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quinta-feira, julho 06, 2017

arrume



a sombra do pássaro lamenta o constante passo em falso
descalço nos espinhos da solidão ser defendida liberdade
há um falsete no canto um entrave em alarme na convicção
condições climáticas contam a previsão de chamar para perto o inverno

há um inferno fraterno aberto na boca alinhada bico para costurar romance
o reivindico gritado ao vento um alento distante entre nós souvenirs dos instantes
 aproximando em rompantes nossos eus navegantes deste tempo juntando ondas

afogam orgulhos arrogantes no caldo do mar contemporâneo quando a gente tomba
a correnteza nos leva traz leves no refluxo enquanto o pássaro agora nos encanta

feliz quem canta a descoberta do romance e em um desmanche é governante deste coração habitado sem regras bagunçado lado a lado ao barulho gostoso do silêncio da revoada da pulsação.


+às 10h33, Rafael Belo, quinta-feira, 06 de julho de 2017+

terça-feira, julho 04, 2017

bagunce



o control+Z não vai desfazer você
não adianta usar o control+C para resolver
muito menos o control+X para se apropriar
nem o control+V vai realmente os pedaços colar

recortar copiar grudar só vai bagunçar seu coração
o print do passado vai ficar marcado mas seu olhar pode ter outra visão
qual a dimensão das suas diárias descobertas em alertas para falsificação de spoilers?

se for preciso deixe o aviso na porta encoste e chore
escore seu passado na maçaneta esvazie as gavetas e ninguém vai entrar

prefere ignorar os disparos do coração a ter noção de transformar um lance em romance? desmanche estas proteções relance suas redes desarme as armadilhas coloque sua trilha para tocar se permita Amar.


+às 08h23, Rafael Belo, terça-feira, 04 de julho de 2017+

quinta-feira, junho 29, 2017

agora há pouco



erro à seco caio em desamparo instantâneo
sangro por todos quando me levanto mancando
mancho cada toque urbano pichando meus grafites simultâneos
saio subterrâneo satisfeito como conterrâneo do agora há pouco

aborto torto o leviano suicídio no meio-fio fadado a morrer de frio
rio do desespero momentâneo querendo depressão
reação tentando rotular o contemporâneo com emoção

remoção da ressurreição de domingo para o cotidiano
destas ruas em desalinho não é possível sem plano andar reto

direto no queixo do nocaute o tempo se apaga em blecaute não há mais vagas nem desfalque para quem não assumir errar e vagar em recalque como um impossível delírio em realce abrindo um peito no recalce no descalço caminhar do devastado inacessível enquanto não tiver uma possível emoção com o envolver daqui a pouco do incendiário coração.


+ Às 11h38, Rafael Belo, quinta-feira, 29 de junho de 2017 +