quarta-feira, setembro 08, 2010

Pescando a depredação dos seus e nossos

(8 Rio Vacarias - imagem que captei no último dia 26)

por Rafael Belo

Arde o nariz, ardem os olhos, seca a garganta, racha a boca... E as pedras não rolam sobre o Rio Vacarias. O calor e a ausência de chuvas deixam as geladas águas a qualquer hora, em uma fina camada sobre as pedras. Estas estão apenas a um fio de sair d’água. Mesmo assim pescadores jogam redes, tarrafas e fazem fogueiras no leito do rio. Latinhas, e copos estão espalhados aqui e ali para prejudicar a visão natural.

Uma bela paisagem para tempos de seca e baixa umidade em Mato Grosso do Sul. A corredeira, localizada nas imediações de Sidrolândia tem este quê de extasiante. Chegando ao local pela trilha quase de rally sonhando com algo a umedecer os lábios – sem serem somente beijos molhados – há lá pseudopescadores com uma rede atravessando o rio pedregoso de ponta a ponta e exibindo peixes para os flashes digitais e uma tarrafa sendo arremessada mais acima.

Silenciosos em seu descaso ambiental logo vão embora ou pelo roubo farto ao rio ou pela nossa presença - quem sabe. Mas, os vestígios presentes no leito quase falecido são restos de fogueiras, copos e latinhas... Uma beleza!!! O imediatismo não é apenas fator jovem impulsionado com mais estímulo na internet. Está presente na visão curta e turva ao lado do rio deitado às claras sobre as pedras tentando se refrescar de sol enquanto gelam nossos pés suas águas corridas.

Som massageante para os ouvidos acostumados à poluição sonora das cidades. O Rio correndo desta depredação aos seus – e aos nossos - criando a trilha sonora da fuga onde nunca é o mesmo por sua constante fluência em bom exemplo. Crescendo mesmo menor na seca. Enquanto ainda em seu leito são recolhidos os restos humanos apreciadores de si mesmos, usurpadores da beleza até de um leito secando, mas forte o suficiente para correr nu sobre as pedras.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Diluído e seco pelo ar de elucubrações

(8 no sítio dos sogros rs captei também no último dia 26... Há mais leituras em profundidade, há mais letras nas palavras...)

por Rafael Belo

Nem uma umidade passava por aquele espaço. A seca imperava também nas pessoas. As últimas reservas de água já inexistiam há certo tempo... Era inverno, era primavera era verão, era outono... Era nada. Simplesmente não havia mais a noção de continuidade. Um prolongamento de ‘como nossos pais’ estampava queimado nos rostos envelhecidos pelo mau uso do sol constante e abafado, mesmo à noite quando o bafo das horas paradas salpicava em brasa os pulmões de quem buscava uma gota de respiração profunda.

Cada corpo se acendia em alerta. ‘Uma tal’ emergência alarmava como gritos inumanos agudos de repetição no deserto urbano tão lotados de areia nos olhos e tão dentro dos ouvidos. Pessoas em busca de sombras. A água fresca borbulhava. Quedas, oásis e delírios no concreto de visão turva e ondulante. Estar vivo era vestir o cansaço do mundo e se arrastar por aí revivendo os filmes críticos de zumbis alardeados pelas vitrines no consumo compulsivo. Difícil é saber se é passado, se é presente ou aquele chamado futuro.

Conjugar palavras é julgar o local temporal do verbo. Para declamá-lo é preciso fluir. Escoar as conjunções em correnteza de sentido só com um rio fluente e afluente neste espaço seco sem reservas. Há peso na respiração. Qual o motivo do ar precisar de água... Vida, claro! Posso escutar meu cérebro cozinhar com minha cabeça aberta e ter cortada parte por parte a massa cinzenta desglutinada a nos fazer sentido e sem noção também. As reservas do meu corpo procuram um espaço para me desovar pensando com o vácuo da alma eletricamente ligado pelo resto das sinapses ululantes, cheias de passear pelo oitavos sentidos reminiscentes de um conjunto empático tão verborrágico quanto o calar de um olhar expressivo.

Houve até 80% de corpo na minha água. Agora há só vapor condensado no meu eu descaso ainda pensando existir, Decárte. Fui Decárte... Agora penso no limite do reconhecimento de si. O pensamento não é nada sem ação. Sou menos de 6% de vapor. Mais seco a úmido. Mais menos. Quem dera um beijo me desse força como antes. Quem dera soubessem mais vocês de mim. Uma hipérbole sem tecla SAP, sem tradução para maiores. As lamentações chegam ao caminho da desova. Diluído e seco. Mais uma quinzena e a chuva me traz de volta. O beijo recuperador do céu. Tempo derradeiro do espaço absoluto.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Sábado, 28 de agosto de 20010


(8 foto da sítio dos pais da minha namorada, imediações de Sidrolândia - MS, 'registrei-a' na quinta-feira (26)...)





Risco

a estrada se liberta de volantes no instante do deslocar veloz do carro posto em velocidade pela necessidade de chegar ao pensamento no espaço percorrido adquirindo o presente no percurso mesmo com o susto de uma curva, de repente, com a derrapagem na gente sem parar e continuar, então, a bater de frente, com o urgente de sair do lugar.
Às 11h55



Visão
a boina estiliza a cabeça protegida
dos desejosos ventos soprados de baixo
para cima inflando a boina em quente balão
puxando as ideias para fora
cantadas em versos telepáticos
empáticos em cada tumultuadas mente
indigente de silêncio,
a janela recorrente paisando
o lá longe em vidro em quadros
simplesmente na falta de toda
estrutura vista.
Às 8h54


Imagem
Despencou a rosa despetalada
sobre a ironia de um rua vazia
apontada para cima em busca do sol
arrepiado em corpos tensos, não estando lá
naqueles copos meio sujo imbebíveis
Vieram as pétalas, depois, caídas
em uma demora aleatória para chegar
no chão sem ninguém, a não ser algum
coração a bater sem lugar nenhum

pelo aroma inalterável do perfume
de Quem.
Às 9h16



Teus
Quando teus olhos de médio mel, abrem-se
pura densidade cobre quem ainda dorme
descoberto de sentimento, por um momento tão longo
a deixar o tempo parado, a espera

de um quente beijo teu, despertador corpóreo, ateador de fogos cardíacos, avassalador de almas expansivas pulsivas em sangue

espreguiçados em preguiçosos sorrisos amados
de fios e cortes em crítico diálogo de Amor
com a luz acesa sob a mesa da sinceridade
onde a verdade [ sobre ela] é amante das melhores imperfeições.

Às 9h48



(Rafael Belo)

quinta-feira, agosto 26, 2010

O Quinto Dia

Por Rafael Belo

Já se foram as Cruzadas onde a conquista da terra sagrada valia a morte de milhares ‘em nome de Deus’ – Ah, Jerusalém! -, mas não se foram ainda à desobediência ao sexto mandamento: ‘Não matarás’. Não irei dizer sobre todas as leis globais serem baseadas nos dez mandamentos. Mas, não falamos ou pregamos religião por aqui. O olhar é voltado para o senhor do quinto dia, o Homem. Então, quão estranho seria se um autodenominado ‘Evangelizador de Moisés’ tentasse matar um travesti a pauladas, não conseguir terminar a intenção - porque a violência era tanta que quebrou o ‘pau’ - e depois ligar para a polícia e se entregar?

Nós Homens e nossos pecados. A não aceitação do outro diferente... E quanto ao terceiro mandamento: “Não tomarás em vão o nome do Senhor, teu Deus”? Sempre conveniente ao que se quer ver e fazer. A história de Moisés que foi criado pela filha do Faraó Seth, Thermuthis, como principe do Egito, começa mesmo com sua fuga após matar pela dita ‘justa’ cólera um feitor egipcio que açoitava um dos ‘seus’ (judeus). Mas voltando ao sexto mandamento, não há uma excessão. Não temos o direito de tirar a vida de ninguém nem mesmo a nossa.

Mas, vá lá... O Evangelizado de Moisés se entregou e deve responder por tentativa de assassinato no mínimo. O que fica na cabeça de quem leu sobre o caso é: Ele teria tido ‘interesse’ no travesti? Ele consumiu algo com o mesmo? Houve a vontade de realizar fantasias, considerou o travesti um agente do pecado e decidiu matar? “Minha religião não permite homossexualismo”, deveria afirmar no ataque brutal. “Minha intenção era ceifar a vida daquele que vende seu corpo por sobrevivência”, vociferou. Como disse meu amigo: ‘pode não ter consumido, mas se quebrou tem que pagar...’

Se a madeira não quebrasse, ele se entregaria da mesma forma? Como uma pessoa que se diz pregadora, que deveria agir pela paz e pela conversão se torna um criminoso ‘em nome de Deus”? Talvez não se tornou... Extremismos que deixam mais um trauma para a vítima – que no caso está internada na Santa Casa, com dois cortes na cabeça e fratura no antebraço direito – realmente precisam de um bom tratamento. Fanatismos religiosos sempre existiram e infelizmente existirão em sua distorções pessoais e coletivas, mas a proximidade acaba por ser cada vez mais alarmante.

terça-feira, agosto 17, 2010

Sinapses entre loucura e lucidez


8 quando momentâneamente as importâncias se invertem, o buraco se abre cheio de entulho e queimadas... Tirei no bairro ao lado...


por Rafael Belo

As pequenas coisas viram grandes coisas quando a irritação é a sensação mais absurda tomando conta do corpo. Trabalho de domingo à tarde costumeiro em casa acompanhando jogos deixa de acontecer quando a internet pára de funcionar na hora do trabalho analítico online. Muitas opiniões e comandas e dá-lhe pegar o carro e cruzar a cidade para chegar a redação. Como se a sexta-feira 13, supersticiosa e mitológica, fosse o primeiro dia da semana 15.

Senhas não funcionando, alarmes ensurdecedores com sensores de movimento, ligação para pedir senha de colega, no ‘meio do expediente’ novo disparo, nova irritação, nova ligação, veículo apagando em plena Avenida... Sem querer funcionar, mas o sinal estava fechado só a atenção foi concentrada dos outros. Sinal abriu, carro funcionou, mas a irritação continuou... Deixamos-nos levar por tão pouco. Adianta ficar irritado? A internet voltaria? O carro não apagaria? Um estopim virtual incendiando prestes a chegar a bomba real e estourar... Mais fácil ser retirado o pávio. Situações limites apitando feito panelas de pressões na cabeça. Tolerância zero.

Este parece ser um dia típico de muita gente. Até aparentemente sem mais nem porquê cometer uma ‘bobagem’ e ser notícia fichada ou sepultada. Respirar fundo e prestar atenção ao redor ajudam, assim como aos nossos atos e educação. O estresse é cotidiano e a supressão de nossos sonhos e vontades ficam guardados em alguma gaveta cerebral querendo ser arrancada, espalhada, realizada ou simplesmente considerada. Não há esquecimentos nos nossos delírios silenciosos.

Por isso família, namorada e amigos auxiliam o estado de demência não adoecer nossa alma, não endurecer nosso coração, não sermos movidos por pequenas coisas tolas nem ao menos deixarmos estas se agigantarem como uma possessão do nosso pior em um momento de desequilíbrio. A calma às vezes vem simplesmente do se permitir ser mais forte, quem sabe chorar se preciso, da retirada dos nossos entulhos acumulados de desnecessidades, da humilde presença, daquele abraço, da palavra e do terno olhar.

terça-feira, agosto 10, 2010

Sóis


8Qual é a tua intensidade perante Sóis se fundindo? Captei assim cegante...

por Rafael Belo

Na esquina ela está jogada da mesma maneira há várias horas. Cabelo espalhado sobre a cabeça formando um triângulo invertido, blusinha colada preta, minishorts rasgado marrom, descalça, com os braços abertos e com as pernas dobradas. Olha fixamente para o céu. Está vazio ao seu redor, a calçada, as ruas, as casas, a cidade... Ninguém. Nem um som se misturava a uma calma brisa apocalíptica soprando quase um assovio. Mais cedo já era silêncio. Somente, Solare Resis restava. Sol imagina quanto tempo ficou apagada...

Seus olhos se reviram, sua boca se contorce, sua respiração vai e vem redundante enquanto ela se lembra de vagar ainda neste dia sem encontrar nada vivo sem raízes... Então, se jogou no gramado... Só agora começou a perceber seu homônimo Astro Rei tão próximo e o calor formando bolhas em sua pele. Nada atravessando sua mente explica... Sol não tem certeza se está entrando em desespero ou saindo de um alívio para o constante estado de alerta. Há incerteza plena. Mas, ela prefere continuar olhando fixamente para o céu...

Jogada como quando era criança e o mundo acabava segundo a segundo... Só para os adultos. Para Sol era motivo de risada, curiosidade e correria. Ela divaga nestes pensamentos... Na verdade procura perde-se completamente nesta época sem preocupações, sem compromissos... Se bem... Algum tempo atrás a infância já era tão compromissada quanto à vida enfadonha de um adulto. Isso não interessa a ela, ela quer se perder, mas nos próprios pensamentos felizes... Isso porque não consegue pensar nos infelizes, nas dores, nas dificuldades... E ela faz o sempre clichê pensamento: ‘porque no fim pensamos no começo?!’

Tudo está em chamas. Os Sóis se encontram... ‘por que não há dor?!’ Deveria ela pensar... Mas está tão distante, tão... A não perceber a purificação pelas línguas do fogo em combustão no planeta. Ela está feliz como poderia não estar?! Quis a solidão e a teve, se jogou no chão e por horas viu o filme de um céu azul levemente anuviado. Seu corpo se desfazia, sua alma ia por meio do olhar e tudo queimava ao redor voando em cinzas ardentes pela face do vazio, pelas brechas apocalípticas de mais uma solidão na esquina.

sábado, agosto 07, 2010

Sábado, 07 de agosto de 2010

8 imagem da 'copa das ruas' perto de casa... há de se captar... ___>

Alma


Fez-se a distância um adjetivo
e todas as vestes caíram
de rosto e corpo despido
não havia intermédio... Era imediato
ato puro de ser seu, substantivo.

Meu verbo sem possessão
crescimento interno declamado
em busca da saudade, a rodar
para perdê-la no adjetivo distância
tão íntima quanto a ligação, carnal.


09h08 - (Rafael Belo)



Visceral

Pelos mares asfálticos, estatela o sol
faz frio em algumas pessoas,
em nós lágrimas felizes se contêm
aquecendo o borbulhar nunca antes sentido
nem lembrado em outro qualquer sentimento
por nós revigorados, as estradas param
feitas visões de paisagens inesgotáveis
gotejando um marco simétrico, dos nossos
horizontes verticais, paradoxais a um
romance não escrito, viscerado, nas nossas
construções, aos pedaços.


09h26 - (Rafael Belo)


Contando


Quero ser, um posicionamento, uma entrega
um coração bipartido tremulando um bater
tamborilado pelo corpo no âmago da totalidade
no vândalo destruidor de muros e separações
um vento silencioso lá fora, chamando as
arvores para dançar. Mando das eternidades
enfileiradas em nosso olhar descrito em livros
versados no porvir tão dentro do adentrar
da alma faminta em não se saciar completa-
-mente e assim sempre ter fome para términos
infinitos perfilar.

10h32

(Rafael Belo)

quinta-feira, agosto 05, 2010

Luz intensa na nossa imensidão


8 O bater das asas, o coração acelerado ou a simples pose do próximo pousar do beija-flor aí está a Felicidade... Captei em uma matéria sobre queimadas

por Rafael Belo

Pode ser química, mas Felicidade é única. Na verdade parece ir além da pele, da mente do sorriso bolo... Não é tolice é uma marca indelével na alma. Assolando - quando assolar é arar um solo extremamente fértil – de terra macia e granulada passando pelas mãos abertas prontas para se impalpável, recorrente de brotos e flores para aromas constantes respirados pelos suspiros dos sentidos além dos conhecidos. Como se o fruto do gracioso voo da garça e do esoterismo do tuiuiú tivesse um nome e este fosse Felicidade.

Não há palavras nem apontamentos parece não haver nada a estragar tamanho contentamento. No entanto, não se faz sozinho. É preciso conceder, sorrir e falar assim como conter em leve seriedade e silenciar. Aí vem o tempo tão dentro de nós e fora do mundo, mostrar aos poucos quando e qual. A reclusão da Felicidade a diminui nas bocas confusas da vida e confunde acerca da realidade sobre esta emancipação da liberdade plena, além da consciência.

Um frio das borboletas selvagens teimosas no corpo, aflorando da barriga e contrastando uma falsa contradição quente com o frio feito aqui fora. Vapores da alma incendiária na sua exatidão e calma de um mar aberto para um transtorno bipolar temerário a palavras felicidade mesmo a buscá-la ensandecidamente no confinamento de uma gaiola com vista para o quintal. Porque a Felicidade - como o velho clichê certamente aponta – está em nós, engaiolados, como a paz.

Quem nunca confundiu a Felicidade com o frio batendo na porta? Foi lá entreabriu e não acreditou... Era o frio e pronto acabou. O frio dá medo... Fechou a porta e foi procurar fórmulas químicas sociais para lubrificar por aí. A marca na alma lateja como uma luz tão radiante e reluzente a fazer olhos e dentes cegarem partilhas intensas da imensidão liberta finalmente em nós. Chega de temer e ligar o temporizador. Deixe a luz se acender mesmo ao tatear no escuro com o coração apertado disparando... Abra a porta.

domingo, julho 25, 2010

Consciência plena

8 como se tivesse tirado com a mente, a imagem do texto estava lá fora a minha espera para ser captada pelos meus olhos e lente... tirei neste domingo...

por Rafael Belo

Não estava escrito nas estrelas nem era parte de alguma profecia, mas de alguma maneira fora do alcance de explicações era para acontecer. E aconteceu... Mas, antes os caminhos teimavam em não se cruzarem por mais paralelos a estarem. Por mais próximos, a distância era o motivo do acontecimento porvir anos mais tarde. Nada de paixonite aguda ou devaneios adolescentes, a vida já havia lhes ensinado a temerem e ficarem bem atentos a relacionamentos malfadados de todas as maneiras. Mesmo assim - por mais experientes - aquele Sentimento a os invadir em um olhar, ao primeiro contado iria ligá-los por Tempo indeterminado.

Eles não acreditam em Amor a primeira vista. Aquela conexão instantânea, aquele encontro de almas e batimentos cardíacos inusitado eram sim a Verdade. Amores a primeira vista acontecem... Acontecem - em real – a cada visão a dois construída. Esta era a consciência deles e o passado não os impedia de estarem juntos. Aquela completude a os envolver e bem maior de qualquer pensamento, não queria nem devia ser compreendida. Dons não devem ser questionados... O Mal em si só inexistia ali, tanto porque era uma entidade fabricada. Sim, existe! Condensado em várias supostas contradições de nós, humanos. Não dentro de uma dualidade inquestionável onde se nasce para ser um rótulo romântico.

Ela e ele eram conscientes. Eram racionais, mas o corpo também pensa pela alma pelo coração a trazer um sentido superior e assim continuavam a ter consciência, no entanto, bem mais completa. Esta parecia ser a manifestação de uma força criadora do Universo, criando tal universo no universo particular de cada um dos dois. Não importa o nome dado a Algo para se enxergar cego. Para acontecer em pleno Sentimento dia após dia como se cada data fosse o piegas e viveram felizes para sempre...

Felicidade de poder simplesmente Sentir. Era a manifestação de ambos. Um beijo um cheiro as palmas cruzadas em dedos, este era o presente do presente dia. O primeiro olhar o primeiro toque o primeiro envolver de lábios e línguas e as primeiras vezes repetidas a primeira vez de novo e de novo... Todo encontro como se fosse há um longo tempo. Sem estar escrito nas estrelas sequer sendo parte de alguma profecia, mas de alguma maneira fora do alcance de explicações estava acontecendo.

sábado, julho 24, 2010

Acordar


8  o que há de se dizer esta dito mesmo em silêncio...  Foto da invasão colorida do fundo de casa, captei hoje mesmo rs...




Sinto em ti o encontro da Felicidade
toda a raridade faltosa nos humanos
cada Beleza, situando, concentrada para ser Mulher
há todo o Paraíso condensado neste olhar alado
marcado de um encontro somente para corações

[sinceramente seu sorriso me persegue feito um sol só para mim]

existe Sentimento espalhado em cada centímetro de tocar você, sensações
ah Musa Poesia, luz base das estrelas fonte de vida do Sol
vejo no farol do teu olhar a expansão divina do universo

quando verso meus olhos para os sonhos tua alma me salva me verte e meu sonho se perde no teu Alvorecer.

(Rafael Belo, às 9h35 de sábado, 24 de julho de 2010.)

quinta-feira, julho 22, 2010

Declaração crônica para o Sentimento

8 imagem do teto de uma das minhas moradas... captei há quase uma ano...

Por Rafael Belo

É estranho quando um sentimento nos invade e nos alça do chão rumo ao desconhecido. A força e a intensidade do domínio mostram nosso total descontrole sobre nossos planos não planejados. Cada palavra dita é um passo dado rumo a uma aventura interminável mesmo com o fim em algum ponto. Mas, tal fim não significa término e sim conclusão de algo pronto para transcender, se transformar em algo mais, além de denominações. Superior a qualquer entendimento e acima de todo sentimento inútil de posse. Pertencer a uma entrega e a um Tempo para tudo é a única possessão a trazer um sorriso bobo e matreiro a cada hora do dia. É inominável intensamente sentir.

Raciocinar é preciso, claro. Mas limitar-se a se conter motivado por possíveis dores futuras é o verdadeiro perder do raciocínio. É limitar-se e conter-se para no meio prender o outro e aprisionar-se. É como procurar razão quando nem sempre ela é precisa, pois há o sentimento declarado mesmo entre as linhas, nos olhares, no silêncio e em outras falas e atitudes. Para não perceber tal existência há de se ser cego. Não a cegueira dos olhos, mas, a do corpo, a de todos os sentidos suscetíveis a ‘saber’ antes de qualquer razão. Por isso, o chão não se faz necessário.

Cada passado vale para chegar onde estamos. Somos tolos humanos e nem sempre aprendemos. Continuamos o mesmo burro erro – me perdoem os burros, seres eqüinos tão inteligentes. Mas, na presença de deflorar um sentimento novo vem o estranhamento, a falta de novo do chão e aquela mente voadora na felicidade tomada pelo impalpável. Muitas vezes - ou seriam todas elas?! - neste ponto nos acomete a surdez. Não ouvimos aquele raciocínio nem sempre necessário e aquela voz amiga pesada incitando nossa lembrança e talvez cicatrizes entreabertas. Então, o mesmo raciocínio deveria nos dizer: “Se está entreaberta não teve conclusão. Pelo menos não para você”...

Mesmo para os feitos de aço e pedra a vontade de ter este sentimento é inegável em algum ponto dentro destes. A declaração crônica para o Sentimento não vem fácil não vai fácil. Em algum momento queremos ou estamos no ‘ponto dentro deste’ dito há uma linha. Desejamos esquecer o fato de uma relação ser feita e desfeita por todos os envolvidos. E assim a vontade de sentir aquele início retorna sem nem ao menos chegar aquele fim sem ser término. Pensamos novamente: ‘É estranho quando um sentimento nos invade e nos alça do chão rumo ao desconhecido’. Para então ser constantemente ‘como se fosse a primeira vez’ é preciso ser esforçar... Para assim ser.

domingo, julho 18, 2010

'Almas justiceiras'

8 as chamas da morte são as chamas da vida, pois você pode sair de dentro da Justiça Divina, mas a Jusstiça Divina não sai de dentro de você... Captei no meu shorts de dormir rs

por Rafael Belo

Havia um odor e um som pertencentes à outra época dentro da cabeça dela. Eram distantes e profundas lamúrias agonizantes de dor... Em latim. Ela nunca falara absolutamente nada sobre. A trilha, quase inaudível, habitava alguma parte de sua mente ou seria a alma ou seria o coração? Joani lia compulsivamente aqueles acontecimentos referentes ao fim de uma investigação enquanto imaginava os porquês de um som apenas e um cheiro somente, cantarolarem e se alastrarem em alguma parte oculta de si.
Era um mau pressentimento fundamentado em seus blecautes silenciosos. Lendo ela descobriu... A assassina em série era descrita como ela. 1,69 cm, cabelos arruivados... Busto médio e quadril farto. Mas, suas digitais identificavam alguém morto. Inexistente diziam ‘os jornais’. Bem, ela tinha razão. Habitava em Joani uma assassina. Sua alma era antiga. Sob o claustro de uma igreja fantasma para suas ações, a Purificadora, matava sim, mas aqueles pecadores sem clemência não dispostos a reconhecer crimes e erros perante ao Senhor. Não era fanatismo. Era o motivo de toda sua criação.

Depois de sua primeira morte, sua alma era duas, suas marcas múltiplas, suas digitais. Enquanto havia luz era Joani, quando as sombras eram mais era Jiana a Purificadora. Não havia a possibilidade de Joani saber de seu reflexo pretenso a justiça divina. Ela ia além da mera dizimação das almas atormentadoras. Purificadora deixava rastros para os investigadores brasileiros em todas as regiões, tais pistas levavam a assassinos reais, não a ela uma arma nascida. Jiana dizimava até as lembranças dos seus dizimados, assim ia quaisquer vestígios das suas existências. Mas até quando todos esqueceriam?!

Assim, Joani fechara ‘os jornais’ do dia sem saber ler sobre si e seus olhos prateados noturnos, ao dia um mel denso. Seu pressentimento fora cautelosamente afastado por Jiana. Podia tomar seu chá com leite quente e preparar a defesa pessoal de mais um tropa de elite secreta criada justamente para silenciar os apontamentos das pistas elaboradas às sombras, desta vez estava no extremo sul. Por enquanto escolhia o quanto frio gostaria de passar naquela boa brisa gélida abaixo de 5 graus negativos. Como sorria nesse frio ‘gostoso’. Logo teria de liderar uma das tropas de elites ocultas. Não iria demorar. Havia um odor e um som pertencentes à outra época dentro de sua cabeça. Eram distantes e profundas lamúrias agonizantes de dor... Em latim.

quinta-feira, julho 15, 2010

03 de julho de 2010

 8 captei em uma manhã de sábado, quando as nuvens se destacam ou não é difícil não reter este momento.


Manhã de Sábado (Rafael Belos às 9h30).

O ritmo do martelo martela a manhã
com uma manha tacanha, de um amanhã.
sons metálicos no concreto, aberto para destruição,
ilusão do desfazer das partes, nas refletidas batidas
ecoando pelas estruturas, estremecidas entrementes
obstruídas na continuação do feito de bater
no apoio do esqueleto urbano, repaginando
repintando para outra função exercer,
martelando constante a reforma da
forma martelada para a cidade falar
em se desfazer.



Esconderijos (Rafael Belo às 10h34)

Nas salas espalhadas se espalham
rostos conhecidos despertos aos simples passar
diante, adiante as vozes do reconhecimento
faz o retorno no entorno do topo
longe do derradeiro chão, como lembranças
falsamente esquecidas, guardadas na
marcada sala vazia até então, quando
os esconderijos velados acenderam as velas
para a bruxuleante recordação em
uma oração simples – abraços beijos
e nova separação.



Rivais (Rafael Belo às 12h42)

Opostos por decisão e línguas
divergentes por jogos, displicentes
campos contrários dedicados a não se entenderem
no enternecimento da expectativa,
telespectada, a razão de viver de cada
um, no esforço de não se gostar por puro,
puro fingimento espontâneo, no contínuo espaçamento
temporal, de querer ser rival, estar rivais pelo
entretenimento.

terça-feira, julho 13, 2010

Pelo (T)empo

8 Lá fora há cinza, branco, nuvens...E por trás o céu. Captei só para ilustrar este texto verídico rs...

Por Rafael Belo

Passaram cerca de 120 dias, mas enfim veio a chuva. Primeiro os ventos foram ficando intensos e ao final da tarde já trepidavam as janelas. Então, veio à primeira de muitas gotas e a sequidão começou a dar tchau. Choveu até as primeiras horas da manhã desta terça-feira (13). De 33% de umidade relativa do ar passou de 83%, a temperatura caiu 20°C. Mudanças repentinas. No caminho para o ônibus ainda tinha certo chuvisco. No aperto do quente ônibus cheio e embaçado nem todos acompanharam a previsão do tempo, melhor dizendo nem todos acreditaram nos ‘videntes’ meteorológicos, portanto não estavam preparados para os 8°C lá fora.

Estavam todos em silêncio. Deviam estar pensando no calor da cama ao invés de encarar um gélido dia cinza e o apertadíssimo transporte público. Ninguém nem sequer comentou a mudança temporal. Quando não há nada a dizer não se comenta o tempo?! Sair do calor maçante para o frio repentino parece ter sido uma afronta para a população de Campo Grande. Mas, respirar direito depois de dois meses... Fundo e umidamente fez a manhã ser feliz e produtiva. ‘Deve voltar a chover na sexta’, me diz o meteorologista. A frente fria - motivadora e atração da chuva – se foi...

Ficou a massa de ar polar recorrente lá do Sul. Aliás, o Rio Grande do Sul perdeu muitas árvores para ventos próximo dos 110 km/h. A umidade alta e a temperatura baixa devem ficar de férias por aqui até o fim de semana quando essa massa volta a nos deixar a mercê de muito calor e mais seca ainda. Engraçado é pensarmos no frio como ausência de sol... O pior é se queimar não só com a ideia mas com o fato de ser pura balela. O sol nunca se ausenta e seus efeitos às vezes são bem mais intensos neste tempo – quando não o vemos, mas lá ele está.

Lá fora as nuvens cercam todo o céu até qualquer horizonte possível de ver. A poluição parece diminuir tanto como ‘fumaças’ tóxicas quanto sonora... Há um silêncio - não só dentro daquele ônibus me levando para o emprego cerceando até as barulhentas obras inacabadas e tão longas – de desconfiança de algo vindouro. Tudo parece uma premeditação ‘climática’ nos dizendo sobre o planeta não ser o mesmo, o mundo ser outro, das estações não estacionarem na nossa previsão, mas mesmo assim recriamos nossas repetições pelo tempo.

domingo, julho 11, 2010

Trilha sem nexo

8 captei da poltrona de casa para a noite entrando em contraste peculair incandescente decadente...
Por Rafael Belo

Hoje senti o peso do olhar dele. Ele malhava silencioso e sedutor e eu fingia que não olhava. Ele não é como os outros. Claro... O pensamento não é original e nem o próximo: Ele É diferente. Meus pecados serão redimidos quando... Perceba... Não há se... Quando... Acertarmos-nos... Ele me deseja. Não sou nada de mais, mas tenho um ar inocente e uma atitude, disse ele. ‘Nome gostoso de ter na boca’ ele sussurrou certa vez e soletrou o mais devagar possível: Na i a na... Exatamente com esta separação. Só pude me arrepiar e fechar os olhos imperceptivelmente. Ah, Arauto... Peculiar nome...

Foi há tanto tempo. Não pensei em reconhecê-lo quando nossos olhares se seguraram no meio de uma frase qualquer de reencontro. Uma porta aberta no meio da noite como se não estivesse trancada e a lua invisível já não passasse do meio deste universo... Insólito. Aquele olhar aos 17 quase 40, volta agora aos 33 praticamente centenário... Coisas inacabadas deixadas simplesmente para trás parecem nem ficar por onde deixamos, acabam neste olhar nostálgico ainda jovem pela porta de uma noite cansada brisando.

No fundo desta única lâmpada algo diz não haver solução nem explicação para tudo. Motivo então, metade das vezes são criados por pressão. Os impulsos hormonizam a nossa falta de harmonia e avançam pela noite convidativa por mais... Nem toda porta aberta serve para entrar ou sair às vezes é janela para lembrança e muito mais. O peso do olhar dele malha minha mente maculada feito um blues prendendo ao fim de um filme como um vício misturando Ska dos Paralamas do Sucesso repetindo e repetindo... :

A vida não é um filme você não entendeu, Ninguém foi ao seu quarto quando escureceu, Sabendo o que passava no seu coração, Se o que você fazia era certo ou não, E a mocinha se perdeu olhando o Sol se por, Que final romântico, morrer de amor

Relembrando na janela tudo que viveu, Fingindo não ver os erros que cometeu
E assim, Tanto faz, Se o herói não aparecer, E daí, Nada mais...

Talves minha vontade de ser seduzida me fez criar Arauto e quem nem exista no final seja eu. Uma ideia romântica de guerra e paz enquanto o 'real' é um hibridismo sincretizado em pouco mais de algumas linhas quando o medo de se aproximar sempre distancia mais e mais em uma razão de Platão.

sábado, julho 10, 2010

Quarteto em movimentos para o 'fim'

8 o sol adere, ao meio da tarde, às sementes do fundo do meu quintal. captei neste sábado...

Ao fim

Tudo acabou quando chegou ao fim. fechado. lacrado.vedado. enterrado. Para não mais. súbito, depressa igual a pressa de chegar. o intuito de atrasar a desculpa de acelerar o tempo. até o tempo parar para as lágrimas avermelharem os olhos pesados na feição e envelhecerem antes de caírem pelo caminho do rosto ao gosto de todo descontrole agarrado às mãos vazias ‘desprovida’ de um consolo contínuo na vida (in)contida.

Às 22h27, 09 de julho de 2010 (Rafael Belo)

Sempre indo

Passou a morte. Alguém não morreu... Eternamente? Alguma vontade de prolongar o já foi permanece um éter na mente, suspensa na dualidade da fé quando a dúvida chora e o corpo sepulta e ressuscita a ausência na flora definhando, posicionando o sol na aquarela poente, mesmo em um dia de noite enlutado resoluto por mais uma ida teimosa, solitária até se for, por enquanto quem fica reúne o inconformismo conformado em ser formado para ir.

Às 09h10, 10 de julho de 2010 (Rafael Belo)

Falta de umidade

Escorreu a água no pátio, decreto do fácil terminou montado em palcos do suicídio de tanto trabalho por nada, cara limpa mesmo toda pintada de nariz vermelho, a pressão do joelho a não mais equilibrar, a transição sucessiva a descontinuar, um prolongamento onde o peso se vai para o vento desmatado levar a gente, seco(s).

Às 10h40, 10 de julho de 2010 (Rafael Belo)

Torneira mal fechada

A projeção apagou a lousa, sem marcas hidrográficas no painel de giz, alérgico ao pó, despedaçado em blocos compactos, a espirrar a dor das roupas, desnudas das peles, apagadas dos humanos, abaixo delas, fantasiando um existência de claquetes e ações onde a desistência é a abrangência do raso com uma ausência sórdida da morbidez caótica da repetição. Sem um amanhã dividido em luzes.

Às 13h36, 10 de julho de 2010 (Rafael Belo).

quinta-feira, julho 08, 2010

Passagem para permanência

8Imagem do dia combinando com o escrito do dia. Fim de  tarde, visão da minha casa. E aqui vai o meme dos 7 pecados capitais a minha maneira confiado pela querida Lezinha do La Sorcière (Agora indico para a querida Naty do Revelando Sentimentos e para a Jamy do Com a palavra...)


por Rafael Belo

Nem o sangue é real. Nem o rubor é crível. A abstinência virtual me fez bem. Sentado em frente a uma tela... Ram... Não mais além do necessário. A realidade me alucina muito mais... Muitas pitadas de imaginação são necessárias... Mas, a sinceridade das coisas palpáveis me são mais agudas. No entanto me abster de mim quase descontrola minha energia. Desestabiliza-me. Adoece minha alma tão propensa a criar sempre. É meu pecado de sumir, de desaparecer de permanecer temporariamente na minha passagem ao meu molde.

Meu egoísmo de guardar uma criação a deixar de me pertencer ao ser criada. A consciência de estar devendo, de estar na luxúria de escolher e irar-me com um mundo não pertencido a quem não lhe pertence. Uma cobiça inversa de desejar ser ordinário por momentos passageiros, não permitindo sequer o fim da ideia para passar. Talvez a inveja de querer ser célebre e não o desejo permanente de ser anônimo. Mas, a rotina de abster-se de aparência e aparecer é um bem a não ser nunca negado por mim mesmo.

É um simples disparate deixar-me adoecer por não escrever, tocar, socializar... Confinar-me na minha insignificância sem passagem para lugar algum pensando no meu não-lugar tão possessivo e... Minha loucura precisa da sanidade da saída de todos, de um silêncio significativo e desolador, pois da dor vem mais crescimento, mas também vem a avareza aliada a uma gula inversa de esquecimento, porque meu real alimento são as novas ideias, os olhares do avesso tão devoradores de mim. Todo o resto é velho...

Minha passagem para permanência vai preguiçosa, mas vem tão voraz e arrebatadora a se espalhar em tinta e grafite e papel por toda parte a me cercar, tanto a não ter dedos, teclas e horas suficientes para atualizar e quanto há a impossibilidade... Parece passado, outro tempo, outra escrita aí vem à razão da preguiça. Mas, não posso terminar de pecar sem dizer meu maior pecado... Cansar fácil do meu fazer e ter de mudar e mudando de novo transformar... Assim acabar vendo o vazio tomando conta por aí e às vezes tão perto a me deixar à vontade para acariciá-lo e me aquecer deste frio.

sexta-feira, junho 18, 2010

Assim era


 8 o que é uma janela 'senão' a projeção dos nossos sonhos ou nosso sonho para encarar a realidade? captei esta em Ribes City pela janela do meu quarto...

Por Rafael Belo

Os olhos dele brilhavam tanto a chamar atenção dos insetos, os confundindo com luzes artificiais e batendo neles. Os dela faziam todos desviarem o olhar como se olhassem para toda a incandescência fugitiva do centro do sol. Assim um imaginava o outro. Assim, um nunca o outro encontrou. Apenas ali, nas intimidades das mentes. Nas... Obscenidades das mãos em pleno autoprazer a deixar um vazio consequencial sequente. Um labor de abandono saboreava os lábios solitários e os olhares se apagavam aos poucos distantes um do outro como antes, como sempre.

Tudo fantasia detalhada cada vez mais para continuar a se bolinarem sem a coragem de realizarem uma vontade fracassada por relacionamentos mal acabados passados. No entanto, era incontrolável aquele instinto animal carnal invasor de pensamentos dominador da imaginação mais vulgar, mais recriminada pela sociedade dos pudores hipócritas, do êxtase talvez somente sentido por aquele ideal de sexo narciso. Mesmo subindo pelas paredes, tudo ficava ereto e ofegante como um exercício militar misto recluso nos confins do isolamento.

Já não tinham nomes. Eram desejos de gêneros diferentes talhados a calos manuais e um Kama Sutra particular nas extremidades da mente com extensão para cada pedacinho da pele. Era uma loucura a dois, a um só realmente. Bastava se 'sentirem próximos' para tudo se iluminar e o mundo se ofuscar de água na boca com lábios continuamente úmidos de corpos suados.

Bocas perdidas nas imagens da cabeça longe. A impercepção ruborizada no despertar público da reação involuntária do corpo brilhando como se tudo fosse real. E ela fosse de verdade desnomeada do seu controle de toque. Mas, não... Ela era Lascívia Maçã, ele era Intenso Torpor... Tocava assim a banda. Assim era para ela conseguir se apresentar e se libertar perante tantos olhares da plateia a desejando.

quarta-feira, junho 16, 2010

Plateia

8 a luz o verde o contraste em um momento ciclíco de elevação... captei no quintal de casa.




A vergonha se foi se foram as vergonhas
na noite plena de plenitude enviesada
no palco da vida atormentada pela libido
das mãos aliviadas durante a agitação pública
dos pudores horrorizados de prazer alado
da anestesia súbita de todas as dores do mundo
emancipadas pelo trêmulo estremecer trépido
nas horas engarrafadas em testemunhos de sentidos metafísicos
desruborizados místicos dos rubores coletivos excitados
de sensores intimamente ligados a idéia da timidez errada em falta
nos achados estrelados em alfa na insensatez da plateia.

às 22h43 (Rafael Belo Folha de Outono) 16 de junho de 2010.

segunda-feira, junho 14, 2010

Digitais nas genitais em público


8 esta psicodelia natural da máquina captando luz em movimento é de uma virada de ano no Vila Dionísio em Ribeirão Preto... Como não captar para falar de um fato pouco crível?

Por Rafael Belo

Ela, diante do palco aos pés da banda e precisamente da vocalista, masturbou-se. Criou um rubor vaidoso nos músicos, na vocalista... Enquanto o som se espalhava, vibrava, relaxava e contraia em todos os corpos como se os tocassem, apenas ela se tocava profundamente... Intimamente. Como não perceber um ardor de cima do palco queimando? Foi um show no qual eu não estava e no qual lotado, poucos perceberam a ousadia, de quanto um som pode ser orgástico. Lá, no Parque das Nações Indígenas (ou seria em outra concha acústica?), a apresentação do Dimitri Pellz teve um novo marco.

Talvez o orgasmo trazido pelo som realmente fosse uma cópula fetichista bem exibicionista e excitante das digitais ou a tensão sexual da jovem estivesse em um frenesi incontrolável. Ali, de costas para dezenas ou centenas de pessoas em uma data não muito distante, a mulher simplesmente mostrou estar hipnotizada pela música baixando a mão sob a calça jeans e aliviou seu estupor e satisfez seu sexo, seu corpo. Nada de preocupação... Quem sabe só ela lá estivesse em um show especial e exclusivo...

Impunemente, liberalmente, apenas o fez. Devia estar acompanhada (devia?), mas seu ato solitário e imagético a tornava independente, sem identidade conhecida e atrevida, a desconhecida da multidão poderia despertar também ambigüidades a apontando como despudorada, abusada, sem vergonha... Extravasar é a razão de um show... O ato em si no mínimo traz desconfianças sobre este texto ser real ou não... Mas o é. A tecnologia portátil registrou o momento e o ‘eternizou até durar. ’

Toda vez que o vídeo for acessado a masturbação feminina diminui seu mito, mas a negação pública - por ter sido em público? - do particular talvez aumente e rotule a garota sem nome, sem rosto e sem idade diante de um show, a frente de tanta gente e mesmo assim em seu mundo realizando, quem sabe, sua fantasia. Quando assisti percebi algo diferente e precisei assistir de novo, não por tara, mas porque como vocês não acreditei ter visto e vi de novo. Nunca vi masturbação tão longa... E a banda Dimitri Pellz jamais vai esquecer a cena, para ela... Um show à parte.

sábado, junho 12, 2010

O que tem na cabeça?!

8 captei na Lagoa Itatiaia no Dia Mundial do Tai Chi e Chi Kung. 'Não se imagina o que tem na cabeça e a sombra se aproxima pela ondulações...'     

Aquele cheiro incomodava o bairro inteiro. Parecia vir de todo lugar e ia ficando pior. Provocava náuseas, tontura e um torpor quase zumbi nas pessoas. A loucura beirava os olhos e passeava pelos meios sorrisos. Um mês havia se passado. Depois da primeira semana a desconfiança era tratada a portas batidas e viradas bruscas de rostos. Ninguém dormia mais passada a segunda semana. Na terceira a histeria silenciosa dominava a lápide cravada naquele bairro.

A água se tornou escura. Todo e qualquer cano produzia o odor da morte. As autoridades responsáveis pela água e esgoto vasculharam tudo causando mais caos e procurando sair rápido dali. “Aquilo podia ser contagioso”, diziam. Agora, além de fétido, o lugar parecia ter sido palco da mais violenta guerra civil. Aquele cheiro não era da Morte. A Morte costuma ser limpa desde antes de qualquer deus e principalmente depois deles. Eram mortos, era pura podridão vinda do desconhecido...

Mas, antes da lembrança certa despertar em uma pessoa, o bairro já estava lacrado. Isolado de tudo em uma redoma transparente feita de um falso vidro hollywoodiano. O estado mental daqueles bairristas já quase variava. Largados aos próprios olhares de esguelha e as próprias mãos. Ouviram aquela certa pessoa lembrar... Ela lembrava de um reservatório antigo feito para aproveitar aqueles gêiser cretáceo. A água era a mais pura. De alguma forma os canos antigos e novos eram os mesmos. Um plano quieto foi desenhado...

Dos milhares de moradores deste bairro, nenhum deixou de ir ao antigo reservatório da cidade. Foram caindo pelo caminho. O cheiro era insuportável. O ar ia ficando cada vez mais denso, quase precisando da criação de uma porta para passagem. Poucos, tanto a apenas uma mão contar, chegaram já chorando, já sem conseguir conter os olhos abertos. Uma dezena de velas bruxuleava mesmo sem qualquer vento. Demorou a se acostumarem com aquela iluminação medíocre.... Mas tudo se voltou para acima das velas... Cabeças conservadas na parafina balançavam em varais de aço... Só um prosseguiu. Centenas de metros adiante, uma criança estava rodeada de pernas e sangue e pêlos e peles... Não era preciso dizer nada... Olhando ao redor era possível ver o gêiser cretáceo dissolvendo corpos apodrecidos... O último tombou pela última vez...

Quando os primeiros acordaram... Se atacaram enquanto a criança se aproximava de cada um, o tocava até este lhe oferecer o pescoço... O qual devorara até a cabeça cair. Então, a criança sorria ao percorrer a trilha de corpos de volta às velas, acendia uma vela nova e pendurava mais uma cabeça para preservar e colecionar. Depois começava tudo de novo!

quarta-feira, junho 09, 2010

Sombras da luz


8 captei no meu quintal... pra variar rsrs... encaixe imagético...


Meio vazio meio cheio, totalmente sorumbático pela completude
uma sombra de dor carente sentindo o peso de tanto nada
preenchido de repente no início de uma semana qualquer
esvaziada do se esconder do por vir, deste será sentido
no verme cheio de você, resquício de humanidade

devorando pacientemente os vestígios do abismo
sem medo de se jogar para o alto do frio proeminente da barriga
tragando sua vontade enquanto seu olho direito treme sem parceria
nas vistas de um vigia sorrateiro do seu descaminho
vindo do erro de viver distante do seu dito destino
mastigando sua alma por dentro em conturbação
pelo desvio tomado nas sombras da luz.

Às 07h43 (Folha de Outono Rafael Belo) 08 de junho de 2010.

segunda-feira, junho 07, 2010

De volta ao tacape e o arrastar das cavernas

8 captei na universidade federal daqui porque... à noite as sombras invadem mesmo quando é dia...

Por Rafael Belo

Pensando ainda estar viva, ele decapitou a senhora septuagenária. Assim foi o assassinato brutal na última quinta-feira (12 de abril) em Campo Grande. Primeiro os criminosos acertaram a cabeça da senhora de 73 anos, com uma panela de pressão, foram embora e depois voltaram para esfaqueá-la pelas costas e na “tentativa de degolar” houve a decapitação. Friamente o jovem matador de 23 anos, confessou seus atos como quem comenta de uma festa qualquer e denunciou o comparsa foragido.

Alegou estar sob efeito de maconha e álcool. Por isso estendeu a cabeça em um varal interno da casa antes de incendiá-la. Tudo virou pó. Acredito que tenha visto a “cabeça ainda não encontrada” durante a reportagem (dias depois ele foi encontrada aonde achava eu tê-la visto...). Creio ter sido carbonizada e eu impressionado. Mas, o bizarro e grotesco foi a atitude simplista do assassino confesso. Como quem faz uma entrevista de emprego conquistado, acusou muito indignado a assassinada de influenciar sua mulher a denunciá-lo para polícia devido ao não pagamento de pensão.

Se não tivesse acompanhado o caso pelos meios de comunicação, pensaria ser uma obra de Edgar Allan Poe ou Anne Rice. Se não visse na televisão a reportagem ainda acharia uma fantasia, um conto de terror. Mas, ‘presenciar’ a prisão do elemento e registrar a casa em pó e o corpo carbonizado trouxeram o horror para muito perto. A crueldade e covardia do ser humano vão além da indefinição do bem e do mal, ultrapassam a Bruxa de Blair, transpassam as supostas pedras atiradas pelo vizinho na casa da septuagenária... Sim, porque este também foi ‘um motivo’ alegado do assassino da porta da frente.

Não temos o direito de encerrar a vida de ninguém e depois sorrir para as câmeras. Quando a vida tornou-se tão banal...? Melhor, quando tornamos a vida banal...? Hoje não há limites nem fronteiras dentro ou fora de casa, o respeito foi desintegrado, aonde eu começo e você termina inexiste e assim como o amor – diria Zygmunt Bauman – o sujeito, a sociedade perderam a solidez, estão todos líquidos e em constante liquefação. Em todo seu poder de escolha, o ser fica impotente e torna-se animal.

sexta-feira, junho 04, 2010

O tempo não foi mais naquele lugar

8 subindo a torre do tempo, os sinos badalam e tudo retumba um ressoar de parada... captei subindo a Torre do Sinos em Ribes City



Por Rafael Belo

Os ponteiros estavam parados às três e meia da manhã e todo aquele lugar os imitava. A chuva embevecia com os ventos arrastando folhas secas e os galhos verdes uns nos outros. Fazia anos e os anos não faziam diferença. Não faziam nada. Nem sequer passavam mais. Estava tudo vermelho tenso no céu e as gotas d’água pairavam no ar em uma gravidade inversa. Havia uma pausa lenta entre o acontecer e o acontecido. Estávamos todos adormecidos há tempos.

Naquela hora marcada, todos abriram os olhos há meses pela última vez. Centenas de corpos ressoavam um sono pesado ressonado em um tempo nunca perdido. Ninguém sabia estar em sonhos coletivos de uma telepatia desperta. Algo teria de estar desperto. Um sentido mais avançado no cérebro primitivo trabalhava. Todos aqueles minutos travados exatos em todos os marcadores da passagem do sol revelaram o mal mascarado de tantos sentimentos em tantas incertezas e indefinições.

Seria para sempre este dilúvio de inconsciência inundando o mundo? A consciência estava cansada demais e acabou dormindo no tempo com o bom senso. Foi mais... Foi um apagão incontrolável a revelar o verdadeiro rumor ensurdecedor e acima de quaisquer decibéis permitidos: a fúria do silêncio. Era um sepulcro ritmado pela respiração inconstante na sinfonia dissonante a tomar conta de um mundo de exceções aonde às regras são faltas.

Haveria o despertar coletivo com o som dos olhos se abrindo e piscando e piscando e piscando... Haveria a mesmice física pela parada do tempo e espaço. Mas, o trabalho da mente pela limpeza de tantas artérias entupidas de pensamentos, de tantas almas enroscadas na tubulação do coração carregado de confusão e reversão de prioridades seriam as reais horas. Por enquanto os ponteiros continuavam parados às três e meia da manhã e como imitações de todo lugar. Embevecia a chuva com o arrastar das folhas secas pelos enquanto os verdes galhos verdes se roçavam. Anos faziam e não fazia diferença os anos. Nada faziam. Sequer... Mais passavam.

quarta-feira, junho 02, 2010

Ponteiros tortos

8 um formigueiro vive em nós mais obediente e com menos formigas ... o tempo e nós, nós do tempo... tirei na porta de casa depois da chuva.


Relógios se perdem em pulsos nus
feitos confusos fusos difusos no tempo
emaranhado as rugas de desculpas imaginadas
nas atas atadas de soltos pensamentos
testando momentos regulares nas folhas incertas de zoneamento similares
aos rastros dos celulares ondulando impulsos crus
ecoando em um espaço fácil de saber as horas
dona das memórias biológicas cansadas de acertarem os ponteiros
matreiros pentelhos a nos dizerem o próximo feito
aonde quer que estejamos, seja lá o que somos ou o que nosso tempo fez de nós... Feitos (di)minutos.

Às 15h02 (Rafael Belo/Folha de Outono) 02 de maio de 2010