terça-feira, novembro 30, 2010

Coma social em epilepsia no ápice da Montanha - russa


*( Captei a imagem voltando de uma entrevista... O artista se vira para ser arte e conseguir sobreviver enquantos outros riem ou viram a cara, a vida segue...)

por Rafael Belo

Nenhum analgésico funciona mais. Qualquer anestesia não faz efeito. As alucinações são constantes. As noites dormidas são meros sonhos de um insone em coma social letárgico em olhares epiléticos para a lobotomia do mundo no ápice da sua mediocridade propagandista alastrada no forjar da cultura inútil lapidada em produto de consumo cultural. Não é de admirar os neonazistas ressurgindo, a xenofobia gritando... 

Nem é de se espantar ser a violência a resposta dos menos e mais abastados. A desinformação faz parte da vida cada vez mais conectada... A ignorância e a alienação talvez nunca tenham sido tão vestidas por jovens de mentes dispostas a agir. Por incrível aparência ouvi em uma academia de atividades físicas que se os filhos tivessem a presença dos pais e a escola, não estariam se viciando nos prejuízos do mundo e sim em seus benefícios.

A base da cultura com qualidade até o início dos anos 90, onde já estava mediana, chega ao ápice do colorido e da felicidade carente de quem não sabe o motivo de lutar pela vida nos anos 2000. É normal o declínio ocorrer com o paradoxo de em várias partes algo bom estar se lapidando... Mas, a motivação dada era de crescimento total, não apenas financeiro. Quando os pais foram trabalhar para os filhos não passarem pelos mesmos perrengues passados por eles, substituíram a presença por dinheiro e comodidades. Foram mais avós de uma maneira compensatória.

Por isso, a Síndrome de Peter Pan e da velocidade se conectam invariavelmente, pois, a aplasia é cerebral. Tudo voltou ao instinto inicial de sobrevivência. Socialmente é o coma total, o desconhecimento de si, do outro e do se entregar as causas sem argumentos com porquês coerentes. Os exemplos físicos desapareceram do convívio familiar e qualquer um com certeza de qualquer coisa – por mais forjada seja – acaba como o substituto ideal devido a carência emocional dos últimos 30 anos. Migalhas de atenção, sobras e restos de carinho são os Santo Graal dos anos 2000.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Cavaleiros e Amazonas sem-cabeças contra o tempo

*(8 O tempo de espera também muda a perspectiva de um vidro 'chovido'... Captei no fim de semana)

Por Rafael Belo

Temos a capacidade irracional de ficarmos cegos – não de Amor porque o amor é tudo menos cego, antes disso, ele é um amplificador das qualidades – diante das pessoas e do mundo. Vemos a cidade, mas não enxergamos no meio de tanta massa e concreto o verde, o sorriso ou mesmo os males reais. Ficamos cegos para vermos quem somos ou nos tornamos e para nossas escolhas, posições, os outros e família. Colocamos em mente sermos inigualáveis e com a pele feita de aço vestindo uma falsa alegria sobre a amargura de parar de sonhar mecanizamos. Ah, espero sempre me livrar do fardo de não mais sonhar.

Ficamos surdos a tudo em volta e nossos pensamentos nos levam longe a uma ausência constante e não participamos das conversas e nos tornamos desatentos, mas a culpa não recai só para os ouvidos porque com a surdez vem a tecla mute e nos calamos consequentemente. Estamos mudos ou falantes demais, mas ativos de menos e como refletir e pensar realmente se nossos sentidos estão atrofiando enquanto enquadramos nossos ‘sentadores’ nas cadeiras mais próximas e confortáveis?

Faltando a audição não sabemos apreciar a música mais nem menos, apenas a ecoamos por nossas bocas feitos jingles promocionais quaisquer. Não percebemos sequer o momento da nossa programação passiva sem qualquer paixão. Não sentimos mais o gosto do diálogo, o sabor de ser ouvinte, o apreço de observar atentamente, de sentir um ar puro no orvalho de uma manhã ainda alvorecida das luzes e, então, o milagre da vida deixa de ser verbo perde sua e nossa poesia.

Assistimos e lemos cultura como se o recheio de indiretas e subentendidos fosse mero entretenimento e há tanta política, há tanta ironia e sarcasmos. Por isso, não é surpresa nossa mutação para cavaleiros e amazonas sem-cabeças porque costumamos mais perdê-la e ficar paranóicos com qualquer bobagem a sentirmos com cada sentido o acontecer do tempo. Exageramos tanto quantitativamente a sentarmos de olhar perdido e aparência carente para justificarmos nosso medo do tempo tiquetaqueando dentro e fora de nós.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Espelho d’água d’alma

*(8 O retrovisor muitas vezes apenas no mostra atrás de nós mesmos... Captei neste sábado, 20)


Escorre no tempo as conversas na cama escura
os olhos abertos secretos despertos pela fala procuram
as palavras noturnas no teto sem forma para confessar
nomes dos inomináveis tormentos chovendo lá fora
nosso dentro quarto discreto com carinho imenso nos abraça e afundam

Lembranças do carro parado vendo o vidro escorrer
a espera sincera das ações do acontecer, leve como a brisa chuvosa
indecorosa e solucionada nas amarras dos braços e pernas
na intensa vida eterna de alguns minutos não vistos à noite
enquanto o olhar fecha quente rente a transparência do olho no olho
no retrovisor de nós dois.

Às 11h45 (Rafael Belo) 22 de novembro de 2010.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Abduzido


*( 8 Gotas são a condensação das pessoas quando não sabem ser oceano - tirei no quintal de casa)
Por Rafael Belo

Ah! Estes montes de personalidades multiplicadas na verdade são nenhumas. ‘São’ menos. Neste meu ego fragmentado consumido por palavras vãs me intensifico de intenções deslocadas na psicologia solucionada de mistérios na sociedade. Quantos rótulos tenho a partir para descobrir, me encaixar em todos feito um quebra-cabeça sem encaixes. Na arrancação de cabelo desvairada há momentos de se pensar em nada, mas é como se minha mão esquerda estivesse possuída e, desentendida do resto do corpo, declarasse independência.

Depois da minha abdução, meu nome foi perdido e não passo de um mendigo escondido atrás do álcool consumido neste corpo liquido flexível a multifacetas inexistentes, negligente a imagem no espelho de um homem saudável e farto financeiramente. Só há perguntas na minha mente descontrolada e desentendimentos e digo: ‘Cobrar da pessoa que ama o mesmo amor, não é Amor é material de troca é querer idolatria!’. Me repreendo da imaginação renegada vinda vazia do disforme arrojado na casa abandonada.

Vejo uma intensidade insana ser sentida e acionada. Não para ser refletida, a aplicação incondicional há de ser o bastante ou é mero egoísmo! Me rasgo egoísta, me quebro santo do ‘pau oco’, me pego em automassagem na masturbação de um espelho desfocado... Não posso esperar o mundo parar para a pessoa descer em meu colo e a tratar como a trato, isto é escolher sofrer e não ceder ao livramento, portanto não tem a ver sequer com gostar de outrem. Tem a ver com a solidão, a dissecação ordinária da ilha incoerente procurando nomes próprios a deriva...!

Que nome isso tem?! Qual nome tenho eu ?! Por que meu coma espacial não pode ter sido real? Qual loucura não é elogiada. Ah, elogios a Loucura... A própria personificada... Tempo, Espaço, Harmonia... Sou tanto Caos a esperar uma nova abdução imaginária arbitrária ao efeito São Tomé... Enfiar meus dedos nas chagas para curar meu mal de mim mesmo. Quer expurgar-me feito a doença contraída para tirar a razão da minha Loucura em quem sabe este meu ego fragmentado não se junte renegado e me faça enfim seja lá quem for!

sexta-feira, novembro 05, 2010

Quedas campestres urbanas

Tantos versos, tantos reversos e tantas passagens passando em formas e seres variados e às vezes ao meu lado me passo e me perco na travessia na agonia de fazer meus sonhos sonharem

na imensidão da gota da chuva minhalma é um elo todo da parte do mundo chovendo em mim aos pedaços espalhados no quebra-cabeça assim de peças humanas sonhando poderem sonhar

a realidade de se molharem nas águas celestes caindo campestres no novembro urbano primaveril dando um ar nostálgico na extensão do futuro pendurado no varal da varanda para ver a vida molhar

passada a limpo chuvoso o nublado do início dos reinícios das manhãs convidando contemplação serena aos incômodos de ouvir os sons plúmbeos porque me contenho para o banho de chuva
chove no meu olhar resistente tantos versos contentes por revirarem a inquietação discreta da profecia travessa do profeta do verbo atravessado de lado a lado sua agonia de sonharem sonhos perdidos no encontro de procurar.


Às 13h05 (Rafael Belo) 05 de novembro de 2010. *(8...as gotas são inúmeras mas quando se juntam são um oceano doce, se encaixam e fluem... Tirei do toldo novo da janela do meu quarto nesta sexta chuvosa ,5,)

quarta-feira, novembro 03, 2010

Filas de baixo calão pelas vias

*(Às vezes basta olhar para o céu, mas nem sempre uma olhada é o bastante - tirei na segunda-feira, 1º,)

Por Rafael Belo

É impossível ser impassível, frio e calculista. Bom, é impossível se não há importância a vida. Já confesso o motivo destas palavras enrolativas estarem antecedendo o porquê do texto ser meu estresse no trânsito. Sim, dirigir anda – literalmente – me estressando. Não pela falta de educação, de setas, de ceder, de respeito, mas pela desconsideração a vida. A alta velocidade desproporcional, a pressa, a ignorância e a eterna maldita síndrome de super-homem somada à bipolaridade de piloto profissional de corrida elevada com o egoísmo fazem mal a continuidade.

Deveria ser um alerta do Ministério da Saúde. Irresponsáveis no tráfego das ruas matam mais que qualquer doença ou fatalidade meteorológica. Tudo para chegar mais rápido ou pelo atraso ou pelo citado ‘para o alto e avante’. Dirigir deveria ser apenas uma forma pessoal de se locomover até os locais de interesse. Mas, acaba sendo uma disputa contra o tempo, contra a morte, contra as estatísticas e a favor do ego. Até tempos atrás eu dirigia praticamente na impossibilidade de ser impassível... Recentemente assumi não querer mais comandar um volante com as mãos...

Nem é preciso detalhar as infrações inúmeras praticadas no trânsito pela velha besteira de achar: “comigo não vai acontecer”. Sou mais de ‘quem procura acha’... Ocupamos nosso cérebro de maneira precoce demais. As preocupações constantes a pilharmos feitos antigos piratas podem deixar um vazio mental aliado a inércia parcial e problemas físicos. Somos hipocondríacos do tempo porque o tratamos como uma doença incurável e adoecemos, então, patéticos e conscientes dos problemas causados por nós a nós mesmos.

Somos nosso próprio mal. Aguardamos friamente o cálculo da vida sem paixão e acreditamos na impossibilidade de pararmos os relógios para jamais envelhecermos assim sem aproveitar o percurso, o trajeto diário, os pequenos e grandes detalhes do caminho a seguirmos. Eu prefiro muito mais observar no banco do passageiro e criar vendo tanta gente, registrar a emoção escondida nos rostos atacados pelos sóis particulares dos horários de pico onde até os sem pressa provocam um fila de palavrões atrás de si.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Levando a vida na ladeira de anteolhos

*(As pequenas coisas têm o poder de nos alterar mais do que imaginamos ...Captei na entrada do serviço)

Por Rafael Belo

Uma conspiração! Só podia ser! Enervava-se Falius Idío. “Tanto cheiro podre nesta cidade e esta podridão é lançada contra mim”. Ainda é só um forte sentimento. Não, pressentimento. Mas, tudo que eu pré-sinto acontece. São novos caminhos jogados como se tudo fosse um precipício esperando para me devorar. O universo zomba das minhas escolhas erradas. Pisar em sentimentos mortos e plantar sementes em pedras pontiagudas não dão nem frutos. Ai vou ver a minha fabricação de feitos. Bem, parece eu estar colhendo algo não plantado. Se bem... Feitos e não feitos vêm nos cobrar de qualquer maneira...

Falius saiu. Ao volante se sentia um lunático. “Sinto-me com uma raiva silenciosa e com a cara fechada como se matasse com o olhar”. Não sou como essas pessoas sempre com pressa e furiosas com ‘sei lá’... Mas, elas também não devem ser assim o tempo todo... - indicou com o queixo para ninguém as pessoas passantes - Fechou os olhos no primeiro sinal fechado e deixou um arrepio sorridente tomar conta. Tirou o cabresto e principalmente os anteolhos podendo assim deixar de ver só para frente. Mas, mesmo assim era forçar muito sorrir de repente com todo aquele pesado sentimento dentro de si.

Estão tramando contra a minha pessoa, não preciso de nenhuma certeza física. Preciso me calar e me ouvir. Este calor tomando conta quando paro só... Ouviu o som do freio do seu carro ficar cada vez mais agudo. Abriu a porta e se jogou entre o asfalto e o canteiro, parando com alguns ferimentos no gramado central abaixo de uma árvore quase centenária. Seu carro seguiu alguns metros e deu um mortal para frente... Como se uma força o esmagasse na frente de cima para baixo. Não havia ninguém no horário de pico... “Como pode ser? Onde estão todos?”

O barulho seco da batida do carro no chão era como uma lata gigante sendo amassada para reciclagem. A explosão sequencial sim o surpreendeu. Surpresa maior foi sentir 50 anos passarem em sua mente subitamente no espaço vazio onde só reluzia fumaça e chamas e metal retorcido e sua vida ida sem chegar aos 30 anos. Idade da parada dos sonhos. Quando teve de decidir se sonhava ou vestia o anteolhos. A conspiração era ter prendido a respiração e a perdido então.

quarta-feira, outubro 06, 2010

Todas as bocas

*(a janela das horas pode ser passada... Em qualquer tempo! Imagem de hoje mesmo)


Está na hora de soltar a escora
e deixar a Alma dominar
se equilibrar nas suas expansões
e se devorar para mastigar limitações


comendo todas as sensações
sentindo os sentidos nas pontas dos dedos nos limiares dos olhos no cingir dos sorrisos

com toda a fome do todo
de um prisioneiro faminto
dono de todas as bocas
danadas da desnutrição do mundo.


Às 14h42 - Rafael Belo, 04 de outubro de 2010.

segunda-feira, outubro 04, 2010

Terceiros minutos

*(as correntes de arrepios percorrem os utensílios do meu corpo junto ao foco do sol... Captei em casa a imagem)


Arrepio percorre o corpo louco por toque
toca a alma um silêncio encantador, expressivo
expressa o coração uma infinitude incabível em qualquer arrepio


pêlos se eriçam atiçam a Força Maior em mim
um fim de começos precipitados por meios
alheios aos fins do mundo constantes,
guardados em fileiras no destruir das estantes

instantes restantes destes precipícios de suicídios inversos
indo em impulso reto para as palavras do coração
dando a cada três minutos uma nova ressurreição.


Às 11h57 (Rafael Belo) 4 de outubro de 2010.

quinta-feira, setembro 30, 2010

'Cordas iluminadas'

*(8 os raios solares nos mexem como fantoches de neve derretendo no novo caminho verde e pedras talhadas... - caminho para fora em casa, captei por estes dias).




Um grito da multidão e a razão se vai
se esvai como se nunca a tivesse sido
dói nos ouvidos antes dos gritos serem físicos e doerem no corpo

dor da mente tão danada por ser desorganizada em esquizofrenia do povo
o rei está morto e seus espólios viraram acessórios na pilhagem do todo
na anarquia do nada inveterada na onda de vazios assolados pelo abandono

Gritos na multidão e os donos se vão
se espalham feitos chuvas dormidas
nas esquinas de nenhum lugar consumido pelos quilos de falas de anulação

há certa hesitação [o rei sou eu ou não?] neste autismo optado pelo medo
com o segredo de fingir burrice enquanto o burro não se ofende com a gente
sussurros de sombras deslocadas confundido tudo e nada nas cordas da manipulação.


Às 14h34, Rafael Belo (30 de setembro, 2010) .

terça-feira, setembro 28, 2010

Bolhas celestes

*(8 quando a imagem a tua frente és tu, capte mesmo sem querer - reflexo em várias parte e deformações) 

 Chove sabão e ventos nos tormentos do mundo
chovem lágrimas condoídas de tantos caminhos sujos
encontram-se raios caros aos mais volúveis
enquanto rostos secam embaixo de chuva
quente, abafada, tresloucada pela fúria das ruas

Sobem sons caídos no chão, sobem tons e depois
transformam-se em uma tênue linha de mesmice
caduquice, da tentativa calma de atacar a fúria encurralada
naquela varrida da poeira ensanguentada para baixo do tapete

os braços se abrem para os céus do livre-arbítrio dos joguetes
o céu não está lá sob as vistas, está subentendido abaixo dos olhos
tristes, enlagrimados pelo sem rumo bem aberto, porém, sem lágrimas por perto.

Às 10h39 (Rafael Belo) 28 de setembro de 2010.

quinta-feira, setembro 23, 2010

República falida da falácia ‘gananciada’

(trabalhamos pelo trabalho, dormimos pela necessidade... tirei na Stock Car)

Por Rafael Belo

Queimando as mulheres pelo Conhecimento e independência que tinham. Coibindo e negando Conhecimento pela apropriação assim era nas antiguidades, assim era a Igreja, assim era a Inquisição, mas conjugando corretamente assim é. Assim são as coisas. O domínio do saber público se torna privado por interesses, pelo poder, pelo maldito papel moeda de circulação tão ‘gananciado’ (reverenciado e queridamente desejado) pelo corruptível ser humano. A manipulação pelos príncipes maquiavélicos fajutos faz parecer anti-heróis tantos seres da falida política aos moldes greco-romanos.

Fato é: para ser tragédia grega é preciso de uma mudança no fim ou uma morte heróica, passando pelo meio o reconhecimento...! Mártires chegaram ao fim também. São lavados secretamente entre palavras verbais pré-existentes lá no início dos mitos da criação da civilização, transmutados, recortados, ‘manipulados’ para o efeito desejado, para uma missão implantada. Há sim uma Força Maior, mas quantos de nós realmente A seguimos?! Esta é a tragédia. Nossa vida vinha a respirar como peripécia, depois nosso reconhecimento quanto ‘atores’ do/no mundo e no fim nossa morte nada trágica porque qual foi a mudança proporcionada por nós? Qual será? Mais conivência em um mundo pessimista?!

Podres de gestões em época eleitoral já putrefatos há tempos ‘surgem’ como novidade e salvação para a cultura cristã propagada do pudor, da ética, da moral, dos mandamentos - não seguidos -... Nossa submissão ao ‘não é nosso problema’ é tão de joelhos quanto nossos olhos, boca e ouvidos fechados. A coletiva cegueira de sentidos mostra o quanto estamos falidos, o quanto estamos fadados a canina morte por botinas pisadas nas nossas caras. A diferença é a beca que agora é sorridente feito o “Advogado do Diabo” e ao invés de botas calça um ‘belo’ sapato de marca.

Mas, se fazemos nosso destino - contrariando nossas crenças religiosas – é falácia falar em falência, confesso. Acomodação cai melhor. Algo como ‘não mexe no meu e eu não mexo no seu’. Nossa adoração a celebridades, a pastores de duvidosa retórica e a populares imagens mitografadas (que tornamos mitos, gravamos as imagens e as propagamos) é um afronta fatal a nossa suposta racionalidade porque por trás dos panos continuamos censurando e queimando mulheres nas fogueiras das nossas vaidades.

terça-feira, setembro 21, 2010

Renegando a criação de seu mundo

(A poeira toma conta de nós, nós tomamos conta da poeira e na confusão somos todos pós desta terra  - Captei imagem da pista de motocross saída para Três Lagoas, rumo a Stock Car)

Por Rafael Belo

Carlos se afastou de si. Depois não mais se aproximou. O início veio depois daqueles passos silenciosos do vazio da sua casa... Então, seus sentidos não pareciam mais funcionar. Enquanto pensava, tentava saber de onde vinham aqueles ecos se o dia ainda não se movia e a manhã nem amanhecera... Arrastou-se até à tarde sem barulhos, feito o sol seco sepulcro. Se não se arrastasse em círculos estaria completamente catatônico. Um coma de se renegar. Renegado inconscientemente diante de si... Três vezes se negou, silenciou a mente e costurou os lábios com os metais de seu antigo aparelho dental.

Carlos Shift estava na dúvida em dívida, dividindo a dúvida com a ignorância enfeitada. Não queria tirar o enfeite e fazer os seus feitos. Já não sabia o quanto era escolha permanecer na sua profissão de gosto, não sabia mais o quanto gostava de seu emprego... Sabia sim! Não gostava mais, não agüentava... Queria desistir de tanto dinheiro infeliz. Repetia: “Por que meu Deus?! Por que usar este papel da ganância cheirando a morte...? Por que te abandonamos?!”. Esta igreja que somos, sempre transferida a concretos fechados e cheios de segurança lotados de verborragia... A negação de nós templos... Ah, Tenho me comprimido tanto a deixar minha mente calada, como esta casa sussurrante.

Shift sempre segurou e selecionou em massa suas decisões. Sua aparente tristeza e raiva colérica era simplesmente sua resignação. Um basta corpóreo cerebral... Direcionando aquela imagem perdida no reflexo, destoada naquele contorno de sombra. Seus sentidos não faziam sentido algum. Pareciam ter entrado de férias para fazê-lo cair, não importasse a altura, não importava a morte e viver tinha se tornado feio... Até errado.

Mas, a morte virá de outra forma... Quando tiver de vir. Percebe voltar a perceber e uma sensação de abafamento interno me impede de respirar naturalmente, minha garganta seca fechada, arde como minhas narinas, meus olhos cansados realmente tornaram-se parentes do luto... Estão fundos como sentimentos rasos julgados... Sinto-me parte de meus ídolos mortos... Sinto-me Kurt Cobain, Renato Russo, Cazuza, Jim Morrison... Mas desta vez é diferente. Não é só um sentimento, é um reconhecimento.

Achei das outras vezes ter sido estas almas amplificadoras do mundo – por pensar as entender-, mas sou o ser amplificador, o mesmo não a vida dos corpos... Meu fim será outro, não por minhas mãos ou desatos condenados. Sou renegado e desta vez renego quem criei para o mundo. Inicio neste fim meu grito para voltar a me aproximar de mim.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Diluído em condensões

(8 quantos reflexos têm uma face concentrada em uma mesma imagem dispersa? - captei nesta quarta cheia - versos inspirados na poesia Diluição de Deise Anne do poesia do tempo *ps: esta foto não é montagem, a tirei desta maneira)




De repente tenho de me tornar quem sou
e me empurro com um sorriso malfeito
para um debate em mim com meus eus condensados
minhas escolhas não feitas meus eus paralelos
aqueles reflexos de quem quase sou
[Eu mesmo]

minhas outras dimensões diluídas me provocando
provando o erro de ser apenas um pouquinho de mim
degustando o medo tão novo e verde, de oferecer as faces ao público
de ser eu futuro de mim mesmo sem arrependimentos
conjugado com coragem e olhos fechados no sorriso aberto
[Eu sou quem sou]

Rafael Belo, às 23h59, 13 de setembro de 2010.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Esperando o ônibus, àquele a não vir jamais

(8 a profundidade e o ciclo de identidade de um rio vai além da superfície limpa e de correntezas... Rio Vacarias ... captei mês passado)


por Rafael Belo

Uma manhã abafada e muito quente. Plena segunda-feira. Dia mundial da preguicite aguda. Um sol particular o guia até o ponto de ônibus, mas com o sinal fechado para pedestre vê impotente centenas de carros passando enquanto seu ônibus se vai. Passa do meio-dia. Busca uma sombra para esperar pelo próximo, pega uma porção de papéis e se absorve por instantes, quando um carro sobe a toda velocidade na calçada e para bem na sua frente. Tira os olhos das contas a somar e olha para o veículo preto.

Um idoso lhe pedia informações. Ele assimilava o fato irreal. Começou a observar o senhor havia rímel em seus olhos. “Devia ser este mesmo”, pensou. Mesmo esperando o inesperado aquilo o deixou pouco à vontade. O senhor precisava chegar à prefeitura. A princípio o jovem negou saber o caminho, mas diante do fato da carona inusitada aceitou a aventura. Ao entrar veio a arrancada. Definitivamente fora um erro entrar. O pretexto utilizado mostrou exatamente ser um pretexto segundos depois.

Em tentativas canalhas de tirar informações o idoso informara na verdade ter achado o jovem atraente e o ter visto atravessar a rua. Era médico. Vivia mudando. Perguntou se por acaso ele gostava de outras situações sexuais. Resignado o carona negou e de mal entendido falou da namorada. Contraventor, o senhor falou do próprio namorado, do casamento terminado e de filhas. Insistiu, roçou a mão no joelho do adolescente. A cara daquele menor só não estava mais fechada e amarrada por causa do objetivo.

Há cinco anos em outro lugar. Ele era presa fácil tinha 12 anos vinha da peseudonamorada debaixo de chuva. Magrelo e sem camiseta a altas horas. Um carro começou a acompanhá-lo e fez perguntas referentes à homossexualidade. Cheio de hormônios amassou totalmente a porta direita do sujeito a pontapés. Guardo uma raiva para uma vingança futura. Mais uma vez afrontado. “Gay?!... Eu?!” Suas feições se tornavam aterrorizantes. Sugeriu um lugar distante da movimentação. “Este merecia morrer. Só pode ser este o extirpador do meio-dia”, se encorajava. Havia investigado eram muitos na verdade. O adolescente só tinha aparência de jovem, tinha mais de 30... Era um justiceiro recém-nascido...

Entre as balas cheias de anestesia e o banho no rio poluído planejava dar meia hora para chamar seus companheiros da polícia. Enquanto isso, com o bisturi do assassino retalhou a carne relaxada, manchou as luvas vestidas do mesmo com o sangue envenenado e o espalhou pelo carro confirmando se ainda estava vivo o verdadeiro cruel. Escreveu com as partes do corpo desmembradas daquele idoso assassino devorador de almas: “Um já foi faltam nove...” Caminhou tranquilamente frio sobre o sol ardente para casa pensando ter encontrado nova vocação.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Desconstrução das máscaras insones

(8 os tons retumbam reverberações potencializadas ao extremo para libertação foto minha by Kari)

por Rafael Belo

Já nada importava aquela altura. Uma simples palavras ‘destruira’ seu mundo de areia e água. Não conseguia criar castelos de palavras nem na praia nem nas nuvens. Sua segurança foi minada pelo seu próprio ego, pela sua arrogância disfarçada de feitos e dons domesticada para um afago, um cafuné gostoso motivado a não ganhar detestáveis rótulos limitantes. Sua noite insone ganhou uma máscara na manhã seguinte quando a última barreira de seus sentimentos virou pó nos olhos. A impaciência e o tempo a se alentar em lentidão de horas paradas era uma angústia atada nas decisões.

Ele queria gritar. Gritou. Ele queria cingi-la em seus braços feito a extensão independente de si mesmo, sendo tão munida de atitude e personalidade a não caber indistinta em mais ninguém. Ainda não era tempo de apagar os espaços inexistentes entre eles. Mas aquela simples palavra o afastava em paranóia sua flutuação alheia ao dia sido, ido, vindouro... A força daquelas vogais e consoantes unidas ralara suas mãos até feri-las em profundidade, mas parecia mesmo ter-lhe rasgado a alma. Difícil ficou respirar. Só a mudança no tom de voz mínima quase imperceptível o havia alterado. Não importava o dito por ela. Ele sabia e sentia.

Seu medo era magoar e decepcionar. Ao fazê-lo se desfez de si. Era um ruim bom. Seja lá qual fosse sua antiga prisão estava liberto. Sem barreiras sem fronteiras. Transcendia em dor. Não adiantava dizer ‘não sabia’, era mentira e doeria mais. Talvez não doesse tanto nela, no entanto o maior objetivo dele era a felicidade imaculada dela. Agora havia máculas e ele sem aonde se esconder de si teria de conviver com isso... Sofrimento escolhido a dedo pelo delivery telefônico. Um sadomasoquismo aflito inverso para não ter prazer. Mais uma transcendência era necessária.

A esta altura dos pensamentos já havia transpassado quilômetros sem a percepção de dias e noites e sua máscara insone começava a se desfazer com o brotar de um sorriso como um confluência de areia e água em uma tempestade do deserto urbano. Voltava a importar tudo referente aos outros. Quem não importava era ele. Ele precisa descobrir ‘onde estava?’ e construir a partir das marcas da destruição. ‘É preciso saber destruir para construir’, pensava ele. Uma palavra apenas foi um verbo forte e avassalador suficiente para ser o fim de um mundo. Seu sorriso renovado voltava triunfante com ares de altruísmo e porvir.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Pescando a depredação dos seus e nossos

(8 Rio Vacarias - imagem que captei no último dia 26)

por Rafael Belo

Arde o nariz, ardem os olhos, seca a garganta, racha a boca... E as pedras não rolam sobre o Rio Vacarias. O calor e a ausência de chuvas deixam as geladas águas a qualquer hora, em uma fina camada sobre as pedras. Estas estão apenas a um fio de sair d’água. Mesmo assim pescadores jogam redes, tarrafas e fazem fogueiras no leito do rio. Latinhas, e copos estão espalhados aqui e ali para prejudicar a visão natural.

Uma bela paisagem para tempos de seca e baixa umidade em Mato Grosso do Sul. A corredeira, localizada nas imediações de Sidrolândia tem este quê de extasiante. Chegando ao local pela trilha quase de rally sonhando com algo a umedecer os lábios – sem serem somente beijos molhados – há lá pseudopescadores com uma rede atravessando o rio pedregoso de ponta a ponta e exibindo peixes para os flashes digitais e uma tarrafa sendo arremessada mais acima.

Silenciosos em seu descaso ambiental logo vão embora ou pelo roubo farto ao rio ou pela nossa presença - quem sabe. Mas, os vestígios presentes no leito quase falecido são restos de fogueiras, copos e latinhas... Uma beleza!!! O imediatismo não é apenas fator jovem impulsionado com mais estímulo na internet. Está presente na visão curta e turva ao lado do rio deitado às claras sobre as pedras tentando se refrescar de sol enquanto gelam nossos pés suas águas corridas.

Som massageante para os ouvidos acostumados à poluição sonora das cidades. O Rio correndo desta depredação aos seus – e aos nossos - criando a trilha sonora da fuga onde nunca é o mesmo por sua constante fluência em bom exemplo. Crescendo mesmo menor na seca. Enquanto ainda em seu leito são recolhidos os restos humanos apreciadores de si mesmos, usurpadores da beleza até de um leito secando, mas forte o suficiente para correr nu sobre as pedras.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Diluído e seco pelo ar de elucubrações

(8 no sítio dos sogros rs captei também no último dia 26... Há mais leituras em profundidade, há mais letras nas palavras...)

por Rafael Belo

Nem uma umidade passava por aquele espaço. A seca imperava também nas pessoas. As últimas reservas de água já inexistiam há certo tempo... Era inverno, era primavera era verão, era outono... Era nada. Simplesmente não havia mais a noção de continuidade. Um prolongamento de ‘como nossos pais’ estampava queimado nos rostos envelhecidos pelo mau uso do sol constante e abafado, mesmo à noite quando o bafo das horas paradas salpicava em brasa os pulmões de quem buscava uma gota de respiração profunda.

Cada corpo se acendia em alerta. ‘Uma tal’ emergência alarmava como gritos inumanos agudos de repetição no deserto urbano tão lotados de areia nos olhos e tão dentro dos ouvidos. Pessoas em busca de sombras. A água fresca borbulhava. Quedas, oásis e delírios no concreto de visão turva e ondulante. Estar vivo era vestir o cansaço do mundo e se arrastar por aí revivendo os filmes críticos de zumbis alardeados pelas vitrines no consumo compulsivo. Difícil é saber se é passado, se é presente ou aquele chamado futuro.

Conjugar palavras é julgar o local temporal do verbo. Para declamá-lo é preciso fluir. Escoar as conjunções em correnteza de sentido só com um rio fluente e afluente neste espaço seco sem reservas. Há peso na respiração. Qual o motivo do ar precisar de água... Vida, claro! Posso escutar meu cérebro cozinhar com minha cabeça aberta e ter cortada parte por parte a massa cinzenta desglutinada a nos fazer sentido e sem noção também. As reservas do meu corpo procuram um espaço para me desovar pensando com o vácuo da alma eletricamente ligado pelo resto das sinapses ululantes, cheias de passear pelo oitavos sentidos reminiscentes de um conjunto empático tão verborrágico quanto o calar de um olhar expressivo.

Houve até 80% de corpo na minha água. Agora há só vapor condensado no meu eu descaso ainda pensando existir, Decárte. Fui Decárte... Agora penso no limite do reconhecimento de si. O pensamento não é nada sem ação. Sou menos de 6% de vapor. Mais seco a úmido. Mais menos. Quem dera um beijo me desse força como antes. Quem dera soubessem mais vocês de mim. Uma hipérbole sem tecla SAP, sem tradução para maiores. As lamentações chegam ao caminho da desova. Diluído e seco. Mais uma quinzena e a chuva me traz de volta. O beijo recuperador do céu. Tempo derradeiro do espaço absoluto.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Sábado, 28 de agosto de 20010


(8 foto da sítio dos pais da minha namorada, imediações de Sidrolândia - MS, 'registrei-a' na quinta-feira (26)...)





Risco

a estrada se liberta de volantes no instante do deslocar veloz do carro posto em velocidade pela necessidade de chegar ao pensamento no espaço percorrido adquirindo o presente no percurso mesmo com o susto de uma curva, de repente, com a derrapagem na gente sem parar e continuar, então, a bater de frente, com o urgente de sair do lugar.
Às 11h55



Visão
a boina estiliza a cabeça protegida
dos desejosos ventos soprados de baixo
para cima inflando a boina em quente balão
puxando as ideias para fora
cantadas em versos telepáticos
empáticos em cada tumultuadas mente
indigente de silêncio,
a janela recorrente paisando
o lá longe em vidro em quadros
simplesmente na falta de toda
estrutura vista.
Às 8h54


Imagem
Despencou a rosa despetalada
sobre a ironia de um rua vazia
apontada para cima em busca do sol
arrepiado em corpos tensos, não estando lá
naqueles copos meio sujo imbebíveis
Vieram as pétalas, depois, caídas
em uma demora aleatória para chegar
no chão sem ninguém, a não ser algum
coração a bater sem lugar nenhum

pelo aroma inalterável do perfume
de Quem.
Às 9h16



Teus
Quando teus olhos de médio mel, abrem-se
pura densidade cobre quem ainda dorme
descoberto de sentimento, por um momento tão longo
a deixar o tempo parado, a espera

de um quente beijo teu, despertador corpóreo, ateador de fogos cardíacos, avassalador de almas expansivas pulsivas em sangue

espreguiçados em preguiçosos sorrisos amados
de fios e cortes em crítico diálogo de Amor
com a luz acesa sob a mesa da sinceridade
onde a verdade [ sobre ela] é amante das melhores imperfeições.

Às 9h48



(Rafael Belo)

quinta-feira, agosto 26, 2010

O Quinto Dia

Por Rafael Belo

Já se foram as Cruzadas onde a conquista da terra sagrada valia a morte de milhares ‘em nome de Deus’ – Ah, Jerusalém! -, mas não se foram ainda à desobediência ao sexto mandamento: ‘Não matarás’. Não irei dizer sobre todas as leis globais serem baseadas nos dez mandamentos. Mas, não falamos ou pregamos religião por aqui. O olhar é voltado para o senhor do quinto dia, o Homem. Então, quão estranho seria se um autodenominado ‘Evangelizador de Moisés’ tentasse matar um travesti a pauladas, não conseguir terminar a intenção - porque a violência era tanta que quebrou o ‘pau’ - e depois ligar para a polícia e se entregar?

Nós Homens e nossos pecados. A não aceitação do outro diferente... E quanto ao terceiro mandamento: “Não tomarás em vão o nome do Senhor, teu Deus”? Sempre conveniente ao que se quer ver e fazer. A história de Moisés que foi criado pela filha do Faraó Seth, Thermuthis, como principe do Egito, começa mesmo com sua fuga após matar pela dita ‘justa’ cólera um feitor egipcio que açoitava um dos ‘seus’ (judeus). Mas voltando ao sexto mandamento, não há uma excessão. Não temos o direito de tirar a vida de ninguém nem mesmo a nossa.

Mas, vá lá... O Evangelizado de Moisés se entregou e deve responder por tentativa de assassinato no mínimo. O que fica na cabeça de quem leu sobre o caso é: Ele teria tido ‘interesse’ no travesti? Ele consumiu algo com o mesmo? Houve a vontade de realizar fantasias, considerou o travesti um agente do pecado e decidiu matar? “Minha religião não permite homossexualismo”, deveria afirmar no ataque brutal. “Minha intenção era ceifar a vida daquele que vende seu corpo por sobrevivência”, vociferou. Como disse meu amigo: ‘pode não ter consumido, mas se quebrou tem que pagar...’

Se a madeira não quebrasse, ele se entregaria da mesma forma? Como uma pessoa que se diz pregadora, que deveria agir pela paz e pela conversão se torna um criminoso ‘em nome de Deus”? Talvez não se tornou... Extremismos que deixam mais um trauma para a vítima – que no caso está internada na Santa Casa, com dois cortes na cabeça e fratura no antebraço direito – realmente precisam de um bom tratamento. Fanatismos religiosos sempre existiram e infelizmente existirão em sua distorções pessoais e coletivas, mas a proximidade acaba por ser cada vez mais alarmante.

terça-feira, agosto 17, 2010

Sinapses entre loucura e lucidez


8 quando momentâneamente as importâncias se invertem, o buraco se abre cheio de entulho e queimadas... Tirei no bairro ao lado...


por Rafael Belo

As pequenas coisas viram grandes coisas quando a irritação é a sensação mais absurda tomando conta do corpo. Trabalho de domingo à tarde costumeiro em casa acompanhando jogos deixa de acontecer quando a internet pára de funcionar na hora do trabalho analítico online. Muitas opiniões e comandas e dá-lhe pegar o carro e cruzar a cidade para chegar a redação. Como se a sexta-feira 13, supersticiosa e mitológica, fosse o primeiro dia da semana 15.

Senhas não funcionando, alarmes ensurdecedores com sensores de movimento, ligação para pedir senha de colega, no ‘meio do expediente’ novo disparo, nova irritação, nova ligação, veículo apagando em plena Avenida... Sem querer funcionar, mas o sinal estava fechado só a atenção foi concentrada dos outros. Sinal abriu, carro funcionou, mas a irritação continuou... Deixamos-nos levar por tão pouco. Adianta ficar irritado? A internet voltaria? O carro não apagaria? Um estopim virtual incendiando prestes a chegar a bomba real e estourar... Mais fácil ser retirado o pávio. Situações limites apitando feito panelas de pressões na cabeça. Tolerância zero.

Este parece ser um dia típico de muita gente. Até aparentemente sem mais nem porquê cometer uma ‘bobagem’ e ser notícia fichada ou sepultada. Respirar fundo e prestar atenção ao redor ajudam, assim como aos nossos atos e educação. O estresse é cotidiano e a supressão de nossos sonhos e vontades ficam guardados em alguma gaveta cerebral querendo ser arrancada, espalhada, realizada ou simplesmente considerada. Não há esquecimentos nos nossos delírios silenciosos.

Por isso família, namorada e amigos auxiliam o estado de demência não adoecer nossa alma, não endurecer nosso coração, não sermos movidos por pequenas coisas tolas nem ao menos deixarmos estas se agigantarem como uma possessão do nosso pior em um momento de desequilíbrio. A calma às vezes vem simplesmente do se permitir ser mais forte, quem sabe chorar se preciso, da retirada dos nossos entulhos acumulados de desnecessidades, da humilde presença, daquele abraço, da palavra e do terno olhar.

terça-feira, agosto 10, 2010

Sóis


8Qual é a tua intensidade perante Sóis se fundindo? Captei assim cegante...

por Rafael Belo

Na esquina ela está jogada da mesma maneira há várias horas. Cabelo espalhado sobre a cabeça formando um triângulo invertido, blusinha colada preta, minishorts rasgado marrom, descalça, com os braços abertos e com as pernas dobradas. Olha fixamente para o céu. Está vazio ao seu redor, a calçada, as ruas, as casas, a cidade... Ninguém. Nem um som se misturava a uma calma brisa apocalíptica soprando quase um assovio. Mais cedo já era silêncio. Somente, Solare Resis restava. Sol imagina quanto tempo ficou apagada...

Seus olhos se reviram, sua boca se contorce, sua respiração vai e vem redundante enquanto ela se lembra de vagar ainda neste dia sem encontrar nada vivo sem raízes... Então, se jogou no gramado... Só agora começou a perceber seu homônimo Astro Rei tão próximo e o calor formando bolhas em sua pele. Nada atravessando sua mente explica... Sol não tem certeza se está entrando em desespero ou saindo de um alívio para o constante estado de alerta. Há incerteza plena. Mas, ela prefere continuar olhando fixamente para o céu...

Jogada como quando era criança e o mundo acabava segundo a segundo... Só para os adultos. Para Sol era motivo de risada, curiosidade e correria. Ela divaga nestes pensamentos... Na verdade procura perde-se completamente nesta época sem preocupações, sem compromissos... Se bem... Algum tempo atrás a infância já era tão compromissada quanto à vida enfadonha de um adulto. Isso não interessa a ela, ela quer se perder, mas nos próprios pensamentos felizes... Isso porque não consegue pensar nos infelizes, nas dores, nas dificuldades... E ela faz o sempre clichê pensamento: ‘porque no fim pensamos no começo?!’

Tudo está em chamas. Os Sóis se encontram... ‘por que não há dor?!’ Deveria ela pensar... Mas está tão distante, tão... A não perceber a purificação pelas línguas do fogo em combustão no planeta. Ela está feliz como poderia não estar?! Quis a solidão e a teve, se jogou no chão e por horas viu o filme de um céu azul levemente anuviado. Seu corpo se desfazia, sua alma ia por meio do olhar e tudo queimava ao redor voando em cinzas ardentes pela face do vazio, pelas brechas apocalípticas de mais uma solidão na esquina.

sábado, agosto 07, 2010

Sábado, 07 de agosto de 2010

8 imagem da 'copa das ruas' perto de casa... há de se captar... ___>

Alma


Fez-se a distância um adjetivo
e todas as vestes caíram
de rosto e corpo despido
não havia intermédio... Era imediato
ato puro de ser seu, substantivo.

Meu verbo sem possessão
crescimento interno declamado
em busca da saudade, a rodar
para perdê-la no adjetivo distância
tão íntima quanto a ligação, carnal.


09h08 - (Rafael Belo)



Visceral

Pelos mares asfálticos, estatela o sol
faz frio em algumas pessoas,
em nós lágrimas felizes se contêm
aquecendo o borbulhar nunca antes sentido
nem lembrado em outro qualquer sentimento
por nós revigorados, as estradas param
feitas visões de paisagens inesgotáveis
gotejando um marco simétrico, dos nossos
horizontes verticais, paradoxais a um
romance não escrito, viscerado, nas nossas
construções, aos pedaços.


09h26 - (Rafael Belo)


Contando


Quero ser, um posicionamento, uma entrega
um coração bipartido tremulando um bater
tamborilado pelo corpo no âmago da totalidade
no vândalo destruidor de muros e separações
um vento silencioso lá fora, chamando as
arvores para dançar. Mando das eternidades
enfileiradas em nosso olhar descrito em livros
versados no porvir tão dentro do adentrar
da alma faminta em não se saciar completa-
-mente e assim sempre ter fome para términos
infinitos perfilar.

10h32

(Rafael Belo)

quinta-feira, agosto 05, 2010

Luz intensa na nossa imensidão


8 O bater das asas, o coração acelerado ou a simples pose do próximo pousar do beija-flor aí está a Felicidade... Captei em uma matéria sobre queimadas

por Rafael Belo

Pode ser química, mas Felicidade é única. Na verdade parece ir além da pele, da mente do sorriso bolo... Não é tolice é uma marca indelével na alma. Assolando - quando assolar é arar um solo extremamente fértil – de terra macia e granulada passando pelas mãos abertas prontas para se impalpável, recorrente de brotos e flores para aromas constantes respirados pelos suspiros dos sentidos além dos conhecidos. Como se o fruto do gracioso voo da garça e do esoterismo do tuiuiú tivesse um nome e este fosse Felicidade.

Não há palavras nem apontamentos parece não haver nada a estragar tamanho contentamento. No entanto, não se faz sozinho. É preciso conceder, sorrir e falar assim como conter em leve seriedade e silenciar. Aí vem o tempo tão dentro de nós e fora do mundo, mostrar aos poucos quando e qual. A reclusão da Felicidade a diminui nas bocas confusas da vida e confunde acerca da realidade sobre esta emancipação da liberdade plena, além da consciência.

Um frio das borboletas selvagens teimosas no corpo, aflorando da barriga e contrastando uma falsa contradição quente com o frio feito aqui fora. Vapores da alma incendiária na sua exatidão e calma de um mar aberto para um transtorno bipolar temerário a palavras felicidade mesmo a buscá-la ensandecidamente no confinamento de uma gaiola com vista para o quintal. Porque a Felicidade - como o velho clichê certamente aponta – está em nós, engaiolados, como a paz.

Quem nunca confundiu a Felicidade com o frio batendo na porta? Foi lá entreabriu e não acreditou... Era o frio e pronto acabou. O frio dá medo... Fechou a porta e foi procurar fórmulas químicas sociais para lubrificar por aí. A marca na alma lateja como uma luz tão radiante e reluzente a fazer olhos e dentes cegarem partilhas intensas da imensidão liberta finalmente em nós. Chega de temer e ligar o temporizador. Deixe a luz se acender mesmo ao tatear no escuro com o coração apertado disparando... Abra a porta.

domingo, julho 25, 2010

Consciência plena

8 como se tivesse tirado com a mente, a imagem do texto estava lá fora a minha espera para ser captada pelos meus olhos e lente... tirei neste domingo...

por Rafael Belo

Não estava escrito nas estrelas nem era parte de alguma profecia, mas de alguma maneira fora do alcance de explicações era para acontecer. E aconteceu... Mas, antes os caminhos teimavam em não se cruzarem por mais paralelos a estarem. Por mais próximos, a distância era o motivo do acontecimento porvir anos mais tarde. Nada de paixonite aguda ou devaneios adolescentes, a vida já havia lhes ensinado a temerem e ficarem bem atentos a relacionamentos malfadados de todas as maneiras. Mesmo assim - por mais experientes - aquele Sentimento a os invadir em um olhar, ao primeiro contado iria ligá-los por Tempo indeterminado.

Eles não acreditam em Amor a primeira vista. Aquela conexão instantânea, aquele encontro de almas e batimentos cardíacos inusitado eram sim a Verdade. Amores a primeira vista acontecem... Acontecem - em real – a cada visão a dois construída. Esta era a consciência deles e o passado não os impedia de estarem juntos. Aquela completude a os envolver e bem maior de qualquer pensamento, não queria nem devia ser compreendida. Dons não devem ser questionados... O Mal em si só inexistia ali, tanto porque era uma entidade fabricada. Sim, existe! Condensado em várias supostas contradições de nós, humanos. Não dentro de uma dualidade inquestionável onde se nasce para ser um rótulo romântico.

Ela e ele eram conscientes. Eram racionais, mas o corpo também pensa pela alma pelo coração a trazer um sentido superior e assim continuavam a ter consciência, no entanto, bem mais completa. Esta parecia ser a manifestação de uma força criadora do Universo, criando tal universo no universo particular de cada um dos dois. Não importa o nome dado a Algo para se enxergar cego. Para acontecer em pleno Sentimento dia após dia como se cada data fosse o piegas e viveram felizes para sempre...

Felicidade de poder simplesmente Sentir. Era a manifestação de ambos. Um beijo um cheiro as palmas cruzadas em dedos, este era o presente do presente dia. O primeiro olhar o primeiro toque o primeiro envolver de lábios e línguas e as primeiras vezes repetidas a primeira vez de novo e de novo... Todo encontro como se fosse há um longo tempo. Sem estar escrito nas estrelas sequer sendo parte de alguma profecia, mas de alguma maneira fora do alcance de explicações estava acontecendo.