quarta-feira, outubro 03, 2012

Miniconto - Sol do Amanhecer

por Rafael Belo

Sentada ela chorava. Nem ela ainda tinha se atentado ao motivo a explodir de sua rasgada alma. Era como se... Se misturasse cada tom de alaranjado pintado lentamente no céu se pondo no sol. Este posto há tempos, dando espaço para a noite e ela chorava. Mas, o pranto derramou-se depois de uma voz constante e profunda ecoar como consciência. Conforme raciocinava sentia um imenso peso oscilar em si.  A voz afirmava: “O único coração inteiro é o coração partido”.  Ela sabia ter ouvido isso de algum filme...

Não fazia sentido ser inteiro e partido, ainda mais porque ela estava sozinha há alguns anos. Ele pensou... E a lua já tinha passado da fase de cheia, mas mesmo assim preenchia o meio da noite. Seu pensamento já chacoalhava por entre as árvores passeando pela quantidade de religiões com o mesmo objetivo e se perguntou por quê A resposta estava ali, guiada pelo vento. Se há tantas árvores diferentes em busca do mesmo objetivo - o Sol – porque haveria de ter uma religião?Cada árvore tem sua necessidade e suas raízes, mesmo o Sol sendo um só.

Nos olhos dela o sol tinha se posto e sua visão estava alaranjada com todos seus tons. Continuar sendo quem era exigia todo o desgaste de manter uma mentira vista por todos. Deitar neste egoísmo já não seria mais confortável. Decidiu não dormir mais em muitas camas e provocar dor em quem for. Não iria mais deixar de se importar. Sua vontade não era mais satisfazer seus próprios desejos. Esta insaciedade não era alimento nenhum, era jogar álcool no incêndio do mundo.

Precisava saciar... Algo mais profundo em si... O vento foi ficando mais forte e as árvores chacoalhavam uma nova harmonia, uma nova música... Um arranjo sonoro gradual a soprar aquele oscilante peso. Mais ao horizonte, novas cores chegavam direto daqueles olhos. Os mesmos em um pranto sem fim já não mais de uma descabida dor desnomeada. Era agora um choro jubiloso. Vinha o amanhecer direto do olhar com novos tons de cores. Ela se levantou e caminhou para cantar junto ás árvores. Foi abrindo os braços e já abraçando um novo tempo a ser uma conexão com a plenitude. As lágrimas iriam cessar.

6 comentários:

Jamylle Bezerra disse...

Que lindo texto Rafa! Às vezes não queremos compreender o que está ali, posto na nossa frente, diante de nossos olhos. É preciso abrir mente e coração para encarar a vida, os amores, a função de cada coisa. Tudo tem um motivo, uma razão de ser!

Bju grande!

La Sorcière disse...

O texto é lindo... vc faz um conto com jeito de poesia. Adoro!

Rafael Belo disse...

é Jamy este é o espirito da vida. Mente aberta sempre para crescer realmente na vida. Muito obrigado querida! bj

OO Lelezinha obrigado. Os comentários de vocês sempre enaltecem os escritos bj

Suzana Martins disse...

Intenso. Belo. Profundo. Digo mais: envolvente.

A lua sempre encanta olhares e corações apaixonados. pode parecer clichê, mas somos, nós autores, somos completamente clichês...

Beijos

Rafael Belo disse...

nascemos clichê belos, intensos, profundos e envolventes na alma e tentamos passar para as palavras verbos. Obrigado Su saudosa! Reverencio. bjs

Dione Bello disse...


O texto diz:Cada ser humano tem suas necessidades,mas o sol brilha para todos.Com o passar do tempo,vamos ficando menos egoísta,e compreendemos melhor nossa missão,na terra,através da nossa vivência.