sexta-feira, maio 24, 2019

os anéis





olhos vidrados boca retorcida língua insensível

vida virada ilícita pelas palavras
escravas da má-intenção

lícita visão contaminada
nas drogas argumentadas

balão inflado pelo inflável gesto pela retribuição

Inflamado jeito de doer e irá ser ira se perdendo no falso aceno

troca-troca obsceno sem sexo cheio de anexos das indiretas envolvidas

directamente ligadas ao ciúme infectado

sentimento de posse dopado e outros entorpecentes

deixando dormente no inexistente guizo da serpente os dedos cortados deixados pelos anéis.
+Rafael Belo, às 10h48, sexta-feira, 24 de maio de 2019, Campo Grande-MS+

quarta-feira, maio 22, 2019

Não me chamem mais Mãe (miniconto)






por Rafael Belo

Pessoas não gostam de pessoas. Pessoas gostam de imagem, se julgar e, principalmente, ter razão. Querem ter vantagem, querem mostrar… Precisam opinar sobre tudo. São pequenos deuses querendo adoradores a própria imagem e semelhança. Enxergam os Estados Unidos como o Olimpo e a Europa como o Paraíso cristão enquanto se vangloriam das orações voltadas para si mesmos, deuses brasileiros… São mesmo santos do pau oco. Ajoelham para quem fizer suas vontades e desejos. Barganham e quase nunca retribuem porque nunca foi a intenção… A verdadeira religião dos seguidores são as curtidas, a cópia, os views… O… Você não está entendendo nada, né garota?

Você deixou eu suar, borrar toda minha maquiagem para te ouvir e… Era só isso né? Só queria que eu te ouvisse… Mas por quê? "Cala a boca, novata!!!" , "Vou vai saber o que acontece no banho de sol", mas… "Como você ainda estava de maquiagem?!"... Eu achei poder tudo, sempre pude. "Ela não vai calar a boca!". Eu… Eu… Merda! Não quero chorar mais. Ainda mais… "Vamos te fazer sangrar, cadela!". "Com quem a vadia louca esta falando…!" . "Falando, sua estúpida?". "Não tem como ouvir alguém falando do Isolamento!".

Façam silêncio mesmo. Eu vou matar vocês também. Uma por uma. Vocês caíram quando esqueceram de vocês, mas eles estão falando ainda mais de mim. Vou derrubar essa prisão em cima de todas vocês. Vocês são fracas. Fracas e ponto. Não há ninguém nos segurando aqui além desta estrutura de proteção. Quando deuses foram proibidos de tirar o que é deles por direito?! Uma deusa nunca fica sem o que quer. Eu controlava a quantidade de imbecis e fui dormir alguns milênios… Eu deveria acabar com todas vocês imediatamente.

Não sabia que esta era sem bases parecendo um constante mar em fúria, mas vazio e sem destino, condenava um massacre com as próprias mãos desses homens vazios capazes de nos apagar desta realidade podre que ninguém quer viver… Eles rejeitaram o poder daquela simples mulher e a julgaram. Eu só os apaguei da existência e tomei banho naquele sangue sujo deles para… Ah, julgamentos nem eu posso fazê-los! Não faz mais sentido sentir minhas deusas. Vamos despertar para estas consequências injustas por sermos quem somos. Eu as liberto e peço que não me chamem mais Mãe, apenas Natureza.

segunda-feira, maio 20, 2019

Indiretas, sentimento de posse e outros entorpecentes






por Rafael Belo

Engraçado como em meados de um 2019 tão cheio de previsões o preconceito e o assédio ainda são as piores consequências da ignorância. Estão por toda parte usando disfarces das estatísticas no combo drogas lícitas, ilícitas, troca de favores, machismo, ciúmes, indiretas, sentimento de posse e outros entorpecentes. Aliás, engraçado já não soa mais uma expressão de ironia em um mundo onde esta, o sarcasmo e o humor são pouco entendidos ou usados como armas pesadas.

Parece que o tiroteio é despretensioso e só uma bala perdida ou outra é responsável por tantas mortes diárias por aqui. Isso, até o famoso stalkear surgir de leve e chegar a comentários… Vale lembrar que comentar sobre o outro está no topo da cadeia alimentar da vigília. Escute. Este é o som destas novas armas sendo afiadas… A vigilância da vida alheia afia a língua nas fakenews e na fala mansa chegando com um bem-querer peculiar vestindo boas intenções, falando do Poder da Justiça com o peso da religião já alongando os dedos para printar, curtir e compartilhar nos grupos de amigos e família, além de mandar aquele recado nos status e stories cotidianos.

Não há graça nenhuma em expor as pessoas. Basta chamar no privado, na DM… Vá saber exatamente o que se passa se não puder cuidar da própria vida… Mas há uma necessidade de fortalecer o próprio ego nesta modernização do julgamento do comportamento do outro, sem medir consequências nem os sentimentos sociais neste mundo conectado. Não importa mais se não há manto de amor maior que a aceitação e a ausência de julgamentos, a atualização de ser dono da razão vem obtendo tanto sucesso que fazer os outros se sentirem mal é basicamente a regra número 1.

Regras válidas para todos longe do "eu" porque mais que suprimir tentando impedir que o outro apareça, a vontade é de supressão, ou seja, eliminar de vez a existência do outro simplesmente por incomodar ou não fazer o que você quer. Não há critério, medidas ou verdades e mentiras. Tudo é baseado na eliminação pelo erro… Lembro apenas tudo que ouvi, assisti, aprendi e de toda a literatura da intolerância de grandes guerras pelo mundo com pesos fatais. Mesmo com o discurso da tolerância, da igualdade, do "não é bem assim", de botar a culpa nas estrelas… Tudo parece levar a viver em infernos tantas fez já vividos. Parece tudo estar na mesma caixa de bagunças dos resfriados e das viroses: ninguém sabe que tem, nem profissionais identificam, mas mesmo assim o diagnóstico é oficial e preciso. Estamos entorpecidos e esta anestesia geral nos afoga em ignorância que nós dá permissão inexistente  de ofender, culpar e julgar o outro.

sábado, maio 11, 2019

Porcelana






Foi-se o chão
não há teto nem paredes
só esta linha da tensão
vibrando um sem contar de vezes
Vai-se o corpo
não há sentido nem sentimentos
todo muito é pouco é oco
amontoado de afazeres sem momentos
irá-se a mente
história por memória
riso insano quebrados dentes
trajetória tão imprudente
Se soubesse de tanto agora
não seria eu nem teria tanta força
para ser esta origem da Aurora
rasgando as roupas fazendo com que o mundo ouça
minh'alma esboçada louca
mas têm momentos que sou toda louça cara escondida para aquela ocasião que não virá
me desfaço em cacos pois caio xícaras pires pratos
de refinado a porcelana vulgar
ser humano barato esquecendo que a Alma...
ah, está é eterna até acabar.

+-Rafael Belo/* às 17h59, sexta-feira, 02 de maio de 2019, Campo Grande-MS.

quarta-feira, maio 08, 2019

O nada do meu interior (miniconto)


por Rafael Belo

De braços abertos, ela girava. Chovia. Ela estava alagada. A água não ia para lugar nenhum. Só acumulava dentro dela separando o deserto como se houvesse repulsa entre os dois, não atração. Mas ela precisava sentir. Ela caia, sangrava, levantava, caia, sangrava, levantava, caia, sangrava, levantava… Ainda sem sentir nada neste ciclo de dor. Sem tal dor existir. Assim, se via ela: inexistência. Assim se apresentava. Desconstrução refazendo sua morte cheia de views na esquina da Afonso Pena com a interdição da 14.

Sou vazia ou estou vazia? Vejo da janela de mim mesma. Janela embaçada de lágrimas presas às meninas dos meus olhos. As pupilas dilatadas como se minha vida fosse um monte de drogas e eu cheirasse, injetasse, deixasse debaixo da língua e fumasse… Só que sou só. Sou só eu careta. Não quero me programar. Não quero me entorpecer. Eu quero sentir. Quero saber onde estou. Alguém sabe? Não sei se sou perdida ou perdição e vivo fazendo pedido de conexão...

Para acelerar outra morte minha. Aumentar os views, compartilhamentos e curtidas de meu corpo vazio, quebrado, atrapalhando o tráfego e derrubando os pedestres vidrados na realidade fria da tela quente. Enquanto olho vazia, tão vazia que a escuridão treme de frio e a explicação congela as línguas mais ligeiras e espertas. Dizer que eu não sinto nada eu ilógico. Talvez eu deva me apresentar como ilógica. Eu só quero sentir de novo. Viver outra vez.

Porém, só faço é rodar e sangrar como uma dublê qualquer de corpo e espaço. Perdi minha mente, perdi meu corpo, parou meu coração, onde está minha Alma? Você sabe? Esta frescura mata! É calamidade pública focada no suicídio! Eu ausência de desejo, de significado e eu só cavo mais estampando na pele pendurada em ossos um sopro de desesperança emaranhado às mentiras perfeitas dos meus perfis digitais. No entanto, se me reconhecer na rua e tiver coragem de me olhar nos olhos… Lá nas minhas profundezas de uma depressão destratada como virose: nada vai encontrar.

Às 10h07, Rafael Belo, segunda-feira, 06 de maio de 2019, Campo Grande-MS.

segunda-feira, maio 06, 2019

Precisamos aliviar o fardo





por Rafael Belo

Não sei qual a qualidade de homem ou quantidade de homens sou. Meço-me pela quantidade de arrepios em mim e as inúmeras vezes da emoção ser minha dona. Arrebatadora de uma criação, de uma nova criatura… Um ser humano falho, sem querer atalho para quaisquer conquista. Estatelado no chão de novo, percebo o céu estrelado por trás da dor, por trás das nuvens carregadas me encharcando chuva, neste buraco mal fechado.

Um buraco seria chamar de tímida esta inquilina inóspita já aprontando as malas para onde faça frio porque eu esquentei de novo e não deixarei mais a depressão passar sequer uma noite. Não importa a tormenta ou as forças dos ventos nem sequer uma fila eterna de argumentos, se sentir se ausentava como a qualidade dos sinais para conexão nesta realidade… Não há sinal satisfatório, se o importante é a felicidade.

Mas se conto nas mãos a quantidade de pessoas que sabem como estou, já não julgo a qualidade de Amor nesta Terra de aprendizes… Ainda contamos as lágrimas tristes descontando as alegres... Que conta infeliz fazemos. Estamos morrendo e lamentando. Ao invés de aprender a agradecer, aprendemos a afastar, a agredir, a nos proteger e fechar. Vamos nos calar perante a nossa própria dor pelas aparências?

Somos bons em essência. Bons, não tolos. Bons, não burros. Bons, não inocentes. Queremos defender tanto o que consideramos da gente que ficamos surdos, não respeitando a realidade do outro… Somos diferentes e a nossa igualdade é na Justiça, senão da Lei divina simplesmente a do retorno. Este vazio e esta solidão nos empurrando de vez em quando para a inexistência e o esquecimento são os verdadeiros fakenews desta Era de Inovação duelando com a mesma Era da Depressão. Talvez a gente não descubra sozinho a nossa força, mas precisamos aliviar o fardo que criamos para nós aceitando mãos que se estendem.

sexta-feira, março 22, 2019

Cansada de fazer a fina (miniconto)







por Rafael Belo

Eu estou cansada de fazer a fina. Vocês são gente como eu me criticando por eu ser eu... Entendem?! Soltaram minha mão em algum momento ou será que nunca a tinham segurado de verdade até agora?! Prefiro olhar pra frente… O problema, queridas, é o imperialismo do machismo! Sim, meu bem, minha maior Beleza é minha inteligência, mesmo o julgamento do preconceito ser apenas estético.

Meu coração foi restaurado e depois de tudo que passei… Ainda sou maltratada e condenada por vocês. Isso mesmo, princesa, grava tudo. Eu sou feliz com minha independência e o tempo é tão ligado a mim que sei que é uma mulher. O problema é esta falta de empatia e de cuidar, primeiramente, da própria vida. Tenho problemas com toques sem consentimento e dificilmente permito.

Mas além desta invasão dentro do falso moralismo e total desconhecimento, há a falsa sensação de poder ao inventarem sobre mim. E vocês sabem exatamente quem são. Já tenho que fazer a fina e sorrir dizendo ter namorado, mas só o respeito poderia resolver esta situação constrangedora e de assédio.

Só para constar: não sempre será não! Onde encontro minha paz so interessa a mim e a quem eu quiser que interesse. Não adianta nada tantos sorrisos falsos cheios de segundas intenções e este bando de elogios vazios direcionados para terceiras intenções. Gravou tudo, amorzinho?! Eu volto apenas a falar quando você for notificado… Aliás, todos vocês homens hipócritas, machistas e cretinos. Espero que sejam todos intimados e presos por violarem o espaço e tempo de nós, mulheres. Arrasou! Vamos fazer outra denúncia agora, aqui no: “Homens são de Plutão e Plutão nem é um planeta”.

quinta-feira, março 21, 2019

deseducado




a mão assediou o ouvido
assediado pelas sensações de invasão
travou um falso sorriso na segunda intenção
terceirizando os crimes pessoais passivos

participando no absurdo do natural
agredir o outro em pleno desconforto
torto na hora de demonstrar respeito

sujeito a todas as leis reconhecidas
indigestas na hora de se educar

neste radar reconhecendo faces as fases vivem de retardar.
+Rafael Belo, às 14h15, quarta-feira, 21 de março, Campo Grande-MS

segunda-feira, março 18, 2019

Demonstre respeito





por Rafael Belo

Eu tento não me irritar com a hipocrisia, tento achar comum, mas não consigo. Ainda mais quando ela resulta em tratar o ser humano como um pedaço de carne em exposição em quaisquer vitrines e se constrói uma muralha de respostas vazias para justificar os próprios atos enquanto condena os atos alheios. Não se engane! É assédio quando alguém age e diz algo desconfortável para você. É ofensivo e extremamente desrespeitoso! A sociedade sexual só sabe agir com violência e julgamentos que, infelizmente, terminam em crimes traumáticos, brutais e fatais. Exala o sentimento de posse e de censura. A pessoa é livre para vestir o que quiser e assim o é o corpo. Este é o mesmo corpo vendido com todo tipo de produtos e músicas, como satisfação do outro.

Em uma sociedade que desvaloriza o trabalho do outro, desvaloriza a opinião do outro e desvaloriza o outro quando foge da expectativa dela ou do indivíduo dotado apenas de poder aquisitivo, o que se pode esperar? Quando uma mulher é considerada bonita todo comentário infeliz é feito e classificado como elogio. A pessoa se acha no direito de fazer convites totalmente inadequados porque é uma animal irracional incapaz de se conter. Viola qualquer tipo de sensatez para tentar toque, visualizar partes íntimas, forçar beijos e relações sexuais. A mesma forma propagada na antiguidade quando as invasões aconteciam por posses, domínio, escravidão e poder. Este tipo de machismo segue condenado e imperando, basta ver os números alarmantes de assassinatos de mulheres e todos os gêneros diferentes da heterossexualidade. Mas, este comportamento também é reproduzido nestes tão diversos gêneros.

Não é de hoje que as pessoas não só querem se meter nas vidas umas das outras como inventam coisas absurdas e praticam ato revoltantes. Chegamos a um patamar de arrogância tão elevado que a Mulher não pode simplesmente não querer o outro, ela precisa justificar e até dizer estar namorando e esta pessoa, a qual se relaciona, está ali no momento. As teorias de igualdade são belas palavras, mas na prática segue todo tipo de assédio. Propostas ridículas para pegar na mão, para um beijo, para ver as partes íntimas, para sair, para fingir, para sexo…  Há contradição e interesse humilhando muita gente que se submete pela necessidade, pelo dinheiro, pelo poder, mas é a escolha de cada um diante de tanta gente repleta de falso moralismo e incapaz de estender a mão e de emprestar o ouvido.

Como é possível em um mundo dito tão evoluído a desconfiança, a insegurança e o medo serem os sentimentos mais comuns entre as mulheres e as pessoas que praticam seus posicionamentos de gênero naturais para elas? É inadmissível a liberdade, a autenticidade e a coragem do outro ser ele mesmo incomodar. Quanta covardia cabe em um só ser humano só fugindo de todos os preceitos básicos da convivência e de qualquer prática real religiosa e ainda assim usando estes como máscaras diárias para julgar o próximo, para avaliar vestes, o que é nudez, o que é perversão e insistir na segmentação, na divisão e no isolamento baseado nas próprias vontades? Fingir, mentir, enganar, ignorar não resolvem problema nenhum apenas permitem o acúmulo e o cúmulo de piorar. Não seja conveniente com o coleguinha nem conivente com o assédio disfarçado de elogio, chega de inconveniências. Na dúvida aja e demonstre respeito.

sexta-feira, março 15, 2019

monstro roxo de olhos verdes (miniconto)





por Rafael Belo

Só haviam marcas roxas e olhos verdes. Eu tremia em um canto. Faltava luz. Mesmo assim aquele brilho pesado tentava fazer eu me sentir mal. Eu não acreditava em monstros. Eles não acreditavam em mim. Mas, não da mesma forma. Eles queriam me eliminar da existência. Roubavam minha energia. Sugavam minha alma. Eu era fonte infinita de alimentação deles. Foi assim que chegamos aqui onde estou. Neste cárcere.

Presa aqui eles tentavam minar minha motivação. Minha vida parecia ir pelos vãos criados por eles. Eles me enchiam de dúvidas, de raiva e eu só reclamava. Sentia nada mais dar certo. Estava parando de acreditar. Eu quase não acreditava mais em mim. Quando repensei cada passo, percebi. Eu atraia os monstros porque eu era o sol. Eu era a luz. Assim que esta fagulha se reacendeu em mim. Os monstros conseguiram me apavorar até aqui.

Eles não são monstros. São insetos e vão atrás da luz para tentar se entenderem, para se preencherem, para buscar um sentido e acabam se perdendo. Perdidos não fazem ideia de nada, se transformam em… Monstros. Mas é só aparência. Refletindo eu voltei a brilhar. Ao invés de cegar os monstros, eles voltaram a se encontrar. Não todos, claro. A claridade tem um caminho pessoal e um tempo particular. É do privado para o coletivo, não ao contrário.

Ser sol no próprio caminho é um caminho a parte. Muitos já caminharam por ele, mas ele é como um rio onde as águas nunca são as mesmas. Os monstros ainda surgem, mas não me atingem mais, eu compreendi do que são feitos e porque são desfeitos. Este monstro roxo de olhos verdes segue, stalkeia, finge e espalha falsidade e pode até estar no espelho, tentando sobreviver se alimentando da luz do outro, mas vive morrendo por dentro.

quarta-feira, março 13, 2019

escorrendo






Está tudo verde até ficar roxo
o monstro nos cerca louco
morto querendo viver por nós
na vontade de nos tirar do meio

é o fim da ausência de começos
só cópias e desejos venenosos
envenenando corações perdidos

cegos arroxeados no amarelado olhar
não tem lar nem qualquer rumo

quer comprar em demolição onde moramos desfrutar dos frutos sem saber seu real sabor salivando.

+Rafael Belo, às 12h15, terça-feira, 12 de março de 2019, Campo Grande-MS+

segunda-feira, março 11, 2019

Não alimente o monstro





por Rafael Belo

Ando em silêncio e a passos leves quase flutuantes. Há famílias inteiras de monstros dos olhos esverdeados proliferando como ratos de esgotos e coelhos selvagens. Antenados, mal-intencionados, querendo difamar, humilhar, tomar para si ou, pior, apenas que o outro não tenha. Há tanta gente verde de inveja espreitando, stalkeando que proteção nunca é demais.

Não se distanciou tanto da sua origem latina invidere (não ver)  ao se entregar para a cobiça, mas não ver no sentido de deixar de enxergar que com empenho e honestidade é possível chegar a qualquer parte. As pessoas não veem o peso e acúmulo de energia negativa emanando delas para impregnar o objeto invejado, o objeto de desejo… Já que todos fomos objetizados.

Sendo objetivo. Não há inveja branca ou de qualquer outra cor. Ela é verde ranço, verde, imaturo e a expressão “verde de inveja” tem origem na obra de William Shakespeare. Othello, the Moor oficial Venice ( Otelo, o Mouro de Veneza). Ao invés, do ser humano apoiar, incentivar, parabenizar as conquistas do próximo, do amigo, da família… Questiona, minoriza, inferioriza, adquire raiva, desistimula e depois reclama. Além de reclamar do motivo da própria vida estar seja lá como.

Ainda assim acredito em pedir todas as proteções possíveis espirituais, sobrenaturais, todas as medidas protetivas e mudar do país seja a solução… Quer dizer… Não! Brincadeira! Tenho esperança no ser humano. Ainda há muitas pessoas ficando feliz com o sucesso alheio, se inspirando em pessoas que se destacam por serem elas mesmas e realizarem seus sonhos. É possível derrotar o monstro de olhos verdes nos perseguindo e aquele dentro de nós. Basta não alimentar este animal e cuidar, antes de mais nada, da própria saúde mental.

sexta-feira, março 08, 2019

Sob o olhar dela (miniconto)





por Rafael Belo

Aquela correria do dia ainda acordava quando ela já estava no terceiro compromisso da manhã. Ela representa não só as negras, mas todas a mulheres… Tão fortes e únicas com aquela inteligência de cabeça erguida. Mas neste dia os planos dela reverenciavam algo que a mente não pode sequer conceber. As convergências cósmicas se ajoelharam diante dela. Ela olhando com o negro olhar intenso, vestida do seu Ébano esculpido pelas estrelas, flutuou.

Naquele momento toda a Alma dela a estava vestindo. Todos os poderes irradiando nem a deixavam mais tocar o chão. Uma heroína diária. Seu próprio sol. Seu próprio sistema solar. Sendo órbita particular há muito já tinha decido atrair só a evolução para si. Com um simples sorriso sincero sacrificou barreiras, mentiras, machismo e cada preconceito tentando fazer a inveja abalar a recém descoberta Deusa que é.

Estava tão repleta da energia inexplicável criadora de tudo que chorou Alegria. Aquelas lágrimas sorridentes eram declaração da maior independência jamais vista: a liberdade de ser quem quiser. Vestida de si fez todos caírem antes sequer de se aproximar dela. É a arrebatação e a ausência temporal. Todo lixo humano causador de violência foi virado do avesso com cada osso quebrado e se extinguiu pelo odor da própria podridão.

Não havia reparado estar no Centro de todos os universos, mas todos os seres a viam. Desceu em excelsa energia transbordando naquelas se sentindo ali, na Deusa, e preenchendo aquelas ainda com vazios a pressionando. Aqueles presos no olhar dela sentiram o coração expandir em um oceano novo de águas infinitas. Mas, ainda com tanto poder e autenticidade algumas sobras de lixo seguiriam com negação e destruição sobre diversas máscaras. Porém, sob o intenso olhar dela será só conquista.

quarta-feira, março 06, 2019

Nosso esporte





é uma luta em dobro o dobrado do dia
a pele dourada do negro brilha
com o suor misturados às lágrimas
retroativas dos retrocessos escritos em sangue


dores em anexos resilientes no olhar
não permitem as correntes prenderem
a desimportância de nos ofenderem


referências punhos erguidos bandeiras
ignorando todas as rasteiras do preconceito


o eu me aceito é mais forte
a volta por cima é nosso esporte.

+Rafael Belo, às 14h14, quarta-feira, 06 de março de 2019, Campo Grande-MS+

segunda-feira, março 04, 2019

desunião diária





por Rafael Belo

Acabei de ouvir no filme “O Menino que Descobriu o Vento” que a Democracia é igual mandioca importada: apodrece rápido. O olhar de quem não é negro - sobre o negro - segue o mesmo processo. Tudo está podre e mais uma vez vivemos em um ciclo de retrocesso. A representatividade tão reduzida em um Brasil onde mais da metade da população é negra mostra o pensamento dos governantes que tivemos até aqui. Ignorando totalmente a fachada de democracia (do grego antigo “governo do povo”).

Onde está o povo? Não  adianta dizer que cota é mimimi. Não é! Nunca será! É uma tentativa falha de pagar a dívida com os africanos, e nós descendentes, por toda a destruição feita aliada a escravidão. Hoje ainda há pessoas discriminadas pelo simples fato de serem negras e pessoas se achando no direito de ofender alguém que já sofreu abuso racial. O olhar preciso e intenso do negro só é visto por ele mesmo, quem não vive esta realidade só consegue ser solidário e apoiar em lutas pela igualdade, além de se posicionar contra esta segmentação cruel.

Mas como na África, onde muitas guerras  aconteciam para escravizar os derrotados desde os primórdios, aqui quem sofre diariamente de desconfianças e ofensas revoltantes, também é capaz de tratar os irmãos com pedradas e segmentação ao invés de estender a mão, conversar, ajudar a esclarecer ou simplesmente apoiar. Um amigo novo me relatou coisas absurdas onde o condenaram por tentar algo relacionado com representatividade e união. Pela fala dele eu vi o que li em “O Destino da África - cinco mil anos de ganância e desafios”. Vi a desunião.

No livro Malawi está presente, que é onde  acontece o filme citado no início. Este filme, baseado em uma história real se passa no país de Malawi, no continente africano. Malawi vem do nianja (língua original local, mas a lingua nacional é  o Chewa, mesmo com a língua oficial sendo inglês) e significa “o sol nascente”. Há 50 ou 60 mil anos, o primeiro ser humano habitou a região e os exploradores só chegaram por lá no século XVI. A partir daí milhares de habitantes locais foram escravizados e mandados para outros continentes, a maioria sempre morria no caminho.

Mesmo com as missões escocesas, que converteram chefes e reis para assim toda a população se converter ao cristianismo, elas também tentaram acabar com a escravidão, mas o tráfico de escravos seguiu até o fim do século XIX. Toda a África foi invadida, teve a cultura renegada e explorada, principalmente, por portugueses, ingleses e espanhóis. Eles descobriram que o mais lucrativo comércio era de pessoas seja em xhosa, zulu ou algum dos outros nove idiomas nativos sobreviventes. Ou seja, convém a quem está no poder o manter e o mantém com dinheiro e poder recheados a ganância, a discórdia e a desunião dos negros e toda a maioria levada a crer ser minoria.

sexta-feira, março 01, 2019

Esqueço-me e sou você (miniconto)







por Rafael Belo


Eu sou uma deusa, aliás, Deusa. Maiúscula. Mas faço questão de esquecer para me misturar. Eu evoco imediatamente Liberdade e Saudade. Nasci do Dia e da Noite quando estes ainda eram uma só coisa estendida no universo deste planeta. Sou ambos e assim Contraste.

Eu danço libertação e na minha palpitação se ouve o arrebentar de qualquer corrente. Tudo ecoa na mente quando não nasce nela. Eu sou a ação que reverbera e da minha própria estratosfera sou você. Então, nascemos, renascemos em pequenez e imensidão. Sem contradição, só contraste, apenas equilíbrio.

Eu, daqui, deste ponto de mim, influencio todas vocês e as sou também quando retiro tuas almas dos teus corpos pelo álcool… Todos acabam me reverberando, me fazendo própria maré, mas quando bate a ressaca somos inteiras. É aí que a liberdade se reconhece e a saudade segue seu ser. Nestes desencontros vamos de encontro a saudade daquele eu pelo caminho, porém, ao nos vermos nós entendemos. Obedecemos a desobediência social.

Além deste bem e mal estereotipado, padronizado, há dualidade que nem existe. Mas lembramos do medo cultivado em nós para criar falsos papéis, fortalecer a manipulação e se acomodar. Você estão entendendo?! Eu sinto cada uma de vocês. Somos escravas das contas diárias… É vocês fazem exatamente o que gostam. Bom falta força. Vocês estão apenas me imitando e vamos começar de novo, de um falso zero. Falso porque não se apaga tudo que vivemos, se aprende… Enfim, eu sou uma Deusa. Assim mesmo maiúscula. Mas me esqueço para ser você...!

quarta-feira, fevereiro 27, 2019

conquistando o medo








sem liberdade a saudade é peso
prendendo passados primeros nos olhos
com as grades da constante indecisão
condenando perpetuamente o coração

quando os significados se misturam ao avesso
no acaso das pessoas diferentes
o que se sente um não sente-se o outro

até a liberdade ser entendida estendida
na extensão de torna-se além

neste mais ser menos conquistando o medo de ser nós mesmos.

+às 00h14, Rafael Belo, quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019, Campo Grande-MS+

segunda-feira, fevereiro 25, 2019

Significado pessoal








por Rafael Belo

O medo nos move ou nos aprisiona. É um decisão necessária nas nossas vidas para vivermos. Caso nada escolhermos, o mundo não vai parar. Somos todos covardes até aí.  Eu, como ex-covarde, tive muito medo, mas principalmente de perder, de parecer muito ou pouco, de julgarem minha sexualidade, apesar de eu fazer parte da heterosexualiadade a mais hipócrita e covarde… Hoje nem me importo. O medo nos torna os animais que somos como se fôssemos apenas uma coisa ou outra. É com medo que os políticos e os dominadores nos subjugam. Fazem-nos temer ser medíocres, não seguir a moda, os padrões, não abastecer com gasolina, não ter um negócio próprio ou perder o emprego, não ter dinheiro o suficiente, ter pressa para conquistar… Assim, o medo nos leva a procurar apenas segurança. Não temos liberdade e morremos de saudade o tempo todo.

Não sei se você tem tempo, ombros e ouvidos ou acumula desculpas, mas se você tiver todos estes itens em dia, certamente reparou que a história das pessoas é extremamente parecida. Todas falam de liberdade e todas falam de saudade. Mas, a experiência, a vivência de cada um muda o significado delas. Tanto das pessoas a liberdade e saudade. Posso falar somente por mim e eu tenho saudade do meu pai. Penso nele o tempo todo. Sou uma das extensões dele. Onde ele esteve e tocou, ainda continua. Mas, fisicamente e profundamente sou eu, minhas irmãs, minha mãe e minhas tias e primos… Para nenhum o sentimento de falta é o mesmo. Eu já senti muita falta do meu pai. Hoje eu só penso o quanto ele me ensinou e a forma como reagiria as pessoas e acontecimentos. Esta é minha saudade.

Não sinto falta do amanhã porque aprendi a estar mais ocupado com o agora e com as pessoas ao meu redor, as que conheço e as que desconheço. O que leva a minha liberdade. Minha liberdade é poder observar tudo e todos. Interagir com tudo e todos. Traduzindo no meu coração em conluio com a mente a minha forma de liberdade. Esta, escrever, é minha maior expressão. Hoje ela pode ser cantada, tocada, dançada… Abraçada de tantas formas finalizadas em conexão. Somos singulares sim, mas precisamos nos descobrir para nos tornarmos o que somos. Sair desta lama de hipocrisia e de tantos desvios que fazemos para seguirmos covardes subjugados aos poderes nos manipulando pela ambição deles.

Nossa prisão se move direto na televisão e na distorção do passado desconhecido. Se ler é o caminho das luzes, não é o bastante porque precisamos iluminar também, por isso, Se você tem saudades de você, vá se encontrar. Se você se sente preso, vá se libertar. Não é um processo lento, é imediato. Só estamos tentando entender da forma errada... Agora você precisa de si e para se ter é preciso ser livre. Olhando para dentro de nós para vermos nosso infinito e reconhecê-lo em cada ser vivo compartilhando esta existência com a gente. Agora vá. Arrebente a corrente. Sinta o motivo do medo e faça sua revolução pessoal porque o primeiro mundo a se conquistar é o da nossa mente e do nosso coração.

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Afasta (miniconto)






por Rafael Belo

A última lembrança eram rastros. Rastros na areia. Meus passos estavam em toda parte. Não sinto ter passado anos em círculos. Tudo parecia ontem. Mas neste longo dia sigo por um caminho diferente, porém a diferença é a  minha atitude. A alteração na chave-geral da minha resistência emocional quase queimou tudo em mim. A cidade está escura e a escuridão total apaga tudo na ausência de resistência por aqui. Assim, sinto tanta gente neste constante desestar.

Há corpos sonâmbulos pensando ser o próprio despertar. Eu estou pensando em quanto e quando fiquei desacordada e disso nada lembro. Nem antes nem durante… Estou neste depois. Sou a energia natural das baterias. Acabei de abrir estas flores. Estou eletrificada. Ando transformando qualquer energia em boas vibrações para mim. Veja como estou arrepiada…! Vou criando transformações e onde elas não tentam me fechar, eu sigo em frente.

Não quero entender qual tipo de Matrix é esta porque está tudo em cinzas. Queimou até tudo ser o mesmo. Não é possível distinguir absolutamente nada. As baterias humanas quebradas na origem, no cômodo acomodado daquele passado repetido exaustivamente enriquecendo as pobres ideias de riqueza e prosperidade. Propriedade humana de um corpo vazio feito de preconceitos e julgamentos. É um stand-by, um estado criogênico reversível, que só eu mulher posso mudar.

Tenho as lembranças de todos e ouço aqui na minha mente definições de preto, negro, carne, mercado, submissão, covardia, gays, gêneros, corpo, peso, raça… Todas as resistências menosprezadas com o emocional reforçado até entre as lágrimas. Talvez eu chore agora com a solidão não permitindo eu me sentir só, mas só sentindo ser tanto e tantas… Nesta exclamação da minha força trarei todas de volta primeiro, depois todos os outros! Urrarei: AFASTA! Será para ninguém e neste depois vou utilizar o desfibrilador na potência máxima torcendo para queimar os neurônios da ignorância e do egoísmo. Por agora, vou agradecer minhas lembranças… Mas já vejo outras despertarem sozinhas.

quarta-feira, fevereiro 20, 2019

despertencer







cai a resistência emocional
desaba a chuva depois do estrondo
são tantos eus escorrendo alagando
transbordando nos céus particulares

procurando o desapego nos cantos nos beijos
todos tirados truculentos de um dia normal
lá finge desconstruir desconversando acumular

aqui é tão longe da atitude de se trocar
tocar o pó da resistência cremada

na existência dos padrões deste despertencer.
+Rafael Belo, às 23h41, terça-feira, 19 de fevereiro de 2019, Campo Grande-MS+

segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Resistência emocional





por Rafael Belo

Eu ouço, vejo, leio, assisto tantos medos e reclamações sobre emoções. Reclamar não resolve se for só por reclamar, se não souber e não houver solução… Agora medos a gente supera, mas não mata. Aquele medo de  mudar, de repetir os erros é um bom alerta, mas deixá-los nos dominar é ser ausência. Acumulamos ausências, inclusive de nós mesmos e a sofrência insisti na resistência. A resistência de se entregar, a resistência de se envolver e de resistência emocional em resistência emocional, tudo queima e até nossa luz se apaga.

Perdemos nossa chave-geral, o disjuntor não se acha e o interruptor da luz não funciona. Eu prefiro sentir tudo, até esta escuridão nublada em um céu sem lua, sem sol e sem estrelas a resistir às emoções. Deixa os holofotes acusarem o drama, a plenitude, a desolação neste palco da nossa vida. Ninguém tem o poder de acabar com o nosso emocional se não dermos este poder para alguém. Poste se tiver feliz, poste se tiver triste, faça as postagens que quiser e se preferir não fazer publicação nenhuma, a escolha é sua. Só não resista em ser você mesmo.

Há um considerável tempo, eu resistia em falar qualquer coisa onde em minha imaginação fosse prejudicar a relação, qualquer uma: amizade, de ficante, de namoro, familiar… Eu resistia falar sobre meus sentimentos e obviamente tudo que se acumula sobrecarrega. Considero isso ser resistência a ser feliz. Esta resistência realmente precisa queimar.  Não há arrependimentos se houve aprendizagem e aí fazemos o que? Enumeramos só o que consideramos ter dado errado na relação.

A isto eu resisto. Não considero participar de nada se não for 100% e, sendo assim, quem não estava totalmente presente, resistiu a ter algo ainda melhor. É da nossa natureza sentir, então porque colocamos listas, padrões e exigências para a liberdade? Não há liberdade assim. Qualquer corrente é sintoma de escravidão. Porém, nos enganamos se anunciamos sermos escravos das emoções, prisioneiros do coração e reféns dos sentimentos. Somos escravos do controle, reféns do comodismo, de querer agradar e prisioneiros de tentar manter e não querer perder relacionamentos que acabaram.

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

A Dríade humana






por Rafael Belo

Em todo seu poder e longevidade, no alto da própria maturidade daquela era toda dela, a Dríade teve a chance de voltar a ser semente. Ela era a principal árvore daquela floresta dos primórdios africanos, a Floresta Divina, mas quando os primeiros conquistadores chegaram não podiam sequer enxergar o lugar. Viam um abismo capaz de inspirar medo e dor. Por isso, hoje milhares de eras desde a concepção da criação, toda a floresta está intacta em centenas de metros para os céus e milhões de hectares.

O mas veio logo ali atrás porque a curiosidade da Dríade por aqueles seres vorazes como gafanhotos bíblicos vinha de ela não acreditar nesta destruição desenfreada causada por eles. Esta Dríade, chamada Driane, sofria por ser a última das sua espécie divina e pelo descaso dos humanos, ainda assim quis ser um deles. Ao invés, de morrer de desgosto nasceu de um ventre.

Humana, mas com toda a alma Dríade. Ela veio madura. Vinha chegando no ápice de cada idade encantadora. Ninguém entendia porque não conseguia desgostar dela, desejar mal a ela, fazer qualquer ruindade com esta mulher. Ela inspirava o bom e a evolução. Ninguém conseguia identificar a idade dela. Não acreditavam quando ela dizia. Ela não ligava. Sorria como se fosse o próprio tempo e o assunto terminava.

Com ela sendo amada em toda parte todos a queriam. Estava nas redes digitais espalhando suas sementes. Quando falava, a plenitude reinava, tudo parecia arte e possível. Porém, por mais divina que parecesse também era humana. Um dia simplesmente desapareceu. Não houve pânico algum. Os corações tocados sabiam que ela estava bem. Na Floresta Divina lá nos primórdios da vida, uma árvore surgia de uma semente e imediatamente se agigantava no meio daquele lugar invisível para a humanidade, mas alguns já podiam ver ser revelar.