quarta-feira, agosto 21, 2019

Vazios diários





por Rafael Belo
Há tantos vazio por aí. Mas tantos a ponto de eu acreditar ser a origem deles. Talvez todo mundo já tenha se sentido assim ou irá se sentir… Aparentemente todo mundo mesmo. Há pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre. As causas podem ser genéticas e diretas do ambiente onde se vive. Há a negação e o pensamento errado de podermos fazer tudo só. Resolvermos tudo. Não. Não podemos. Ainda mais nestes dias onde nunca se viveu neste ritmo tão frenético na história do mundo deixando os cuidados com si mesmo em último plano ou sem plano nenhum. 

Se você acredita em Deus certamente pediu ajuda a Ele e pode ser que tenha se convencido que não precisa de mais nenhum tratamento. Médicos e psicólogos então de nada servem… Já pensou fazer e tomar atitudes positivas, fazer tudo que mais gosta e não sentir absolutamente nada mais em relação a isso? Não é só uma questão de decisão, de opinião, de ação, há uma comprovado desequilíbrio na bioquímica cerebral que diminui a substância (Serotonina) responsável pela nossa sensação de bem-estar.  Imaginou seu cérebro não produzindo mais a sensação de bem-estar? É praticamente se sentir alheio a tudo, o tal de indiferente ou, realmente, um mal-estar sem fim.

Se já houve na história mundial um motivo para não julgar as pessoas, este é um. Não é possível por meio de padrões de comportamento qualificar, quantificar e dizer o que se passa na mente das pessoas. Pode ser vento e pode ser tantas coisas que é possível tornar a pessoa incapaz de identificar algo.   É normal desconfiar, só não é saudável. o Latinobarômetro mostra que nós, brasileiros vivemos de aparência já que apenas 4% das pessoas acreditam umas nas outras. Outras dezenas de pesquisas indicam que a confiança está ligada a felicidade. Eu prefiro ser enganado de vez em quando a desconfiar de tudo e de todos.

Qual é o nosso futuro se não buscarmos a felicidade e o fazermos já? A gente não decide o porvir, ou seja, o futuro. Ele vem. Decidimos como o recebemos e como o criamos agora. Depois é nós enrolar. Adiar as coisas é cultivar crises de ansiedade, é se entregar as inevitáveis dores. É chorar em uma noite inexpressiva. Então, depois de uma madrugada onde não há sono e só o cérebro e os órgãos sentem algo, só posso me levantar e questionar o motivo das pessoas perguntarem a motivação - ou falta dela - nos outros sendo que nem a nós mesmo entendemos por completo.

segunda-feira, agosto 19, 2019

No Meio do Nada (miniconto)





por Rafael Belo

Estava recebendo buzinas, assédios e ofensas. Mas, sem  nenhuma ajuda. Nem mesmo das mulheres. Eu via receio, medo e raiva. Muita raiva! Nada disso me assustava. Ficava triste. Bem triste! Logo em seguida deixava este sentimento ruim ir. Queria entender, impor, porém nunca aceitar, respeitar… Não de fato. Até isso ser cobrado de mim. Não pelos outros, nunca liguei tanto para eles. O meu próprio organismo, minha própria consciência… Eles revidaram. Eu estava me fazendo mal. Mesmo agora com carros desviando quase em cima de mim.

Eu procurava pensar em algo, sentir algo e me senti molhada. Encharcada. Como se tivesse me jogado em águas profundas. Não fazia sentido. Ali. Aqui. Agora. Só tinha poeira, coisas e pessoas secas. Quando foquei meus olhos, minha cabeça já latejava e meus olhos queimavam. Onde eu estava? Minha mente estava em conflito. Está em conflito. Eu estou em conflito. Sou água? Não. Sou poço. É isso! Não estou mais represada. - Finalmente! Pensamos que você não voltaria a respirar.

Como morrer, você diz? - Não. Morrer é diferente. Você já deveria saber disso nesta fase. Você é o Poço Corrente. Veio para desrepresar.  Isso. Está é a postura. Está é a atitude. Venha. Nada até aqui. Saia do Meio do Nada. Não finja que desconhece que tudo isso é um teste constante. Ou, então, teria surtado com as provocações. Venha para poder ir. Você precisa trazer mais e mais pessoas para o Desrepresar. Até Tudo vir até o Nada.

Estas duas vezes prisão das pessoas. Não me incomodava até eu perceber o quanto eu poderia facilitar a jornada delas. Conectar o lago lunar de cada uma neste mar desbravado. Engraçado a quantidade de perguntas que recebo por conta do recado afirmativo da minha camiseta "Não se Represe"! Neste momento eu sou as buzinas, os assédios e as ofensas. Sou a poeira e o tempo seco. Latejo e queimo até você perceber que pode cavar mais fundo e libertar tua água na correnteza.

sexta-feira, agosto 16, 2019

flutuar em si








a água funda do poço raso
choveu sem parar no seco
virou um desbravado mar
a nos puxar para si em correnteza

corrente de retorno refluxo do avanço
força da nossa própria gravidade
movimento das nossas marés pessoais

sem pior nem melhor apenas tudo
no reflexo na sombra na história particular lunar

um lago mental para flutuar em si e ir desaguando no mundo.

+às 09h45, Rafael Belo, 14 de agosto de 2019, quarta-feira, Campo Grande-MS+

terça-feira, agosto 13, 2019

Fundo do poço








por Rafael Belo

Há sempre uma forma de cavar mais fundo. No fim é um poço. O poço pessoal de cada um. A gente olha o redor e vê pessoas aparentemente pior em diversos aspectos, mas é a nossa visão. É o nosso julgamento. Nosso fundo, pode ser um abismo… Mas não acredito haver nenhuma profundidade onde caímos, nos jogamos ou ainda vamos capaz de nos prender ou soterrar. 

Temos ainda a mania de ajudar os outros para nos sentir melhor. Nossa simpatia se foi, nossa solidariedade engatinha perdida, nossa empatia nem nos foi apresentada e queremos o rótulo de bons. Aquela humanidade nos colocando em uma categoria diferente dos outros animais está todos os cartazes de procurada. Mas a verdade é que nós precisamos de tratamento. Encontrar a água deste nosso poço e nos hidratar até entender a nós mesmos.

Nossas histórias não nos fazem melhor ou pior. Elas simplesmente são o nosso caminho. Nossas opiniões, pensamentos e atos não nos são. Eles não significam que somos isso ou aquilo. É uma transição, uma aprendizagem, passos que escolhemos dar… Nós estamos muita coisa, mas quem somos não é definido desta forma tão simples. Dores, amores, valores podem sim mudar nosso ser, não nossa essência.

É por isso que tudo ao olhar é aparência. Nossos sentidos têm mais razão. Dar oportunidades e se dar possibilidades é construir sua própria fonte de água corrente, não empoçada, não com um fundo esperado e limitado. Meus limites terminaram quando desconstrui este tal fundo do poço. Não deixei de ver atrocidades, barbaridades, crimes hediondos, mas deixei de pensar que só a prisão ou só a morte resolvem. Soluções paliativas se tornam problemas maiores. As causas sociais e pessoais que impulsionaram todos até aqui precisam ser estudadas e receber ações paliativas. Cuide de seu poço, não julgue o dos outros. Não os represe e, principalmente, não represe a si mesmo.

domingo, agosto 11, 2019

Posso ver (miniconto)







por Rafael Belo
Tudo que eu queria era sumir, fugir, desaparecer… Aproveitar a reclusão das pessoas no inverno, esta neblina saindo de mim e me condensar para logo me dissipar. Esta pressa, esta pressão, este imediatismo me desloca. Faz-me bater a porta e fingir um estado diferente do meu. Afastei-me tanto de mim e nada do que era meu é mais. 

Ocupei meu mundo, acabei com meu tempo e agora preciso esvaziar. Estou cheia de matéria e emoções. Não sou fluída. Tenho certeza sobre estes sons ouvidos em toda parte. É meu espírito perdido. Expulso por tantas coisas matériais e distúrbios emocionais que cultivei. Não tenha medo do meu espírito. Ele busca iguais…

Ele vai voltar para meu corpo enquanto ainda o mantenho. Eu sou um templo, como você, de Algo Maior, Deus. Está aqui. Somos Sua Igreja. Mas eu deixei de ouvir este Verbo transcendente. Reclamo, desconfio, questiono… Deixei de confiar há muito tempo e cai no abismo sem fim que me ttansformei. 

Sou um Lar vazio, mas ainda assim um Lar. Sinto minha alma vir. Ajoelho sem necessidade, mas o Poder é tamanho, é tremendo que preciso me curvar para melhor sentir. Quando ergo meu olhos Vejo. Nenhum ser humano aguentaria enxergar Deus. Mas minha jornada me trouxe a maior Graça, a humildade e o Amor. Agora posso Ver.

sábado, agosto 10, 2019

Volto a ser








Sai neblina dos meus olhos
protegendo uma forte Luz
Natureza transcendente se manifestando assim
um eu indivisível vindo do Verbo

eco da alma vestindo o todo
incontido no meu peito
lugar onde meu coração sujeito se expande

Tão grande quanto a imensurável imensidão
vai minha pequenez se aconchegar no Destamanho

Eterno volto a ser depois deste desfazendo pó.

+Rafael Belo, às 11h58, quinta-feira, 04 de julho de 2019, Campo Grande-MS+

sexta-feira, agosto 09, 2019

Precisamos estar aqui






por Rafael Belo

A neblina anda amanhecendo comigo. Às vezes úmida como hoje, mas normalmente seca. Sorrio com ela e saio para as ruas começando a deixar de ser vazia. É julho. É inverno. Mas até o tempo não é mais o mesmo. Tudo fora do lugar. É bem fácil de desviar. Sair do caminho. Só nas questões de erros e acertos há controvérsias porque é preciso tentar, agir, mudar para trabalhar nas possibilidades de erros e acertos. Nós vivemos sem meio termos ou combatemos ou nos rendemos. Nestes confrontos e recuos ainda nos debatemos com a pressa e o imediatismo. 

Aceleramos o mundo. Ocupamos nosso tempo. Nos preenchemos física e emocionalmente até a exaustão. Nosso espiritual se prosta fica à mercê de todas as fraquezas possíveis. Vivemos cansados. Não deixamos a fé nos usar… Usamos a fé para nosso benefício. Aí a neblina volta independente da hora e é tão densa. É tanto eu. É tanta mania de ser Fariseu. Que a fé ou vai cega ou formalista demais, julgadora demais, assustadora demais. Como se o Deus vingativo substituísse o Deus Amor.

Falo de Deus. Sou questionado sobre alegações de eu supostamente ter tanta inteligência e ainda assim acreditar no sobrenatural. Deus é naturalidade. É Natureza. Sobrenatural é o que não é natural, não é da natureza. Ora, Deus é transcendência. É Luz inacessível porque não pode ser contido. Ele está aqui, ali, lá e além. Esta quando a medicina cura o incurável. Quando a fé cura... Nós, igrejas vivas, pedimos Seu Reino e quando temos acesso não podemos atribuir a sorte ou azar nossa prosperidade. Se ficarmos só na carne, só no conhecimento adquirido, morremos.

Assim, não só temos neblina nos olhos e no coração, mas no espírito. O Sol está na neblina, diante dela e atrás dela. Depende do nosso eu ser nós, mas nada é no nosso tempo. Tudo nos prepara para a chegada deste tempo nosso. Vamos desviados. Fariseus. Não estamos repletos, mesmo sendo. Estamos na teoria, no visual, nas redes digitais, até estamos nos nosso corações, mas como está este coração? Onde está nossa alma? Precisamos cuidar da nossa alma. Cuidar do cotidiano, das obrigações, da carne, do corpo, do coração, é totalmente insuficiente se não sabemos dizer A Palavra, O Verbo precisando ser compartilhado lá da nossa alma porque ela precisa estar aqui. 

domingo, junho 30, 2019

Vaga (miniconto)







por Rafael Belo

Eu não tinha mais cor. Apesar de ser vista era invisível. Não tinha a cor preta porque eu não sou ausente de cor. Não tinha a cor branca porque eu não sou concentração de cores. Vagava atropelada pelo tempo sem qualquer entendimento de mim mesma. Minha consciência ainda vaga e parece que tudo de ruim tenta ocupar o espaço dela. Eu confundo passado, presente e futuro.

Nem sou idosa, ou nem tão idosa assim ou sou? Ninguém me reconhece mais. Eu não sou meu lar e, portanto, não tenho lar nenhum… Estou sem voz também. Lá fora venta tão forte, mas a chuva é fraca. É possível um desejo ser material? Digo pessoal? Quer dizer uma pessoa como eu? Por que eu sou uma pessoa. Agora a indefinição continua… Qual pessoa eu sou?

Às vezes me lembro das coisas… Aí esqueço logo sem nem tempo de entender. Estou vestida de Tristeza… Quando começo a me despir toda... Nua, é exatamente onde as pessoas trombam em mim. Batidas distraídas movidas pelo silêncio e o celular. Aliás, eu tinha um. Tinha uma vida digital ou eu destinha? Eu era alguém ou ninguém consegue ser alguém e todo mundo é sempre ninguém?! Uma multidão de rostos desconfigurados…

Afetados por alguma raiva guardada tingida de algum rancor alimentado em cárcere privado. Um cativeiro que só o sequestrador pode saber a localização real. Agora percebi que talvez eu seja apenas mais uma inteligência artificial aprendendo toda vez que me ligam como se fosse recém-nascida… Se for assim, eu consigo descobrir a maneira de me desligar ou só seria reiniciada? Já tentei isso antes?

quarta-feira, junho 26, 2019

Continua







Na janela do impulso uma barreira
o vento sopra ao contrário forçando para dentro
Nenhum movimento faltam batimentos
talvez tristeza seja uma veste encharcada

Secando ali ao invés de olhar para baixo
chama o horizonte os olhos
para por princípios o pôr-do-sol

toda luz descolorida embranquece
aquece com cor contraste

ali na beira do empate entre morte e vida o dia termina e mais uma pessoa continua.

+às 13h14, Rafael Belo, terça-feira, 25 de junho de 2019, Campo Grande-MS+

segunda-feira, junho 24, 2019

Descontrole diário






por Rafael Belo
O ar está seco, o clima está desértico e nós não escutamos nossos instintos. Os sinais são evidentes. Os acidentes acontecem mesmo com a maior prevenção do mundo. Não controlamos tudo. Aliás, não controlamos nada. No máximo damos nosso melhor e seguimos confiantes e positivos. Não adianta tentar imaginar o pensamento nem o sentimento do outro. Temos um código muito bom para isso… Conversa, diálogo, ouvir… Enfim, se relacionar. Para nosso bem-estar sorrir é preciso que o do outro sorria também.

Sem sorrir a vida descolore e abre portas para pensamentos ruins, para sentimentos ruins… O orgulho mata. A infelicidade infecciona e leva a alma antes de levar o corpo. Depois se espalha deteriorando os sentidos próprios e construídos até apodrecer e nos abandonar em um quarto sem luz, ar, nem nenhuma janela e porta… Seria assim uma vida sem alma? Talvez seja a morte na carne mesmo… Nós morremos de tantas formas por confundir desejar com dialogar, por misturar vontade com obrigação… Nem levamos em conta a dor do outro e isso é crônico porque não admitimos nossos erros, só queremos justificar.

É um suicídio constante, uma dor lancinante, sabe? Aquela que lateja e nos empurra para um abismo que na verdade é um buraco negro no peito. Queima. É triste. A ordem natural das coisas está perdida. Ordem e natural viraram termos caros e pejorativos… E até ofensa. Como a velha história de não se meter na vida alheia. Se meta sim. Se for para salvar um vida e a sanidade mental de todos, se meta. É praticamente uma obrigação se meter nestes casos. Nosso bem mais precioso é a vida, mas jamais devemos julgar a dor do outro ou ainda a distração de amigos e familiares. Estes tempos são distorcidos. As atenções estão gastas e indiferentes. Só há exigências...

E exigir é muito desgastante. Arrumar desculpas é muito desgastantes. Justificativas são muito desgastantes... Não estamos saudáveis! Não importa nossos exercícios, nossas insónias nem nossa alimentação. Está tudo na nossa mente. Assim, mais uma vez muitas coisas morrem dentro da gente, inclusive alguns eus atordoados pelos acontecimentos. Mas todo este cemitério adubando o peito, transformando o coração, acelerando a mente é necessário. O porquê pode ser simples: Quando não vamos passo a passo, tudo acontece de uma vez. Não atropele seu tempo, você pode ser atropelado e ficar sem tempo algum.

quinta-feira, junho 13, 2019

desdons







Há obstáculos no caminho
nossos corpos estendidos
nossas mentes desentendidas
fugas consecutivas em martírio

somos nosso próprio inimigo
em busca da razão perdida
aturdida metida pelos atos dos pés pelas mãos

as boas intenções são insuficientes
quando vejo uma luz apagada e sigo

ambíguo entre carne e espírito visto um ninguém que não sou
fugindo de escuridão em escuridão enquanto a Luz própria eu sou .

+às 10h36, Rafael Belo, 13 de junho de 2019, quinta-feira, Campo Grande-MS.+

terça-feira, junho 11, 2019

Não fuja







por Rafael Belo
Ser forte o tempo todo é a maior fakenews já criada. Não chorar escondido ou, aparentemente, sem motivo é ignorar totalmente as crises vividas ao redor. Há muitas dores para serem choradas, inclusive, a própria. Não somos deuses ou semideuses para carregar o mundo nas costas nem outras vidas. Também não somos escolhidos, fazemos nossas escolhas e ponto. Afinal, tudo tem consequências e para enxergar o bom mesmo é se afastar … Não! Não fuja! Afaste-se. Olhe bem. Tome distância. Tome fôlego. Respire fundo. Prepare-se.

Nós não somos o centro do universo. Somos muitos diversos e há muito de divino nesta nossa humanidade perdida, mas, desiludidos como estamos, esbravejamos, brigamos com todas as telas: cinema, notebooks, PCs, celulares… É um apagão de inconsciência neste mundo palpável onde a gente apela por qualquer coisa. Agride, bate, sequela, mata… Empata a vida do outro ou, por muito, quer dizer, por pouco, acaba com ela. Somos portas, janelas, passagem para algo melhor, no entanto reclamamos, criamos pedras, pintamos muros, cultivamos obstáculos.

Neste nosso espetáculo, queremos ser protagonistas mesmo atuando como coadjuvantes. Fingimos saber sobre a vida, que ela vai adiante, mas não. Sabemos mesmo de nós - mesmo escondidos em um canto na própria cabeça… Há quem enlouqueça e há quem empobreça. Não só materialmente. Mas a mente, o coração… Ficamos pobres daquilo a mais nos enriquecer. Olhe aí ao teu redor. Prestes atenção ao que doeria se perder. Deixe de se limitar aos olhos, falo mesmo daquilo que está neste coração acelerado. Vale à pena?

Procure caminhar em silêncio. A gente nos deve a paz, mas como exigir algo despossuído em nós? Quer dizer, como exigir algo do universo ou de alguém que não temos? Aliás, só podemos exigir algo de nós mesmos, não é? Não sei qual a sua crença. Eu creio em Deus e, bem além de saber, sinto ser amparado e direcionado para o meu caminho. Sinto em uma profundidade inexplicável que não cabe em mim. Tento me acalmar e sorrir. Hoje entendo perfeitamente todo o passado até aqui. Foi um preparo para saber que todo o amargo já não será o mesmo nem terá o mesmo sabor.

sábado, junho 08, 2019

Como acreditar?! (Miniconto)







por Rafael Belo
A Verdade estava descalça, nua… Mas nunca crua. Caminhava forte. Forte em seu gênero. Era mulher sem vergonha alheia, sem vergonha de si. Era tão alta… Quer dizer é tão alta nunca diminui. A Verdade nunca morre. Ao contrário da mentira. Esta cresce, fica evidente, porém é sempre pequena. Suas medidas várias são em proporção, mas nunca vertical nem na diagonal sempre horizontal. A mentira covarde foge…

Até ficar encurralada. Até a Verdade a pegar em todos os pontos e elas precisarem conversar porque no fim são só as duas. É o que acontece agora. Olha está Verdade se sentindo absoluta e eu nem consigo a olhar nos olhos. Eu sempre fui abusada, agora sou envergonhada. Será que vou precisar morrer pra mudar. Dói morrer? Heim, Verdade? Dói morrer?

Poucos coisas minhas doem. Então, te digo que a morte é sua. Uma mentira. Vai o corpo, vai a dor e a Alma infinita continua. De onde veio está coragem de falar comigo? Você nunca nem me olha e está se forçando agora a isso? Você acha que sua alma fica infinita se você a sacrificá-la por dor, pelo domínio do Vazio e do Nada? Você está cometendo suicídio?

Não! Não estou! Você sabe ser da minha natureza ser pequena, não te encarar, mas agora o faço. A dor é insuportável!!!! Eu me desfaço agora sem a mínima intenção de me suicidar, apesar das minhas palavras não terem valor, apesar de não ser possível acreditar em mim. Isto não é um sacrifício em vão… Meu propósito e seguir seu caminho quando eu voltar em outro reino… E… Foi isso! A mentira se desfez e a Verdade,  sem hesitar, seguiu seu caminho.

quinta-feira, junho 06, 2019

desfazendo






Saliva a Verdade depois da mordida de Raiva
da Mentira
Sem medidas só a lei da gravidade
sorri para dizer enquanto vê a queda
da dor escolhida da conformidade

Salva só por ser si
liberta por se expressar
e na hora H do dia D sente seu oposto se render

rima em semântica e som uma brutalidade inexistente
digere gente por gente sem comparação

até chegar a Razão coloquial se fazendo entendimento.

+às 09h55, Rafael Belo, quinta-feira, 06 de junho de 2019, Campo Grande-MS+

terça-feira, junho 04, 2019

A verdade só dói quando nos acostumamos a mentir








por Rafael Belo
Nada supera a verdade. Se ela fere, se ela dói é porque estamos tão acostumados com mentiras, acomodados na rede da vaidade e do orgulho, que quando a verdade vem à tona, afundamos. Seria - como é - inevitável afundar, se afogar no oceano de autoengano feito das lágrimas preenchendo os abismos que criamos dentro de nós. Evitamos assumir erros, culpas e amenizamos com tanto esforço e determinação tudo isso que se alguma vez tivéssemos simplesmente assumido tudo e encarado as circunstâncias… Teríamos ao menos crescido. Saídos de tanta posse, pose, pompa, lamentaçõe e reclamações saberíamos quem somos.

Quem é você, afinal? Quem o eu é? Somos escolhas. Nossas escolhas. Escolhas de ninguém - a não ser nós mesmos - nos trouxeram até aqui. Precisamos admitir o quanto de mentiras contamos, quanta enrolação tomamos ao acordar e antes de dormir. Por isso, a verdade dói. Não somos verdadeiros. Não somos autênticos. Não somos originais. Foi nossa escolha se espelhar em alguém, copiar o outro, não contar algo, desviar de assuntos incômodos, falar do outro, dos problemas do outro, negar o inegável, se arrastar até um canto e ser pego chorando e mesmo assim dizer: “está tudo bem, não estou chorando”.  Seria mesmo autopreservação ou um estímulo social para parecer sempre bem e legal?

Não sou sociólogo nem psicólogo, sou um observador ou estou voltando a ser. Foi observando minhas reações que comecei a escrever e preservar meus sentimentos ao mesmo tempo que ficavam totalmente exposto na vitrine do mundo. Mas, somos somente nós, este eu e suas derivações, que decidimos o que nos afeta, o que nos importa… Então, temos maus pensamentos, dúvidas, desânimo, tropeços, quedas, vontade de desistir, e, acima de tudo, nossa verdade. De nenhuma forma esta é superior a do próximo ou distante porque somos uma transição, uma constante troca de experiências, um ouvir e falar…

Ainda assim nossa terra é de surdos e eu me envergonho por muitas vezes também não escutar. Há vergonha porque há culpa. Real ou inventada, se nos envergonhamos é porque acreditamos termos feito algo errado. Queremos preservar uma imagem que não existe. É algo entre o que os outros acham que somos, nossa família acha que somos e quem pensamos ser. Temos um senso de autopreservação criado como uma defesa constante. Palavras elaboradas, vidas passadas, um monte de blablabla revestido de autoafirmação, orgulho e vaidade. Trocas e mais trocas. Coisas e desejos ao invés de sonhos e pessoas...

Relutamos em viver de fato o agora e vivemos fantasias esbarrando em comparações cheias de razões surdas a se pôr no lugar do outro. Aliás, se de fato copiássemos o sol e ao fim do dia também fôssemos o pôr-do-sol, no dia seguinte seríamos ainda mais brilhantes e renovados, renascidos e não ressentidos. Seríamos autênticos, originais, verdadeiros… A Verdade salva e se a gente quer se salvar temos que parar de medir as mentiras e, simplesmente, parar de contá-las.

sábado, junho 01, 2019

Um degrau por vez (miniconto)






por Rafael Belo

Talvez este seja o ponto mais alto onde já estive na vida. Estou aqui olhando toda esta cidade dita grande mas tão pequena… Devem ser nossos desejos e objetivos expressivos oprimindo nossas almas em alguns comprimidos reprimindo nossas dores guardadas. Precisava que minha mente fosse arejada, mas ela só polui ou eu só poluo ela.  Talvez a gente seja a verdadeira poluição do mundo ou adeptos do mais fácil porque quando tudo fica difícil a gente deseja facilidades e toda a semente do amor cultivada vira outra coisa dentro da gente… É muito talvez e ou… Seria tão interessante se unir sem interesses… Mas estou aqui lidando com minha solidão ouvindo a Legião e olha é tão Urbana quanto estes sentimentos de esquina tentando sobreviver. Como não ser depressão?

Testei subir para ver se saia tão de baixo. Estão todos unidos na objetivo de compartilhar ideias, indignações e ódios… Mas cada um no próprio isolamento da tela do celular que se diz esperto. Debaixo de tudo isso há o que? É quando viajo e penso o nada. Não sobre o Nada. Penso o nada. Seríamos isso sem tantos biomecanismo unindo nosso corpo… Nada. Sozinha me sinto assim também, mas não totalmente. Sinto-me praticamente nada mesmo sabendo ser ao contrário. Mas não é tudo que acontece em nossa cidade e sim o nada. O nada nos invadiu… Não. O nada nos espreitou e quando chegamos ao nosso limite, o convidamos para entrar. Neste vazio, cheguei aqui sem ninguém me notar.

Vejo toda a cidade. Tanto movimento, tanta velocidade… Qual o sentido? O que estamos (des)construindo? Este vento muda de direção com tanta facilidade seguindo o mesmo ímpeto mesmo quando me sopra brisa. Quando abro a boca para me gritar o vento me sufoca e quando sinto que vou cair a vontade de viver em mim ressuscita e todas as mulheres que sou gritam. Há esperança em toda parte. É só observar e agir ao invés de esperar, mas somos fatalistas e piegas e cheios de razão não é? O que estou dizendo? Pareço um homem forçando o mundo a própria imagem…

A gente ouve, lê, assiste e no fim só reclama... Já posso descer. Olha eu falando do mundo e sendo o mundo. Nem erguer a cabeço ergo ou teria visto desde o início que acabei sendo a distração de todos por aqui. Enquanto olhava longe me identificaram, me marcaram e olha só: eu virei meme.  Até os ventos pararam e já oscilo para o meu sentimento anterior. Vai cair a conexão e talvez eu caia também de novo. Será que estar aqui é cair para cima? Preciso inventar outra invenção já que estou em uma queda livre infinita. As outras de mim falam comigo, já que as despertei. Elas ainda gritam com as mãos erguidas exigindo união. Mas exigências não terminam bem quando não aprendemos, quando não conquistamos. Quanto tempo vou demorar descendo um degrau por vez?

quarta-feira, maio 29, 2019

dose da pose








desorienta a razão em constante luto
morre todo dia uma nova verdade absoluta
em uma insistência zumbi de repetir tudo
ajustamos o justo ao nosso sorrir que surta

no clima estranho onde a gente chora
cheios de acordos e barganhas de joelhos dobrados
olhos fechados na pesada respiração buscando alívio
no meio dos conflitos perdidos pela hora

de não conseguir se afastar trocando paz por desaforos
levados para casa como crianças mimadas

a gente não para mesmo em posição fetal
por cada escolha fatal já embriagada na primeira dose da pose.

+às 19h57, Rafael Belo, segunda-feira, 27 de maio de 2019, Campo Grande-MS+

segunda-feira, maio 27, 2019

Até o fim





por Rafael Belo
Eu escuto punhos acertando cabeças, rins e outras partes de corpos o dia todo, além de gritaria e acusações, mas nem sempre é literal, nem sempre é visual. São indiretas, traições, indignações e um sentimento de perseguição semeado diariamente para infernizar cotidianos. Mesmo pensado e elaborado estrategicamente esperando os mesmos resultados todos nós temos ao menos a leve desconfiança que reações - até calculadas - podem ser inesperadas. Não somos máquinas e até estas falham fatalmente pelo tempo ou pela manutenção. Como a queda do avião com Gabriel Diniz mostra que até a morte pode ser silenciosa e deixar todos em silêncio. Respiramos fundo e imediatamente vamos procurar saber se ela é real de verdade.

Uma simples carona… Se transforma em tantas reações levando ao famoso ponto de ruptura e procuramos justificativas em um monte de “mas” e “desculpas” ... Qual o sentido? Qual o objetivo? Onde queremos chegar? E todos os porquês nos levando a um fim idêntico... A morte nos une mais que a vida. Passamos a vida centralizando as coisas, controlando os passos, tentando cercar desejos e objetivos, criando dependentes funcionais e queremos chamar como isso? “É assim mesmo”? União? Tem dado muito certo… Divididos e defendendo governos (qualquer um deles) como se não fôssemos os cidadãos doutrinados a ser o elo mais fraco da corrente.

Seja lá quem votamos há alguém eleito, se não foi nosso voto, está eleito e somos os patrões independente de termos dado o voto ou não. É democracia ou não? Mas aqui estamos nós na tal “pós-verdade”, na grande era da informação onde predomina a desinformação, a viralização das fakenews e a disseminação do ódio como um vírus incurável. Só somos capazes de nos reunir por interesses comuns. É humano. É natural. É necessário. Não nos defendemos sós. Precisamos de testemunhas, de amigos, de outras vozes para não nos entregarmos a insanidade e, incluindo a regra básica da sobrevivência, nos tornamos mais fortes juntos. Mas, união não tem nada ver com esta leveza reversa onde mal dormimos a noite ou com sair às ruas como as massas populares que não somos mais, querendo apenas ter razão ou justificar nossas escolhas para cutucar os coleguinhas com dados e estatísticas.

Não há sobrevivência assim. Há morte. Há revolta. Há caos. Desta forma - emocionados -  somos constantemente enganados com orgulho e julgamentos vivendo um luto após o outro, uma acusação após a outra, uma desunião ligada pelos motivos implantados em nós, nos achando tão superiores e espertos nesta vida, tentando acreditar que sozinhos realmente vamos longe, voamos alto e lá de cima... Passáros se esgotam, batem, aviões caem e matam… O cantor campo-grandense responsável pela música mais chiclete de todos os tempos, levou todos a descrença, questionamentos e pela trajetória do jovem, Gabriel Diniz, só havia alegria e união na vida dele. Por isso, é tachado de não-natural, de acidente, mas há taxas emocionais mais caras que quaisquer impostos. Invariavelmente, nos faz refletir.

É natural a gente acreditar ter motivos para tudo porque não gostamos de não saber, não gostamos da insegurança, do desconhecido e ainda que possamos falar só por nós mesmos, há alguém que nos ajuda a juntarmos nossos próprios pedaços. A olhar por vários olhos. Eu acredito nas pessoas, não em todas e cada vez em menos gente. Olho para a nítida diferença pela janela e tento apenas sentir. Tenho fé e pratico minha vontade de mudar para melhor. Sigo em upgrades e atualizações constantes para jamais cair em desunião e desesperança. Fomos lembrados mais um dia que o fim é a morte e ninguém pode evitar, mas todos podemos ser os melhores possíveis pelo caminho até ela.

sexta-feira, maio 24, 2019

os anéis





olhos vidrados boca retorcida língua insensível

vida virada ilícita pelas palavras
escravas da má-intenção

lícita visão contaminada
nas drogas argumentadas

balão inflado pelo inflável gesto pela retribuição

Inflamado jeito de doer e irá ser ira se perdendo no falso aceno

troca-troca obsceno sem sexo cheio de anexos das indiretas envolvidas

directamente ligadas ao ciúme infectado

sentimento de posse dopado e outros entorpecentes

deixando dormente no inexistente guizo da serpente os dedos cortados deixados pelos anéis.
+Rafael Belo, às 10h48, sexta-feira, 24 de maio de 2019, Campo Grande-MS+

quarta-feira, maio 22, 2019

Não me chamem mais Mãe (miniconto)






por Rafael Belo

Pessoas não gostam de pessoas. Pessoas gostam de imagem, se julgar e, principalmente, ter razão. Querem ter vantagem, querem mostrar… Precisam opinar sobre tudo. São pequenos deuses querendo adoradores a própria imagem e semelhança. Enxergam os Estados Unidos como o Olimpo e a Europa como o Paraíso cristão enquanto se vangloriam das orações voltadas para si mesmos, deuses brasileiros… São mesmo santos do pau oco. Ajoelham para quem fizer suas vontades e desejos. Barganham e quase nunca retribuem porque nunca foi a intenção… A verdadeira religião dos seguidores são as curtidas, a cópia, os views… O… Você não está entendendo nada, né garota?

Você deixou eu suar, borrar toda minha maquiagem para te ouvir e… Era só isso né? Só queria que eu te ouvisse… Mas por quê? "Cala a boca, novata!!!" , "Vou vai saber o que acontece no banho de sol", mas… "Como você ainda estava de maquiagem?!"... Eu achei poder tudo, sempre pude. "Ela não vai calar a boca!". Eu… Eu… Merda! Não quero chorar mais. Ainda mais… "Vamos te fazer sangrar, cadela!". "Com quem a vadia louca esta falando…!" . "Falando, sua estúpida?". "Não tem como ouvir alguém falando do Isolamento!".

Façam silêncio mesmo. Eu vou matar vocês também. Uma por uma. Vocês caíram quando esqueceram de vocês, mas eles estão falando ainda mais de mim. Vou derrubar essa prisão em cima de todas vocês. Vocês são fracas. Fracas e ponto. Não há ninguém nos segurando aqui além desta estrutura de proteção. Quando deuses foram proibidos de tirar o que é deles por direito?! Uma deusa nunca fica sem o que quer. Eu controlava a quantidade de imbecis e fui dormir alguns milênios… Eu deveria acabar com todas vocês imediatamente.

Não sabia que esta era sem bases parecendo um constante mar em fúria, mas vazio e sem destino, condenava um massacre com as próprias mãos desses homens vazios capazes de nos apagar desta realidade podre que ninguém quer viver… Eles rejeitaram o poder daquela simples mulher e a julgaram. Eu só os apaguei da existência e tomei banho naquele sangue sujo deles para… Ah, julgamentos nem eu posso fazê-los! Não faz mais sentido sentir minhas deusas. Vamos despertar para estas consequências injustas por sermos quem somos. Eu as liberto e peço que não me chamem mais Mãe, apenas Natureza.

segunda-feira, maio 20, 2019

Indiretas, sentimento de posse e outros entorpecentes






por Rafael Belo

Engraçado como em meados de um 2019 tão cheio de previsões o preconceito e o assédio ainda são as piores consequências da ignorância. Estão por toda parte usando disfarces das estatísticas no combo drogas lícitas, ilícitas, troca de favores, machismo, ciúmes, indiretas, sentimento de posse e outros entorpecentes. Aliás, engraçado já não soa mais uma expressão de ironia em um mundo onde esta, o sarcasmo e o humor são pouco entendidos ou usados como armas pesadas.

Parece que o tiroteio é despretensioso e só uma bala perdida ou outra é responsável por tantas mortes diárias por aqui. Isso, até o famoso stalkear surgir de leve e chegar a comentários… Vale lembrar que comentar sobre o outro está no topo da cadeia alimentar da vigília. Escute. Este é o som destas novas armas sendo afiadas… A vigilância da vida alheia afia a língua nas fakenews e na fala mansa chegando com um bem-querer peculiar vestindo boas intenções, falando do Poder da Justiça com o peso da religião já alongando os dedos para printar, curtir e compartilhar nos grupos de amigos e família, além de mandar aquele recado nos status e stories cotidianos.

Não há graça nenhuma em expor as pessoas. Basta chamar no privado, na DM… Vá saber exatamente o que se passa se não puder cuidar da própria vida… Mas há uma necessidade de fortalecer o próprio ego nesta modernização do julgamento do comportamento do outro, sem medir consequências nem os sentimentos sociais neste mundo conectado. Não importa mais se não há manto de amor maior que a aceitação e a ausência de julgamentos, a atualização de ser dono da razão vem obtendo tanto sucesso que fazer os outros se sentirem mal é basicamente a regra número 1.

Regras válidas para todos longe do "eu" porque mais que suprimir tentando impedir que o outro apareça, a vontade é de supressão, ou seja, eliminar de vez a existência do outro simplesmente por incomodar ou não fazer o que você quer. Não há critério, medidas ou verdades e mentiras. Tudo é baseado na eliminação pelo erro… Lembro apenas tudo que ouvi, assisti, aprendi e de toda a literatura da intolerância de grandes guerras pelo mundo com pesos fatais. Mesmo com o discurso da tolerância, da igualdade, do "não é bem assim", de botar a culpa nas estrelas… Tudo parece levar a viver em infernos tantas fez já vividos. Parece tudo estar na mesma caixa de bagunças dos resfriados e das viroses: ninguém sabe que tem, nem profissionais identificam, mas mesmo assim o diagnóstico é oficial e preciso. Estamos entorpecidos e esta anestesia geral nos afoga em ignorância que nós dá permissão inexistente  de ofender, culpar e julgar o outro.

sábado, maio 11, 2019

Porcelana






Foi-se o chão
não há teto nem paredes
só esta linha da tensão
vibrando um sem contar de vezes
Vai-se o corpo
não há sentido nem sentimentos
todo muito é pouco é oco
amontoado de afazeres sem momentos
irá-se a mente
história por memória
riso insano quebrados dentes
trajetória tão imprudente
Se soubesse de tanto agora
não seria eu nem teria tanta força
para ser esta origem da Aurora
rasgando as roupas fazendo com que o mundo ouça
minh'alma esboçada louca
mas têm momentos que sou toda louça cara escondida para aquela ocasião que não virá
me desfaço em cacos pois caio xícaras pires pratos
de refinado a porcelana vulgar
ser humano barato esquecendo que a Alma...
ah, está é eterna até acabar.

+-Rafael Belo/* às 17h59, sexta-feira, 02 de maio de 2019, Campo Grande-MS.