segunda-feira, agosto 06, 2012

*Sobre a sombra da folha seca

por Rafael Belo

Sequidão e fumaça. Cidade cinza amanhecida segunda-feira. Mais uma semana começa sem chuva e as gargantas secam na mudez do real. Há tantos silêncios nas entrelinhas das postagens, nas imagens de fundo das palavras, na presença hipócrita mudando os ventos de direção, abafando a razão gritante.  Não há lógica, há coação e uma constante tempestade mal formada de mal estares na vontade de ficar sobre a sombra da folha seca.

O pigarro da falação interminável e das discussões vazias são o diagnóstico do calejamento das contradições humanas, da vontade pelo poder eterno à custa do saco de pancadas chamado povo. Sobre esta sombra da folha seca fica o deserto de valores em jogo na mesa de pôquer. Vale qualquer cartada mais alta, qualquer jogada bem arquitetada, toda alteração e artimanha empregada para no fim abraçar sozinho a ambição, o egoísmo e toda forma de poder.

Chega um ponto onde prestar atenção não é o suficiente, simplesmente pelo fato da forma ainda ser sem conteúdo... Eles não dizem nada. Há um floreio sem costuras quebrando nosso controle remoto e manualmente nos deixando na estática, na “normalidade da alienação”. Sim, há aqueles fortalecendo as asas para tentar criar um bando de voadores ufanistas e crentes em um presente melhor... Mas há pouco trigo neste joio em uma medida equânime a quantidade de sombra da folha seca.

Vender a alma para o diabo, não se trata apenas do sentido religioso da danação eterna eclesiástica, de um pacto, ou na descrença de alguns um dito popular. É a constante perda da paciência, da paz, da fé em troca da tranquilidade da mente e do espírito.  Vende-se muito por quase nada, aliás, aluga-se... “Se ganha” um conjunto de demônios mentais perante o falso sorriso para a vida. Diante disso, “talvez” a verdadeira sombra sobre a folha seca seja a consciência da liberdade, a ação crítica e um momento antes o de analisar e refletir sobre o nosso redor.

*captei no chão do quintal da casa dos meus pais.

5 comentários:

Anônimo disse...

Rafa, eu gosto da leveza e profundida que vc escreve não me prive disso, ok?
Adorei começar a minha segunda feira "seca" com as suas doces palavras.
Beijos Ari

Link Jovem disse...

Grande amigo, irmão, parceiro... é dentro das linhas de teus textos que encontro novos olhares sobre o cotidiano. Grato pela amizade de anos e satisfação de vivenciar cada etapa destes teus "olhares do avesso".
Quem quiser apreciar um bom texto eis a dica.

Marcelo Nery

Anônimo disse...

Como sempre um ótimo texto reflexivo. Parabéns pelas palavras Rafa, bjos!

Jamylle Bezerra disse...

Bom tê-lo de volta por aqui! :) Leve e profundo... é assim que eu posso caracterizar o seu texto. Sempre muito bacana lê-lo! Bjus!!!

Rafael Belo disse...

Ari querida cumadre, obrigado por enxergar rs bjs

Grande Irmãozão, agradeço pela sinceridade e pelas palavras.

Que bom Jamy! Sempre aprendo lendo vc! bjs

obrigado anônima rs bj