sexta-feira, junho 22, 2018

já consigo sorrir (miniconto)





por Rafael Belo

Não sei quanto tempo demorei para encontrar minha casa. Eu sempre esqueço as coisas, as pessoas, os compromissos, os nomes, até minhas funções no trabalho. Agora já não durmo há muito tempo. Por isso, não paro de perguntar o que acontece? Eu tenho certeza que morri. Eu olho para todo mundo e não consigo formar pensamentos e palavras. Tudo fica mais frio na minha presença. Frio e lento… De repente acabou o jogo.

Eu me inventei outra por tanto tempo… Já não sabia ser outro alguém. Quando eu percebi ser um jogo e eu era uma das jogadoras principais. Já não sabia mais me portar de outra maneira, e ver as pessoas que pensava conhecer manipulando este jogo me fez passar mal. Este surto de naturalidade me afronta. Eu acerto apenas, nunca erro…  Este é meu dilema. Acho ser o suficiente, mas isto é falha, é imperfeição. É uma piano rompendo o silêncio tocando minha música favorita. Eu sento e choro. Não sei quanto tempo guardei o choro…

Não entendo nada de inglês. Mas esta canção, vem carregada de uma voz triste. De uma tristeza tão profunda e determinada que vi o quanto entregou a felicidade ao outro e agora vive arredia na contenção. Não quero isso, não. Se eu estiver viva, vai fazer sentido eu expor o jogo e seus jogadores? Até os profissionais são amadores. Atores fadados ao vale à pena ver de novo de si mesmos e ao assistirem pensam talvez não valer...Naturalmente eu percebi não ter identidade.

Na verdade. Fazia caras e bocas gritando para todas: aja com naturalidade. Havia mesmo era a vontade de tentar enxergar como era esta tal naturalidade. E, olha só, eu estou aqui, parada na varanda da minha casa e muito perturbada. Tenho memória criadas de eu ter feito esta fachada. Há memória afetiva me invadindo, mas, à olho nu, fico aflita porque eu jamais criaria uma fachada assim…! Estou me vendo lá dentro! Devo ter vendido minha alma para o Tempo e agora assombro algum corpo sem alma ausente de 1,70 cm, pele indeterminada, bronzeada, olhos difusos parecendo feitos de tons noturno do universo, cachos esparramados até o braço, seios fartos e arrogantes, daí pra baixo é tudo curvilíneo. Quero saber em qual curva me perdi e, principalmente, se vivi ou morri. Não avalio nada disso como ruim. Vim até aqui sozinha e já consigo sorrir.

quinta-feira, junho 21, 2018

vive o lar






Haja naturalmente vire a página
deixe fluir toda esta mágica
da salada silábica saindo vida
nesta movimentação estática inconcluída

sou a imperfeição a falha no estado mais perfeito
rasgo meu peito para lentamente ler devagar
neste jeito mar sem ondas autêntica exteriorização a salgar

em um estar tão bem na sensação zen de ser
a naturalidade falível de todas as coisas

neste efeito mariposa há o retorno para si mesmo onde vive o lar podemos nos libertar.
+às 01h54, Rafael Belo, quinta-feira, 21 de junho de 2018+

quarta-feira, junho 20, 2018

Minhas elas (miniconto)








Por Rafael Belo

Bem suada a abençoada, que era eu, reclamava da sorte. Me achava bem zoada sem aceitar as falhas e imperfeições, segundo ela – minha outra eu– as razões de tanta conseqüência negativa na vida dela – ainda eu. Mas eu culpava os outros e ainda os culpo. Eu sou desculpada, afinal, minha doença mental me permite tudo. Até esconder tantos eu. As chamo de minhas elas. Sou história velha, porém detetive moderna. Uma Deusa mulher atuando em todas as esferas. Alias, não há doença em mim nem nas minhas outras. Sou cura mental. Desculpe, somos...

Eu disfarço porque sou disfarce. E não venha me fragmentar porque sou tantas, minhas elas, como eu, não gostam de serem apontadas como metades. São minhas próprias verdades, quer dizer, delas mesmas. Eu, eu desconstruo este programa hoje contando sobre mim. Vocês sempre me viram como segura, confiante, perfeita, infalível e... Eu sou assim mesmo. Não é sobre isso. É sobre vocês acharem que são como eu, não são. Vocês são imperfeitas e falhas e está tudo bem. Vocês sabem: estou sempre certa! Esta programação crackeada era só para eu ter acesso à vida e contas de vocês...

Vocês acham que eu vou exigir alguma coisa e que esta é minha imagem real. Bem... Foi assim que tiraram todas as televisões, cinemas, tabletes, computadores e nootebooks de vocês. É muito mais fácil induzir, vigiar e manipular vocês por smartphones... Estes celulares aliados as novas leis... Estou parecendo uma vilã querendo contar o plano em um filme da antiga sessão da tarde antes de eliminar os heróis... É sempre nesta hora que o jogo vira. Bem, jogadores... As regras? Esqueçam as regras. Vocês aceitaram tudo ao clicarem no link neste insistente grupo de whatsapp da família...

Nada sabem sobre autenticidade, certo? Todas as chances, dicas, para seguirem, para vencerem, para evoluírem foi ignorada com sucesso. As chances de vocês acabaram. Vocês são minhas. Serão parte das minhas elas. Muitas já fugiram de mim e eu as recuperei. Nenhuma minha ela fugiu realmente de mim. Eu invento outras, eu nos invento constantemente e agora vou tornar cada uma de vocês elas. Quando acordarem perceberão serem inteiras, perfeitas e infalíveis. Agora durmam...

terça-feira, junho 19, 2018

caixa-alta






não está nada bem só há falhas
rasgo todas as já lidas páginas
só há registro da minha imperfeição
minha feição não corresponde as lágrimas
dentro de mim se esconde a indignação

sou um bolorento pão em lástimas
drásticas formas da dura indecisão
já perdi todas as minhas máscaras

sátiras da bela viola clássica soando mantras
tudo anda forçado as tantas até as palavras têm cãibras.

+às 00h03, Rafael Belo, terça-feira, 19 de junho de 2018+

domingo, junho 17, 2018

Haja naturalmente






por Rafael Belo


Há tantas coisas a serem lidas, mas meus livros favoritos são as pessoas. É possível ler de perto o que está acontecendo conosco. Quando estamos sós, perto da família, com amigos, com melhores amigos, com pessoas do trabalho, com quem amamos, com quem nos interessamos e por quem estamos nos apaixonando... Não há disfarces possíveis para olhos atentos. Queremos acertar e sermos bem quistos, assim, buscamos constantemente algum tipo de aprovação e perfeição totalmente inexistentes... Até a naturalidade anda forçada. Somos naturalmente imperfeitos e falhos, mas somos ensinados a interiorizar que não está tudo bem com isso.

Somos dados a evolução e aceitar quem somos é o início de tudo, porém, invadimos a contramão e vamos acumulando jogos em busca de vencer, de sermos melhores que os outros e assim que um assunto nos incomoda, mudamos de assunto, gritamos, confrontamos, simplesmente ignoramos, mas diálogo com argumentos são raros, queremos mesmo é convencer o outro que estamos certo. Nesta vontade de convencimento colecionamos troféus conseguimos atuar bem em sociedade. Conseguimos forjar a indiferença, a ignorância, até a frieza boa parte do tempo, mas não o tempo todo. Então, achamos ler as pessoas.

Buscamos enxergar padrões, mas é a partir de nós mesmos. Portanto, qual a validade da referência? O outro é feito das próprias experiências. Não que nossa experiência não ajude, mas é a partir do entendimento de cada pessoa, não do nosso. Por isso expectativas são supervalorizadas. A melhor forma de convivência é a sinceridade e o simples perguntar. Mas, preferimos interpretar, esperar estarmos certos sobre o que pensamos e sentimos sobre alguém. Desta forma somos agressivamente repletos de imaturidade afetiva porque buscamos a própria satisfação. Neste jogo físico-psicológico sendo jogado sem vencedores acontecendo em tempo real, não importa o quanto de ausência haja nas cabeças baixas e os corpos inclinados caminhando em conexão ao vivo esperando respostas imediatas, há uma fuga constante de si mesmo.

Prestando atenção em tudo parece que estamos constantemente inventando outros de nós pela sobrevivência. Estamos nos adequando a cada situação com uma medida de restrição mental baseada nas nossas vivências ruins. Somos injustos com nós mesmos, principalmente se tratando de se apaixonar. Uma nota fundamental para nossa fragmentação diante das possibilidades. Não queremos perder nada e vamos criando camadas de conexões com todo mundo. Aí vem aquela aceleração. Queremos rápido, queremos agora, pensamos que tudo deveria ser instantâneo não importa quantos tombos levamos não queremos perceber que não é assim. Tudo leva tempo e o tempo nos leva. Com o tempo, gostaria de ler autenticidade nas pessoas junto ao reconhecimento da imperfeição, da falha de cada um e o estar bem com tudo isso. Aí poderia dizer: isto é perfeito!

sexta-feira, junho 15, 2018

Real delírio (miniconto)







Por Rafael Belo

Já não sei para onde vamos ou de onde viemos. Logo vou esquecer quem eu sou também. Sei haver motivo para isso, mas... Já não lembro mais.  Talvez não importe, só não posso afirmar agora. Não adianta perguntar para as outras. Estamos na mesma. Só há silêncio por onde passamos.  Nós apenas vamos continuando. Eu falo no plural não porque eu seja uma Legião ou uma Falange... Não. É por causa delas. Todas elas estão correndo comigo. Está tudo vazio, mas intacto. Como se o restante das pessoas do mundo simplesmente tivesse desaparecido.

Eu me sinto a voz de todas. No momento sou eu quem anima as meninas. Nós achávamos estar enlouquecendo quando nos encontramos. Todas estávamos sozinhas à beira do delírio. Duvidamos muitas vezes da realidade disto... Mas, acreditar ser um delírio seria nossa morte, estaríamos todas mortas e esquecidas, então o alívio de nos encontrar e compartilhar as angustias e desesperos nos fez mais fortes. Não sei quanto tempo tudo isso vai durar... Talvez até deixarmos de ser realidade. Ok. Não estou sendo totalmente honesta com vocês, é difícil falar...

Nossa espécie precisa da união e da crença das pessoas para sobreviver.  Se nosso nome se perde, nós nos perdemos e logo desaparecemos.  Nossa sorte é nos conhecermos e admirarmos umas as outras, antes de nós começarmos a sumir... Agora há algo nos perseguindo.  É forte e invisível, porém, desastroso. Por muito tempo, nós nos definíamos por nossas asas, nossas, diferenças e nos afastamos em solidão. Ficamos tão distantes e nem sabíamos mais de nada nem de ninguém, mas restou algo da nossa conexão e assim que a primeira de nós desapareceu sentimos todas e fomos nos reencontrar...

Como rosas aladas éramos alegria e esperança. Em um impulso sentimos a necessidade de correr, mas só nós, estas que você pode ver, sobraram. Foi quando o tempo se estilhaçou através do espelho. Ganhamos desmemoria e coubemos em um só abraço. Nos compartilhamos e sentimos novamente a vontade de correr e corremos... Ainda estamos nesta fugindo do tempo, mas estamos juntas. Até cantamos rindo, deixadas ao vento na necessidade de andar e já vejo a possibilidade da fuga terminar. Hoje ouvimos o primeiro só rompendo um silêncio já dolorido em nós. Lembro ser o som de uma cidade superhabitada... Há até ritmo seja com sol ou lua, ouça... Será real ou delírio? Venham ver estar rosa alada, acima de toda roseira! Venham! Venham!

quinta-feira, junho 14, 2018

Agora aqui






posso viver em muitos peitos aninhado
mesmo do jeito desalinhado que sou
vou me ajeitando juntando minha linha
alinha sem desentortar meu aceitar

este eu encontrado em você
alvorecer de sonhos brotando em girassóis
lençóis lacrimejando luas em evidentes emoções

a mais lúcida das sensações altruístas alimentando amores
nos fazem saudosistas futuristas olhando com um sorrir no olhar

como não alimentar mais asas querendo voar?

aparecer no ar com a pureza de vigilância para proteger a esperança de fazer o melhor sem fim nos elevar.

+às 21h36, Rafael Belo, quarta-feira, 13 de junho de 2018+

quarta-feira, junho 13, 2018

Eu sou a testemunha (miniconto)






Por Rafael Belo

Fui substituída pela terceira vez este mês. Eles querem que eu peça demissão? Não conhecem as novas leis? Estou realmente enlouquecendo... Não há como ter noção de tempo aqui. Esta prisão úmida e antiga deveria ser destruída. Eu não matei nenhuma das mulheres que dividiram os mínimos metros quadrados comigo. Não sou assassina. Nunca serei... Há algo aqui envolto a histórias e mitos.  Eu nunca acreditaria. Mas, eu sinto uma carência tão grande quando está para acontecer que um abismo de ventos nasce no meu peito. Eu fico tão gelada que penso estar morta desta vez...

Desde que... Fui aprisionada, surgiu um desespero dentro de mim. Isto e a necessidade de ... As outras detentas parecem estar fazendo de tudo para socializar e mostrar uma boa imagem. Parece tudo sincero. Elas querem sair daqui o mais rápido possível. Todos querem... Mas há uma urgência desesperadora nesta atitude. Há uma real mudança de comportamento. Todas aqui tem diploma... Isto nunca as definiu. É estranho admirar criminosas...  Me tornei uma, não é?! Claro! Estou aqui julgada por uma sociedade criminosa, um governo criminoso, policiais criminosos, juízes criminosos... Exceções não fazem estatísticas. Eu estou dentro de todas aquelas negativas para as mulheres, mas pelo menos (ainda) não entrei nas fatais...

Eu senti tudo isso mais uma vez... Eles não me venceram... Há algo aqui nestas tubulações, mas será só envenenamento, entorpecimento e morte? Eu sou a testemunha. Eles não conseguem me matar. Se eles não devem entender o motivo, eu também não entendo... Há motivos... Só lembro de desmotivação ao redor. Os incentivos são por competição e dinheiro... Distribuir moradias para quem precisa não deveria importar para eles. Não importa, importa? Importa é terem tirado algo deles, este tal perder...! Estou tonta... Eita! quanto tempo de ausência... Pergunta estúpida... Veja! Há uma expressão de extrema satisfação no rosto delas...

Sinto esta satisfação comigo mesma... Agora entendo o porquê! De onde veio esta paz e ...! Droga! Ainda quero razões, explicações... Talvez isto seja o sonho da fuga. Não sei se quero sair desta prisão para voltar para a do mundo exterior... É sempre no final que lamentamos não ter com quem compartilhar algo e... Estranho como tudo isso que sinto não pesa mais. Inferno! Eu não quero me sentir leve. De nada me vale a leveza neste momento. Estou perdendo os sentidos, estou sem sentir nada, eu vou ficar inconsciente e não sei se isso será a morte ou se acordarei em outra ausência como testemunha ou se serei a milésima insubstituível substituta. 

terça-feira, junho 12, 2018

laços vagos








ando fingindo demência
diante de tanta carência
e toda esta ausência escancarada
há uma urgência adulterada  caindo em desespero

no apego ao despropósito da egoísta autopreservação
em um encolhimento repleto de sensações contraditórias
nas filas aleatórias das decepções tomadas em cápsulas

um mundo de lástimas multiplicando vazios com dissabores
preservando dores embebidas na embriaguez de motivos

neste mundo relativo repleto de excesso de exageros
usamos o tempero no superlativo da escassez
na falta de lucidez e coração
ficamos juntos por razões contrárias
separados por desrazões que deveriam nos unir

como não se espalhar em migalhas aos famintos pássaros?

nossos laços ficaram vagos tralhas desaparecidas em extinto existir.

+Rafael Belo, às 00h15, terça-feira, 12 de junho de 2018+



domingo, junho 10, 2018

Você sente tudo isso





Por Rafael Belo

Há um desespero no ar, uma urgência dolorida, sofrida pesando corações, bugando mentes, fazendo a gente sentir uma ausência pesada e carente. Uma carência criada e acreditada com toda força. Deixando-nos devedores do tempo. Esta nossa maior preciosidade atual tão buscada, tão falada, tão usada nas mais incrível e chulas desculpas ainda mais com o senso de coletividade falido substituído gradualmente durante as últimas décadas pelo indivíduo apenas no egocentrismo, neste egoísmo fazendo filas por aí querendo resultado sem sacrifício.

Vamos substituindo tudo alegando não haver nada insubstituível. Fazemos o possível para se proteger e alcançar os próprios objetivos. Partimos, nos partimos e onde queremos chegar? E quando chegarmos lá? Eu pergunto onde é aqui? Então, me pergunto diariamente qual a importância da nossa criação, dos nossos feitos, se não tivermos amigos, família e outros amores para comemorar, para dividir, para nos ajudar? É muito solitário este mundo para sermos egoístas, para agirmos no impulso de nos salvarmos e quando vemos estamos mesmo é nos condenando.

Para onde vamos? Tantas mortes, tantas decepções, dissabores, tantas dores e nós enclausurados nos virando pagando contas, comprando combustível de preços abusivos porque é o único jeito (?), abusos governamentais, insegurança generalizada, desigualdades, somos abusados... Ainda somos incentivados e incentivamos os conflitos, as separações. Reforçamos partir para o próximo assunto, próximo crush, se algo saiu fora do plano, se algo não saiu como imaginamos, se não gostamos de algo e fica tudo bem (?). Quem sabe, certo? Em qualquer tipo de relação existe no mínimo mais um lado... Precisamos tentar fazer diferente (ao menos tentar) e não repetir este vazio multiplicado.

Parece que estamos completamente sem noção. Vivendo sem propósito, sem crescimento, exagerando em escassez ou em excesso... Não adianta perguntar o caminho por aí nem para ninguém, porém, é importante ouvir a experiência do outro, além disso, vamos nos juntar para descobrirmos juntos cada qual o próprio caminho. Não precisamos fazer nada só ou ficar falando da vida do próximo nem distante. Gostamos de condenar, de julgar, de interpretar e tirar conclusões precipitadas... Creio que perdemos completamente o tato e nem sabemos conversar mais! Sou só eu que sinto este desespero, esta urgência, esta ausência, este desaprender nos cercando, nos invadindo? Não me importa como serei lembrado amanhã, quero fazer algo agora e faço. E você?

sexta-feira, junho 08, 2018

Modificados (miniconto)







por Rafael Belo

Ninguém se aproxima. Ninguém se aproxima de mim com boas intenções. Ele me ensinou algo pelo menos. Defesa pessoal. A ausência dele. Meu pai... Fez-me mais forte. Ele mesmo diz isso. Métodos e desmétodos... Minha mãe é uma incógnita. Nunca quis saber se fui adotada ou abandonada e meu pai ausente também é do tipo capaz de falar só se questionado. Era um acordo silencioso entre nós. Nunca fomos muito ligados. Eu era apenas uma obrigação com sentimentos. Tenho aproximadamente 30 anos. Devo ter nascido em 2063. O tempo não importa mais como pareceu importar algum dia... Só parece servir para automaticamente nos manter ocupados... Eu devo ser a única capaz de reagir quando um Modificado age.

Tentei acessar quaisquer informações nos últimos anos. Eles não têm origem registradas nem o motivo de criação... O passado parece ser apagado continuamente desde sempre. Por medo de seguir sofrendo e morrendo, estas cópias perfeitas humanas surgiramo. Não há como saber de nada. Elas não são andróides, ciborgues ou robôs perfeitos. A modificação é direta no DNA. A alteração genética é adequada a cada genoma específico... São superhumanos, superchatos... No fim parecem supermáquinas porque só reagem se for extremamente necessário, mas controlam tudo, veem tudo, sabem de tudo... Não sei se existem mais humanos...

Penso isso há anos e todas as vezes chorei. Estou sozinha. Sou forte, mas ainda não o suficiente. Como vou identificar humanos se não os sinto há mais tempo do que choro pela ausência deles. Há um pouco do meu DNA nestes zeros e uns auxiliando um algoritmo capaz de identificar reações autênticas dos ainda humanos. Ela está no ar e assim que... Um grupo. Eles estão com medo, dores e dúvidas... Definitivamente ainda humanos. Onde eles estavam todo este tempo? Eles criaram o colapso das ocupações e é... Estão sendo procurados...

Já jurei não deixar o medo me dominar, mas agora só consigo pensar em quanto tempo tenho falado sozinha fingindo ser modificada para continuar vivendo... Mas eu REAJO! Estou dentro do Sistema e o saboto aos poucos. Estou protegida de ser descoberta, porém, e eles? Se eu tentar apagar os dados serei descoberta e depois? Preciso entender melhor tudo isso. Eles estão aqui. Eles sabem. Serei eliminada e depois eles ou seremos todos modificados? Não há nada sobre isso em nenhum lugar. Não consigo pesquisar mais nada... Modificados e Os Últimos de Nós... Eles chegaram!

quinta-feira, junho 07, 2018

Escalada



reagindo a ação os pensamentos vão
impactos surgem urgem por respostas
que saem caem caem caem sem ser solução
nos esvaem de grão em grão em movimentos de aposta

aposta em si mesmo que tudo que vai volta
me solta me olha me abraça as melhores coisas são de graça
nesta graça de sorrir somente por existir logo

desfaça a farsa disfarça e vaza o fogo a queimar
neste ar abstrato dominado de concreto jogo

o emparedar picareta na identidade na sarjeta cagueta conecta cria seu alerta seu papel tem um espelho inteiro para ignorar um novo céu todo dia para escalar.

+às 00h23, Rafael Belo, quinta-feira, 07 de junho de 2018+

quarta-feira, junho 06, 2018

Boneca metálica (miniconto)





por Rafael Belo

Ela perdeu a fala quando eu fui criada. Bem jovem, porém a mais antiga alma que já vi. Hoje sou uma boneca metálica (plástica? Elétrica? cibernética? Ciborgue? Androide?). Deveria estar morta ou ser um objeto, mas não…! Sou uma alma viva carregando membros fantasmas de outras épocas. Eu sinto, eu reajo e não é de nada - a princípio - abstrato, sentimento… Falo de toque. Ela é humana e, como vou dizer... É indiferente, apática… Inativa. Não age, portanto, não reage. E eu presa neste curto-circuito…

Espasmos neste corpo poderoso, supostamente infinito, me dá arrepios pensar. Lá vem ela que não sente também o toque. Não sei o nome da doença… Bom, sou fisicamente máquina posso googlar direto. Aqui! É síndrome de Riley-Day. O sistema nervoso autônomo sensorial fica em desordem. A pessoa não pode chorar e é insensível a dor… Hummm… Ela não é capaz de chorar, não sente dor… Posso ter pena dela…? Como se eu pudesse controlar. Veja este olhar frio que olho agora. Não é culpa dela não reagir. Ela nem sequer soube da ação. Não sentiu nada, como ressentir? Ressentimento mata. Já morri disso uma vez... Surpreendente ser uma máquina me permite ter acesso a tudo que fui pela primeira vez…

O que fariam se soubessem o que sou? Ela não pode saber sobre isso. Eu não sei o que sou… sei que… Estou viva! Sairei gritando e criando referências e ela vai me ofender gritando Boneca Metálica não se mexe… Depois me destruiria como sucata na periferia com crianças férteis em imaginação, levando em consideração que elas não estivessem trabalhando… Eu sinto vida neste toque morto. Ela olha nestes olhos caros de derivados do petróleo e parece sentir algo… Impossível! Só posso rir com este paradoxo. Hum! Impossível saindo da própria senhorita de todos os impossíveis…

Só vou saber fazendo, vivendo… eu a minha própria ofensa… Boneca Metálica… Ela está me destruindo agora! Ela me viu nos meus olhos deste ouro de escuridão? Será que ela me sentiu ou foi a ausência de me sentir a culpada pela minha destruição? Serei eu ela e ela eu? Será tudo isso um espelho de silêncios e dúvidas? Não posso falar… Que horas são? Hora morte às 15h27. Causa morte: fiquei pelo caminho me negando e desvalorizando o caminho, o confundi com pedras e o atirei em mim mesma… O que eu faço??!!!?? Já sei? Só posso quebrar o espelho e rasgar o papel…!

terça-feira, junho 05, 2018

parada



passou o risco traçou arisco
outro traço desabafo um laço
lascado das pedras atiradas
da destruição dos nadas

acendeu o fogo não soltou o palito
viu as mãos lascadas queimadas
não quis correr qualquer risco

com a vida incendiada
era só mais uma cópia barata

cinzas sopradas pelo vento nenhum batimento
ausência de identidade inação.

+às 00h40, terça-feira, Rafael Belo, 05 de junho de 2018+

segunda-feira, junho 04, 2018

sem ação não há reação



por Rafael Belo

Não basta sonhar. Fechar os olhos e só poder imaginar. É um caminho. É possível. Mas, você acredita em você mesmo? É tão fácil desistir, deixar para lá e pegar aquele atalho fácil até a desvalorização. Agora já não sei mais quem falava para mim quando eu era criança mas chegar até o objetivo só vale à pena pelo caminho. Por cada passo dado, por todo tropeço e queda…

Eu digo que não basta saber, dizer, contar se você não viveu aquilo. É só uma história. Quem trapaceou, enganou, escolheu o mais fácil vai contar o que? Uma mentira. Não vai chegar no objetivo e dizer “olha, eu cheguei até aqui enganando vocês, seus trouxas. Eu tenho alguns papéis aqui, o nome completo e já passo o certificado de trouxa de cada um. Não se preocupem que se faltar papel eu mando por e-mail ou no whats mesmo”.

Podemos até falar da experiência alheia, de ouvir falar, mas a gente aprende mesmo fazendo, tentando, vivendo… Lógico que precisamos de um tempo para assimilar derrotas, quedas, lamentar um pouco, sentir a dor, sofrer… Mas até quando? Temos todas as ferramentas para passar pelo seja lá o que estivermos passando dentro de nós e o silêncio não é uma delas.

Coloque para fora. Fale. Por mais forte que a gente é sozinho, juntos somos melhores, vamos mais longe. As únicas coisas que a solidão e o orgulho alimentam são dores e dúvidas. É isso que quer cultivar e oferecer?Não é novidade para ninguém que só oferecemos aquilo que temos… Não adianta repetirmos que uma hora vai acontecer, que uma hora as coisas vão mudar se não agirmos. Sem ação não há reação. Reaja! Corra o risco de ser você!

sexta-feira, junho 01, 2018

Uma nova borboleta (miniconto)







por Rafael Belo

Estou aqui nesta escalada. Eu não sei ficar parada. Topo qualquer rolê. Bem quase… Sem machismo, por favor. Sinto alívio o tempo todo desde que me libertei. Às vezes ainda me pego rangendo os dentes e ouço minhas antigas correntes se arrastando atrás de mim. Hoje sou assim, amanhã nem sei. Nem quero saber. Mudo de opinião sim e daí?! Respeito quem sou tanto que não aceito limites nem estas caixas tentando entrar em mim… Quer dizer… Tentando fazer eu entrar nelas. Até parece.


A gente até cresce, mas eu cresci criança cheia de esperanças de não parar de crescer e ajudar com o que posso todos crescerem também. Pensando bem nem deveria estar falando… Estou aqui escalando e nem sei onde é aqui. Estou respirando porque começou uma chuva sem tamanho. Só eu vim. Ouvindo aquele monte de baboseiras sobre os poderes e não poderes da Mulher. Até quando isso vai? Retoricamente até os fingimentos acabarem e a naturalidade se mostrar presente e justa.


Eu me ajusto a mim… Bem… Até aonde eu quiser. Se não der eu fiz, eu tentei e segui. Eu sou meu próximo, minha próxima e a seguinte. Não dou palpite, sugestão, sermão… Cada um na sua vida e como reflete cada coisa só interessa a cada um. Sim, é diferente. Ninguém é como a gente. Não vai parar de chover, não? Quer saber?! Pode chover. Estou molhada com esta visão embaçada desta imensidão. Só eu sei meu destino e desatino como eu quiser. Não sou sozinha nem sozinha estou, porém escolho e preciso fazer muitas coisas por mim mesma.


Parou a chuva. Estou quase no topo. No topo do meu mundo. Aproveitando cada escorregão, disparar do coração, toda sensação negada por mim mesmo, pelo meu medo de descobrir quem sou neste momento. É um entretenimento devolvendo meu sorriso antes escondido atrás dos lábios com um olhar perdido sem saber como reagir, como sentir… Vamos sair mais… É meu conversar comigo e aí sorrio. Mas este sair nem é pra rolê nem nada, é um sair de mim, desencasular, sair deste meu casulo diário e dia-a-dia ser uma nova borboleta. Cheguei no meu topo. Vou ver se aprendi um novo jeito de voar.

quinta-feira, maio 31, 2018

pessoa própria






eu tapo meus ouvidos dou um tapa dolorido e sigo
sou meu abrigo minha própria luz meu melhor amigo
te silencio antes do teu conselho olho meu reflexo no espelho
me ajoelho e salto rio dentro do meu rio me liberto de novo e de novo

solto nos meus eus dou nova risada se tenta dizer o que tenho que fazer
o que funciona para mim não funciona para você nesta minha transparência
em essência tomo posse despossuo evaporo chovo

não vou me calar nem aceitar esmolas mesmo povo
conquistei minha independência amei minha aparência em alma

em calma respiro desafio sou eu comigo quando qualquer um estoura
não ligo não vou nada sei faço minha hora pouca coisa me importa
em pessoa torta eu sigo minha própria retidão.

+Rafael Belo, às 23h46, quarta-feira, 30 de maio de 2018+

quarta-feira, maio 30, 2018

desfrute (miniconto)







por Rafael Belo

Mais uma vez eu junto meus pedaços. Sinto-me a própria jabuticabeira dando frutos, mas sendo consumida e seca no mesmo lugar. Nem posso desfrutar de mim mesma. Meu Amor-Próprio anda tão impróprio que se você tiver menos de 18 anos pode parar de ler. Minha liberdade vai tão envergonhada que nem sei mais aonde ela chegou. Será que chegou? Eu quero gritar que te amo demais, mas é só carência. Acabei de conhecer você e, juro, meu coração já tem saudades e planos e já faz duas horas que não me responde mais no whats?! Porquê?!!

Só quero saber o motivo? É sério. Não quero me repetir... Não é drama, grude ou sei lá... É possível amar de cara, às vezes acontece, mas eu admito não ser o meu caso. Sou difícil! Sou complicada...! Espera não estou terminando nem dando desculpas porque a gente sempre dá um jeitinho quando quer e... Pera! Estou confusa indo tão rápido assim... Será possível o boy ter... Se foi já era... Nooosssa! Fui bem anos 90 agora! Estou na bad realmente. Olha lá ele está online e nem visualiza ou será que visualizou e me deixou no vácuo... Bom, estar online não é estar disponível e desde quando eu sou ansiosa?

Minha liberdade só pode ter fugido com meu Amor-Próprio e fico nesta constante síndrome do ninho abandonado só que, no caso, eu sou a identidade abandonada... Não! Sou a identidade perdida na infância. Ei! Alguém tem um divã aí? Não?! Vai ser aqui no chão mesmo... Eu mesma só aprendi a focar na profissão, no dinheiro, no outro, em casar, em ter filhos - Pelo Amor de Deus, né?! Nada disso deveria me definir -  e foi difícil eu começar a entender esta tal liberdade e – não posso mentir – não a entendi ainda, ela sempre foge de quem eu sou e é nesta hora que questiono meu amor-próprio... Enfim, nem é meu mais eu não possuo nada...

Alguém aceita jabuticaba seca? Foi a sobra... Nada posso fazer, inclusive sobre o boy. Eu sou intensa sim, mas sem liberdade e amor-próprio eu fujo de mim também. Fico querendo que tudo seja mágico, que o beijo seja poesia, que o tempo cure, que tudo dure e foi apenas um dia, menos até... Algumas horas, mas nem sei o que quero mais além de não machucar meu coração, mas para isto não acontecer eu preciso do meu amor-próprio e da minha liberdade e depois despossuir tudo e... O boy está digitando... Quer saber? É mais fácil eu juntar meus pedaços de novo e conversar contigo pé de jabuticaba. É o meu novo desfrute e o seu também.

terça-feira, maio 29, 2018

aumentando o tom





a cada passo livre uma corrente me prende um trauma me morde
toda pausa dada me algema em um amor-próprio desconhecido
entorpecido em uma ideia torta de tantas botas no rosto torpe
tudo se entope de palavras de ausências de vazios e nadas frios comidos

refeições rejeitadas reintegradas na desintegração das prisões abertas
com setas neons direções retas apontando todas as saídas outros abrigos
perigos da nossa flutuação presos no silêncio tagarela se escondendo nas vitrines e passarelas

escorrendo as pinturas aquarelas manipulando todas as guerras de possessão sem alguém
ninguém vai vencer violando esta inexistente competição

o tom o sermão construindo esta liberdade na prisão é confusão de significados para a gente se espalhar e ao invés de cantar gritar.

+ Às 00h31, Rafael Belo, terça-feira, 29 de maio de 2018 +

segunda-feira, maio 28, 2018

Liberdade de algemas



por Rafael Belo

Queremos mesmo ser livres ou só o dizemos pela beleza da liberdade? Amamos a nós mesmos ou vivemos em uma crise de identidade feita de carência e dependência da exaltação de nós mesmos? Só o eu mesmo para dizer. Não é possível julgar o outro a não ser se formos um júri, um juiz ou responsáveis pela segurança pública ou particular. Eu nos vejo aprisionados na rotina, nas intrigas, nas defesas de posicionamentos, na tentativa de convencimento e nos alimentos. Eu não consigo enxergar esta tal gordice e dia do lixo… Faço cara de paisagem e nem entro no assunto o qual não faço ideia do significado, não entendo o conceito. Não entro nesta prisão. Mas percebi algo: lutar pela ausência de grades, algemas e encarceramento de quaisquer tipos diariamente é uma ofensa.

Liberdade ofende. A covardia mata o eu diariamente junto com todas as estigmas na pele, no coração e a emoção do outro, egoísta, só se pergunta “Por Que Não Eu?” confundindo o amor-próprio com uma frieza indiferente ao que é ser livre. A gente pensa ser livre, mas é mesmo? Só falamos, fingimos, atuamos, nos abastecemos de desnecessidades e só nos adaptamos para sobreviver,  para nos manter ocupados para não pensarmos o quanto nos enganamos, o quanto nos enganaram e o quanto nos aprisionamos com medo desta solidão ser permanente.

Temendo ficarmos sozinhos, mesmo solitários, nos perdemos em um labirinto de torturas e incoerências nas nossas posturas e ações amarrados a um sentido de dever a quem nos ajudou sem qualquer sentido. Assim, deixamos de fazer o que gostamos, o que queremos, de dizer o que pensamos para sermos queridos em toda  parte, agradar todo mundo, para nos sentirmos parte de algo, inseridos em algum grupo, para continuar uma relação qualquer, “simplesmente” para não passar por todo o processo novamente de criar confiança, de conhecer melhor e fazemos o seu? Criamos dependência e procuramos independência. Neste paradoxo chegamos ao Capital Inicial cantando: “procuramos independência, acreditamos na distância entre nós”.

Alimentamos-nos desta distância acreditando que é independência, liberdade… O que é esta tal Liberdade, afinal? Para mim começa na primeira coisa que faço ao chegar em casa. Libertar-me do que visto. A roupa em casa pra mim é uma prisão só um pouco menor que os calçados. Eu chego tiro e respiro. Fico um tempo sem falar com ninguém, sem responder nenhuma mensagem em aplicativos e vou fazer algo aleatório que gosto da minha escolha. Vou criar algo ou construir algum detalhe passando batido por aí em algo desfoque. Aliás, está tudo desfocado a não ser o que não vejo. Isto é liberdade ou um aprisionamento do que fica distante da minha visão. Eu, particularmente, sendo redundante, me Amo tanto que distribuo livremente este estado de espírito e quem não soma nem faz conta comigo, nem permito tentar perturbar quem sou. Sou um espírito livre só querendo libertar. Você é livre?

sexta-feira, maio 25, 2018

Onde chamo de lar (miniconto)







por Rafael Belo

Eu tinha certeza estar dormindo, mas despertei. Não me assustei nem nada. Respirei fundo e me preparei para sentir frio. Havia um tipo delicado de flores pequenas interligadas como um calhamaço único espalhadas pelo chão e acima dele. O aroma era puro. Não me lembro de ter respirado algo assim antes. Havia perfume que me fazia sorrir e irradiar ao mesmo tempo...  Faz-me... Estou falando no passado, por quê? Onde eu estou? Não me sinto mais como me sentia. Daqui é possível ver todas as cidades, mas como isso não é impossível?

Sinto energia pura aqui. Tudo é! Simplesmente! Não requer explicação. Meus pensamentos estão em sincronia com o universo. Sou verso, reverso e cada conexão capaz de criar o sentimento. Eu sinto tanto e toco tudo sentido. O corpo é uma vitrine vibrando com o tempo. Ontem e amanhã são o mesmo de hoje. Sou quântica como cada partícula da existência, meu pensar tem influência em tudo ao meu redor. Isto é vibrante. Eu vibro com isso. Não quero fazer sentido nem procurar sentido. Agora só sinto e fluo.

É tanta intensidade derramada nesta correnteza sem fim de energia que se eu fizer movimentos muito bruscos posso mudar cada coisa ou destruir tudo. Eu sou criadora. Estou na Matrix do todo? Eu enxergo níveis de vibrações diferentes como uma indolor corrente passando em tudo sem se prender em nenhum lugar... Quando voltar a dormir ficarei obcecada por este espaço. Isto é alguma intervenção me pedindo equilíbrio? Há tipos de arco-íris aqui que eu não conseguiria imaginar... Nossa! É assim se sentir tão consciente?

Esta tal dissincronia dita por aí é parte da sincronia, então de alguma forma toda dissonância é consonância e no final cada próximo capítulo depende do fim do anterior... Se eu não terminar nenhum capítulo acontece ... Exatamente o que anda acontecendo: o mesmo há tanto tempo.Coisas óbvias assim não passando de pensamentos e palavras ao vento são constantes, mas imagine se tiver a realização junto, a ação em si... Eu estou parecendo um livro de auto-ajuda pedante para mim mesma, falando sozinha e tudo mais. Melhor eu me entorpecer de novo, adormecer e ter certeza de acordar, mas dormir naquele mesmo velho lugar onde chamo de lar.