segunda-feira, outubro 17, 2016

Vamos nos permitir



por Rafael Belo

Eles estavam na rua de barba, saia e batom. Um círculo humano os protegia, os assistia, tentava acompanhar cada passo, cada fala e registrava, por isso os celulares, mas só um ou dois. Todos ali estavam presos na interação da performance dos dois homens... Seguiam a música de protesto e protestavam com o corpo. Nenhum carro passava até a nudez chegar a uma mão protegendo os genitais sem nenhuma reação positiva ou negativa do público, apenas extrema atenção. Os veículos passavam quase parando tentando enxergar, poucos disseram absurdos ou se comportaram como crianças mal educadas. Era um dia de lançamento de poesia sem julgamentos.

Foi um sábado cheio. Ali a dita subcultura, cultura underground era e é cultura sem regras, sem moldes, sem status apenas expressão e originalidade em um lugar chamado Anda Café que também abriga a Subcultura Records. Um local com vinis e um dos melhores hambúrgueres da cidade para reunir pessoas, arte, interesse sem qualquer preconceito só alimento para a alma. Voz e violão também completaram a noite, 24 horas antes Rodolfo Rodrigues preencheu o local com músicas autorais e interpretações próprias acrescentando aí o teclado. É na Joaquim Nabuco, 357 entre Dom Aquino e Marechal Rondon, a evolução humana passa por lá...

No entanto, os dias são curtos. Sai e fui sozinho assistir Fábio Rabin. Um entretenimento totalmente baseado em tornar engraçado a depreciação das coisas, dos fatos, do outro e da vida. Era Queimando o Filme o nome do evento lá no Glauce Rocha. Outro lado da cidade e a gente ri, afinal aceitamos qualquer coisa no nosso cotidiano e também podemos negar, mas deixar de participar nos priva de ter uma opinião e pode até provar a autenticidade de controlar o tempo nos mandando para quando dizíamos não gosto, sem sequer experimentar, ou simplesmente prova o quanto desperdiçamos a oportunidade de sermos autênticos. A estrela deste palco foi um filhote de morcego incomodado com os holofotes do stand up comedy. Ele deu rasantes e virou parte do show de diversas formas até cansar, se arrastar no palco, ser retirado do teatro e parar de assustar o stand upper.


Faltava pouco para as 23h quando terminou. Hora da fantasia porque desde as 22h já rolava um baile temático, mas não era Halloween, era se fantasiar e dançar. Então, lá estava o Flash, a Chiquinha (Chiquinho?), o Quico, Piratas, Coringas, Paquitas, Faraós, boneco de ar de posto de gasolina, mergulhadores, artistas de cinema, personagens de histórias e contos de fada todos dançando. Bailando até às 5h já no horário de verão. Provando o gosto da vida de outras formas com todos os ritmos, mostrando a arte e a cultura em toda direção, basta procurar para aprender, ter histórias para contar, aproveitar e se divertir.   Vamos nos permitir?

Um comentário:

Maria Belo disse...

...provando o gosto da vida.....perfeito! Belo relato!