive nesta autoprivação acaba por desrespeitar o espaço do outro porque desconhece esta forma de viver. Em um mundo machista qualquer indício de liberdade é propositalmente confundido com libertinagem e distorcido para os demônios pessoais de cada um faça o trabalho sujo de nos arrastar de novo para nossos porões de tortura.


Torturamos assim o outro e a nós mesmos. Fazemos nossas ditaduras manipulando as situações para nosso benefício quase sempre em detrimento de um ser humano cheio de desejos, anseios e... Sobra ficar assombrando as pessoas e o nosso próprio espelho...! Não! Nada disso! Ouça seus gritos de socorro! Preste atenção ao chamamento! A liberdade é tão imensa chegando a ser capaz de libertar o outro. Liberdade é respeitar. Não é diminuir. Ela não recua nem diminui o passo. Ela vai diante do vento para sentir seu sopro e fechar os olhos para enxergar melhor ao invés de reclamar da temperatura. Ela dá as mãos para nós e amplia ainda mais esta desapropriação de tudo. Venha ser livre! Escute o ranger das portas se abrindo!

sexta-feira, julho 07, 2017

Respira fundo (miniconto)



por Rafael Belo

Amanheceu sexta-feira e já coloquei James Brown bem alto. I Got You (I Feel Good) e Sex Machine as repetindo até estar pronta para trabalhar. Quem está? Algumas músicas são vinho puro, quanto mais velhas melhor de ouvir... Gosto de muita coisa atual, mas... Enfim. Estou alegre não só 90% por ser este dia maravilhoso, mas agora estou caindo de amores por mim e acho... Só acho... Estar me apaixonando! Hora acho maravilhoso, hora perigoso... Estou tão livre, mas ficaria ainda mais entregando meu coração, mas, mas e se eu me machucar de novo... Eu dançando e cantando como posso dentro do carro, dirigindo e rindo. Hahaha... Se os outros motoristas prestassem atenção além da pressa...

Quando leio as coisas escritas por ele... Ah... Quando ele me diz coisas sinceras tão sutis e profundas... Profundas... Dou um mergulho na profundidade da minha alma. Me seguro para não ligar ou simplesmente escrever vem para cá para gente transar! Opa! Também, né?! O que ele pensaria? Viria? Aproveitaria e depois sumiria? Seria uma vez só? Ele é de verdade? Só vejo fakes por aí e prometi a mim mesma não me apaixonar, mas me deixei disponível e aqui estou sem saber o próximo passo. Bem... Eu sei!  Só não sei se devo me arriscar de novo, me decepcionar mais uma vez e criar mais enormes expectativas.

Aí ele demora a responder... Por que? Por que? Por que? Sou tão ansiosa... Não quero parecer desesperada, mas e se outra pessoa aparecer? Eu escrevo e apago milhares de declarações, ensaio áudios sem coragem para enviar e no fim só digo bom dia, boa tarde, boa noite, tudo bem?, como está você?, vai fazer o que de bom? Está fazendo o quê? Mas, saber mesmo o meu desejo, só fico achando ser recíproco, mas e se não for? Eu não aguento isso. Todos os sinais estão lá, mas e se eu só tiver enxergando o que quero ver? Se ele for apenas gentil como esse comportamento inexistente? Eu estou pensando em um romance e ele?

Eu preciso saber, mas estou me amando tanto sozinha. Não faria mal se eu não projetasse tanto, idealizasse tão detalhadamente, colhesse esta quantidade de expectativas impossível de carregar, porém quem seria se não fosse assim? Heim??!! QUEM?!! Ah, Dalara Plene! Ah, garota! Não seria eu! Não vou de passinho em passinho. Vou com tudo. De uma vez. Se não gostar passa a vez, sai da frente, não atrapalha não... Se não der certo, tentei. Não é assim? Aiii! Que susto! Meu celular tocando?! Quem liga nos dias de hoje?AI MEU DEUS!!! MEUDEUSMEUDEUSMEUDEUS! É ELE! É ELE! É ELE!! Respira Dalara, RESPIRA! O QUE EU DIGO?! O QUE??!!  Aaalôuu?

...

quinta-feira, julho 06, 2017

arrume



a sombra do pássaro lamenta o constante passo em falso
descalço nos espinhos da solidão ser defendida liberdade
há um falsete no canto um entrave em alarme na convicção
condições climáticas contam a previsão de chamar para perto o inverno

há um inferno fraterno aberto na boca alinhada bico para costurar romance
o reivindico gritado ao vento um alento distante entre nós souvenirs dos instantes
 aproximando em rompantes nossos eus navegantes deste tempo juntando ondas

afogam orgulhos arrogantes no caldo do mar contemporâneo quando a gente tomba
a correnteza nos leva traz leves no refluxo enquanto o pássaro agora nos encanta

feliz quem canta a descoberta do romance e em um desmanche é governante deste coração habitado sem regras bagunçado lado a lado ao barulho gostoso do silêncio da revoada da pulsação.


+às 10h33, Rafael Belo, quinta-feira, 06 de julho de 2017+

quarta-feira, julho 05, 2017

Que o destino venha me encontrar! (miniconto)




por Rafael Belo

Lá estava ela reafirmando sua independência, sua inteligência e toda aquela Beleza que ninguém vê. Ouvindo Amy Winehouse e cantando I go back to black. Possuída pela música de olhos fechados remexia o corpo tendo pequenos ataques do coração. Ele realmente havia voltado para ela, mas ela não tinha ficado depressiva, não voltou para escuridão. Ela voltou ao antigo condomínio onde morou na infância. Era o prédio mais alto da cidade e ela queria sentir o vendo no rosto com todo o poder de ver tudo por cima. Era madrugada e o porteiro havia dormido. Assim que alguém chegou do role ela entrou junto, mas foi de escada cada um dos andares. Demorou uma hora par achegar ao terraço.

Não percebeu. Estava amanhecendo. Lá embaixo dezenas de pessoas viraram centenas e alguém dos bombeiros tentava fazê-la permanecer viva. Outro grupo tentava arrombar a porta, mas pela estrutura antiga, o portal cedeu e ninguém passaria por ali tão cedo. Amila não pensava em tirar a própria vida em nenhuma circunstância ainda mais neste caso. Enganada... Não estava tudo bem, mas ficaria. Ah, ficaria!  Ah, Amy! Eu preciso de reabilitação para entender quando é um romance e quando estou sendo mero objeto sexual. Algo grita na minha mente e tento não ser inconsequente. Não vou tirar satisfação. Não vale à pena!

O desgraçado ainda manda áudio com aquela voz chamando meu nome Amila Laar, Amila, Amila... Sem mais nenhuma outra palavra e eu fico com água na boca. Fiquei viciada nele e ele realmente é uma droga... Um clichê adolescente insuportável, eu sei! Eu sei! Exaustivo falar comigo mesma. Mas, eu tenho certeza da superação. Cara! Não deu nem tempo de eu me sentir assim. Só pode ser meu orgulho ou minha carência está muito afetada. Meus sentimentos parecem transgênicos agora... Quais serão as consequências deles? James Brown interferindo na... I feel good... Hey hou! Wow! Esta multidão está pensando... Não, não, não... Gente! Acabou minha paz! Adeus som! Opa!

E este barulho horrível? Eles não entenderiam nada se eu dissesse e se entendessem dariam de desentendidos para continuarem certos sobre as opções listadas por eles sobre meus motivos de querer me matar... ME matar?! Kakakakaka! Como se eu me preocupasse com a opinião de alguém! Até parece! Mas, se eles arrombarem vão ficar sobre os escombros... Serão muitos? Está cedendo! Nossa senhora! Não! Parem! Tarde demais! Já era! Preciso ver como estão... Eles estão inconscientes, mas vivos. Preciso dar o fora... Vou aproveitar e sair.


Ainda bem que a televisão ainda não chegou. Eu seria suicida pelo resto da vida... Irônico! Tudo por causa daquele filho da.... Não! Não vou dar este poder aquele escroto! Eu escolhi! Eu assumo! Eu passo pela dor! Eu sigo em frente! Chega de mimimi! Ufa! Consegui sair sem me notarem! Benditos curiosos! Vai ter algum vídeo pelo menos da minha silueta viralizando de tempos em tempos... Sabe de uma coisa... Não tenho tempo para esperar, mas não vou procurar também! Estou pronta para um romance de verdade! Não vou desistir, mas não estou caçando também! Que o destino venha me encontrar! Destinooo?

terça-feira, julho 04, 2017

bagunce



o control+Z não vai desfazer você
não adianta usar o control+C para resolver
muito menos o control+X para se apropriar
nem o control+V vai realmente os pedaços colar

recortar copiar grudar só vai bagunçar seu coração
o print do passado vai ficar marcado mas seu olhar pode ter outra visão
qual a dimensão das suas diárias descobertas em alertas para falsificação de spoilers?

se for preciso deixe o aviso na porta encoste e chore
escore seu passado na maçaneta esvazie as gavetas e ninguém vai entrar

prefere ignorar os disparos do coração a ter noção de transformar um lance em romance? desmanche estas proteções relance suas redes desarme as armadilhas coloque sua trilha para tocar se permita Amar.


+às 08h23, Rafael Belo, terça-feira, 04 de julho de 2017+

segunda-feira, julho 03, 2017

O incêndio em nós



por Rafael Belo

Há muitas formas de um autêntico romance acontecer. A principal delas, deliberadamente, é a química. Aqueles olhos faiscando, o coração palpitando freneticamente, a boca salivando, o tempo quase parando, as mãos suando e uma revoada de borboletas no estômago. Ficamos agitados na presença deste outro alguém sem saber bem a fala exata, a frase certa, tentando não errar de forma alguma e talvez deixando de lado quem somos para chamar a atenção, mas o principal é saber se somos correspondidos. Ah, não podemos esquecer o clássico sorriso bobo colado na boca como um smile involuntário revelando: Yes! Temos um crush.

Somos mais idiotas de não nos entregarmos a esta faísca para incendiar de vez a começarmos a rolar no chão e abafar aquela chama com um pedaço de pano qualquer. Como vivemos de passados, comparações e adivinhações já sabotamos um possível romance para evitarmos uma possível decepção. Nossa concepção está errada se não arriscamos, se não riscamos o fósforo para realmente pegar fogo. Não tem nada a ver com sermos piromaníacos ou cleptomaníacos de corações porque não roubamos maniacamente o coração de ninguém nem ateamos fogo para ver tudo incendiar... Fazemos isso com nós mesmos e só nós somos responsáveis pelo poder dado ao outro. Matamos o sentimento ainda nas veias antes de chegar ao coração.

Ah, sim! Somos assassinos das possibilidades. Esquecemos ser tudo emprestado nesta vida. Tornamos-nos sabotadores de romances. Vivemos de propriedades e apropriações, mas não temos nada. Então, qual o motivo de não deixarmos nascer este sentimento? Às vezes tentamos, o sentimento não nasce e precisamos deixar isto claro, mas isso também pode ser confuso ao se dizer, mas é preciso falar. Mesmo se o medo criado no nosso passado relativiza a igualdade de ações para todas as pessoas. Temos traumas concretos, mas não podemos permitir eles nos afundarem na areia movediça da solidão, da negação, da depressão, da autossabotagem, nestas nossas desculpas para não nos relacionarmos de verdade.

Vamos parar de nos sabotar e deixar rolar. Certo. É fácil falar, difícil fazer... Mas quais são as opções? Se der certo por um dia precisamos fazer valer à pena por este dia. Encher-nos de combustível inflamável e deixar alastrar a chama da paixão. Esta paixão pode ser consumida rapidamente, mas se alimentada vira algo mais. Este sentimento vira um romance e só permanece assim se diariamente acendermos este fogo e aumentá-lo sem dar chance para dúvidas e incertezas. A gente pode errar e erra, mas a vida é sempre um risco o qual precisamos viver. Correr até precisar de novo fôlego e ser sincero consigo mesmo.  Sejamos romances diariamente e vamos praticar a respiração boca a boca até reacender o incêndio que somos nós.

sexta-feira, junho 30, 2017

Tem alguém aí? (miniconto)




Por Rafael Belo

Ela levantou e procurou um espelho. Onde estão minhas roupas? Estou em casa e sozinha. Mas, eu estava no chão... Espera! Levaram minha cama? Cadê minhas coisas? Está tudo branco. Quem pintou meu quarto? Quem pintou minha casa? Não está cheirando tinta... Cadê meu celular? Alguém sabe as horas? Estou enlouquecendo em poucos minutos. Há quanto tempo estou aqui? Você precisa pensar Priaria Vahara. Pense, pense, pense... Nada. Não sei de nada, não me lembro de nada... A não ser meu nome e este ser meu apartamento mobiliado, mas sem mobília. Tenho certeza ter ocupado cada espaço deste lugar, não tenho?

Serei só eu prisioneira deste vazio? Estou presa em uma lembrança inexistente. Deve haver pistas pela casa. Ah, sim. Aqui!!!. “Você fez isso a si mesma. É você mesma quem escreve isso. O problema é ter dado certo... Mas não como imaginávamos...” Acabou? Onde está a explicação. Tem mais alguma coisa escrita aqui. “Preste muita atenção. Cometemos um erro. Queimamos tudo. Destruímos tudo. Tentamos apagar nossas memórias. Tomamos um inibidor. Ele veta o acesso às partes do nosso cérebro, mas é experimental. Causou delírios e achamos ser Alice querendo atravessar o espelho. Acreditamos ser exatamente isso o ocorrido. Estamos através do espelho.”

Está tudo trancado. Não pode ser verdade isso. Estou passando muito tempo sozinha. Li ficção e terror além da capacidade humana, ultrapassei as barreiras da noção, perdi os limites... Por favor, não! Oh, Deus!! Isso não é verdade. Parece ser um lugar sólido aqui. Não há reflexos em parte alguma. De onde vem esta iluminação? Estão batendo na porta. Qual porta? Até agora nada fazia barulho como se estivesse tudo preenchido lá fora sem sombra nem luz... As batidas continuam e já chequei cada porta! Sou apavorada assim mesmo. Isto é um reconstrução? Quem autorizou isso? Bem... Eu né?! Segundo o bilhete. Mas não há outros como eu? De onde vem estas batidas... Espera. Estão mais fortes!! Não pode ser! Este armário embutido não estava aqui, estava?


Mudaram as batidas. Parece uma conversa. Devo responder? E agora? Vamos lá! Eu não tenho muita alternativa, não é mesmo? Sinto ter de bater algo combinando com isso... Ok! Ok! Ok! Está certo! Parece ter passado horas e os nós dos meus dedos doem... Barulho de trava... Podia abrir rápido, não em câmera lenta, mas... Não vai para dentro ou fora. Está sumindo. Desfragmentando aos poucos. Devo temer? Eu sei temer? O o o olá? Será uma pessoa? “Venha. Você conseguiu. Talvez você saiba seu nome e quem é neste momento mesmo tendo tudo bloqueado dentro de ti. Você errou os mesmos erros até agora. Agora você precisa decidir quem quer ser.” Não sei dizer nada ele não mexeu os lábios? Mexeu? É meu sonho! Isto é um sonho? “Não! É o mais real da tua vida até agora. Dê-me a mão e venha. Sim você apenas pensou, no entanto ainda não sabe o poder do pensamento”.

quinta-feira, junho 29, 2017

agora há pouco



erro à seco caio em desamparo instantâneo
sangro por todos quando me levanto mancando
mancho cada toque urbano pichando meus grafites simultâneos
saio subterrâneo satisfeito como conterrâneo do agora há pouco

aborto torto o leviano suicídio no meio-fio fadado a morrer de frio
rio do desespero momentâneo querendo depressão
reação tentando rotular o contemporâneo com emoção

remoção da ressurreição de domingo para o cotidiano
destas ruas em desalinho não é possível sem plano andar reto

direto no queixo do nocaute o tempo se apaga em blecaute não há mais vagas nem desfalque para quem não assumir errar e vagar em recalque como um impossível delírio em realce abrindo um peito no recalce no descalço caminhar do devastado inacessível enquanto não tiver uma possível emoção com o envolver daqui a pouco do incendiário coração.


+ Às 11h38, Rafael Belo, quinta-feira, 29 de junho de 2017 +

quarta-feira, junho 28, 2017

É inevitável (miniconto)



Por Rafael Belo

O nome dela é Girassol. Simples assim. Sem nome sem sobrenome sem gênero. Nasceu mulher. Luta como mulher e não há melhor forma de lutar. Chegou naquela rotatória morta e sentou no meio.  Ela é um relógio sem tempo. Quase não fala. Quase não se embriaga a não ser de silêncios e nadas. Quase não se empanturra a não ser de música, histórias e memórias... Mas quando erra – e isso vem acontecendo com frequência demais – ela se perde. Precisa se afastar para voltar a se encontrar. Ela tem aquele orgulho bobo de todos nós. Pede para o diabo a carregar, pede o chapéu de burro banido fisicamente das escolas e transformado em outros bullyings para procurar seu canto representativo.

Hoje é esta rotatória.  Há uma dúzia de ruas ramificando no dobro disso e a cada vez que se olha e parece o fim os desdobramentos multiplicam por dois este número ou o número final de tudo isso. Girassol respira fundo. Procura o sol pelo horizonte. Esta quase na hora. Ela é a hora. Ela diz ao tempo seus afazeres. Por isso, as ruas não terminam. Elas são solares. Milhares dela caminham diante dos seus próprios olhos. Girassol fecha os olhos para procurar respirar mais fundo enchendo os pulmões deste momento sem deixar de se enxergar como de olhos abertos.

A alvorada começa a aquecer o horizonte e chega o primeiro raio a fronte de Girassol. A própria Alva a veste enquanto ele se embevece. O alinhamento é litúrgico no início e no fim sem nunca terminar. Ela queima como se fosse a própria chama original acesa pela primeira vez. Girassol endireita as costas, larga os ombros, cruza as pernas deixando os joelhos opostos e um triangulo invertido no espaço vazio. Como um megafone e a convergência de tudo nela. Os acontecimentos não se sobrepõem. São paralelos. Uma consequência de fatos estartados já dentro da intenção do pensamento dela.


Assim foram os erros dela. Consequências da intenção, do julgamento... Onde estava o sentimento? Sol, lua, estrelas e nuvens estavam a esperando. De onde estava a vida amanhecia e anoitecia ao mesmo tempo. Girassol começou a rir... Era só mais um erro. O único motivo de haver acertos eram os erros. Ela sabia de seu retorno em breve para aquele ponto dela em particular. É inevitável errar e se olhar bem quem taxa como erro cobra imposto abusivo de nada porque tachar-se é o verdadeiro erro. Este apontar defeitos em si e nos outros... Há humanidade desumana! Ah, desumana humanidade! Rá! Como sou insana. Prometo tomar um caminho diferente a cada erro novo e comer este tempo para alimentar minhas horas. Mas, permaneceu ali desmembrando a nossa noção de tempo e a dela também.

terça-feira, junho 27, 2017

eu oferenda



arrepiam cicatrizes antes do sol nascer
o tempo está parado na janela sem deixar alvorecer
um mar de lágrimas chega a afogar o peito
todos os mares saem daqui de vários jeitos

no fundo do respirar se seca o rosto
temos um gosto atemporal chovendo granizo
agonizo o eu do espelho de joelhos entro em outra dimensão

mares são chamas emoção fragmentada pelo horizonte
me reconheço na nuvem bloqueando os raios do sol de fronte

defronte o destino tenho erros perfeitos e me faço oferenda para o tempo continuar.


+ Rafael Belo, às 08h44, terça-feira, 27 de junho de 2017+

segunda-feira, junho 26, 2017

Chacoalhões



por Rafael Belo

Eu gostaria de falar sobre amizade, algo essencial nesta vida onde há um laço deitado em oito nos dando um apoio e chacoalhões necessários, mas eu estou aos chacoalhões. Vivo um momento ímpar na minha vida cheia de portas e janelas escancaradas. As oportunidades pipocam diante dos meus olhos como as mensagens em grupos de whatsapp empolgados sobre algo qualquer. Não falo muito sobre isso. Até porque não é gratuito. Não é uma dádiva pura e simplesmente. Sentir-se bem é o melhor remédio desta vida, porém somos tão imperfeitos – Graças a Deus – e erramos.

Mesmo quando tentamos acertar, erramos. Uma hora acontece de dar certo. Isso, não significa deixarmos de tentar, deixar de fazer, se fechar, se isolar, pensar dar para resolver sozinho, significa reconhecer. Aí entram amigos, aí entra família, aí pode bater uma tristeza, mas não deixa entrar não. Pode apertar campanhinha, tocar o interfone, mandar mensagem, mandar whats, ligar... A gente a sente ali, beirando, tentando estragar tudo, nos cutucar, mas não deixe! Mande ela embora! Claro! A entenda primeiro porque podemos facilmente nos confundir ou manipulá-la para outros motivos outros sentidos. Mas, não há de admitir.

É possível ter uma peça quebrada em nós, uma veia obstruída no coração, no entanto, tem conserto. Somos perfeitamente capazes de nos reparar e de praticar reparações. Preparar um concerto da nossa própria sintonia com uma sinfonia com notas só capazes de soar através de quem somos é revelador. As notas mudam, os tons se alteram, somos constantes mesmo se ainda não trocamos as peças antigas, quebradas... Mudamos o tempo todo mesmo se negamos isso. É preciso parar para não machucar os outros. Para tanto, precisamos dialogar, enfrentar seja lá... Aí ir adiante. A relatividade temporal não determina estes horários.

Nosso tempo é outro. A mente funciona em uma dimensão, o corpo em outra e a alma está em toda parte, pois é atemporal. Juntar tudo isso é jogar um coquetel molotov no meio do peito. Ficamos em chamas sim e isto queima tudo vigente ao não pertencimento. Quando olhamos nosso fogo arder intensamente podemos nos satisfazer em ser nós mesmos sem subterfúgios, sem refúgios, sem esconderijos, apenas toda esta carga da nossa pele, do nosso nome... De tudo aquilo produzido por nossa mente, nossos sentimentos, nossas mãos, nossas almas e o impacto reverberando disto montado diante do espelho o qual chamamos de eu.