sexta-feira, dezembro 17, 2010

Vermelho Rubro ao final do crepúsculo

*( No fundo da tarde pode vir a noite, mas antes disso vem um sensação de ser mais... Captei na quarta-feira (15) ao caminhar atrás da paisagem)



Por Rafael Belo
Nem parecia um amante. Mal parecia vivo e era sexta-feira. Nada de ruim aconteceu, pelo contrário. Mas, uma tristeza vestia pesada seu corpo. Seus olhos brigavam para se manterem alertas em vão. Acordava assustado depois de minutos dormindo acordado até a cabeça cair lentamente... Era um zumbi para o fim de semana. Não havia dormido o suficiente. Nenhum descanso foi concedido e a semana tinha se arrastado. Vermelho Rubro parecia agradável, mas atirava sua cor raivosa em seus tons seco até tingir todos de seu mau humor.

Era silêncio não porque observava, mas por pensar absurdos de todos ousados em visitar seu olhar. Poderia matar e rir deste poder medonho. Quem sabe canibalizar e comer tanta carne imunda desalmada balançando por aí... Tal absurdo de ideia pareceu suculento a saliva preenchendo toda a boca fechada com um risco sinalizando morte nos aparelhos dos hospitais do descaso. Ainda havia três dias para serem enfrentados antes... Ele sorriu ao pensa no depois. Seria incrível...

Vermelho Rubro desejava principalmente – Mas, este não era seu desejo mais nefasto e profundo – a mesma vontade de muitos: desaparecer sem deixar rastros. Fingir a própria morte e se desfigurar, mas não se privar da vida se jogando de qualquer parapeito, terraço ou janela aberta. Era estupidez e ele não era um suicida. Suicídio para ele era uma secessão sucessiva de abortos de possibilidades e ele não era tão egoísta quanto falavam... Rubro enfrentava a vida com os olhos sangrados e a fúria ardorosa de quem se agarra ao necessário para voltar a subir do abismo diário.

Queria viver seus outros fragmentos latentes nas suas mudanças constantes de humor. Era um Charada com a psicopatia risonha de uma Coringa... No seu mundo de cores tinha infinitas possibilidades e misturas de usar o cinza e o negro para assustar o mundo com seu sangue. Vermelho Rubro planejava com suas entidades incorporadas dele mesmo, muitos reinícios atuando com vigor seu papel de manipulação e morte. O passar dos séculos diminuiu o ego do seu deus menor e estava na hora de fazê-lo crescer de novo. Para isso precisava encontrar sua foice escondida dentro de sua eterna amante!

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Aquarela celeste


*( Contrasta as cores do céu com o nublar das almas no eclipse do coração... Captei terça-feira (14) de dentro do carro)

Meus moinhos de vento rodam suas hélices viris direto nos meus olhos
realizando mudanças no meu mundo em frente, adiante
draconiano um contrapeso para a facilidade ser rejeitada
e todos os fogos cuspidos chamuscarem a pele rígida e feroz
inflamável do acúmulo quixotesco de viver um cavalo branco alado

Trotes calmos na relva virgem ecoam no regaço da correnteza imberbe
em recém criado mar de lágrimas incontidas na máscula face afrontada
pelo sorriso solar dos calos perdidos ao escrever chuva nas nuvens altas
abrindo o céu galopante na sorrateira neblina desfeita pelas hélices pueris
dos meus moinhos de vento brisando cavaleiro a marcha de acreditar no contraste das cores batidas pelo coração.

Às 8h43 (Rafael Belo) 15 de dezembro de 2010.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Nada dói agora como doeu antes

*( Alianças são mais que metal e lembrança são a união de dois corações e o infinito de sentimentos... Tirei em uma pele especial em uma domingo marcante)

Por Rafael Belo

Meu estômago dói, meus olhos doem e mesmo assim há um sorriso bobo na minha face... Troque a bobeira pela sapiência e chame de Amor! Assim vivo intenso a intensidade dos meus dias, assim sigo imenso as horas restritas da minha memória expansiva como se o tempo fosse o registro da brisa refrescante tocada em meu coração e cada linha revelada o diário desta minha boca incabível em um fechamento sequer. Claro que os lábios se separam e lampejam um futuro trovão informando a distancia da chuva... Mas, se molhar é uma dos melhores feitos da chuva...

Outro deles é divagar em sentimentos e pensamentos e neste fato de se sentir o próprio Amor. Daquele jeito voador, sonhador, destemido, sincero, trovador... Verbal... Mas, sentindo o chão despido de concreto nas solas dos pés trocando batidas, tocando toques singelos de calores trocados, tocados em uma nota de arrepios. Devagar, sentido, inteiro pela divisão da vida no coração mais forte, na alma mais mundana e tão espiritual a falar das coisas não vistas só com os olhos dilatados pela Paixão.

Meu corpo dilata assim então, cada instante cada flagrante de troca de olhares é um impulso no pulso da energia eletrificando minhas mãos quentes. Estou tão presente neste mundo como jamais estive. Sei bem ver do outro lado do meu pensamento, onde está me vendo meu Amor - porque se for quantificar lado em sentimento já digo não haver nenhum... É como falar do inimaginável –Não entendo o tempo nublado lá fora, se ainda o enxergo solar e brilhante, sem estar muito quente ou muito frio, apenas dá para ver o céu.

Mais coisas doem em mim, não as ignoro, nem estou anestesiado por um Amor ignorado pela Razão já sendo Amar a razão de Viver de fato, sem ser uma combustão espontânea. Mas, acredito ser extremamente importante este meu sorriso bobo sem bobeira nenhuma. Dá-me certeza da certeza partilhada entre eu e ela, entre ela e eu, entre nós. Temos certeza do nosso sentimento incondicional sempre à prova, sempre aprovado, sempre presente inclusive na ausência física de um de nós dois. Ninguém fala por ninguém, mas conhecer um ao outro tão bem, faz dos nossos defeitos e qualidades nossos fiéis porta-vozes. Por isso, dor nenhuma dói mais como antes de nós dois.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Pessoas, os divãs dos outros

*(Há tantos reflexos na superfície refletora que é difícil se enxergar nas projeções dos fragmentos... Captei esta semana)

Por Rafael Belo
As pessoas são o grande divã dos outros, mas nunca de si mesmas. Elas observam atentas cada movimento de terceiros e julgam saberem suas intimidades e comportamentos. Sabem nada, certo!? Se não sabem de si como podem falar de sentimentos e atitudes não partidas de seu reflexo? Não podem, não é mesmo?! Ficar comentando, dando palpites e sugestões gratuitamente sempre tem um preço embutido subentendido de um ressentimento próprio digno de Freud e até Schopenhauer. O mal do povo é o próprio povo temente a vida e gladiador mascarado por um esconderijo de sentimentos desentendidos.

Nesta arena romana, viver sim, mas sobreviver para quê?! É seguido totalmente ao contrário, em um avesso reverso digno de náuseas. Sobreviventes sãos os verdadeiros viventes do nosso planeta avestruz, onde envolvimento e profundidade causam uma síndrome de ‘faça sua aposta’.  Todas as fichas são jogadas no mesmo número e os desencadeamentos psicológicos das projeções em tal atitude causam encurtamento do tempo e correria da morte. “A verdade está lá fora”, parece mesmo ser a sina do ‘Arquivo X’ diário. Mas, na real a verdade está dentro de nós...

Bem em algum ponto da mente onde voltamos para eterna infância para sermos nossas sombras procurando resquícios de felicidade e fingindo o mundo terminar, continuar e começar ali naquela queda constante em nós mesmo. Procuramos as falhas, os problemas, os erros, os defeitos e os potencializamos em tudo de ruim no nosso medo de viver os inícios e desenvolvimentos de um sentimento - tolo, mas vívido – como querer bem alguém assim, imperfeito como aquele reflexo amassado de todo manhã vista no espelho.

Por isso, é tão difícil mudar de canal. Por isso, é tão fácil escrever um manual de como viver a vida e intitulá-lo auto-ajuda porque ninguém se ajuda sozinho – é só o começo ter iniciativa - e vai continuar seguindo as palavras ‘sábias’ de algum esperto ‘virtuoso’ por ganhar mais vendendo livros... ‘Parece’ nossa educação ser apenas para ‘conquistar dinheiro’ em uma boa profissão e nossas emoções... Bom elas nem sabe ter este nome... Elas simplesmente se derramam em algum dos buracos negros do vazio constantemente criado por um desespero de solidão. Somos analfabetos emocionais no alfabeto da vida!

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Latente inflamável

*( Quando as palavras expelem vida, o Verbo doa dons por arrepios... Captei em curta folga no serviço)

Latejava a cabeça no parto das ideias partidas
paridas perante o desembaraço da língua desacompanhada
aglutinada  de vozes perdidas pelo perímetro períneo da intuição
sarcástica na ironia afiada no peito aberto do bom entendedor
estufado ao lado do ouvido em pé para pensar o aplaudir do refletor

Lua cinzenta, ilusão das mãos batidas abatidas pela fé dos traidores sentados
acoplados a sedução do estupor velcro da dúvida plantada no não dizer o dito
veredito ensaiado contador de acessos aos olhos injetados de um estado ausente
clemente por punição, por conhecimento de suas regras quebradas ao parir pensamentos
no brusco movimento da leveza de olhar a alma alheia feita ferozes labaredas ateadas no latejar da inflamação.

(Rafael Belo) às 07h53, 06 de dezembro de 2010

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Desejo de sangue

*(8 nosso pano de fundo às vezes é apenas isso, pois os olhos refletem nosso escondido... Captei nesta segunda-feira, 6 )


Por Rafael Belo
Estava sempre tudo muito bem. Eram sorrisos e risadas a qualquer hora. Mas, este era apenas o exterior. Por dentro Bocas Caras planejava desaparecer para poder finalmente ser quem era. Conhecido Samaritano em todo aquele mísero país alojado no meio deste planeta de sentido anti-horário, Bocas não acreditava em bem ou mal, afinal estas baboseiras viviam dentro das pessoas misturadas cabia a cada infeliz indivíduo junto. Assim, ele pregava a si mesmo: “Ninguém é este bando de expressões dúbias e este monte de falas ensaiadas. São como eu, portanto, não somos”.

- Simplesmente sumir sem deixar rastros seria totalmente complicado, pensava em voz alta Caras.

Andava de um lado para o outro dia após dia até anoitecer e o cansaço o mandava de volta para a cama a o receber indisposta e reclamando enxaqueca. Mas, a necessidade de descanso do corpo era tanta a nada impedir sua quase morte. Vários meses passaram desta forma. Bocas tinha mantido a rotina para ninguém desconfiar de coisa alguma. Visitava os anciões, dava sorrisos para crianças hospitalizadas, oferecia caronas a estudantes sonhando ganhar dinheiro com a profissão escolhida, até dava passagem para os demais carros em sinal de educação...

- Rotina normal, não?! NÃO!! DE FORMA ALGUMA! Todas estas ações cidadãs me deixam um caldeirão de ira diabólica mexendo ideias maquiavélicas com um afiado tridente cheio de vontade de empalar como o velho Conde Vlad da Transilvânia. Quem sabe este meu espírito mal vivido nesta encarnação não esteja clamando por voltar as suas origens... Quem sabe esta vontade de matar não seja arcaica, pré-histórica, de algum primórdio ressentimento envelhecido feito um bom vinho com as costas arcadas por milênios de vilanias sanguinárias...

Na manhã seguinte a cidade amanheceu com o nome conhecido por meio de manchetes assustadas: “Noskin City amanhece morta”. A cidade sem pele agonizava ainda nas primeiras horas fétidas passadas do terror de Bocas Caras proporcionado a cada rosto escaldado em carne latejante e cozida na vivacidade antes habitada naqueles corpos. Era o horror de uma expressão direta do inferno. Caras passou dias como cada um de seus ‘amigos’ se desmascarando contando a eles as vezes das trocas de carinho, revelando

- Na verdade eu queria proporcionar a mais temível dor para vocês se revelarem como eu..., contava sibilando a delícia palavreada lentamente. Passou para a próxima cidade sem entender porque ninguém  ali revelou ter desejo de sangue como ele.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

O Outro Lado da Cueca


*(8 O céu é a terra a terra é o céu, o resto é a necessidade do inferno do caminho... Tirei de uma sacada qualquer )

Por Rafael Belo
Este poderia ser trecho daqueles diários íntimos de peça íntimas, ou ‘o Lado B’ da calcinha também... Mas não. É apenas minha mania avessa - esta da qual muitos compartilham. Posso até ser mera ficção, mas seria muito mais irreal se alegasse realidade. Solteirões e solteironas morando sozinhos são um caos. Sim, porque aí começa o outro lado da cueca...! Caótico no meu mundo claro, sei lá o de vocês, mas usar roupas duas vezes, uma vez limpa e outra no verso fingindo não estar suja, costuma ser hábito, meu hábito. Como se a sujeira não infiltrasse nos tecidos...

Diferença evidente do meu mundinho para o do outro lado da cueca é a intimidade. Meu entender de intimidade são coisas públicas, visíveis e palpáveis escondidas enquanto as coisas particulares, invisíveis e impalpáveis são expostas. É tão simples viver assim com as estampas avessas às luzes, dormir com o sol, acordar com a lua... Algo parecido com problemas de anemia e necessidades eternas de transfusão de sangue. Não estou dizendo ser canibal ou vampiro... Tais seres, filhos de Bram Stocker, nasceram em 1897 – do outro lado da página - com a publicação de Drácula, mas andam às escuras só para sugar nossos impostos e outras cositas más... E insistem em dizer terem nascido há milhares de séculos atrás...

Não sabemos o nome de ninguém. Eles não valem nada atrás da cueca, aliás, esqueci de mencionar esta ser usada sobre as calças avessas... Talvez para evidenciar nossa idiotice, nossa melhor qualidade porque inteligência é parente da inveja e é totalmente vazia deste lado da cueca.  Mas, decidi usar minha peça íntima ao contrário e fui solto à deriva no oceano de palavras sábias flutuantes. Meu nome e sobrenome foram bordados ao contrário – para vocês – em minha única roupa (o equivalente a uma roupa por fim de semana- que são cinco dias -).

Encontrei um continente de aparecidos com os meus mesmos detalhes... Intrigante... Parecem todos super-homens cegos e mutilados, mas alguns me indicaram com os pés serem responsáveis pelas tentativas de algo chamado coerência, comunidade, lealdade, honra, Palavra, atenção, equilíbrio, paciência, sinceridade, cidadania, direitos, deveres, carinho, Amor... Mas, quem disse ser verdade!? Quando estava preso e eles desaparecidos também, eram terroristas sociais tentando fazer o mundo permanecer e não acabar.

terça-feira, novembro 30, 2010

Coma social em epilepsia no ápice da Montanha - russa


*( Captei a imagem voltando de uma entrevista... O artista se vira para ser arte e conseguir sobreviver enquantos outros riem ou viram a cara, a vida segue...)

por Rafael Belo

Nenhum analgésico funciona mais. Qualquer anestesia não faz efeito. As alucinações são constantes. As noites dormidas são meros sonhos de um insone em coma social letárgico em olhares epiléticos para a lobotomia do mundo no ápice da sua mediocridade propagandista alastrada no forjar da cultura inútil lapidada em produto de consumo cultural. Não é de admirar os neonazistas ressurgindo, a xenofobia gritando... 

Nem é de se espantar ser a violência a resposta dos menos e mais abastados. A desinformação faz parte da vida cada vez mais conectada... A ignorância e a alienação talvez nunca tenham sido tão vestidas por jovens de mentes dispostas a agir. Por incrível aparência ouvi em uma academia de atividades físicas que se os filhos tivessem a presença dos pais e a escola, não estariam se viciando nos prejuízos do mundo e sim em seus benefícios.

A base da cultura com qualidade até o início dos anos 90, onde já estava mediana, chega ao ápice do colorido e da felicidade carente de quem não sabe o motivo de lutar pela vida nos anos 2000. É normal o declínio ocorrer com o paradoxo de em várias partes algo bom estar se lapidando... Mas, a motivação dada era de crescimento total, não apenas financeiro. Quando os pais foram trabalhar para os filhos não passarem pelos mesmos perrengues passados por eles, substituíram a presença por dinheiro e comodidades. Foram mais avós de uma maneira compensatória.

Por isso, a Síndrome de Peter Pan e da velocidade se conectam invariavelmente, pois, a aplasia é cerebral. Tudo voltou ao instinto inicial de sobrevivência. Socialmente é o coma total, o desconhecimento de si, do outro e do se entregar as causas sem argumentos com porquês coerentes. Os exemplos físicos desapareceram do convívio familiar e qualquer um com certeza de qualquer coisa – por mais forjada seja – acaba como o substituto ideal devido a carência emocional dos últimos 30 anos. Migalhas de atenção, sobras e restos de carinho são os Santo Graal dos anos 2000.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Cavaleiros e Amazonas sem-cabeças contra o tempo

*(8 O tempo de espera também muda a perspectiva de um vidro 'chovido'... Captei no fim de semana)

Por Rafael Belo

Temos a capacidade irracional de ficarmos cegos – não de Amor porque o amor é tudo menos cego, antes disso, ele é um amplificador das qualidades – diante das pessoas e do mundo. Vemos a cidade, mas não enxergamos no meio de tanta massa e concreto o verde, o sorriso ou mesmo os males reais. Ficamos cegos para vermos quem somos ou nos tornamos e para nossas escolhas, posições, os outros e família. Colocamos em mente sermos inigualáveis e com a pele feita de aço vestindo uma falsa alegria sobre a amargura de parar de sonhar mecanizamos. Ah, espero sempre me livrar do fardo de não mais sonhar.

Ficamos surdos a tudo em volta e nossos pensamentos nos levam longe a uma ausência constante e não participamos das conversas e nos tornamos desatentos, mas a culpa não recai só para os ouvidos porque com a surdez vem a tecla mute e nos calamos consequentemente. Estamos mudos ou falantes demais, mas ativos de menos e como refletir e pensar realmente se nossos sentidos estão atrofiando enquanto enquadramos nossos ‘sentadores’ nas cadeiras mais próximas e confortáveis?

Faltando a audição não sabemos apreciar a música mais nem menos, apenas a ecoamos por nossas bocas feitos jingles promocionais quaisquer. Não percebemos sequer o momento da nossa programação passiva sem qualquer paixão. Não sentimos mais o gosto do diálogo, o sabor de ser ouvinte, o apreço de observar atentamente, de sentir um ar puro no orvalho de uma manhã ainda alvorecida das luzes e, então, o milagre da vida deixa de ser verbo perde sua e nossa poesia.

Assistimos e lemos cultura como se o recheio de indiretas e subentendidos fosse mero entretenimento e há tanta política, há tanta ironia e sarcasmos. Por isso, não é surpresa nossa mutação para cavaleiros e amazonas sem-cabeças porque costumamos mais perdê-la e ficar paranóicos com qualquer bobagem a sentirmos com cada sentido o acontecer do tempo. Exageramos tanto quantitativamente a sentarmos de olhar perdido e aparência carente para justificarmos nosso medo do tempo tiquetaqueando dentro e fora de nós.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Espelho d’água d’alma

*(8 O retrovisor muitas vezes apenas no mostra atrás de nós mesmos... Captei neste sábado, 20)


Escorre no tempo as conversas na cama escura
os olhos abertos secretos despertos pela fala procuram
as palavras noturnas no teto sem forma para confessar
nomes dos inomináveis tormentos chovendo lá fora
nosso dentro quarto discreto com carinho imenso nos abraça e afundam

Lembranças do carro parado vendo o vidro escorrer
a espera sincera das ações do acontecer, leve como a brisa chuvosa
indecorosa e solucionada nas amarras dos braços e pernas
na intensa vida eterna de alguns minutos não vistos à noite
enquanto o olhar fecha quente rente a transparência do olho no olho
no retrovisor de nós dois.

Às 11h45 (Rafael Belo) 22 de novembro de 2010.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Abduzido


*( 8 Gotas são a condensação das pessoas quando não sabem ser oceano - tirei no quintal de casa)
Por Rafael Belo

Ah! Estes montes de personalidades multiplicadas na verdade são nenhumas. ‘São’ menos. Neste meu ego fragmentado consumido por palavras vãs me intensifico de intenções deslocadas na psicologia solucionada de mistérios na sociedade. Quantos rótulos tenho a partir para descobrir, me encaixar em todos feito um quebra-cabeça sem encaixes. Na arrancação de cabelo desvairada há momentos de se pensar em nada, mas é como se minha mão esquerda estivesse possuída e, desentendida do resto do corpo, declarasse independência.

Depois da minha abdução, meu nome foi perdido e não passo de um mendigo escondido atrás do álcool consumido neste corpo liquido flexível a multifacetas inexistentes, negligente a imagem no espelho de um homem saudável e farto financeiramente. Só há perguntas na minha mente descontrolada e desentendimentos e digo: ‘Cobrar da pessoa que ama o mesmo amor, não é Amor é material de troca é querer idolatria!’. Me repreendo da imaginação renegada vinda vazia do disforme arrojado na casa abandonada.

Vejo uma intensidade insana ser sentida e acionada. Não para ser refletida, a aplicação incondicional há de ser o bastante ou é mero egoísmo! Me rasgo egoísta, me quebro santo do ‘pau oco’, me pego em automassagem na masturbação de um espelho desfocado... Não posso esperar o mundo parar para a pessoa descer em meu colo e a tratar como a trato, isto é escolher sofrer e não ceder ao livramento, portanto não tem a ver sequer com gostar de outrem. Tem a ver com a solidão, a dissecação ordinária da ilha incoerente procurando nomes próprios a deriva...!

Que nome isso tem?! Qual nome tenho eu ?! Por que meu coma espacial não pode ter sido real? Qual loucura não é elogiada. Ah, elogios a Loucura... A própria personificada... Tempo, Espaço, Harmonia... Sou tanto Caos a esperar uma nova abdução imaginária arbitrária ao efeito São Tomé... Enfiar meus dedos nas chagas para curar meu mal de mim mesmo. Quer expurgar-me feito a doença contraída para tirar a razão da minha Loucura em quem sabe este meu ego fragmentado não se junte renegado e me faça enfim seja lá quem for!

sexta-feira, novembro 05, 2010

Quedas campestres urbanas

Tantos versos, tantos reversos e tantas passagens passando em formas e seres variados e às vezes ao meu lado me passo e me perco na travessia na agonia de fazer meus sonhos sonharem

na imensidão da gota da chuva minhalma é um elo todo da parte do mundo chovendo em mim aos pedaços espalhados no quebra-cabeça assim de peças humanas sonhando poderem sonhar

a realidade de se molharem nas águas celestes caindo campestres no novembro urbano primaveril dando um ar nostálgico na extensão do futuro pendurado no varal da varanda para ver a vida molhar

passada a limpo chuvoso o nublado do início dos reinícios das manhãs convidando contemplação serena aos incômodos de ouvir os sons plúmbeos porque me contenho para o banho de chuva
chove no meu olhar resistente tantos versos contentes por revirarem a inquietação discreta da profecia travessa do profeta do verbo atravessado de lado a lado sua agonia de sonharem sonhos perdidos no encontro de procurar.


Às 13h05 (Rafael Belo) 05 de novembro de 2010. *(8...as gotas são inúmeras mas quando se juntam são um oceano doce, se encaixam e fluem... Tirei do toldo novo da janela do meu quarto nesta sexta chuvosa ,5,)

quarta-feira, novembro 03, 2010

Filas de baixo calão pelas vias

*(Às vezes basta olhar para o céu, mas nem sempre uma olhada é o bastante - tirei na segunda-feira, 1º,)

Por Rafael Belo

É impossível ser impassível, frio e calculista. Bom, é impossível se não há importância a vida. Já confesso o motivo destas palavras enrolativas estarem antecedendo o porquê do texto ser meu estresse no trânsito. Sim, dirigir anda – literalmente – me estressando. Não pela falta de educação, de setas, de ceder, de respeito, mas pela desconsideração a vida. A alta velocidade desproporcional, a pressa, a ignorância e a eterna maldita síndrome de super-homem somada à bipolaridade de piloto profissional de corrida elevada com o egoísmo fazem mal a continuidade.

Deveria ser um alerta do Ministério da Saúde. Irresponsáveis no tráfego das ruas matam mais que qualquer doença ou fatalidade meteorológica. Tudo para chegar mais rápido ou pelo atraso ou pelo citado ‘para o alto e avante’. Dirigir deveria ser apenas uma forma pessoal de se locomover até os locais de interesse. Mas, acaba sendo uma disputa contra o tempo, contra a morte, contra as estatísticas e a favor do ego. Até tempos atrás eu dirigia praticamente na impossibilidade de ser impassível... Recentemente assumi não querer mais comandar um volante com as mãos...

Nem é preciso detalhar as infrações inúmeras praticadas no trânsito pela velha besteira de achar: “comigo não vai acontecer”. Sou mais de ‘quem procura acha’... Ocupamos nosso cérebro de maneira precoce demais. As preocupações constantes a pilharmos feitos antigos piratas podem deixar um vazio mental aliado a inércia parcial e problemas físicos. Somos hipocondríacos do tempo porque o tratamos como uma doença incurável e adoecemos, então, patéticos e conscientes dos problemas causados por nós a nós mesmos.

Somos nosso próprio mal. Aguardamos friamente o cálculo da vida sem paixão e acreditamos na impossibilidade de pararmos os relógios para jamais envelhecermos assim sem aproveitar o percurso, o trajeto diário, os pequenos e grandes detalhes do caminho a seguirmos. Eu prefiro muito mais observar no banco do passageiro e criar vendo tanta gente, registrar a emoção escondida nos rostos atacados pelos sóis particulares dos horários de pico onde até os sem pressa provocam um fila de palavrões atrás de si.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Levando a vida na ladeira de anteolhos

*(As pequenas coisas têm o poder de nos alterar mais do que imaginamos ...Captei na entrada do serviço)

Por Rafael Belo

Uma conspiração! Só podia ser! Enervava-se Falius Idío. “Tanto cheiro podre nesta cidade e esta podridão é lançada contra mim”. Ainda é só um forte sentimento. Não, pressentimento. Mas, tudo que eu pré-sinto acontece. São novos caminhos jogados como se tudo fosse um precipício esperando para me devorar. O universo zomba das minhas escolhas erradas. Pisar em sentimentos mortos e plantar sementes em pedras pontiagudas não dão nem frutos. Ai vou ver a minha fabricação de feitos. Bem, parece eu estar colhendo algo não plantado. Se bem... Feitos e não feitos vêm nos cobrar de qualquer maneira...

Falius saiu. Ao volante se sentia um lunático. “Sinto-me com uma raiva silenciosa e com a cara fechada como se matasse com o olhar”. Não sou como essas pessoas sempre com pressa e furiosas com ‘sei lá’... Mas, elas também não devem ser assim o tempo todo... - indicou com o queixo para ninguém as pessoas passantes - Fechou os olhos no primeiro sinal fechado e deixou um arrepio sorridente tomar conta. Tirou o cabresto e principalmente os anteolhos podendo assim deixar de ver só para frente. Mas, mesmo assim era forçar muito sorrir de repente com todo aquele pesado sentimento dentro de si.

Estão tramando contra a minha pessoa, não preciso de nenhuma certeza física. Preciso me calar e me ouvir. Este calor tomando conta quando paro só... Ouviu o som do freio do seu carro ficar cada vez mais agudo. Abriu a porta e se jogou entre o asfalto e o canteiro, parando com alguns ferimentos no gramado central abaixo de uma árvore quase centenária. Seu carro seguiu alguns metros e deu um mortal para frente... Como se uma força o esmagasse na frente de cima para baixo. Não havia ninguém no horário de pico... “Como pode ser? Onde estão todos?”

O barulho seco da batida do carro no chão era como uma lata gigante sendo amassada para reciclagem. A explosão sequencial sim o surpreendeu. Surpresa maior foi sentir 50 anos passarem em sua mente subitamente no espaço vazio onde só reluzia fumaça e chamas e metal retorcido e sua vida ida sem chegar aos 30 anos. Idade da parada dos sonhos. Quando teve de decidir se sonhava ou vestia o anteolhos. A conspiração era ter prendido a respiração e a perdido então.

quarta-feira, outubro 06, 2010

Todas as bocas

*(a janela das horas pode ser passada... Em qualquer tempo! Imagem de hoje mesmo)


Está na hora de soltar a escora
e deixar a Alma dominar
se equilibrar nas suas expansões
e se devorar para mastigar limitações


comendo todas as sensações
sentindo os sentidos nas pontas dos dedos nos limiares dos olhos no cingir dos sorrisos

com toda a fome do todo
de um prisioneiro faminto
dono de todas as bocas
danadas da desnutrição do mundo.


Às 14h42 - Rafael Belo, 04 de outubro de 2010.

segunda-feira, outubro 04, 2010

Terceiros minutos

*(as correntes de arrepios percorrem os utensílios do meu corpo junto ao foco do sol... Captei em casa a imagem)


Arrepio percorre o corpo louco por toque
toca a alma um silêncio encantador, expressivo
expressa o coração uma infinitude incabível em qualquer arrepio


pêlos se eriçam atiçam a Força Maior em mim
um fim de começos precipitados por meios
alheios aos fins do mundo constantes,
guardados em fileiras no destruir das estantes

instantes restantes destes precipícios de suicídios inversos
indo em impulso reto para as palavras do coração
dando a cada três minutos uma nova ressurreição.


Às 11h57 (Rafael Belo) 4 de outubro de 2010.