quarta-feira, novembro 04, 2020

Estamos indo repetir nosso fim






por Rafael Belo


Estamos em uma sociedade culposa às avessas, ou seja, que tem intenção de fazer o que faz, mas finge demência. A injustiça reina nas brechas da lei, na imoralidade e até na amoralidade pregadas como liberdade de expressão. Os limites foram esquecidos em algum tapete perdido encostado em qualquer lugar varrido para baixo de outro esconderijo. A Justiça é minúscula e parcial diminuindo todos os que deveriam - por lei ou por consciência - serem iguais. A verdade é que tudo feito às escondidas antes, agora é exposto com orgulho.


É vergonhosa a desigualdade e a exclusão ensinada longe de quaisquer faces do Amor. O medo está mais forte na atuação dos nossos governantes, na imposição dos líderes ou simplesmente daqueles que falam enquanto outros calam. As conquistas da humanidade sempre chegaram atrasadas no Brasil, mas o retrocesso sempre chegou antes do entendimento dos acontecimentos. Assim, na hora das injustiças brilhamos em descaso, covardia e humilhação. Inventamos um crime. Estupro Culposo jamais será aceito. 


A legalização de tudo no Brasil depende de quem privilegia.  O voto feminino aconteceu em fevereiro de 1932, mas somente para as mulheres casadas e com autorização do marido, viúvas e solteiras com renda própria estavam previstas no Código Eleitoral, baseados no Estatuto da Mulher Casada, onde a mulher só podia fazer o que o marido permitia. Apenas em 1934 acabaram todas as restrições e em 1946 a obrigatoriedade do voto alcançou plenamente as mulheres. Nesta época já haviam passados 12 anos da única e primeira mulher eleita deputada federal, a médica, escritora e pedagoga Carlota Pereira de Queirós. Ela também foi a única mulher participante da Assembleia Nacional Constituinte (responsável pela Constituição de 1934).


Ainda assim, só na Constituição de 1988 os direitos das mulheres ficaram realmente garantidos. Esta repressão patriarcal machista voltou sem precedentes lembrando a filósofa existencialista, Simone de Beauvoir. No livro O segundo Sexo, Simone de Beauvoir diz:  Em verdade, a natureza, como a realidade histórica, não é um dado imutável. Se a mulher se enxerga como o inessencial que nunca retorna ao essencial é porque não opera, ela própria, esse retorno. Os proletários dizem" nós ". Os negros também. Apresentando-se como sujeitos, eles transformam em" outros "os burgueses, os brancos. As mulheres - salvo em certos congressos que permanecem manifestações abstratas - não dizem" nós ". Os homens dizem" as mulheres "e elas usam essas palavras para designar a si mesmas: mas não se põem autenticamente como Sujeito.


Somos sujeitos aos desmandos e injustiças, mas a fé sim salva. Fé e esperança com atitude e posicionamento na realidade. Então, ainda há quem se escore pela diferenciação de tratamento entre gêneros na Bíblia. Basta lê-la para saber ser ao contrário. Em Deuteronômio 16:19 está escrito: "Não torcerás o juízo, não farás acepção de pessoas, nem tomarás suborno, porquanto o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras dos justos." Sabemos bem qual caminho tomamos e para onde tanta desigualdade e humilhação nós leva. Se não sabemos, já chegamos ao lugar onde todos estão se permitindo ir.

segunda-feira, setembro 28, 2020

Escute seu coração

 





por Rafael Belo


Nós deixamos de escutar nosso coração. Passamos a seguir impulsos e pensamento guiados, conduzidos, viciados pela repetição. Não há só inversão de valores engasgada na garganta, mas inversão de prioridades e de criação com produto. Quem cria mentiras as torna verdade e as verdades as faz parecer mentiras. Entre nós os maus sentimentos, os maus pensamentos e falas com atitudes negativas proliferam como ervas daninhas


O caminho da Verdade foi pintado de ruína. Esconderam a Liberdade e Salvação. Discursos e posicionamentos de perdição foram introduzidos na nossa mente dourados em um altruísmo que é egoísmo tudo acobertado em inversão. Quem não lê, quem não busca respaldo da fé, chafurda neste mal. A dúvida e o tormento são as dores manipuladas arrancando a carne a unha enquanto o espírito grita pelo despertar na alma, coração e corpo. Trindade da união, da unificação onde um vai o outro está. 


Estamos onde? Este caos organizado pela dúvida, confusão e tormento nos faz seguir o primeiro a focar soluções em nós mesmos, no eu… O princípio é partir de nós. Arrumamos a casa, ou seja, nossos problemas e dúvidas para poder ajudar, mas precisamos começar por acreditar em nós mesmos. Fé em Deus, fé em nós e fé no próximo. Quaisquer notícias falsas e mentirosas são desvendadas, reveladas, descobertas, desmentidas buscando a fonte. Ser conveniente por concordar com o que está sendo dito é se enquadrar, é se associar, se igualar as injustiças e males consequentes. 


Se textificarmos e testificarmos toda informação que chega até nós não erraremos o menos possível. Vamos errar sim porque somos humanos e falhos. Quantas vezes deixou de ouvir seu coração e algo que poderia ser evitado aconteceu? Fui tantas vezes surdo a ele. Há tempos não sou mais. Já pensou que pode ser Deus falando contigo no seu coração? Tudo o que aqui foi escrito está lá em todo o capítulo de Provérbios 7 e Segundo João 2 onde nossa atual realidade está retratada. Quando reflito antes de agir penso o que Deus diz sobre isso e aguardo a resposta que sempre vem.

sexta-feira, setembro 25, 2020

Canção Íntima (miniconto)

 










por Rafael Belo


Aos gritos parei o trânsito na manhã. O fluxo de buzinas esperado não aconteceu. Não me xingaram. Não me cantaram. Desviavam apenas… Eu não falava após os gritos. Só olhava para as galerias fluviais abaixo de nós. Aquelas águas fluindo esquecidas debaixo da cidade. Apesar de toda a poluição sonora, eu ouvia e ainda ouço aquela correnteza.


Ela me chamava. As águas me chamavam. Só de olhar eu corria com ela. Só de olhar eu estava totalmente imersa nas águas correntes. Minhas correntes foram arrebentadas. Saí do estado hipnótico da rotina cansativa de acordar se matar de trabalhar dormir e entre isso pagar contas, arrumar uma forma de esquecer, usar sujar lavar roupas e repetir, repetir, repetir…


Quando percebi a leveza da gratidão, voei e neste instante sigo mergulhada nas galerias das águas que me limpam e me lavam até a alma. Aqui, imersa, me sinto imensidão porque se dizer imensa começo uma dieta no instante seguinte… Enfim me sinto O Todo e me espalho sem parar. Não há palavras para ouvidos absorverem, todo o diálogo vem do coração com a alma. Ninguém pergunta nada.


Em alto e bom som o silêncio despolui a cidade, despolui as pessoas... Eu sou instrumento deste Som do Coração. Uma Canção Íntima particular de cada um. Única. Nesta constante imersão sou um convite vivo. Todos são quando sãos ou na consciência da loucura constatada pela ciência por acreditar no que olhos sem fé, sem Amor derivado do Philautia (por nós mesmos), além do Pragma (dedicação ao bem maior), diferente do Ludus (por diversão, por prazer), superado do Eros (romance, paixão e desejo), consegue ser maior que Philia (por irmãos e amigos) e avançado do Storge (incondicional para pais e filhos). É o Ágape (incondicional para todos os seres vivos com conexão com a natureza, a humanidade e Deus) manifestado em nós, testemunhas de Renascimentos.

quarta-feira, setembro 23, 2020

Elo Eterno

 






aquece o sol a face

olhos fechados para sentir

um momento pessoal

refugiado no particular 


não há seres devastados no abandono

neste imediatismo precoce

na falsa crença da incapacidade


no nosso nítido coração habita

a mais divina pulsação


revela nossa ligação de cor no real envolvimento de nunca estar só.

+-Rafael Belo/*

+às 07h29, quarta-feira, 23 de setembro de 2020, Campo Grande-MS+

segunda-feira, setembro 21, 2020

Imediatismo precoce








por Rafael Belo


Mais um sinal fechado e a opressão do mundo assola. Tenta controlar nossa mente criando um cenário desanimador a frente. Sinais de ansiedade, estresse e imediatismo precoce tentam invadir nossos corpos em plena segunda-feira. Carros aglomerados no atraso inusitado enquanto uma aparente tristeza se engalfinha com a raiva real no engarrafamento desnecessário.


Tantos carros nas ruas é uma normalidade que não deveria ser normal nem quando era. Parece obra do diabo. Pessoas se endividando para comprar seus veículos particulares, pessoas se endividando enquanto aguardam o próximo coletivo lotado ou já estão se arrastando dentro de um deles, pessoas sem dormir direito dando alterações corporais tão grandes… Zumbis zanzando na vida prontos para ser colhidos exatamente pelo que não acreditam.


Um imediatismo precoce claramente redundante criando a desarmonia desnecessária da nossa arritmia ou taquicardia mais a sensação fria no estômago… Nos coloca aptos para sermos controlados, nos qualifica para a manipulação, no enquadra nos prontos a passar dos limites da lei, da moral e da humanidade. Ficamos em uma distância calculada do envolvimento real com, inclusive, nossa família e amigos.


Assim, vazios, somos ocupados pelos maus sentimentos, maus pensamentos, pelas reclamações e todas as coisas negativas nos curvam diante de quaisquer barreiras feitas de misturas de "nada vai mudar" com muitos de "é assim mesmo", "não adianta" e "você não vai conseguir" aliados a todas as variações criadas para nos fazer sentir incapazes e solitários. Porém, isto tudo é a criação do inferno das escolhas erradas ou do "deixa a vida me levar" de onde podemos ser salvos primeiro percebendo e depois tendo consciência da necessidade do respeito e equilíbrio entre nosso corpo, nossa mente e nossa espiritualidade. Ao sabermos da indivisibilidade destes, nossa Luz reacende e reascende revelando a constância de Deus na nossa vida.

sexta-feira, setembro 18, 2020

É tudo fé e pé (miniconto)

 








Rafael Belo


Acordei e o ano mais uma vez não passou. Olhei ao redor as oportunidades despertas selvagens feitas animais no mundo ainda sem nomes, curiosos e ariscos como toda infância desconfiada. Sentei-me e fechei os olhos ao respirar fundo. Lá fora os estalos do fogo alastrado circulavam minha casa molhada. Eu fluía feito fluvial água e nem me lembrava de ser um elemento essencial da natureza. Ainda que repousando em certos pontos em outros eu corria e continuava intacta sem evaporar ou perder uma gota.


Fui tomada e derramada dentro de um corpo invisível sem proporções. De repente tudo ficou do avesso. Sentia-me morada. Era habitada por uma extraordinária Luz. Ela era um Amor tão extraordinariamente longe dos padrões humanos que eu me prostrava, mas não havia o meu entendimento total. Até eu dizer Eu Te Amo. Aquela Luz era Deus por toda parte. Eu disse: Eu te Amo Deus. Preenchi-me assim. Não era feita minha vontade mas algo bem superior a ela.


Uma coletividade universal percorria minha superfície e não precisar compreender me levava a uma compreensão onde o meu temor era reverência, assombro diante da grandiosidade do Criador de tudo. Não tinha medo dele. Medo é o contrário de Amor. Não se Ama quem te faz sentir medo. Sem medo eu fui. Sem medo estava sem vestes e incendiava junto ao mundo em chamas. Apagava destruidores e acendia os purificadores. As labaredas deste Amor me consumiam e recriavam. Eu era mais de um elemento.


Eu estava sentada vendo as cinzas trazerem de volta o carbono consumido no vento percorrendo os quatro cantos da existência. Não havia aparência e onde ainda existia terra, era eu também. Mas, no centro de tudo eu pulso, eu bato, Eu Sou…! O Verbo se declama, se derrama e se renova. O passado chama presente chama futuro e volta. Ciclo... E tudo é fé e pé. Eu acredito, eu Amo e piso onde a um instante não havia chão. Eu sou ser humano, semelhança do Criador. Todos somos!

quarta-feira, setembro 16, 2020

protótipo da pequenez




falham as línguas falham os olhos

com a própria vontade sendo feita

eleita por aclamação pessoal

acima de toda moral


em queda espiritual no desequilíbrio

nada é bem ou mal somente

há muitas sementes jogadas na área cinzenta


neste concreto impróprio

protótipo da pequenez


não basta só sensatez é preciso alma coração

e a emoção de estar o próximo.


+-Rafael Belo/*

+às 20h17, 16 de setembro de 2020, quarta-feira, Campo Grande, Mato Grosso do Sul+

segunda-feira, setembro 14, 2020

Seja feita nossa vontade








por Rafael Belo

O mundo em sociedade é tão egoísta e escuro. Cheio de segundas intenções e indiretas. Nós queremos impor nossas visões e desejos ao outro não importa a opinião e a disposição dele. Queremos ser vistos e ouvidos, mas não ouvimos e vemos as outras pessoas. Somos falsos cristão? Não seria tão radical, porém, por mais aprendizagem que estamos tendo não agimos pelo todo e sim pelo eu dizendo que seja feita nossa vontade.


Vindo pela manhã avistei lá a frente uma senhora varrendo enquanto um ônibus coletivo público ia na direção dela. Ela avançou para varrer forçando o motorista a diminuir e depois voltou tranquilamente a varrer a calçada. Pouco depois quase o mesmo aconteceu com um senhor… Enfim, varrer folhas embaixo de árvores em meio ao vento é uma atualização de enxugar gelo? O risco para limpar ruas e calçadas vale à pena? 


Nossa vontade se impõe o tempo todo. Não sabemos viver em sociedade. Não queremos ouvir. Nossos desejos nos controlam. No entanto, quando precisamos perceber que nossos pensamentos, sentimentos e posicionamentos ferem o outro, despercebemos. Soltamos nossos pensamentos e julgamentos independente de nos colocarmos no lugar do outro, independente se havia outra maneira de tratar a situação, independente das outras pessoas porque na verdade se trata de nós.


Nossa força de vontade ao buscar algo para nós mesmo deveria ser o mesmo pelo coletivo. É claro que é difícil ser altruísta, ser empático, ser cristão, mas é desta forma que desejamos viver? Machucando as pessoas? Diminuindo o outro ou não dando a ele a oportunidade merecida? Quem somos nós, afinal, além de julgadores baseados no sentido mais falho do homem depois da língua, os olhos? 

sábado, setembro 12, 2020

Nada há de sentir falta (miniconto)

 





por Rafael Belo


Havia uma falatório me incomodando. Não sabia se era a minha realidade ou se todos enxergavam os mundos que agora eu via. Há tanto cansaço vivendo de maneiras tão diferentes no cotidiano desgastado que é fácil ser vítima de uma má índole qualquer.


Olho as pessoas e vejo todas as versões dela. Tento unificá-las em quem são realmente e, normalmente, se é que há algo normal, não é nenhuma das que vejo. É alguém soterrado profundamente naquelas personalidades construídas.


Converso com cada versão. Elas parecem me reconhecer e lutam para permanecer originais. Querem viver nestes corpos rasos esperando serem profundos mas do profundo vem a Alma correndo feito um mar universal habitando paciente pela permissão de retomar seu lar e transbordar.

Algumas me atacam. É algo que jamais pertenceu aquele ser humano. São projeções de adaptações forçadas a um mundo domado de desejos por manipulações de realidades. Eu Sou A Verdade e nada resiste a mim. Comigo todos serão Alma e ninguém mais sentirá falta de nada por mais que algo falte.


quinta-feira, setembro 10, 2020

Capaz

 







a manhã se esfarela

quando a desarmonia amanhece

amanhã acaba

antes da intenção

o medo do erro bloqueia

toda única imensidão 


da nascente espelho fluindo de nós

algozes do mundo paralelo

elo quebrado da união 


em silencioso conserto

no concerto da direção


a audição é capaz de falar.


+-Rafael Belo/*

+às 07h48, 10 de setembro de 2020, quinta-feira, Campo Grande-MS+


terça-feira, setembro 08, 2020

Não cale a Voz em ti







por Rafael Belo

Há uma realidade distorcida pelo nosso medo de estarmos errados. Uma adaptação para nossa verdade andando vedada. Teme-se ceder ser fraqueza e vive-se com sede independente de quanta água se beba. São estas distorções junto às alucinações pela falta de água responsáveis por criar realidades paralelas. Mundos inteiros feitos aos próprios olhos dando importância ao que não importa. 


Esta manhã observando um morador de rua entrar na recepção da redação, sair com um cafézinho, feliz e cantando me desejando bom dia, percebi que ele não vive em uma realidade paralela e ele se Importa com pequenos gestos, detalhes da vida e desimportâncias do cotidiano corrido, atropelada pela tentativa de conforto no sacrifício do tempo. Gastamos tanto tempo resistindo ao invés de fluir, de ser o rio capazes de sermos.


A simplicidade de ser, a humildade de existir não significa pobreza, humilhação. Muitas vezes é a maior riqueza. Podemos ser simples e humildes ao mesmo tempo de prósperos e com bens materiais. Mas não sabemos discernir, conhecer ou buscar a sabedoria para entender como isso é feito. Vivemos assim lamentando flashes da nossa vida passada incapazes de voltar fora das lembranças.


Remoemos assim desnecessidades. Jogamos fermento na raiva, amarguramos o coração, guerreamos contra tudo e contra todos em uma vitimização tão invertida que a confusão não cessa nunca. Um ciclo vicioso incapacitado de olhar e se colocar na pele do outro por não acreditar ser possível, por na verdade ter calado seu próprio templo clamando por paz, clamando por ser ouvido. Deus fala com a gente a todo instante, mas colocamos todos os obstáculos à frente com medo de não sermos capazes. Mas além de sermos, Deus não desiste de nós.

sábado, setembro 05, 2020

Mundo Janela (miniconto)

 



por Rafael Belo

Quando o assunto é treta não há outra urgência. Não sei qual é a curiosidade humana pela desestrutura alheia, pelo mau olhado do outro, mas tudo para se souber da chamada treta. Olhos se esticam, orelhas se levantam, as mãos coçam, a boca saliva, a pele se arrepia e até o olfato se aguça… Estou olhando as janelas com insufilm. Diferente da apresentação através delas, quase não há vida humana lá fora. As pessoas foram obrigadas a ficarem em casa. Nós recebemos há 1 ano uma notificação de monitoramento onde somos amparados com rede ampla e de real alcance mundial antiqueda. Nunca caiu nosso sistema… Porém, não caímos na real a tempo. Recuamos a primeira dificuldade.

Eu observei as plantas crescerem junto ao silêncio. Não há mais ninguém lá fora. A mesma árvore que se apresenta a mim em três versões por três janelas lado a lado é aquela que cobre tudo aquilo que foi minha rua de referência. Ela está seca em uma, verde em outra e seca novamente na terceira. Fiquei hipnotizada. Não ventava. Talvez um assovio do silêncio aqui, outro ali… A Natureza me chama. Ela retomou seu espaço lentamente. Não há quaisquer vestígios nem nada documentado sobre o ocorrido no último ano. Fomos absorvidos…

Absorvidos pelo tempo, pelos mundos nas telas, pelo silêncio, por uma paz estranha nunca sentida no último século. Sinto ainda estar hipnotizado. Será apenas um ano? Perdi um ano ou mais? As pessoas foram mortas? Só eu fiquei sozinha em casa e obedeci? Não! Todos os meus conhecidos, amigos e família pelo mundo falavam comigo por vídeos e mensagens… Mas, há quanto tempo nada vejo, nada falo… Nada faço? Há algo na minha memória inacessível por enquanto. A janela me chama. Acende uma chama em mim me desestabilizando, me deixando tonto… Fala comigo! Isso! Ela fala comigo…!


Agora me pergunto o motivo de eu não me aproximar da janela. Havia algo nas instruções sobre. Quais eram as orientações? Não importam mais! Estou colada a janela. Há algo reconfortante me levando a abrí-las. Fora deve circular dentro agora e dentro precisa circular fora já. Estou saindo. Preciso ir até onde os ids das pessoas apontam a localidade delas. Vou me libertar. Engraçado como nossa Luz não consegue ser guardada na escuridão ainda mais quando encaixotada desta forma. Me misturei novamente no destaque a Luz. O assobio do silêncio agora é a melodia de uma Voz.

quinta-feira, setembro 03, 2020

para caminhar

 




Não parou não deu um passo atrás

Nada de back of ou sair fora

ficou lá na esquina 

obstruída de caminhos


jamais recuaria da sua postura

mesmo percebendo a esta altura o estar fazendo

recusaria qualquer ajuda e recusou


rodopiou em si com desculpas

apontou todas as sentimentais culpas


disparou como balas que estilhaços fazem e fez a então consciência

atravessar o espaço da dor e da razão para seu espírito caminhar.


+às 07h29, Rafael Belo, 02 de setembro de 2020, quarta-feira, Campo Grande-MS+

terça-feira, setembro 01, 2020

Dificuldade de recuar

 









por Rafael Belo


Temos uma dificuldade imensa de recuar. De analisar os desdobramentos de uma ação e reconhecer seja lá o que for necessário. Julgar não está nada passível de aglutinar na palavra sabedoria. Só podemos analisar nós mesmos. Sábio é buscar a paz ou buscar soluções rápidas para um conflito desnecessário. Somos tão falhos e passageiros neste trem descarrilhado para nossa evolução, que não percebemos que o real trilho é espiritual.


Focamos na mente, na razão, nas pequenas coisas da vida inválidas quando se trata de nos fazer bem. Estressar, ficar com raiva, odiar é invisível, porém, palpável. Afeta nossa alma, nosso coração e o ambiente. Faz mal. Há gestos considerados pequenos mas é como dizer que mulheres e negros são minorias… Ouvir, não reclamar, recuar, dar passagem, fazer carinho permitido, estar presente, comprimentar, desejar bom dia, boa tarde, boa noite, boa sorte e Deus acompanhe são desejos que não prejudicam ninguém. Qual o motivo de não desejá-lo ou fazê-lo? 


Fazer o Bem nunca fez mal a quem o faz de coração aberto. Ajudar sem esperar absolutamente nada em troca traz benefícios não esperados e até inusitados ao nosso cotidiano. Somos o prisma das ações que fazemos e desejamos. Somos a lupa de uma Luz nossa particular capaz dos milagres diários que negamos. Quem nunca reparou que um mau pensamento, uma postura negativa e uma negação constante de si fecha portas e ocasiona uma Lei de Murphy. Está onde se destaca que qualquer coisa que possa ocorrer mal, ocorrerá mal, no pior momento possível.


Prefiro me regrar pela lei de Deus. Nela tudo de Bom e Bem para acontecer, acontecerá, no melhor momento possível e nos maus momentos, passaremos como lição para sabermos como proceder, basta acreditar e agir de acordo. Vimos o tempo todo não haver prosperidade nem paz para quem não se reconhece falho e pecador. O pior ainda chega para aquele que escolhe o mau caminho e a estrada da discórdia. Por isso, peço sempre: recue quando perceber não haver nada de bom em prosseguir.

domingo, agosto 30, 2020

Clandestina (miniconto)

 



Eu


por Rafael Belo


Eu ouço as folhas secas pegando carona no vento, preenchendo minha varanda abandonada e esmagadas por pés divertidos lá fora. Só podem estar se divertindo, não é? Estão lá fora… Eu já não tenho coragem de sair. Tenho medo de pessoas mascaradas… Quando eram máscaras invisíveis eu me forçava a fingir para viver, agora não. Não há mais fingimento. Bom, eu não finjo mais.


Não entendo mais estes catálogos sociais rasgados, mas sei que estão nos celulares e não com as folhas ao vento. Ver a sensualidade do corpo exposta junto a uma certa intimidade no que foram as redes sociais no passado já não é possível se você tem seu chip funcional.


Determinaram há alguns anos que a sensualidade de fotos, imagens, vídeos, propagandas, músicas e afins era a causa da violência, principalmente, contra a mulher e as crianças. Mas era só uma desculpa para nos controlar. Hoje é necessário uma série de medidas e muita burocracia para ter alguma página virtual de conteúdo. Eu sou uma clandestina. Retirei meu chip no primeiro apagão das conexões. Demoramos décadas para conseguir achar as ações e as pessoas certas para nossa liberdade.


É sempre ela a causa das revoluções. Estamos criando nossa própria rede dos vazios deixados. É óbvio que não saio há tempos. Estou morta para o Sistema e minha casa abandonada é toda laminada por dentro. Assim não detectam movimentos nem meu calor. Eles não eliminam as pessoas mais ou as prendem. Somos reprogramados. Somos repaginados e destinados ao que melhor servir ao Sistema. Eu criei toda uma rede de sinais baseada em ruídos para ser impossível o Sistema reconhecer. Outros Clandestinos estão comigo para finalizar nossa rede. Estamos criando roupas, acessórios e utensílios para passarmos invisíveis pelo Controle implantando em todo lugar. Se você está decifrando este ruído as coordenadas dos nossos encontros chegaram no próximo pulsar junto com todos os materiais necessários. Não deixaremos mais o Sistema mandar o mundo controlado.




sexta-feira, agosto 28, 2020

Repaginado

 









a surdez coletiva presta atenção

a sensação de venda constante

de vazios vendidos viciados

substituindo sobras de virtudes


atitudes midiáticas de um só 

luz intensa incandescente influente

na busca de referência da mudez


catálogos sociais rasgados 

em luz e sombra editados


do que deveria ser Deus, mas é ego repaginado.

+-Rafael Belo/*

+às 11h51, segunda-feira, 24 de agosto de 2020, Campo Grande-MS+

segunda-feira, agosto 24, 2020

Catálogos sociais

 





 

por Rafael Belo


Presta atenção! O sinal está em alerta em todos os semáforos e estamos nos celulares ou enxergando outro mundo. Presta atenção! Os conteúdos digitais são corpos expostos, seios, nádegas, abdômen, músculos e vivemos em comparação. Presta atenção! Tudo isso passa se não pararmos para perceber, para desenvolver outros músculos longe dos desejos carnais, longe das satisfações materiais e vai sobrar alguma coisa ou alguém no fim do dia quando a cabeça gira na insônia ou apaga de exaustão?


É tudo carne, matéria e comparação? Vamos fingir que não há catálogos de corpos, jeitos e formas de se relacionar em exposições extremamente exageradas? Basta abrir as redes sociais e se envolver com a sensualidade de tudo. Qualquer assunto vira objetificação. O mundo se transformou em um imenso lego sem significado. É tanto vazio preenchendo os espaços que a desatenção se torna um bem comum. 


A desestruturação da amizade verdadeira, o falecimento da base familiar e, principalmente, o uso de Deus como muleta de likes e desculpas para questionamento de acontecimentos fatais ou com sequelas nos desencaminha. Conscientes ou não vamos matando oportunidades e morrendo diariamente a espera dos próximos catálogos sociais ou, simplesmente, em uma obsessão por atualização de instante em instante. É um presta atenção diferente! 

 

Estamos tão carentes e distantes do que seja a sombra do Amor que qualquer migalha parecida com atenção e carinho já é relacionamento, já é entrega e uma série infinita de auto-engano e feridas abertas. Alimentamos nosso ego com desculpas e desvios daquilo detalhado no fundo do coração, no fundo da alma e na superfície da mente: nossa liberdade está em nós, o Reino vive em nós. Preste atenção! Ouça-se e, então, irá ouvir com certeza o seu arredor sem perder tempo com vazios.


quarta-feira, agosto 19, 2020

Onde está o Amor?





Rafael Belo

A empatia morre no primeiro julgamento, no primeiro apontar dos dedos todos os dias ainda pela manhã enquanto a conveniência próspera em adoração a aparência das falsas moralidades. Esta é nossa realidade. As pessoas ao invés de estender a mão, apertam ombros e empurram para outras para dentro do abismo mais próximo e, para garantir a queda, fecham as mãos e esmurram o rosto de quem precisa de ajuda. Soltam das suas línguas palavras vãs em nome de Deus quando só falam pelo próprio ego. 


Os incansáveis versículos MT 22:21, daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus e ainda ROM 13:7, a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra. Não podeis ter dívida de alguém, senão a dívida do amor. Simplesmente revelam o quão endividados somos com todos os planos. Estamos no plano físico e devemos respeitar as leis, porém sempre estaremos devendo amor. Sempre estaremos em dívida com o amor e nossos planos seguem rasos nas aparências.


Ontem ouvi uma frase que parece da sabedoria milenar, mas está atribuída a Simônica Nottar, que diz: é possível parecer sem Ser, mas é impossível Ser, sem parecer.  Em um mundo de aparências situações limites revelam ainda mais quem somos. Podemos manter as aparências por um certo tempo, mas como elas enganam, uma hora são reveladas. Agora como Ser sem parecer? Basta ver perfis e construções de personalidades virtuais nas diversas mídias tentando ser sociais para encontrarmos…


Opiniões, comentários, omissões, repressões estão por toda parte, mas sem justiça, sem igualdade de espaço e, principalmente, sem amor de nada valem. Estamos hostis, estamos agressivos, estamos extremamente violentos com o outro e totalmente desrespeitosos ao próximo. Estupro e aborto são generalizados com as vítimas expostas e revitimizadas constantemente… Causando ainda mais divisões, revoltas e além de mais dores, dívidas ainda maiores com a própria humanidade. A pergunta que fica é onde está o Amor?

terça-feira, agosto 11, 2020

Para poder enxergar

 



Rafael Belo


Não liguei a televisão estes dias. Não acessei nada além da editoria do trabalho. Vesti meu anteolhos e trabalhei até o serviço terminar. Nenhum sintoma de COVID, só precaução. Depois me perdia no vazio. Deixei a barba crescer ou simplesmente não a cortei mais... Fiquei meio órfão e meio náufrago. Nada literalmente. Eram só erros insistentes de comportamento solitário, um passo para trás na areia movediça da armadilha do tempo, pois neste agora sou maduro. Não um jovem descartando responsabilidades, mas um adulto fruto de si mesmo. Sozinho se pensa em quem não está fisicamente contigo. Eu poeta.  Eu, marido.  Eu artista.  Eu filho. Eu irmão. Eu  jornalista, eu falido de mim,  longe, isolado, porém, com conexão via web.


É agosto para quem escreve um diário ou precisa se situar pelos anos, meses, datas e horas. É início de terça-feira dia 11 de agosto de 2020. Ninguém entendeu ainda o que está acontecendo, mas todos ficamos especialistas em achar culpados. Melhoramos nossas formas de julgamentos e linchamentos virtuais. Estabelecemos uma censura velada e uma nova guerra de polaridades. São bipolaridades, múltiplas personalidades e uma esquizofrenia enforcada nos horários nobres da tevê e de cada mídia até das sociais. 


São mortes, medo e consequências das mentiras contadas diariamente, dos atos feitos para autoproteção. Pouco se mudou, mas quem não tem caráter segue sem ele, quem ignora a ética tão pouco tem a própria moral bem elaborada. Somos séries de pessoas fatiadas, fragmentadas se escondendo nas desculpas que nem pedimos. Nos tornamos assessores da conveniência, prisioneiros dos sonhos que não sonhamos mais.


Estamos buscando a segurança de dias repetidos, de mortes anunciadas e do salário desafiando o mês. Perguntamos da nossa razão, questionamos a nossa loucura e escolhemos de qual dívida sair primeiro ou de qual maneira trazer a satisfação momentânea gastando… Gastando dinheiro, tempo, mente, corpo e alma barganhando por prazer, trocando consumo por fé. Somos decepções mesmo sabendo pela Luz guardada em nós que podemos nos salvar. Diariamente ajo para poder enxergar.

terça-feira, agosto 04, 2020

Nossa desonestidade






por Rafael Belo


Não há deus da pressa. Não há deus do imediatismo. Estes são os algozes do tempo nos pressionando e auxiliando na autopressão neste nosso viver de refluxos com este suco gástrico queimando a garganta derretendo o paladar. Neste tirar dos sabores a cobrança se intensifica e tudo precisa ser entregue antes de ser pedido, todos precisam chegar antes da hora ser marcada, o resultado precisa ser entregue antes da meta… Esta correria é um desaproveitar de si, do explorar o melhor da entrega… É uma morte certa sem vida onde não respeitar os sinais de trânsito só piora a situação.

Eu reluto para não ter pressa, para correr, para aproveitar cada milésimo do segundo, do minuto, das horas… É tentador desrespeitar todos os sinais. É um risco desnecessário com sequelas tão conectadas a morte, a feridas abertas simplesmente por furar o sinal, pela adrenalina do desafio, pela compensação incompensável do atraso e com qual objetivo? Nos falta honestidade! Isso mesmo: HONESTIDADE! Nos rendemos a um pouquinho mais, ao não tem problema, ao depois eu resolvo, ao daqui a pouco e nos vestimos de dezenas de desculpas que armamos na língua para disparar para todo lado.

Ah, sim. Não podemos esquecer da procrastinação. Este palavrão que usamos muitas vezes sem nem saber o significado ou sem usar a palavra em si, mas vamos empurrando para depois algo que poderia ser resolvido no momento, sem pressa, sem imediatismo. Não somos honestos com nós mesmos como seremos com o outro. Tudo isso gera nossa servidão ao deus da pressa, ao deus do imediatismo que só causam exaustão, estresse, insônia, preocupação e morte.

Mas então nos dizemos cristãos e que Deus é maior, porém sem mover um dedo para resoluções dos nossos problemas diferentes da correria e da falta de tempo. Deus não é construção? Não é obra? Não é tudo ao seu tempo? Sabemos que sim. Só agimos ao contrário desperdiçando o Tempo que não volta e adiando nosso reconhecimento da nossa desonestidade para dali em diante sermos o novo, a Boa Nova. E aí que paro diariamente e peço proteção por quem tem tanta pressa.