terça-feira, setembro 01, 2009

Dias chuvosos

(tirei esta ao lado do supermercado há dois anos)

Por Rafael Belo

Dia chuvosos são caóticos para o caos das cidades... Fora sábados e domingos onde se nota a úmida ausência de pessoas nos lugares. Os outros cinco dias parecem forçados por trabalho de servidão - às vezes os seis, até os sete. Há a milenar robótica de atos conduzidos por repetição. São 24 horas de branco, como se fôssemos ideias abandonadas. Bem, 12 horas na verdade, as outras 12 são o apagão no fechar dos olhos, só há escuro na mente. Como indicado por aquele médico obsceno e monstruoso.

Por indicação arrumamos rumos nas nossas direções. E no fim da linha algo ajuda a deitarmos nos trilhos para viver outra vida, mas os trens não passam mais. Um desperdício a menos, um trabalho pesado para os corações que nos querem a menos. Ufa. Chova chuva, chove porque viver para trabalhar não é vida, bem, é vida de inseto. É ser operário, zangão de colméia em função da monarquia, mas vivemos uma aristocracia. Nossos nobres detêm o total ou pelo menos dois terços da riqueza brasileira ou/e propriedade. Seria democracia se fosse, nós, plebeus o povo possuidor destes terços.

Mas, esperem... Não... Continuem... É só papel oficial e nossa falta de atitude. Afinal, nossa pessoa é nossa maior propriedade, sinal de liberdade O Estado então é o único livre destituidor. Quem está contando a minoria burga dos aristocratas usurpadores do platô o poder de lacuna interina?

Dias chuvosos são caóticos para o nosso caos... Fora quando nos permitimos reanestesiar durante a semana onde nota-se nossa úmida ausência como pessoas. Nos lugares. Os outros dois dias parecem forçados por trabalho de servidão já presente na mente e na programação – às vezes três ou quatro quando se prolongam as emendas. Há a milenar máscara do pão e circo separando bons e maus a parecer haver só eles definidos. Ah, sim, claro! Nas áreas cinza estão os lagartos e os largados.

Carros abandonados aos pedaços longe dos centros são suficientes para proteção do vento, portanto boas moradias. Pelo nosso abandono me sinto como um morador sortudo de um carro ao relento. Nele há os despossuídos. Nos despossuídos há o quê senão a esperança de um pão amanhã? Não sei dizer, mas não parecem querem muito como se não pudessem. Parecem sentir-se diminuídos diante dos abastados comedores de pães diários.

O sol não aparece. Seus raios invadem as brechas do céu para os brechós em nós. Assim se sabe haver uma luz acima de nós para nos aquecer e ela se descobre dentro também. Mas açucares, aspartames e adoçantes em geral não saem na chuva, porém dão um adocicado sabor ao amargo café da vida como ela é para alguns. Dias chuvosos são tempo de reflexão como se o clima se alterasse para ver se o mesmo acontece com a consciência do coletivo, coletiva e de cada qual. Derreter na chuva só é obra de alguns a saber a ordem no caos, mas pode ser de todos.

12 comentários:

Déia disse...

Dias chuvosos...todo mundo corre e o mundo pára!

Todo mundo corre, mas se molha, escorrega, quebra o guarda chuva, pisa na poça...

Dias chuvosos lavam nossa alma, mas aumentam nosso medo!
bj

Mai disse...

Dias de sol no caos da cidade podem ser chuvosos no silênciio e na solidão de nosso caótico mundo interior.

Beijos, amigo.

La Sorcière disse...

Não gosto de dias chuvosos...mas gosto muito do q vc escreveu!
Vc tá sumido....tudo bem?
bj

☆ Sandra C. disse...

meo deos, td mundo resolveu falar sobre chuva hoje?

Rafa, eu acabava de comentar em outro blog que eu não me sinto bem em dias de chuva. talvez porque fico com medo dos alagamentos, não que viva em área de risco, mas a minha cidade é 'sempre' um risco em dias de chuva. eu fico lamentando por quem não pode ter o conforto que tenho em dias assim. e também não sei nadar, então água demais me desespera :S

Dora disse...

Meu caro Rafael... devo confessar que não gosto deles - dos dias de chuva.
Prefiro sol, calor do que a frieza literal dos dias chuvosos e nublados. Cinzas.
Massssssssss... às vezes, pode ser bom para ler um bom livro (by Djavan)... rs rs
Se for no fim-de-semana, claro!
Cheiro grande.

Deise Anne disse...

Dias chuvosos são necessários para que a gente valorize os dias de sol!

Rafael Belo disse...

Déia linda, talvez pelas consequências de ter de se lembrar dos "por quês" da lavagem da alma hehe. bjs

Rafael Belo disse...

É Mai, nossos paradoxos e contradições perfeitamente humanos. bj amiga.

Rafael Belo disse...

Gosto do poder destes dias, Lezinha. Minha essência precisa de ausências... bjs querida

Rafael Belo disse...

Drinha vc foi um nascimento ou um afogamento do útero? hehe brincadeira. Gosto de chuva, mais do que sol... bjs

Rafael Belo disse...

sempre é clima de ler um bom livro kkkkk entre outras coisas... cheiros linda

Rafael Belo disse...

Também, né De... hehe beijos