sábado, novembro 26, 2011

Somos anjos e demônios



Trilha - É preciso dar vazão aos sentimentos - Bidê ou Balde.




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*(  se tiver que tocar a Luz sua fé é fraca e pode se apagar depois do terceiro toque...) Foto Rafael Belo

por Rafael Belo
Email anônimo destinado ao mundo
Perto do fim tudo parece voltar ao início para o derradeiro. Como um minuto eterno de consciência onisciente do coletivo e das extensões dos universos. É como se a compreensão final sorrisse e o som da linha reta pudesse se perpetuar na UTI invisível. Mas, antes dos pontos finais e da pontuação necessária, há um surto de pluralização única de nós, seres sem iguais. Nunca só calmos, nunca só irritados, nunca só gentis, nunca só sorridentes, nunca só tristes, nunca só felizes, nunca sós enfim, porque somos detentores de todas as sensações das mais diversas formas captadas pelo corpo e pela alma.

Já não sei mais quem sou – se é que já soube um dia – mas, não somos uma coisa só, não somos os anseios de ninguém e o ideal?  O ideal é sinônimo da utopia. Uma referência, uma luz no fim do túnel posta para nos indicar o caminho. Somos anjos e demônios sim. Não adianta negar, procurar com a cabeça os ombros esquerdo e direito vigorosamente. Admita. Somo fortes, fracos, somos humanos... Doamos opiniões e agimos pouco. Pouco em demasia. Chega da nossa hipocrisia reconfortante! Nossos pecados serão perdoados e quando compreendermos de fato, no soar da maturidade desta ou daquela idade, nos arrependeremos.

Como ninguém sabemos ser sábios e tolos. É da nossa natureza humana. Mudamos muito de assuntos, insistimos muito no mesmo ou não temos assunto nenhum. Mas fazer justiça com as próprias mãos ajuda a incitar o ódio, a decepar cabeças de hidras mitologias só para vermos duas novas nascerem no lugar. Não precisamos tirar a vida de ninguém ou nos privar da liberdade de ser quem somos, basta nos adaptarmos. Existem sempre vários caminhos para chegar a um objetivo, existem vários objetivos para um caminho.

Nosso mundo é tolerante e sabemos bem o significado de tolerar – distante o suficiente de aceitar ou respeitar. Queremos respostas, queremos perguntas, queremos responder, queremos nos calar, queremos o silêncio, queremos guerra, conflito e queremos paz. As pessoas têm interesses, nós temos interesses nas pessoas. Amamos – ou pensamos que sim – nos apaixonamos e perdemos a paixão, fingimos desamor e às vezes o promovemos. Para no final voltarmos ao início de um email anônimo desabafado (desesperados enviados a todos e todos os meios de comunicação) e descobrirmos que fizemos várias rotações e translações e, tonteados, desabamos na beira do edifício mais alto das proximidades. De lá deslumbramos as nossas necessidades: alguém que nos ame, alguém para amar, um grupo de amigos e lembranças, um refúgio e os momentos de silêncio e solidão. Somos o próprio paradoxo em harmonia.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Barulhos da Noite

 Trilha Quase sem Querer - Legião  Urbana na voz de Maria Gadú

(* o que está no fundo atrás da teias do muro ?) Foto Rafael Belo

por Rafael Belo
Engraçado como o noticiário nos fez medrosos. Bem, o noticiário, nossos pais, nossa falsa sensação de segurança, experiências nossas, alheias e, claro, nossa própria paranoia. Basta um barulho da noite, aquele ruído noturno repentino, para o despertar. Tudo fica em alerta e às vezes o sono dá lugar a insônia. Mas qual seria nosso feito se o possível invasor tivesse portando uma arma de fogo? Com sons diferentes no quintal ligar para a polícia é a primeira ação, mas normalmente nossa reação é: ‘e se não for?’ Aí vamos até lá verificar... Instinto e insegurança se misturam e no final, no breu das altas horas, não dá para confiar mais.

Devemos estar preparados para tudo, mas é tão exaustivo sermos eternos escoteiros, olhando para todos os escuros, gritando sempre alerta e temendo estranhos desconfiando de desconhecidos... Mas ao mesmo tempo aquela sensação de sermos impunes e com tanto ego a afastar qualquer mal deixa o desequilíbrio igual = totalmente equilibrado. Os barulhos da noite nos perseguem em cada esquina. Às vezes nós estamos nestas esquinas escondidos nos esperando para a surpresa... Na ponta dos dedos, achamos termos o controle.

Se não temos controle sobre nossa reação diante do inesperado por mais treinamento mental imposto por nós mesmos por que tanta preocupação com o porvir? Por que nos consumirmos tanto diante ao quem sabe, ao possivelmente? Esta sensação de impotência perante o passar das horas só existe pela nossa superestima. Esta nossa mistura diária de herói/anti-herói no olhar único de cada um nesta nossa gula veloz de não saber esperar, de querer resolver cada problema e tudo de uma vez ... Claro, virão reclamações e nos verão lamuriando o evidente leite derramado...

Este nosso eu freudiano martelando a certeza do entender dos outros, do mundo, exaure nossas possibilidades de permitir conhecer o passar ao nosso redor, enche nossas vistas de anteolhos e nos torna juízes constantes quando somos réus da vida. Desprezamos o presente com tal argúcia de raciocínio a ponto de não raciocinarmos e deixamos o presente guardado a olhos nus, sob as árvores de Natal para quando for passado o abrirmos e descobrirmos não ter sido bem daquela forma que víamos, mas então, os barulhos da noite já não nos deixaram dormir – mas quem sabe deixarão.

terça-feira, novembro 22, 2011

Oásis urbano


Trilha - Dom Quixote , Engenheiros do Hawaii


(*Somos além de segredos, somos mistérios
não decifrados por nós mesmos) *Foto Rafael Belo

Mesmo sob o sol escaldante diário nosso deserto hesitante se move
nos restos do passado não usado ao lado dos ventos renovados  do incensário
fazendo árvores longas sobre seco suor, sob nossos pensamentos que sobem,
fumaça da oração na sensação sendo ouvida por meio dos nossos grãos de areia a formar um grão, no oásis urbano

humanos traços nas fases dos quatro elementos espalhados pelo nosso vento
face da nossa folha verde no intenso outono, por mais que para sempre seja verão
naquela estação da sensação de inverno poucas vezes é frio e estagnado
pois há flores da primavera no coração e os mistérios da vida na alma não são segredos exagerados, são os ares das areias do nosso olhar acostumado a se enxergar destacado na multidão, em reforma eterna cheia de avisos de reforma e reconstrução.

Às 14h40 por Rafael Belo na segunda-feira, 20 de novembro de 2011.

sábado, novembro 19, 2011

Nos limites da memória


A trilha sonora mais uma vez é O Teatro Mágico, 'Transição' -do CD A Sociedade do Espetáculo

*(A pequena Panda na vastidão de seu mundo se confunde com a natureza e a natureza se confunde com ela) Foto: Rafael Belo
Por Rafael Belo
Não era a primeira vez. Mas, já não acontecia há uma vida inteira. Mesmo assim sob suas unhas estava uma molhada terra vermelha, suas mãos estavam cheias de cortes e seu pijama do avesso parecia retalhos não costurados. Seu sonambulismo atacara novamente neste fim próximo. Aos 93 anos, firme com pouquíssimas rugas, sua memória falhava ao tentar se recordar da última vez... Até que... Sentou-se. “Meu Deus! Ainda era uma adolescente quando meus pais morreram e acordava noite após noite em busca das minhas referências e ao voltar da minha consciência estava com as fotos deles nas mãos...”

- Ah, Asharo Gen... Qual a busca do seu inconsciente agora? Vou voltar para casa e esperar minha memória recente fazer o mesmo, disse para a madrugada iniciada.

Descalço. Estou descalço. Não só sinto o chão, mas a vibração do silêncio urbano. E... Será...? Será que se eu não piscar não perderei mais nada? Desta vez minha calma não vai mais me abandonar. Não terminarei medicado ouvindo desconhecidos dizendo me conhecerem e debilitarem meu tempo programando minha vida como um microondas apitando miolos aquecidos. Não! Sei e não me sinto sozinho. Agora é parecido... Mas... É outra coisa... Tem a ver com... Quem é você?! Por que estou tremendo tanto...

- Quem é você?! Não se aproxime. Por que não o escutei se aproximando e..., Asharo suspirou profundamente virando o rosto para frente.

Não havia ninguém. Vou fechar os olhos, abaixar a cabeça e olhar novamente. Pronto...! Era novamente meu passado longo me perseguindo em peças noturnas. Nestes meus passos ecoando... Nossa... Eu fiz todos estes buracos na terra?! Por isso tanta dor nos músculos. Não conseguirei competir amanhã. Nada de piscina enquanto eu não me resolver. Há tempos eu não era um mistério... Ah, as mulheres adoravam este meu ar, meu olhar... Chega de divagar! Tire o sorriso bobo do que já foi e se concentre por um tempo.

O que é isso pesando no meu bolso? Bolso? Desde quando meu pijama tem bolso?!

Que frases são estas na minha mente: ‘ Preservar coragem em transição’, ‘Desvalidar o improvável’... Com certeza são versos de alguma boa música. Devo estar dormindo...

- O que este sonho queria dizer..., foi retórico Asharo enquanto caminhava na escuridão de seu chalé até a sacada para procurar as respostas no silêncio. Aos poucos foi balançando a cabeça afirmativamente e abriu um sorriso a não mais sair de sua face.

Chega de fugir. Vou voltar. Meu pé... Ah, Danpa, minha fiel Danpa... Vai voltar comigo para a civilização e a conhecerá pela primeira vez, mas ninguém acreditará na tua inteligência e idade.

Asharo fez as malas e começou a descer as montanhas. Uma pontada atingiu sua alma e ele percebeu ser Danpa a causadora. Ela ficara nos limites das montanhas o encarando e virando a cara em diagonais. Asharo esperou as lágrimas e a compreensão escorrem. Não posso voltar... Certo? Nem para te abraçar... Devo seguir. Me lembrarei de ti?

Quando Asharo seguiu seu caminho. A incrível cadelinha Danpa, que não crescera e não mudara por todas as nove décadas ao lado de Asharo, cavava buracos todos os dias em busca do seu dono e o reencontro entre eles.

quinta-feira, novembro 17, 2011

Onde está a calma?


A trilha é "O que se perde enquanto os olhos pisca", o Teatro Mágico.



(E de repente  os galhos seguem as nuvens e nós despencamos) FT Rafael Belo

por Rafael Belo

A pressa engole nosso tempo sem mastigar. Mas, mastigados somos nós a ficar atrás desta corrida com a ânsia do mundo torto a nos ensinar a correr para chegar sempre na frente. Nossos ponteiros nunca se acertam e nossos fusos horários vivem em constante pane, já nesta vida vivida para trabalhar. Nosso relógio invisível é programado para nos alertar do nosso cronometrado tempo dividido, multiplicado e somatizado das nossas síndromes diárias do ‘estou ocupado’. Com tanta velocidade empregada nosso espaço fica vago e nós desempregados do viver. Tudo é curto, inclusive o pavio. Por isso, até além da sexta-feira outro estado é procurado... Onde está a calma?

Nas ruas todo o horário é de pico, toda fila é impaciência e cada palavra é reclamação. Em casa o cansaço é rotina, as dores de cabeça companheiras e toda conversa agressão. Como praticar a vida sem calma? Sem consultar os celulares inquietos e as horas atropelando? Se as calçadas não tivessem lixeiras, árvores e postes os motoristas e pilotos dos veículos dariam um jeito de ultrapassarem os adversários outros por ali, os ciclistas ignorariam tudo e os pedestres fingiriam não ser nem com eles... Se houvesse paciência e – sei lá – companheirismo e não competição ilimitada enxergaríamos mais no próximo, poderíamos baixar a guarda...

Mas estamos distantes pensando no dia seguinte, procurando culpados e passando direto pelo dia seguinte. Este passa diariamente enquanto nos atrapalhamos com nossos planos de enriquecimento e por mais mais mais mais.... Nossa ambição nos cega, ensurdece, emudece e regurgita verdadeiros valores simplesmente para vencermos a disputa de chegarmos primeiro ao sinal vermelho. Caso esteja verde, aceleramos mais por uma onda de cruzamentos abertos para afinal vencermos a competição imposta e dormimos...

Lá na linha cruzada nos louros e glórias procuramos do alto os deixados para trás, os espinhos, pedras e o próprio caminho... Era isso nosso futuro? Mas, cadê a paz?! Quem nos tornamos afinal? Onde está o suficiente? Onde estão os sorrisos? Onde estão os sonhos? Onde está a responsabilidade? Onde nós estamos enfim...? Achamos em algum canto o perdido Pequeno Príncipe da nossa eterna infância conhecedor do fato de nos tornarmos eternamente responsáveis pelos nossos cativados? ‘Alguns’ na verdade temem a felicidade, se tornam cativeiros dos sonhos inacabados, cativos de suas horas marcadas e se esquecem de perguntar: onde está a calma?

terça-feira, novembro 15, 2011

Reis tolos


*(a flor da abóbora murcha na verdade esconde a coragem do sol)
Captei no fundo do quintal do serviço, Rafael Belo.
Perdeu-se a coragem na esquina quando a curva da chuva chegou cintilando
nas ruas lavadas de céu noturno leve límpido louvado em catarse
na frase viva ouvida por arrepios adentro no centro de tudo no fundo do olhar do espelho

Centelha estralada do seio da terra molhada na calada da coragem abalada do amanhã
queimando feito fogo falido enquanto o falecido não tem nada de morto
só solto sedado pelo alado selo partido salgado no debulhar do trigo

Colhido silencioso no meio marginal mareado onde se dissipa a sanha
sem manha escondida da contida coragem constipada alastrada em incêndio
perdido na chuva curvada coroada pelo rei tolo tomando tudo como seu

som saindo , alto alvo aniquilador... Caindo na esquina na branquidão onde se arrastava a coragem.

(Rafael Belo, às 22h21 de 14 de novembro de 2011.)

sábado, novembro 12, 2011

Pequenos milagres ao sol

*(...em todas as dimensões a Luz chegou e mostrou o quanto há milagres na vida...) captei nos fundos do serviço na quarta, Rafael Belo.


por Rafael Belo
Ela simplesmente juntou tudo que lhe pertencia – as roupas e materiais passou o mês doando -, respirou em profundidade, ligou o som e deixou correr as lágrimas. Era a primeira decisão de sua vida em silêncio e sem influências de terceiros ou primeiros...  Deixou-se pela última vez deitar debaixo das flores roxas e ver a versão original do sol espreguiçar seus longos raios acolhedores para mais um dia milagreiro. Daria seus primeiros passos no escuro e na solidão em quase 20 anos. Já beirava os 35 e sabia: solitária não ficaria. Quem realmente a conhecia a entenderia e da forma de cada a incentivaria. Estavam com ela, além das lembranças.

Perita em pequenas armas e mestre em Aikido, correria menos riscos de morte pela sua caminhada. Aika Sophia esperava um dia poder ajudar as pessoas a crerem. Mas, como jurou protegê-las quando se formou há 13 anos, o prosseguiria fazendo, mesmo sem a farda. Planejou viver de sua arte de escrever e filosofar por meio da fotografia – seu hobby – e da poesia – sua expressão diária. Decidiu escolher em cada cidade passada uma pessoa coerente e consciente na medida do possível, de si e do mundo. Além de seu quimono, suas faixas de graduação e conhecimento, carregava sua máquina fotográfica...

Não imaginou que o Grande Criador pudesse abençoar sua até que enfim decisão. Quando choveu, no seu primeiro passo fora de casa, seus olhos choveram também – de novo. Era a paz e a alegria misturando doce e salgado em seu rosto no arrepio da sua alma pelo corpo. A alegria nunca foi tão bem lavada. E entre as nuvens e o os raios fugidios do sol escondido coloriu um imenso arco-íris fascinante. Uma revoada de diversas espécies de pássaros pousou ao seu redor e cantou. Em meio a tanta água, Aika Sophia sorriu. Como velho hábito juntou os dedos da mão direita e os tocou como um golpe na diagonal da sua testa sobre a sobrancelha direita e rapidamente retirou: “Sim Senhor, Senhor!”

Recolheu suas coisas da varanda e continuou seus novos passos. A chuva cessou e parecia o fim da manhã. Ficou feliz por ser pequena e se sentir tão imensa – mesmo com seus menos de 1,70m -  media  todas as medidas do universo. Seus pecados foram lavados e agora sabia o rumo certo para seus dons. Quem sabe voltaria a postar na ‘voz do post a libertar’ quando pudesse falar como todos de uma vez na conexão única... Agora o faria um a um até voltar ao todos ser um. Enquanto saia da cidade imaginou como seria amanhã quando amanhecesse e seus post do dia continuasse dormindo...

quinta-feira, novembro 10, 2011

Amarelo formiga

*(polenizamos a vida mesmo na nossa pequenez agigantamos o amarelo) RB
Amarelo formiga

O nariz vermelho reluzia o reflexo da realidade
raiz espelho da fantasia dos outros sobre nós
atados a pequenez agigantada pelo amarelo [identidade
perdida na voz pela vastidão do nosso silêncio a sós

ecoando a lúdica luz lívida no novo ato amanhecido de raridade
rarefeito efeito feito do amarelecer das lágrimas escorridas dia das nuvens

poço raso sem fim da alegria procurada na amplitude da vida em profundidade
a se encontrar no desfocar dos detalhes divinos sem nós
sem sós, de sóis a sóis no desbotar desabrochado no interior do olhar sem idade

brilhando as cores deflagradas do instante inebriante do nosso acontecer.

Rafael Belo – 9 de novembro de 2011, às 7h45.

terça-feira, novembro 08, 2011

Banho de chuva

*(ornamenta a terra o tronco talvez morte de sua origem mas vida para muitos..
Rafael Belo)
Por Rafael Belo
O gosto da chuva parecia querer amargar o fim do dia. Mas, chuva é doce por mais molhados a ficarmos.  Nem o show adiado pelo tempo acabou com um domingo de dádivas. Depois de dias quentes tomar banho de chuva estendeu o fim de semana até o cinema mais próximo e claro, valeu à pena. Mesmo se o filme fosse ruim – o que não foi – o primeiro dia da semana chegou ao fim ainda sorrindo. O Palhaço é uma boa lição. Não é um filme completo, mas ver a atuação de Selton Mello em seu próprio filme com um grande elenco e uma fotografia impecável deixa todo o longa em um quebra-cabeça repetindo na mente.

Não vou contar o filme, mas ‘quem faz o palhaço rir?’ não é um pergunta cuja resposta seja difícil. ‘Se o gato gosta de leite, o rato gosta de queijo, você gosta de ser o quê?’ Quanto ao riso do palhaço sem seu nariz vermelho quem proporciona é a própria escolha de fazer os outros rirem. Mesmo quando nós retiramos nossas máscaras sem conseguirmos retirar os narizes vermelhos, somos felizes em nossas escolhas diárias a nos levarem ao futuro reiniciado a cada minuto chegando e se tornando no próximo minuto, passado? Nada de culpar o tempo, a família, os amigos, os outros antes de pensar bem ‘em refletir’...

Acredito ser no nosso palco da mente onde atuam tantos atores reverberados nos nossos pensamentos e lembranças aquele grande ‘quê’ de definição em uma única escolha para o resto da vida. Como se... Como se não pudéssemos mudar de ideia, errar, cair... É o que mais podemos. Como acertar a mutação constante de ser quem somos sem nos permitirmos descobrir? Desagrilhoar das correntes das limitações não é uma forma fácil de fugir da robotização modernizada dos ‘pensamentos’ nas redes sociais. Não há um decreto divino ou judicial a nos obrigar a sermos apenas uma escolha. Caso houvesse - e até caso o mais xiitas acreditassem – seria humanamente impossível.

Mesmo se os materiais baratos da política – escolhida por nós – causarem danos - como causam – e for decretado estado de emergência, o desmoronar , o cansaço e o engolir da erosão não será o fim. Há sempre tempo de assumir ou rejeitar o nariz de palhaço aceito um dia por nossas cabeças baixas como uma medalha de superação esportiva. Isso não significa desespero, dor e ranger de dentes – pode até não significar nada – mas hora ou outra o tempo se estenderá diante de nós se assim lutarmos para ser. Aí a chuva vira para marcar e lavar nossa alma.

domingo, novembro 06, 2011

No Dia Seguinte

(* o mundo escureceu e tudo remetia a um par de lâmpada fria acesa e todos para lá foram... Captei em uma antiga sala de trabalho. )



Por Rafael Belo

Ele havia rasgado suas roupas e andava com seus próprios trapos. Era do povo, mais um Zé Ninguém ilustre... No entanto, seu plano estava prestes a funcionar agora que chegara a Brasília e parecia se misturar aos mendigos. Toda sua estratégia de dividir e conquistar havia falhado e ele acabara improvisando. Mesmo com o sucesso solitário nas estâncias menores invadidas seu rosto ficara conhecido. Amado e odiado foi se escondendo pelos anos e apagando seus rastros como um cão de longa calda se arrastando pela areia. Foram necessários cinco anos de ausências e perambulações. Seu nome, sua vida não existiam mais.

Méugnin Camaleão... Era assim que as raras mentes ainda lembravam, mas mesmas estas não podiam provar a existência dele. Sua estratégia saia tão perfeita a ponto dele duvidar. Antes e agora. Na Capital Federal, não o encaravam sequer o olhavam... Ele, finalmente, não fedia nem cheirava. Não fora revistado ou impedido de entrar em qualquer lugar da cidade avião. Perambulava invisível feito um fantasma flutuando pelos cantos e só não era a encarnação do silêncio porque podia jurar: “se alguém passar muito perto ou vai ouvir meus pensamentos ou o barulho das sinapses trabalhando...”

Passou o dia analisando. Assombrou o Planalto Central como este cerca os cidadãos brasileiros e ali não havia mentalistas ou sensitivos para vazar informações e espalhar a cidade planejada em 191, 5 milhões de pedaços de pizzas... Cada porta e saída de emergência foi memorizada ao lado dos horários de entrada e saída de funcionários e a troca de guardas. Os mapas de todos os cômodos cintilavam nos seus olhos sem brilho. Decidiu confirmar todos os dados colhidos por mais um dia e marcou os ângulos cegos das câmeras. No dia seguinte, revelou sua mochila e trocou de roupas.

No Congresso Nacional se misturou aos paramentares federais e todos o cumprimentaram efusivamente. Fechou cada porta silenciosamente e em seguida obrigou o presidente da Casa a passar o microfone. Era uma sessão extraordinária, mas todos os suplentes também estavam presentes. Só havia os representantes de cada Estado presentes. Para a ‘sorte’ de Méugnin Camaleão só havia quem interessava. Com armas e bombas ele descreveu a situação e após muitas mentiras vindas dos ameaçados... No primeiro dia fez cada um trabalhar e ler todas as leis. Nos seguintes fez todos aprovarem os projetos engavetados, parados, ignorados.

Algumas semanas passaram e poucas reclamações vieram pela interrupção das sessões ao vivo, mas até estas cessaram. O fato é: o Brasil dificilmente aguentaria tanta bonança em menos de um mês, por mais que a espera tenha durado tanto. E a desconfiança era generalizada, assim como a confusão. Parentes e amigos não chegaram nem a estranhar o sumiço... Era apenas mai um... Mas, eventualmente o descobririam e de fato aconteceu.

Ele passou dias sob o cerco cerrado de especialistas, mas saiu como entrou só que estava de terno e uma pasta. Tinha o dossiê de cada um e o dinheiro de todos... Os bicos estavam fechados. O passo seguinte era depositar cada centavo merecido nas contas dos contribuintes e novamente entrar nos esquecimento, só não passou pela cabeça de Méugnin Camaleão este ser o início do fim e no fim só havia um par de lâmpada fria acesas.

quinta-feira, novembro 03, 2011

Outros portões

(quando as árvores caem as nuvens fazem as sombras até aprendermos
que os portões são outros e iluminarmos... Captei também na estrada)
por Rafael Belo

Depois do granizo cair por cerca de meia-hora, de árvores cederem e materiais serem danificados, amanheceu. O vento ainda estava na memória e os habituais congestionamentos de horários de pico se repetiram em um domingo. O chão havia se aberto pela enxurrada empurrada pelos ventos lá no Nova Lima e ali no São Francisco, Campo Grande se concentrava na Avenida Tamandaré e na Rua São Higino que dão acesso a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Quando passaram pelo congestionamento, candidatos a cargos da Saúde – médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem... – arrombaram o portão já fechado por passar do horário estipulado.

Tanto a ‘nova’ cratera do Nova Lima a indignação dos em cima da hora por ‘n’ motivos tiveram repercussão nacional. Ambos promoveram outras indignações. Os candidatos argumentaram o atraso devido às chuvas fortes da madrugada e a em menor quantidade a precipitação da manhã. Mas, mais precipitado impossível o tal arrombamento que resultou em... Nada. Caso os ‘invasores’ tivessem êxito e conseguissem realizar a prova, aí sim o concurso público seria anulado. Não julgo – nem tenho este poder ou vontade – mas, em todo e qualquer concurso público os editais estipulam a chegada dos candidatos de no mínimo uma hora antes do início das provas. Salvo quem é de fora da cidade, os congestionamentos da região são história há tempos. Seja qual for a desculpa – real ou mentirosa – os que chegaram cedo merecem o respeito... Para chegar na hora, às vezes é preciso mesmo madrugar...

Já o buracão do Nova Lima só me remete aos sentados no poder para enrolar. É visível a má-qualidade do asfalto pela finura dele e os riscos levados aos moradores do entorno. Daí o responsável fala da espera de verba da União de R$ 5 milhões que, se sabe lá por que, não chegou aos cofres campo-grandenses... A espera de recursos nacionais para resoluções locais é um melodrama novelesco utilizado no poder público explicativo de toda cidade ultimamente...! Depois ainda perguntam o motivo do povo não acreditar na política atual... AS eleições chegam novamente em poucos meses e avaliar e escolher com consciência deve mudar a descrença brasileira.

Pergunto para onde vai o dinheiro dos impostos. São centenas de multas por dia em cada cidade, milhares de ‘tributos e taxas’ e a saúde pública precisando ser internada, a educação ainda mal-educada, o transporte segue caótico e o que vemos é ‘investimento’ em saneamento básico e recapeamento das vias das cidades. Que o granizo volte a cair e os candidatos a um futuro melhor a partir do presente voltem a arrombar portões, mas aqueles que resultem em algo: os do Congresso, das prefeituras, das Câmaras, Assembleias, principalmente o de suas Consciências.

terça-feira, novembro 01, 2011

Passado o Amanhã


(o contraste vai do céu a terra e continua no asfalto
 para no horizonte subir novamente... Captei na estrada)
Santa sombra sem sol situante insinua a queda de árvores com chuva de ventos
pedras de gelos caem para assustar e rebelar os hesitantes
de um dia escaldante antes para fúria do céu aos rebentos

depois, se aglomeram os minutos e perde-se o Tempo dantes

arrombando os portões das regras e argumentos
o chão se vai em enxurradas de movimentos, de pois, assim sendo, praticantes
nos guarda-chuvas das razões e temperamentos
até o sol se abrir passado o dia do amanhã
será mais uma manha, passada mania, outro novo esquecimento.



Às 13h49 de 31 de outubro de 2011 por (Rafael Belo).

sábado, outubro 29, 2011

Bem atentos nossos ouvidos ficarão


(*Bem aprecia o dia indo, rumando para o fim, distante em seu galho mediano refletindo luz do céu ao chão...  captei há dias no sítio da Fran)


por Rafael Belo

Bem-Te-Vi se empoleirava no galho mais alto no início da dissolução da noite. Não podia ser dito cedo demais, tarde demais ou pontualmente. Era um horário sem tempo pertencente apenas a ele. Bem, escolhia a mais alta árvore mais a leste, bem no oriente mesmo e apontava o bico para o horizonte. Quando o primeiro cálido raio o atingia, suas asas se abriam, suas penas se arrepiavam e o anúncio alvo da manhã vinha da conexão da sua imensa alma incontida no coração. Seu canto incansável chamava a alvorada com o teor de barítono mais envolvente proporcionado pela natureza. 

Só depois da Primeira Hora, Bem avisava: bemtevi, bemtevi, bemtevi... Passava o dia contando a maravilha vista e descrevia de maneira tão visual para seus iguais a tornar impossível estes também não terem visto. O dia se formava de peitos amarelo-sol cheios da verdade do alvorecer e todos podiam enredar para o mundo: bemtevi, bemtevi, bemtevi... Começaram a bem verem Bem e tentavam amanhecer junto a ele, mas Bem sentia quando a noite se entregava aos primeiros raios e nunca foi segundo. No entanto, nenhum imbuído do alvo solar deixaria de ser primeiro. 

A revoada da alvorada, agora, criava eclipses penosos e o amanhecer demorava um pouco mais para todos os outros seres. O estufar do peito e o cantar do prenúncio das manhãs antecedia os galos gritantes e todo o leve amarelo inicial dos pássaros iguais a Bem se transformou no intenso dourado branco. Eles bem esvaziavam a mente e deixava o dia vindouro cantar por meio deles. Agora o local de Bem era de todos e Bem logo partiria para Bem incentivar outras asas a serem o primeiro som gracioso antes do total despertar para o dia. 

Seu canto é ouvido como despertar diferente e sorridente para cada ouvinte. Aqueles que ouvem apenas os bemtevi, bemtevi, bemtevi... Acabam por enxergar a manhã de Bem. Acabam por renascer com vontade de crescer e partilhar a alegria de mais uma manhã e Bem bem fica próximo a todos e às vezes brilha na mente de quem está disposto a ouvir e espera paciente ser ouvido por quem ainda não escuta. Suas asas libertas vão acima rumo ao sol, bem a leste, bem ao oriente e quando repousa, repousa bem no fundo de nossa alma cantando no nosso profundo, aguardando ouvir a hora do nosso cantar.

quinta-feira, outubro 27, 2011

Um pássaro, várias lições


o pequeno pássaro marca o chão encenando a morte para afastá-la, ele vive
por Rafael Belo

A natureza se defende imediatamente ou aos poucos lutando pela vida.  Basta estar atento para comprovar. No quintal de casa mora uma cadela hiperativa. Ela faz do verde sua selva e dos cocos seus brinquedos, até abri-los e comer o interior.  Sim ela aprendeu a abrir. Mesmo com vários nomes, devido ao fato de ter chegado com um esdrúxulo Pintia(?!!), ela sempre sabe quando a chamamos. Nenhum intruso consegue ficar muito tempo no espaço dela, inclusive ratos. Mas, ontem (terça-feira) o maior erro dela aconteceu. Um filhote de Bem-Te-Vi foi abocanhado duas vezes, porém foi salvo pelo meu pai.

Logo em seguida, uma comitiva de bem-te-vis começou a atacá-la. Rasantes e picadas. Enquanto uns a puniam outros a ameaçavam com pios estridentes. Mais observadores, uns terceiros, cantavam os conhecido bemtevi bemtevi. Nunca foi tão assustador tal canto. Agora ela está mais contida perto da varanda pedindo asilo político dentro de casa. Toda oportunidade é aproveitada pelos seus carrascos. No quintal dos fundos, um moribundo filhote de penas tentava sobreviver. No segundo dia era iminente a morte. Eminente era o zelo cego dos pais a procurarem a cria perdida.

Pouco depois do almoço. Os pássaros genéricos do filme de Hitchcock pairavam mais baixo e faziam Pintia revelar um arrependimento quase piedoso de sua travessura por domínio de território. Um pio gritado já ecoava por horas. Lá no fundo, o pequeno pássaro parecia já não respirar. E provavelmente uma ressabiada mãe velava arisca a junção de penas sem vida de uma variação não registrada de som desta espécie. Tinha um quê de descrença nos pios cada vez mais baixos. Mas, para minha surpresa aquele pequeno Bem-Te-Vi não estava mais no mesmo lugar.

Ele se arrastava e tentava erguer a cabeça enquanto seus pais rodeavam e piavam incentivos.  Mas, ele não estava morto? – qualquer som ameaçador era o suficiente para encenar a morte. No chão insistia, piava forte. O pescoço parecia quebrado e uma asa também, mesmo assim forçava a asa boa para se erguer e apontar o bico para o som de quem lhe chocou. Seus ágeis protetores faziam sombra sob o sol e estavam em toda parte.  Ninguém chegaria perto mais. Menor comparado a um punho fechado, poucas semanas de vida, conhecendo apenas a imensidão de um quintal, com penas contáveis e provável sensação do vento sob as asas, aquele filhote não desistiu. Sua vida, sua liberdade. Dos pequenos lateja a força de viver, a árdua luta para continuar a respirar. Um pássaro, várias lições.

terça-feira, outubro 25, 2011

Atravessando

(*Todo copo d'água é vida e o sol é o guia do todo... captei nestes dias de calor)

Úmidos lábios se contraem em dilatados olhos translúcidos
lúcidos da alucinação real do Amor revelando o oásis da vida
com toda água sombra e areia de tempestades enfrentáveis
nas inevitáveis curvas do dia jorrando poeira no sinal do farol
jogando a intensa luz para guiar os navegantes distantes da praia

tocando cada um que saia sem destino com apenas lembranças no paiol
com todas as esperanças guardadas na experiência de mais um nascer do sol
recomeçando a vida de um ponto novo com as velhas referências
na nudez total da pele vestida da essência
de um beijos contraindo o tempo nesta ausência de espaço.

por Rafael Belo às 10h09 de segunda-feira, 24 de outubro de 2011.

sábado, outubro 22, 2011

O caminho da cabeça meio vazio


(*As folhas caem e os sentimentos ciscam apenas com o instinto de sobrevivência e nada mais além da vastidão...! ... captei no sítio dos meus sogros em Sidrolândia)


por Rafael Belo
Aquela dor de cabeça passageira decidiu não descer mais. Deixou de ser a constância dos olhos vidrados por horas na tela para tornar-se uma passageira perdida, mas ele achava ser tarde parar voltar a sentir. Passava das duas da madrugada de mais de sete anos de isolamento e insensibilidade. Aquela cabeça doída foi o início da frieza e de uma maldade. Tudo por causa de um tumor imaginado obstruindo o sistema límbico. Este responsável por motivações, comportamento agressivo e emoções.

Ele vagava simplesmente evitando qualquer ser respirando. Morava em uma pedreira abandonada nos confins das redes sociais. Vivia de óculos escuros e cara de mal – seja lá o significado disso. Quando raramente era visto era em um comentário ácido desproporcional direcionado a um bom dia qualquer. Mas, sua dor lancinante sempre parecia uma smile original sem qualquer expressão identificável. Cometia coisas não acertos ou erros, coisas. Nada cabia no dualismo simplista de maldade e bondade.

Quando menos esperasse, saberia que nenhum sistema límbico obstruído por uma imaginação imaginada seria responsável pelo que ecoa a alma, pelo som descompassado do coração. Encontraria o lugar para onde foi o que deveria ter sentido nos momentos que terminou relacionamentos, que foi assaltado, que viu a morte, que comprou sua primeira casa, que foi visto pela morte, que foi demitido, promovido, reconhecido, rejeitado, traído, ignorado, exaltado, confundido, procurado... Só não estaria preparado para encontrar este lençol freático escondido.

Incrível foi quando de fato aconteceu. Ele sentiu falta da fidelidade da dor e se surpreendeu por poder sentir falta e saber o significado de falta...! Mas, foi só. Esta solidão doeu e ele pensou na dor... Até esquecer e olhar para a tela escura. Não havia luz em parte alguma. Sem saber como se referir a si mesmo soube de um tempo aonde a luz vinha de dentro, o incluindo. Isto levou a horas olhando para um reflexo desconhecido imitando os seus movimentos. Lembrou que para ter reflexo em um espelho é necessária luz...
...Começou a percorrer um vazio e a contar os grãos de areia... Sabe-se lá o tempo do porvir para retornar deste espaço deixado... Pesou a cabeça nas mãos sentindo tanta bagagem quanto possível. Depois divagou e não soube mais o que fazer...!

sexta-feira, outubro 21, 2011

Não deixamos de fazer


*( Caminho com o sol ao redor mesmo quando seus relfexos são a lua seus raios sempre chegam no meu caminhar...Captei ao caminhar apra o serviço no dia 19/ 10/11)

Por Rafael Belo
Sentar e imaginar cada expressão dos seus quando conversam e lembrar acabou virando mais real pelas redes sociais. Eu sempre escrevi e desagrilhoava os limites da mente quando ouvia e observava o mundo ao meu redor e fazer o upload para tantas timelines e updates status levou um tempo, confesso. Por isso, fiquei agrilhoado a correntes de ar intermináveis de sons, imagens, sensações e sentimentos profusos de maneira quase delirante por tempo demais pelo tempo necessário.

Sentia-me febril e com uma anti-rábica vencida constantemente, afinal, eu escrevia o tempo todo sobre tudo. Mas, só a maturidade tardia me mostraria a arrogância disto. Adoeci de mim mesmo ao deixar a voluntariosa estupidez humana sair da caixinha. Lidar com a estupidez e zerar a arrogância eram os desafios para o arrebentar das novas correntes insensíveis. Lá no canto do isolamento mental minhas mãos estavam cortadas e o olhar cego, mas a adaptação voltou a mostrar que só a alma escreve com o Coração, as mãos são desnecessárias.

Tomar distância de si parece ser necessário para um salto mais profundo na volta. Típico afastamento involuntário. Bem, o melhor de se afastar é a bagagem do retorno. E o mundo virtual em palavras mesmo disfarçadas-copiadas-alteradas-inventadas traz a população para o mesmo espaço ao mesmo tempo, contrariando a física. Vários corpos não presentes ocupam sim o mesmo lugar simultaneamente. Assim como é feito fora dos arrobas e underlines  em outros toques mais antigos. Porque já fazia tempo que corpo e mente não estavam juntos andando na orla do mundo.

No fim a união continua sendo a força, as palavras mal contextualizadas seguem problemáticas, a exposição de relacionamentos mal atados caminham se desfazendo, amizades superficiais ainda fazem silêncio, novas pessoas entram em nossas vidas, amigos reais fazem menos falta com as conversas virtuais, grupos reforçando opiniões se destacam e permanecemos conhecendo sempre. Só não direi que o mundo é o mesmo porque a aceleração do tempo e do espalhar das informações vivem agora na velocidade do pensamento. Sentar e imaginar cada expressão dos nossos quando conversam e lembrar nos atropelou, mas não deixamos de o fazer.

quinta-feira, outubro 20, 2011

Olhos Brilhantes


A imensidão gira em acompanhados galhos para subirmos em abas as direções
captei, Rafael Belo, rs  nesta quinta (20).
Quando o Amor se manifesta
não há procura espera nem escuridão
há uma festa de todos os dias no coração vestindo os olhos
de todos os espólios divinos vivos
e nos enxergamos todos filhos [ e irmãos...]

é um óculos sorrindo fazendo o sol vir vindo
ver... Finalmente podemos enxergar e crer
na intensa Luz salgada de suavidade audível
e é perceptível: tocamos o Amor com o olhar
vendo vastos vales infinitos no Ser Humano possível
no contínuo perdão,

Sermos mais Alma Coração e imensidão.






Às 12h53 - quinta-feira, 20 de outubro de 2011 por Rafael Belo.


PS: Desculpem o sumiço, mas voltei mais renovado e inspirado! Esta é em homenagem a vida e ao Dia do Poeta. E não é que a foto parece a da anterior rs...

quarta-feira, agosto 31, 2011

Consumição íntegra da contaminação

*( O mundo às vezes dói e a expressão da dor também é bela... E mesmo quando a dor passar e a tristeza se dissolve, a beleza fica... Captei no sítio dos sogros)

Uma frase jogada no espelho na sala espelhada
vem carregada de sentimentos de faces diversas
de pensamentos partidos aparados e meios deturpados
em alegorias disfarçadas da especulação desavisada

na nascente depressão pesando o coração em balança de espinhos

os ninhos são desfeitos e jamais jazem na visão de quando fomos niños

epitáfios vivos dançam equivocadamente sobre a alma caída

e a saída sempre segue a mesma, mas às vezes, mais escura e distante

no corpo moribundo inerte cambaleante fingindo ser zumbi

a personalidade cede parte da força e dilacera sua unicidade
enquanto a cidade apagada permanece insone e te consome inteiro.

Às 08h16, 31 de agosto de 2011 (Rafael Belo).

sexta-feira, agosto 26, 2011

A fé não é um bem comum



*(Captar a essência da janela quando você estar dos dois lados e em movimento é chover transparente e em catarse... As Captei há dias na estrada entre Sidrolândia e Campo Grande)

Por Rafael Belo

Ainda não entendo como um mundo repleto de cristãos, religiosos ou simplesmente crentes julga constantemente cada folha caindo. Aliás, entender as fraquezas e hipocrisias humanas não é difícil, mas nossa inteligência fica ligada constantemente a patamares inexistentes de disputas. Sabemos o motivo exato das mazelas do mundo: somos nós e os nossos feitos, ou melhor, somos nós e o nosso não fazer. Mas, o fato mais desconcertante de uma vida tão repleta de sem explicações é a fé não ser um bem comum.


As pessoas têm um delimitador comum e apostam nele. O tal do tempo. Este é o limite e o controle. Todos nós, vez ou outra, cedemos e perdemos um pouco a fé... Por isso, devemos estar atentos ao que nos acontece porque não é possível viver sem acreditar. Crer não é tocar e desistir em meio aos obstáculos, o nome disto é insegurança. Nossa insegurança é reflexo da ideia imposta em nossa mente como um viral viciante de sermos os melhores. Como ainda filosofa Engenheiros do Hawaii ‘somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter’, mas muitas vezes é preciso do empurrão amigo para nos descobrirmos e podermos cantar este refrão.

O fato da fé não ser um bem comum é relativo ao peso de exemplos a moldarmos pelos nossos caminhos... Não somos perfeitos e aceitar o fato de ninguém o ser só não é o fim do caminho porque ‘é o fim do mundo todo dia da semana’. Se fossemos perfeitos bastaria o destempero de sentarmos e vermos a vida passar. A ideia distorcida da perfeição limita nosso olhar. Perfeito é o sol nascer todos os dias e termos nossa saúde em dia, não é ganhar além do necessário e se rodear de bens materiais, mas soberba minha é pensar saber muito.

Descansar o corpo de suas dores é essencial, alentar os tormentos da alma com o mesmo descanso é imprescindível. Dói ouvir e ver mentiras – ainda mais as extremamente desnecessárias – serem ditas, ensaiadas e encenadas na plena face da madeira de lei para um público pagante com suor, lágrimas e repetições... Porém, é bom sentir esta dor, pois, sei da ineficiência das anestesias aplicadas em cada esquina e assim, contrariando o título desta crônica, acredito a fé ser um bem comum, mas precisamos encontrar a mansidão e a humildade para entendermos o quanto é desnecessário entender o outro perante a aceitá-lo.

sexta-feira, agosto 19, 2011

Ventos do amanhã

*(Não sabia se o reflexo distorcido era a imagem ou a imagem distorcida meu reflexo de visão, mas a beleza está aí para quem quiser ver... Captei de uma varanda boa há seis dias)



Por Rafael Belo
Enfermidades o estava dilacerando e laceravam também seus caminhos. Senva havia ficado surdo muito cedo quando levou um tiro na cabeça ainda bebê e a bala atravessou seus tímpanos. Por destinos possíveis foi a única sequela. Mas, com os climas incertos assolando o mundo e enlouquecendo meteorologistas, um ruído mudo o vinha perseguindo. Ele sabe ser o som dos ventos presos em seus corredores, impaciente por liberdade. Pelo menos eram as descrições daqueles antigos livros que encontrou como escavador, aliás, arqueólogo. Eram escritos do fenício antigo...

Todos os seus sonhos eram internos e imaginados, mas estes ventos não vinham totalmente de dentro. Havia seu próprio vento correndo em seu interior, mas este ele chamava de Alma. Nestes últimos dias, sua Alma parecia chamar todos aqueles assovios incorpóreos... Como desbravador da presença contínua do passado, ele possuía um sopro, não... Um pequeno suspiro de medo, porém havia tornados e furacões o silvando na direção deste desconhecido. Senva estava em casa esperando sentir um padrão nos seus ventos particulares e parecia que seus particulares ventos faziam o mesmo.

Seu silencioso mundo parecia realizar a ação das pessoas aos poucos. Sim a surdez, a cegueira era falsa. O mundo enxergava o quisto e o não quisto. Mas ouvir... Ah, ouvir era... Bem era porque hoje eu sou um guia contando minha história de um passado recente... Enfim, era um ato raro. Partes de cada conversa eram ignoradas, como se tivéssemos a capacidade de abaixar o volume dos ouvidos ou simplesmente conferir a programação de uma outra estação repetindo, hora ou outra, um gesto de assentimento e às vezes de negativa.

Eu no meu isolamento... Compreendi tarde o prenúncio dos meus ventos particulares. Cada um no planeta tinha os seus particulares ventos como vidas inteligentes estudando ângulos e luzes para o melhor momento de captar o silêncio para sempre.  Mas os deles não emitiam som algum. Quando percebi o porvir os ouvidos do mundo sangravam e aos poucos as bocas deixaram de se movimentar se não fosse para dilacerar alimentos. Por instinto, creio, eles vieram a mim e escreveram seus males mudos, um a um. Até agora leio vidas nas telas de um mundo sem sons. Sou Senva Guia e ainda não contei a nenhum deles que este foi apenas um suspiro de medo diante dos ventos fortes a ‘porvirem’ soprar e soprar.

sexta-feira, agosto 12, 2011

"Definitivamente a dois

*(Depois do antes, estamos nós, durante o restos de nossas vidas dizendo um ao outro sim...)
 

O sol é uma lâmpada acesa tod o tempo
no soberano Tempo do nosso Amor
água de toda a clareza e verdadeira Luz
profunda perante qualquer sombra a dois

lançada, sem dúvida, para imemoráveis anos vindouros

na correnteza viva dos louros de nos entregarmos um ao outro

pequenos, poucos, imensuráveis pela medida incondicional a nos tornarmos
e tomarmos um do outro o líquido da Felicidade

Entalhada nos detalhes...

Dos incontidos olhos nos milhares momentos onde somos, um no outro, contínuo absinto

ao nos sentirmos fortemente alucinados pela aliança que nos faz infinitos.

(Rafael Belo) 11 de agosto de 2011."




*Mal começou a poesia declamada e as lágrimas da noiva Karine Nogueira já faziam brilhar os belos olhos cor de mel... A lua refletia Karine e o Parque encantava...

quinta-feira, agosto 04, 2011

Brincadeira de criança na ingenuidade de nos perdermos matutos


*(Como saber se o animal é apenas aquele que late se mal sabemos nosso ladrar... captei nesta quinta (4) )


Por Rafael Belo
Quem aqui que nunca quis protagonizar uma ação heróica e ainda hoje sonha em realizar tal ‘disparato social’? Aliás, quem em qualquer parte não pensou em realizar um ato de bravura.  Abrir todas as gaiolas, alimentar todos os carentes – de afeto, alimento e fé – e fazer a justiça ser um ato rotineiro poderia bem ser comum, mas não o é. Por isso, é surpreendente quando um adolescente de 13 anos, cujo parceiro é uma criança de sete, brinca com a realidade, inconformado com o ato desta, e munido de sua vontade e ingenuidade pratica um resgate incomum.

Como nos antigos filmes de cowboy, o adolescente invadiu o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) de Corumbá montado a cavalo e com uma arma de brinquedo para resgatar duas vacas. Enquanto este ameaçava, seu parceiro de aventura libertava os dois animais. Eles foram presos e levados para a delegacia, as comedoras de pasto eram do tio deles e quem cuidava delas era a dupla. A arma era de um videogame. Como na fantasia controlada, o garoto ameaçou atirar em todo mundo. A polícia o liberou declarando que não passava de uma brincadeira.

Eu não acho. Eles sabiam e planejaram o ato. Mas foi à revelia das punições. Não imaginavam que haveriam consequências por salvarem seus animais. Não agiram por mera rebeldia. Me parece mais por amor. Então, penso na falta e na distância e confusão entre nós e os animais com outra racionalidade. Os parceiros da iniciativa pseudoheróica ainda não foram influenciados pela desapropriação da aldeia global. Eles têm um lar e aprenderam a amar os animais, cuidar deles e os proteger. A dupla foi resgatar não sua propriedade, mas dois seres que amam.

Quantos de nós se arriscam pela liberdade do outro? E pela liberdade daqueles animais que dizemos serem nossos amigos? Não estou escrevendo sobre provas de amor. Escrevo sobre o reconhecimento deste. Quando temos um animal de outra racionalidade em casa, este nos cuida, nos diverte e nos quer bem incondicionalmente. Nós em troca os deixamos na pior. Os mimamos e os transformamos em humanos de quatro ou duas patas mesmo. Hoje a maioria dos animais domésticos ou são substituições ou meros cães de guarda.  Por isso, lá na zona rural da minha dupla de heróis até duas vaquinhas ensinam valores e justiça. Me lembra o quanto ficou feliz a imensa criança que vive a se manifestar em mim.