terça-feira, outubro 22, 2013

Construindo as dificuldades



Construindo as dificuldades
por Rafael Belo
As próprias mãos constroem e destroem com uma dificuldade contraditória. Enquanto a construção é árdua e demorada, a destruição só pede um pouco de líquido inflamável e fogo ou uma simples pedrada. Destruir, normalmente está ligado a um sentimento mal redirecionado que acaba por criar um efeito dominó incendiário aonde muitos perdem por causa de um só. Mais uma vez o egoísmo chacoalha todas as árvores para colher todos os frutos que murcharam e perderam sua sustância inevitavelmente.

Olhando bem, também podemos associar a construção de imagem, principalmente daqueles acompanhados bem de perto. São tantas peles, personalidades e lobos devorando ovelhas a ponto de uma descrença latejar dentro de nós. Aquela situação onde a prática não passa da teoria dos ouvidos agradados. Enquanto isso, os ventos fortes fazem a sonoplastia do mormaço e do imenso calor lá fora. Assim, as ovelhas se vestem de lobos e deixam de ser ovelhas querendo pastorear a falsos rosnados seu balir inconfundível.

No fim da história vestir outras peles caminha pela destruição, o que não constrói nada nem hoje nem amanhã. Enquanto as responsabilidades são delegadas ou maquiadas de feitas, um imenso véu cobre os olhos de quem quer acreditar nas boas intenções e na aparência. Agradar a todos e se posicionar conforme o interesse ou não se posicionar é no mínimo suspeito, mas nesta segunda-feira – quando esta crônica foi escrita - as teorias da conspiração nunca estiveram tão em alta com o Facebook cheio de falhas sem curtir, compartilhar, comentar, postar... Como “censura”? E o Youtube não rodando... ?

Resumindo tudo em 140 caracteres, pois o Twitter está funcionando, o que está acontecendo com a teoria de sermos espionados agora estar confirmada, mas não só pelos Estados Unidos, mas também pelo Canadá? Quem é ovelha e quem é lobo nesta constante destruição das imagens que criamos? Difícil saber no meio de tanta destruição quem são as pessoas realmente. Mas a dificuldade diminui se construirmos relações verdadeiras e profundas, não de imagens e interesses, utilizando não só as mãos, mas principalmente os olhos e os ouvidos.

sábado, outubro 19, 2013

Chuva de insetos (miniconto)



Chuva de insetos (miniconto)
por Rafael Belo

Como uma metamorfose ambulante, pouco antes de Raul Seixas, aquela de Franz Kafka, ela se arrastava. Não era sua preferência nem havia se metamorfoseado em um inseto do tamanho de um dinossauro pequeno. Nada tão absurdo, mas quase. Este detalhe a afastava por milímetros praticamente invisíveis aos olhos nus. Como os olhares estavam vestidos, porém em alto e bom sono... Nada viram. Ela tinha sua particular chuva. Se isso só já não bastasse não era uma qualquer, era uma chuva de insetos.

Ela vagava exausta sem conseguir enxergar qualquer claridade. Aqueles insetos choviam em sua cabeça, rosto, pescoço, tronco, braços e pernas sem piedade. Ela estava de olhos fechados há tanto tempo que chegou a duvidar se um dia enxergou. Sentia-se cega e aquela tortura realmente sem motivo só podia ser o renascimento de uma das pragas do Egito, só que esta nunca foi relatada. Ela preferia ter uma nuvem negra como o azarado Uruca dos Flintstones... Tantos milhares de insetos só poderiam provocar aquele zumbido ensurdecedor que ela nunca mais teria fora de sua cabeça.

O som só aumentava como a escuridão. Uma escuridão que se movia e a perseguia por todos os lados, em cima e em baixo. Ela passou toda sua vida sem graça e as sempre perguntas insistentes de onde vem esta luz irradiando de você?!... Chamavam-na de Vaga-Lume Completo, o porquê vocês já sabem... Aqueles insetos choviam tanto e pareciam querer invadi-la. Demorou a se dar conta que estava tudo escuro lá fora, longe de seus olhos fechados e sua nuvem de insetos chuvosos. Porque não bastava devorar zumbidamente a luz de fora... Como gafanhotos em vistosas plantações. Mas eles não eram gafanhotos... Era todo tipo de insetos.

Por um instante ele pensou ouvir vozes em meio à infinita multidão de zumbidos... Ao abrir os olhos pode jurar que era minipessoas cascudas, alongadas, espremidas, achatadas e foi esse seu erro. Por outro instante tudo parou. Dois focos de luz atravessaram aquela escuridão e chegaram aos extremos do horizonte e, então, o primeiro inseto entrou no olho direito e o seguinte mais abaixo na narina direita ao mesmo tempo em que dois invadiam os ouvidos e um quinto já descia no engasgo da garganta... Seguidos de milhares. Impossível emitir qualquer som. Em poucos segundos só restavam à escuridão e os silêncios. Incontável escuridão e muitos ecos dos silêncios.

quinta-feira, outubro 17, 2013

impreciso



impreciso
 
Lá para o céu, todos olhavam
ritmados pelo zumbido sem fim
não havia nada naquele branco papel, mas buscavam

era incômodo aquele barulho reunido de tantos insetos
brilhavam todos os olhos, iluminando o teto

tudo mais era escuro, uma noite desaluada, desestrelada,

sem horas, só aquela chuva suicida, daqueles pequenos nadas
enquanto os nada grandes, se apequenavam de impotência

apagaram os olhos e ficou só o som
não sabiam se era sinal ou ruído, nem se era preciso dizer se era mau ou bom.

(às 09h08, Rafael Belo, quarta-feira, 10 de outubro de 2013).

terça-feira, outubro 15, 2013

A luz na escuridão

A luz na escuridão
por Rafael Belo
A luz atrai e melhor exemplo desta atração é no meio rural. Aquela escuridão total e ao longe um ponto iluminado. Depois de todo um dia anterior chuvoso, tudo vai para a luz. Parece representar aconchego, segurança e paz. A não ser que a chuva tenha dado a vida a milhares de insetos. Fascinados pela claridade se jogam, se entregam e vão.  Um frenesi sem fim. Para quem não vê a origem do debater nas paredes, teto e chão pode confundir o som com chuva de granizo. Mas a chuva é de insetos e não termina enquanto a luz estiver acesa.

Há tanta variedade de insetos nesta mistura voadora de pequenos kamikazes que é impossível não confessar que pode assustar, e assusta. Como dormir com tantos insetos rastejantes procurando um vestígio de claridade ou quem sabe uma fragrância de calor. Confesso detestar e levantar as orelhas para escutar qualquer sinal voador zumbido no meu quarto para encontrar a origem do som e tirá-la dali. Há muitos orifícios que ninguém gostaria de ter invadido por uma mosca, barata, besouro... Nem Nada.

Então imagine... Certa vez sonhei que tinha uma caranguejeira vencedora do Guinness Book dormindo em minha mão direita e quando acordo uma barata dormia com as antenas rebaixadas... Épocas de reforma no início da adolescência dormindo no chão na casa da irmã mais velha. Mas, veja bem, não temo insetos. Até os fotógrafo bem de perto. Mas pense dormir no chão com eles por toda parte e cada vez mais aumentando. Forrando o chão. Fazendo o chão parecer vivo, tonto e a cada varrida mais e mais aparece.


Portanto, não há sossego para quem quer a luz. Concretamente e metaforicamente parece ser assim. Quem está mentindo, agredindo, roubando, matando e outros males, parece até querer ir para a luz também e a segue, mas nem sempre sai da escuridão, não consegue clarear este escuro sentimento de se sobressair custe o que custar.

Ser a sombra apagando o outro. Querer ser à força o mais forte, mesmo os tempos serem outros e os sobreviventes serem aqueles que melhor usam o maior e mais pesados músculo. Assim o cérebro equilibra a equação. E a adaptação evolui. Porém, os insetos. Ah, estes sempre fazem sua chuva ser maior do que seu som acusa.

domingo, outubro 13, 2013

Olhos virgens (miniconto)


Olhos virgens (miniconto)

Pelos passos paralelos, ele deixa seus fragmentos. Pegou carona no vento. Também foi ser passageiro daquele tempo. Achava incrível ser pedaços. Pedaços do tempo, do vento, do universo, da vida, pedaços de si mesmo. Olhando para trás se via como as migalhas de João e Maria. Só que seus pedaços permaneciam em todos os lugares, caídos como deviam. Ele não pretendia voltar, mas gostava de ver por onde havia passado. Saber de sua parte permanência nos corações e lares. Se tinha medos? Apenas de ser inteiro. Se inteiro fosse, não estaria em tantos lugares diferentes.

Assim ele se sentia completo, buscando suas partes, buscando a Felicidade e não via seu fim. Enxergava seu recomeço. Seu novo com o novo dia, um novo sol... Gostava de respirar novos ares, porque quando retornava ao seu lar – “seja onde fosse” – o ar lá também era outro, mais revigorante. Se bem que... Bem ele levava seu lar consigo. Fazia questão de se sentir bem em qualquer lugar, em um lugar qualquer... Era torto e misterioso. Sua própria linha solta no novelo fiado em uma velocidade particular. Gostava de se embrenhar no meio da vida e escrever no fundo da lama.

Tudo isso ele pensava. Na terceira pessoa de si. Em primeira pessoa... Tentava silenciar. Se fosse necessário passar um sopro suave ou uma gotícula do Lago da Paz, em qualquer um de seus orifícios, inclusive da pele, diria ser impossível. Vez ou outra, passava em sua mente alguns choques provocados por eletricidade estática, traduzidos em qualquer: descuido atolamos, rodamos, batemos... Preciso de firmeza... Precisava mesmo chover? Estava tenso, mas relaxado por se sentir capaz de deslizar firme pelo lamaçal do meio do mato onde se enfiara.

Então sorriu. Larga e fartamente. Preenchia todo o carro. Deixou de se sentir motorista profissional. Tinha certeza que deste meio sairia a chegada. Agora era passageiro. Ele e a Felicidade. Olhava pelo retrovisor e encarava para os traços abertos na lama compacta. Sua própria trilha o encarava de volta. Olhos nos olhos, ou seja lá a forma como uma trilha devolve um olhar firme e satisfeito. Aquela trilha por mais rodada que estivesse, até então era virgem para ele. Ambos fragmentos do mesmo fragmento. Era seu pedaço e ela era pedaço dele.

quinta-feira, outubro 10, 2013

Desvios de voltas

Desvios de voltas

Do alto da sua cabeça, um pensamento caiu
chegou ao ponto “antes que esqueça” e fugiu
passageiro da passageira vida, um fragmento,

um momento de transformação, era sentimento
matreiro da pioneira rivalidade, entre o romance e a realidade,

pensou, sentiu, hashtag partiu,  para novas ladainhas das baladas,
contadas pela ocupação de todo o corpo, torto de tão concreto,

camuflado, discreto, voltou ao alto, na hora que um diferente rio passou,

antes abstrato, agora empostou, era corrente e eloquente era a própria verdade, própria rua
fragmentada como migalhas de um caminho de desvios de voltas e adulterada personalidade, mas era sua.


(às 10h09, Rafael Belo, quarta-feira, 09 de outubro de 2013).

terça-feira, outubro 08, 2013

Somos fragmentos

Somos fragmentos
por Rafael Belo

Não somos inteiros. Ser inteiro é ter um fim em si mesmo. É o centro da perfeição. Mas, estamos longe. Somos beiradas. Somos imperfeitos. Esta imperfeição nos torna perfeitos em busca da evolução. Portanto, somos fragmentos.  Fragmento de nós mesmos, fragmento do universo, fragmento do outro, fragmento da vida, fragmentos do fragmento... Por isso, a busca da felicidade é nosso direito porque se fôssemos completos a felicidade também seria parte de nós e nossas linhas não seriam mais tortas e nem misteriosas. Como viver assim?

Quanto tempo duraríamos se não nos faltasse nada, se nossos desejos fossem realizados, se alcançássemos todos os nossos sonhos? Muito pouco ou quase nenhum. Seria o fim. O nosso fim. Creio que seja este o motivo de sermos imperfeitos, incompletos, fragmentos, incomodados... Mesmo na confusão com acomodados... Mesmo muitos levando esta confusão à risca... Enfim, este incômodo, esta insatisfação é o que nos move. Somos movidos para frente, nos impulsionamos no meio do caminho para avançar, evoluir, mas não há um fim em nós mesmo. Sempre encontramos algo para nos ocupar.

Ficar sem ocupação é vegetar nos próprios fragmentos que somos. Tudo se torna desconfiável, arriscado e assim é. O mundo é sempre novo e se renova. Este fragmento do universo se move no mesmo princípio que nós, mas nós não temos a mesma consciência e nos confundimos além do acomodar com o egoísmo e a autossuficiência. Somos novos e renovados todos os dias, mas nossa falta de consciência, de autoconsciência, nos deixa no escuro na balada das ladainhas contadas da nossa extrema importância enquanto indivíduos solitários e insubstituíveis.

Estes contos de fadas de viver feliz para sempre são grandes estímulos remontando a perfeição das coisas, dos humanos, a uma aquarela de camuflagem criando apenas dois lados de tudo. Mas no fundo sabemos que é impossível viver e ser feliz sozinho. Só se é inteiro quando se descobre fragmentos espalhados pelo coração dos outros, ai temos a felicidade passageira. Passageira do mesmo transporte coletivo chamado vida. Depende apenas de nosso posicionamento, da nossa construção, de quantas vezes ela passará porque se a queremos podemos buscar seus fragmentos todos os dias, pois ela passa diariamente.

sábado, outubro 05, 2013

Odor próprio (miniconto)



Odor próprio (miniconto)
por Rafael Belo

Lá estava ela se equilibrando sozinha naquele muro. Uma paródia das suas últimas três décadas de vida. Neutra. Aquele muro era seu purgatório da solidão onde ninguém a contestava. Ela o construiu tijolo por tijolo talvez para se aproximar do céu e se distanciar do inferno lá embaixo. Mas o muro alto só a afastava de tudo e dividia cada coisa. Menos ela, sem qualquer crise moral. Se protegia no silêncio e na ausência. Se bem que ali não havia proteção alguma. Seus pequenos pés cabiam exatamente no espaço que criou. Ali seu purgatório parecia ruir sem ela saber. Era frio como o deserto no início da madrugada.

Tudo que era sombrio parecia se aproximar. Apesar da falta de cantos, tudo aparentava quina naquela neutralidade. Mesmo sem nada para criar sombra, não havia luz por ali. Lá nas suas alturas ela não se envolvia... Com nada, com ninguém. Suas memórias pareciam uma noite sem luar e nem uma estrela sequer. Podia se considerar invisível independente da hora do dia. Nem lembrada era. Às vezes era a própria sombra. Só nunca se dava conta disso. Seu natural era neutro. Os ruídos do muro passavam longe dos ouvidos dela, mas mesmo assim ele estava rachando.

O inferno estava mais próximo a cada dia e ela preocupada em manter seu equilíbrio circense.  Sorrindo o mesmo sorriso para todos no mesmo bom dia diário. Sem saber estava na propaganda da Ivete Sangalo: também era escrava. Estava acorrentada a agradar a si e aos outros. Todos os outros. As rachaduras engoliram muitos metros daquele muro. Um muro sem qualquer tipo de alicerce. Apenas construído para isolar. Mas buracos surgem em todo lugar por toda parte e, mesmo ignorando, muito dela já fora mastigado pelos buracos.


No primeiro vento, trazendo chuva de folhas, o muro desabou com o som de um baque seco. Já não tinha tanta altura, aliás, aqui entre nós, nunca foi mais que um meio fio. E esta queda vazia só foi desequilíbrio direto para o inferno de gelo fino. Era uma queda sem fim de um abismo interno cheio de nada, repleto de um vazio tão próximo da inexistência que podia até ser... Era a primeira fase da negação mais extensa daquela grande criança mimada, que logo na segunda fase de ira tentava enxergar culpados e sem perder tempo começou a negociar sua situação neutra, mas já estava se arrastando na beira da depressão quando se levantou e aceitou ser o próprio cheiro de enxofre.

quinta-feira, outubro 03, 2013

Mau hálito



Mau hálito

O dia cinzento virou chuva fina e ritmada
como uma batucada de uma chorada crise moral
às vezes chove na madrugada, água pesada
mas, os neutros viram o rosto na almofada e não dormem mal, apesar da fronha molhada

tomam atitudes como placebo e usam as palavras como brinquedo,
sombrio, quebrado, de criança mimada afim de ser o centro de nada

no alicerce da cara, espalham céu, inferno e purgatório, com a mensagem no pequeno auditório do ego,
cego, porque pode enxergar e não vê, o arremedo de tevê, feito da própria imagem

nem três nem quatro, mas seis D, lugar que até o cheiro exala
e ao invés de flores e o hálito de bala, o odor de enxofre e de esgoto ensaia dominar,
pobre ar.

(Às 09h59, Rafael Belo, quarta-feira, 02 de outubro de 2013)

terça-feira, outubro 01, 2013

Enxofre ao invés de flores

Enxofre ao invés de flores
por Rafael Belo

Venta tanto e a consequência é o chacoalhar das árvores. Mais tanto vento a ponto de parecer chover folhas. Em plena primavera o outono se faz presente. Mais uma vez é um vento de segunda, mas segunda-feira, dia normal destas linhas surgirem. Por isso, sempre lembro de Dante Alighieri em sua Divina Comédia. A queda das pessoas, principalmente pela moral. Seu inferno, céu e purgatório são até hoje utilizados em diversos “alicerces sociais”. Mas, parece que poucos ligam para sua frase: os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral. Quem não toma atitudes é tomado delas.

Mas atitudes precisam ser refletidas, não só pensadas ou corre-se o risco de dar certeza aos outros como no pensamento de Abraham Lincoln: É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do quer falar e acabar com a dúvida. A crise moral já passou... Estamos em derrocada. Acabamos com as dúvidas. Caídos e gemendo diante dos detentores da moral sem moral nenhuma e, claro, bem amorais. Caindo ainda, diga-se de passagem... Se vasculharmos por aí, se lermos e ouvirmos bem, vamos “perceber” que #ficaadica e #pensenisso são os hashtags dos melhores conselheiros. As melhores falas, os top trends, as mais curtidas e compartilhadas da vida virtual, mas se são exemplos... Bem deixa para lá.

É como querer comentar a potencialização de traições do facebook. Dados divulgados por doutor da Universidade Católica de Pelotas onde 1 em cada dez pessoas admitem que traem pela mídia digital ou a necessidade de uma matéria que mostra um adolescente rejeitado chacoalhando suas partes íntimas e apenas isso... As mídias digitais só ajudam quem já tem a intenção, já tem tal caráter, já possui o impulso de. Quantas imagens de seres estranhos “encontrados” por aí, quase sempre montagens sensacionalistas são destaque “jornalístico”... Ou então, a embriaguez ao volante de ídolos como Matheus Nachtergaele que paga fiança e é liberado... Seguindo a linha alcoólica, temos a morte sexual nos trilhos, onde um casal de ucranianos bêbados transava debaixo de um vagão quando este se movimentou, morreu a mulher e perdeu as duas pernas o homem.

O maior medo dos homens é acabar com as dúvidas, é descer do muro e dar a cara para bater. O medo da crise de imagem ser revelada. O medo da forma se contorcer quando o conteúdo se posicionar. Por isso, olhar a chuva de folhas na primavera não me surpreende, mas isso não significa que não fique indignado. Portanto, é preciso expor a indignação. Tomar atitudes e sair da obscuridade de ser neutro. A neutralidade neutraliza e nos deixa nos lugares mais sombrios de nós mesmo, nem é preciso chegar ao inferno para sentir o cheiro de enxofre que nós mesmos podemos exalar.