terça-feira, setembro 03, 2013

O preço



O preço
por Rafael Belo

Caetano já cantava que Narciso acha feio o que não é espelho (Sampa) e o problema é a quantidade de medidas deste peso psicológico na população.  Uma questão de peso e seus padrões midiáticos que criaram deste a anorexia (um transtorno alimentar que deixa o indivíduo com a sensação de sempre estar acima do peso e, por isso, come pouco ou quase nada), bulemia (transtorno alimentar onde se ingere muito alimento e depois com medo de engordar, os expele) e demais ias até a vigorexia (sensação de estar sempre fraco e fazer cada vez mais intensamente exercícios físicos excedendo até a capacidade de recuperação do corpo). Tanto bullying social e autobullying criam uma obsessão narcisista onde o espelho é o principal ator da vida.

Mas, as pesquisas apontam que mais da metade da população está acima do peso (51%) e 17% obesos. Os problemas de peso (trocadilho infame) são mais graves aqui, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, onde 56% da população está com sobrepeso. Há quem se sinta bem por um longo tempo e nem se preocupa com a situação, até ser alvo de bullying, ser alertado por amigos, familiares, médicos ou acabar hospitalizado. É claro que é possível ser saudável e acima do peso, mas com a atual ocupação do nosso tempo a probabilidade é a mesma do acidente que aconteceu no início da manhã desta segunda-feira (02/09) no rodoanel em Cotia, na Grande São Paulo. Um caminhão com um container de açúcar tombou em cima de um carro, e o incrível (ou seria milagre?) foi o veículo ter ficado encaixado entre o cavalo mecânico (cabine) e a carreta(carga) sem nenhum ferido.

Há outras formas de sobreviver sem contar com milagres, mas com a situação da Saúde brasileira é bem melhor criar força de vontade e partir para a famosa reeducação alimentar e atividade física. Posso estar bem enganado, mas ao mesmo tempo em que há toda uma exploração da “medida certa”, há um vasto mercado querendo lucrar e os riscos do sobrepeso e da obesidade vão sendo camuflados, e então viva a redução de estômago, as propagandas de fast food, os remedinhos milagrosos... Hip Hip hurra...! 

Por outro lado, poderíamos pensar que não é sedentarismo, preguiça, gula, culpa, redirecionamento emocional, genética, glândulas, desatenção, ciúmes, cobiça, inveja e seja lá o que for o motivo do nosso peso, muito menos estético. Pelo menos não isso.  É pela própria saúde. Nossa saúde equivale a anos de vida a mais e bem vividos. É uma escolha. Não podemos negar. Mas, escolhas também são negações. Você aceita uma coisa e consequentemente nega outra. Estamos cada vez mais acomodados com as facilidades. São carros, dois, três... Empregos. Família, amigos, trabalho, trabalho, trabalho e uma ansiedade constante pesando em todo o corpo, principalmente nas costas e na mente. Nossa própria opressão contra as cobranças ao redor. Então, Caetano segue em Sampa: E foste um difícil começo/ Afasta o que não conheço. E nós somos os únicos a pagar o preço, às vezes qualquer preço.

2 comentários:

José María Souza Costa disse...

Olá, bom dia, Rafael Belo.

Eu sinceramente, sofro de " comofobia", degusto de tudo. De feijoada, à torresmo. ( Kkkkkkkkkkkkkkk )
Escrevendo sério. É grave o problema de saúde alimentar, não no Brazil. Mas, no mundo inteiro. E confesso que no Mundo Inteiro, falta, uma Política Publica Alimentar. Mas, como fazê-la, na na esquina dos nossos desejos, estam os " mequidonaldis", a nos atormentar ?
Belíssimo texto.
Parabéns.
Abraços.

Rafael Belo disse...

as tentações estão por toda parte meu amigo. Mas nossa vontade só não é soberana diante de algo maior. Eu não tomo refrigerante, por exemplo, há no mínimo 12 anos. rs Creio que não há um real interesse nesta política rs abraços e muito obrigado, meu nobre.