por Rafael Belo
Olhando pela janela, a cerca de
seis metros do chão. Todos parecem ter o mesmo tamanho e seus passos ímpares. Poucos
pares passam pela minha paisagem diária e de fato não me lembro de vê-los, mas
existem. São casais, amigos, amantes, familiares e estes nos preocupam e se
preocupam por nós (ou assim deveriam). Então, olhando por outras janelas umas
foscas outras luminosas, vemos/lemos “genoínas” aposentadorias por invalidez,
facilidades, desvios, enganos, desenganos enquanto o que mais nos afeta são
notícias e a falta delas. Esta é nossa angústia, não termos ação diante de um
fato inusitado com quem queremos bem.
Está perto, ao nosso alcance ou de
uma ligação/mensagem/redes digitais, mas não temos o “controle”, o conhecimento
ou a habilidade para resolver aquela situação. Aí, então, a angústia se divide
e concentra. São guerras, inflação, dívidas, mortes, acidentes, feridas,
atrasos, sinais vermelhos, congestionamento, manipulações... E tantas distorções
invertidas, do avesso, porém, o mais apertado no nosso coração é a saúde de
quem amamos. Uma falha de comunicação e já basta para a apreensão apertar
nossas gargantas.
São tantas futilidades e situações
de indignação ao nosso redor que nos tiram da nossa área de conforto que agimos
de tanto incômodo. Sem contar com as constantes já marcadas manias de perseguição
existentes entre nós, tantas vítimas, tão vítima... Quantos absurdos... Que até
o granizo fechando o tempo em um domingo fervente pode ser pedras de gelo
atiradas para acertar cabeça premiada. Mas, basta não ser atendido, não ter
qualquer retorno neste nosso mundo “conectado” para todas as possibilidades
passarem pela mente acelerada... O coração se aperta e espanca a milhão de
batimentos por segundo. O estômago vira e revira em nós impossíveis e no final
não está em nossas mãos. Está em nossa cabeça.
Pode ser egoísmo e é, mas
todo o resto fica para depois se algo acontece ou imaginamos que tenha acontecido,
com os nossos. Isso porque precisamos estar no mínimo estáveis conosco para ter
uma reação ao restante do mundo. Porém, no fundo (?) ainda nos achamos deuses
capazes de controlar ações, reações, emoções, sentimentos como se a vida fosse
um filme e nós tivéssemos o controle universal. Tudo isso é resultado do
tamanho da importância que nos damos e a falta de espaço para a humildade. Para
tanto cabe os Paralamas do Sucesso em
“Ska”: A vida não é um filme, você não
entendeu/De todos os seus sonhos não restou nenhum/E só você não viu, não era
filme algum. Só nos controlamos e não tudo nem totalmente, o resto já vira
passado aos poucos.
