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quinta-feira, novembro 24, 2011

Barulhos da Noite

 Trilha Quase sem Querer - Legião  Urbana na voz de Maria Gadú

(* o que está no fundo atrás da teias do muro ?) Foto Rafael Belo

por Rafael Belo
Engraçado como o noticiário nos fez medrosos. Bem, o noticiário, nossos pais, nossa falsa sensação de segurança, experiências nossas, alheias e, claro, nossa própria paranoia. Basta um barulho da noite, aquele ruído noturno repentino, para o despertar. Tudo fica em alerta e às vezes o sono dá lugar a insônia. Mas qual seria nosso feito se o possível invasor tivesse portando uma arma de fogo? Com sons diferentes no quintal ligar para a polícia é a primeira ação, mas normalmente nossa reação é: ‘e se não for?’ Aí vamos até lá verificar... Instinto e insegurança se misturam e no final, no breu das altas horas, não dá para confiar mais.

Devemos estar preparados para tudo, mas é tão exaustivo sermos eternos escoteiros, olhando para todos os escuros, gritando sempre alerta e temendo estranhos desconfiando de desconhecidos... Mas ao mesmo tempo aquela sensação de sermos impunes e com tanto ego a afastar qualquer mal deixa o desequilíbrio igual = totalmente equilibrado. Os barulhos da noite nos perseguem em cada esquina. Às vezes nós estamos nestas esquinas escondidos nos esperando para a surpresa... Na ponta dos dedos, achamos termos o controle.

Se não temos controle sobre nossa reação diante do inesperado por mais treinamento mental imposto por nós mesmos por que tanta preocupação com o porvir? Por que nos consumirmos tanto diante ao quem sabe, ao possivelmente? Esta sensação de impotência perante o passar das horas só existe pela nossa superestima. Esta nossa mistura diária de herói/anti-herói no olhar único de cada um nesta nossa gula veloz de não saber esperar, de querer resolver cada problema e tudo de uma vez ... Claro, virão reclamações e nos verão lamuriando o evidente leite derramado...

Este nosso eu freudiano martelando a certeza do entender dos outros, do mundo, exaure nossas possibilidades de permitir conhecer o passar ao nosso redor, enche nossas vistas de anteolhos e nos torna juízes constantes quando somos réus da vida. Desprezamos o presente com tal argúcia de raciocínio a ponto de não raciocinarmos e deixamos o presente guardado a olhos nus, sob as árvores de Natal para quando for passado o abrirmos e descobrirmos não ter sido bem daquela forma que víamos, mas então, os barulhos da noite já não nos deixaram dormir – mas quem sabe deixarão.