quinta-feira, agosto 26, 2010

O Quinto Dia

Por Rafael Belo

Já se foram as Cruzadas onde a conquista da terra sagrada valia a morte de milhares ‘em nome de Deus’ – Ah, Jerusalém! -, mas não se foram ainda à desobediência ao sexto mandamento: ‘Não matarás’. Não irei dizer sobre todas as leis globais serem baseadas nos dez mandamentos. Mas, não falamos ou pregamos religião por aqui. O olhar é voltado para o senhor do quinto dia, o Homem. Então, quão estranho seria se um autodenominado ‘Evangelizador de Moisés’ tentasse matar um travesti a pauladas, não conseguir terminar a intenção - porque a violência era tanta que quebrou o ‘pau’ - e depois ligar para a polícia e se entregar?

Nós Homens e nossos pecados. A não aceitação do outro diferente... E quanto ao terceiro mandamento: “Não tomarás em vão o nome do Senhor, teu Deus”? Sempre conveniente ao que se quer ver e fazer. A história de Moisés que foi criado pela filha do Faraó Seth, Thermuthis, como principe do Egito, começa mesmo com sua fuga após matar pela dita ‘justa’ cólera um feitor egipcio que açoitava um dos ‘seus’ (judeus). Mas voltando ao sexto mandamento, não há uma excessão. Não temos o direito de tirar a vida de ninguém nem mesmo a nossa.

Mas, vá lá... O Evangelizado de Moisés se entregou e deve responder por tentativa de assassinato no mínimo. O que fica na cabeça de quem leu sobre o caso é: Ele teria tido ‘interesse’ no travesti? Ele consumiu algo com o mesmo? Houve a vontade de realizar fantasias, considerou o travesti um agente do pecado e decidiu matar? “Minha religião não permite homossexualismo”, deveria afirmar no ataque brutal. “Minha intenção era ceifar a vida daquele que vende seu corpo por sobrevivência”, vociferou. Como disse meu amigo: ‘pode não ter consumido, mas se quebrou tem que pagar...’

Se a madeira não quebrasse, ele se entregaria da mesma forma? Como uma pessoa que se diz pregadora, que deveria agir pela paz e pela conversão se torna um criminoso ‘em nome de Deus”? Talvez não se tornou... Extremismos que deixam mais um trauma para a vítima – que no caso está internada na Santa Casa, com dois cortes na cabeça e fratura no antebraço direito – realmente precisam de um bom tratamento. Fanatismos religiosos sempre existiram e infelizmente existirão em sua distorções pessoais e coletivas, mas a proximidade acaba por ser cada vez mais alarmante.

3 comentários:

Barbara Bastos disse...

Muita boa a reflexão que propôs. Em especial quando diz: "Como uma pessoa que se diz pregadora, que deveria agir pela paz e pela conversão se torna um criminoso ‘em nome de Deus”?"
Parabéns pelo texto.
bjs e passa lá no Ideias!

Jamylle Bezerra disse...

O ser humano, por mais crente que seja, sempre age em nome do bem próprio. Pensar no outro está sempre em segundo plano, mesmo que as leis de Deus digam o contrário... por mais difícil que seja aceitar, o homem é mau por natureza! É triste. É fato.

Beijos Rafa.

Rafael Belo disse...

Jamy! Por natureza rs discordo, mas para as notícias sim pe fato rs Obrigado por estar por aqui beijos;

Agradeço Barbara que esteje sempre por aqui. Beijos.