quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Dia óbvio

Por Rafael Belo * quem disse que o reflexo das poças nos azulejos não são reflexíveis?! Foto desta semana depois da chuva no quintal de casa.

“É um dia óbvio”. Pensou assim que acordou. As mesmas perguntas, tarefas iguais as de sempre, pessoas com as mesmas atitudes, as mesmas piadas, a velha homofobia enrustida, a malícia incrustada e o cuidado minucioso com a vida alheia. Ah! Claro! Como esquecer dos fingimentos...?! Aquela rotina enfadonha lhe fazia suspirar por algo a fazer antes do surto.

Sim, porque era óbvio, hora ou outra ia surtar. Ora ora... Nada de chacinas norte-americanas ou crise de abstinência de um viciado em maus lençóis tornando-se psicopata e matando a própria mãe. Também porque seu vício era dizer o seu enxergar e mais, o seu sentir sentia. No entanto, tudo ele passava em um resumo de acúmulo. Ele acumulava todas as gracinhas infames e todos os moinhos de ventos serpenteando para o atacar. Todo aquele vazio puxava sua alma.

Havia uma sensação de inutilidade. “Não sou inútil, mas também não possuo ausência de medo, porém sigo em frente.” Ele olhava com desprezo e ria da mediocridade o tomando e ao redor onde tinha se metido por tanto tempo. “Quanto tempo mais até eu destravar a língua e jorrar observações?” Era um fim do mundo diário. Angustiante a levá-lo a se levantar toda hora da frente do computador. Ele ouvia a trilha sonora de “Psicose” cada vez que ignorava, a cada ignorância. “Tam tam tam tam, tamdamramdamramdamramdamram...”

Era óbvio sua ineficácia com o ser deixado no seu lugar perante o espelho. Era óbvio a não continuidade de tudo isso. E começou bem cedo. Despertou com um sorriso largado de confiança pela primeira vez em tempos. Levantou com bom dia para todo lado e disse para cada uma “personas non gratas’ não devem falar se nada querem ouvir”. Respondeu cada gracinha com uma observação peculiar e sincera sobre a particularidade de cada. Foi silêncio. Só seus passos e o som de olhos estatelando.

Disse sobre a vulgaridade de uma, sobre a homossexualidade enrustida psicótica tocada diariamente de outro, sobre a carência de um terceiro, sobre a frieza e o egoísmo manipulador de uma quarta, sobre a mentalidade retrógrada e constantemente infantil da maioria, da pequenez “recompensada” com augúrios de poder fadado a não existir de um fardo...

E, foi falando a todos os seus devidos mereceres. Depois bateu palmas por meia hora pra si, diante de uma plateia envergonhada. Estava aliviado, satifeito era óbvio. Óbvio também era o fato de, em breve, se sentir contraditório consigo, pois não deveria expor a particularidade observada das pessoas em público em alto e ensurdecedor som independente da quantidade de “vergonha” a lhe querer, certo?! Certo?!

10 comentários:

Déia disse...

Certo rsrsrsrs

Quem sou eu pra discordar kkkkkk

Ao suas fotos!!

bj

Mônica disse...

Óbvio? Um dia me disseram (isso me lembrou uma música...rs) que o óbvio só se torna óbvio depois que alguém o aponta. E é verdade.

Li seu último post e adorei. Mas quero saber o pq de eu lembrá-lo...rs

Bjs!

Rafael Belo disse...

ehhehe Aoo Déainha hehehe! Tudo de bom heheh bjs linda

pela beleza suave sincera de ser vc, mulher. Só por isso Nikinha. Só por isso... Vc leu Poetry né? hehe então se veja ehhe beijos adociados.

Mai disse...

Rafael, eu adoro teus avessos ratratados. Genial!
Colorido incrível, o teu olhar não é óbvio mas fotografas no direito o inverso.

Maravilha!
Parabéns - uma foto memorável!

Jamylle Bezerra disse...

Ah... o espelho. Nosso eterno confessor!

Texto inspirador.
Foto inspiradora.

Beijos

Rafael Belo disse...

Ah, Mai. obrigado por avessar teu olhar por aqui. Me sinto horando messmo. Esta poça me atraiu como se fosse um livro de imagens heheh não esqueço dela mais... beijos bela.


Agradecido Inspirada Jamy da sorte, das conquistas. Beijos linda.

La Sorcière disse...

Rafa, tudo o que vc esccreve é mágico, mesmo aquio que vem com uma certa dose de sarcasmo! Adorei o texto e amei a foto... vc faz poesia de tudo:)

Rafael Belo disse...

OO Lalezinha do profundo coração, que lisonja. Só posso me reverenciar a ti. /

Deise Anne disse...

adorei o texto, belo!
concordo quendo você diz que as chacinas não são piores do que a maldade diária que vai nos matando aos poucos.
ah, adorei a nova foto do seu perfil... rsrs
bom final de semana!

Rafael Belo disse...

"Obrigado pela compreensão" hauahu mata aos poucos com diversas intensidades. muito obrigado De linda,gosto muito dessa foto tb >D bom fim de semana pra ti tb.