sexta-feira, setembro 18, 2009

Um Vários

(tirei esta da espetacular janela do meu amanhecer de um apê)


Há mundos colidindo em mim e me formando, formações
evoluções desequilibradas para o cachorro existente dentro
querendo roer ossos da fidelidade de se expressar quando
na imaginação tem gente, diria demais, mas não é

sem se levar a sério na seriedade de não ser se lembrando de esquecer

nas mudanças ranços enteiados das partes sempre chuvosas
umedecendo as partes secas, esfriando as partes quentes
parando no ar nas mediadoras folhas do tempo marrom
diria dos imaginários amigos mas são eu de mãos dadas personalizadas
todos esperando sua vez de se expressar na própria evolução partilhada

Daí vão dizendo ais no tempo molhado escorrido compartilhado
alguns cheios de sais outros adocicados demais, uns falta até tempero
Como um exagero gastronômico, mas literário na altura dos olhos que pode ser um galho
Pronto para quebrar, partir ficar, mas pretende sentir,
para me formar um, são necessárias várias multidões de mim.

Folha de Outono (Rafael Belo) às 13h, 23 de agosto de 2009.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Volte outra hora

(deitado em um chão antigo tirei)


Aquelas horas estavam enrugadas
na banheira de rugas expressivas
ao redor das olheiras espalhadas pelo corpo
despercebidas no desaperceber daquele sal nas águas
fazendo da profundidade superfície flutuante do pilar

de uma liquidez liquidada na voracidade devorada sem constituição
uma repartição não repartida para fora do bando uivando seus balires
matizes pastorais da maioria, rebanho, respondendo os sinos babando
falas shakespearianas nos lugares-comuns, comunamente se esgueirando
pelas beiras das sombras matreiras

Quem diria o dizer mastigado com pedaços de engasgo
faltando o ar nos neurônios de últimos suspiros
suspirando
garganta tapada tapando o ouvido ao fechar dos olhos
três macacos
não há vagas.


Folha de Outono (Rafael Belo) às 13h28, 16 de agosto de 2009.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Somos.

(tirei foto dos candangos )



Páginas em branco escritas, Vão ao vento voar
Soltas em elos existenciais sem espaço nem cálculos
Toda distância é proximidade calorosa de uma batida
Amores de um coração imenso de essências glórias
Não há tempo na amizade nascida de um reconhecimento
são circunstâncias necessárias da vida para poder inalar ar
em retumbâncias ecoadas na alma em eternidades laçadas
de sentimentos descritos justiçados depois de uma olhar mareado
Na única maré cheia sempre, de perdas de fôlego
Persistente em ser toda uma extensão de apoio de mãos
Sustentação de brilhos no olhar, de sorrisos cegantes, de corpos em pé...
Passos adiante, triunfantes abraços, ombros presentes, raízes ascendentes, fé
Todas as promessas em pessoas imperfeitas, a melhor das perfeições feitas vários
O Santo Graal, verdadeiro relicário reluzente
Está em nossa gente vista mesmo fora da proximidade
A maior profundidade de quem somos, Amizade.

10h55 (Rafael Belo) Folha, 10 de setembro de 2009.

terça-feira, setembro 08, 2009

Interpretação textual

(tirei da onde mesmo hehehe ee estrada ainda bem que estava deserta)



Chocaram-se em perdição
naquele caminho obstruído
só havia dúvidas e joelhos abraçados
até a cabeça martelar a parede do atalho
e rachar enfim de um talho interno de bolor

entalho na pele enquanto célebre árvore
de pernas que perdem a noção do equilíbrio
forjado da queda estreia vazia, naquela floresta deserta
de gritos e aplausos chocados de superação concreta de caos
inverso no avesso contrário averso ao paradoxo imaginário de acertos

foi um raio de um céu limpo
chocando o cume esverdeado de galhos secos
partindo o tronco em dois na multidão de engarrafados
no fluxo corrente corrido de falsos independentes
surdos aos estrondo brutal nos aplausos gritados dos invisíveis.

Folha de Outono (Rafael Belo) às 13h13, 16 de agosto de 2009.

domingo, setembro 06, 2009

quarta-feira, setembro 02, 2009

Liza Vazi

(tirei esta em um trabalho com três amigos, me chamou a atenção a maestria do reflexo e do convite)

por Rafael Belo

Vazaram os sentimentos em uma nascente de liberdade. E ela estava vazando todos de uma vez sem preconceito sem rejeição. Era preciso. Soltou as amarras da sua vida. Era território completamente desconhecido. Tirar o dentro pra fora. Nada de fugas desta vez. Enfrentaria e não voltaria atrás. Pelo menos era o pensamento fixo que a tomara. Liza Vazi andava só com seus papéis e a cada passo sorria mais e chorava mais. Era um misto sentimental inexpressível em palavras mas super claro.

Quem passava via uma jovem sem juventude com vários livros, HQ’s e cadernos de anotações fortemente pressionados sobre o peito, o rosto vazado dos olhos de mel escuro com uma sombra prateada manchada pelas várias horas de caminhada sob o frio daquele domingo primeiro, os dentes superiores para fora mordendo os lábios inferiores e muita determinação naqueles 16 centímetros a mais de meio metro de pessoa de pele amarelada. Magrinha que só pena do vento para ela não decolar. Quem disse que esta não era a vontade dela? E se a medisse por dentro... Bem, veriam ser impossível usar de medição!

Quero decolar. Tenho antes de encontrar minha pista de voo. Minhas manobras começaram. Como um salto do vigésimo andar para perder minhas asas forçadas da paternidade. Cara, eu não sou um ideal de gente. Nem quero poder ser. Mãe, pai me desculpem ais a filhinha queridinha aqui sabe quem é antes de vocês aos 30 e muitos. Cansei de ser tratada pela minha idade e vocês dizerem: “madura demais, criança!” Criança?! Pelo amor! Escolham palavras melhores. Espero saberem da minha partida, não fuga, ser necessária. Posso ter 15, mas meus 15 valem o 21 de vocês e olha que vocês nem chagaram lá ainda. Podia ter deixado uma carta assim. Não quis. Fui clara “um dia eu volto. Amo vocês. Smack smack , smack smack. Uma bela olhada nos dois esmagador abraço, outra olhada e até. “Vocês fizeram o possível. Agora é comigo!”

Sou Liza Vazi. LIZA VAZI. Grande coisa para mim. Posso não viver do meu sonho, mas tentarei até o fim. Houve sempre algo me atraindo para isto. Este momento. Agora nele não tenho pressa. Não mais. Cadê meu espelho? Aí está você sua monstrinha bela! Espero não aparecer na tevê. Nada de muita maturidade. Isto seria mostrar que sou totalmente madura. Pode ser pra minha idade até demais. Idade não é problema eu sei segurar minha mente. Mesmo pesada.

Minha liberdade chora. Como se fosse o doutor Frankenstein, mas com quase as próprias palavras. “I’m alive! Finally!” Pouco pretensiosa no linguajar estrangeiro como se fosse “ás” das línguas. Passando as mãos nas capas das minhas outras liberdades escreverei estas histórias com minha aquarela. As mulheres têm de criar seus próprios personagens nos quadrinhos. “Vazante”, dona das lágrimas da vida, da força e da leveza pra voar. Agora, onde está minha pista de manobras?!

terça-feira, setembro 01, 2009

Dias chuvosos

(tirei esta ao lado do supermercado há dois anos)

Por Rafael Belo

Dia chuvosos são caóticos para o caos das cidades... Fora sábados e domingos onde se nota a úmida ausência de pessoas nos lugares. Os outros cinco dias parecem forçados por trabalho de servidão - às vezes os seis, até os sete. Há a milenar robótica de atos conduzidos por repetição. São 24 horas de branco, como se fôssemos ideias abandonadas. Bem, 12 horas na verdade, as outras 12 são o apagão no fechar dos olhos, só há escuro na mente. Como indicado por aquele médico obsceno e monstruoso.

Por indicação arrumamos rumos nas nossas direções. E no fim da linha algo ajuda a deitarmos nos trilhos para viver outra vida, mas os trens não passam mais. Um desperdício a menos, um trabalho pesado para os corações que nos querem a menos. Ufa. Chova chuva, chove porque viver para trabalhar não é vida, bem, é vida de inseto. É ser operário, zangão de colméia em função da monarquia, mas vivemos uma aristocracia. Nossos nobres detêm o total ou pelo menos dois terços da riqueza brasileira ou/e propriedade. Seria democracia se fosse, nós, plebeus o povo possuidor destes terços.

Mas, esperem... Não... Continuem... É só papel oficial e nossa falta de atitude. Afinal, nossa pessoa é nossa maior propriedade, sinal de liberdade O Estado então é o único livre destituidor. Quem está contando a minoria burga dos aristocratas usurpadores do platô o poder de lacuna interina?

Dias chuvosos são caóticos para o nosso caos... Fora quando nos permitimos reanestesiar durante a semana onde nota-se nossa úmida ausência como pessoas. Nos lugares. Os outros dois dias parecem forçados por trabalho de servidão já presente na mente e na programação – às vezes três ou quatro quando se prolongam as emendas. Há a milenar máscara do pão e circo separando bons e maus a parecer haver só eles definidos. Ah, sim, claro! Nas áreas cinza estão os lagartos e os largados.

Carros abandonados aos pedaços longe dos centros são suficientes para proteção do vento, portanto boas moradias. Pelo nosso abandono me sinto como um morador sortudo de um carro ao relento. Nele há os despossuídos. Nos despossuídos há o quê senão a esperança de um pão amanhã? Não sei dizer, mas não parecem querem muito como se não pudessem. Parecem sentir-se diminuídos diante dos abastados comedores de pães diários.

O sol não aparece. Seus raios invadem as brechas do céu para os brechós em nós. Assim se sabe haver uma luz acima de nós para nos aquecer e ela se descobre dentro também. Mas açucares, aspartames e adoçantes em geral não saem na chuva, porém dão um adocicado sabor ao amargo café da vida como ela é para alguns. Dias chuvosos são tempo de reflexão como se o clima se alterasse para ver se o mesmo acontece com a consciência do coletivo, coletiva e de cada qual. Derreter na chuva só é obra de alguns a saber a ordem no caos, mas pode ser de todos.

sábado, agosto 29, 2009

Gestação de pregnâncias

(uma pequena maravilha no meio da grama do lado de uma barragem tirei)

Impregnado lugar de ceifa
Ceifados olhares parados em plenos movimentos
através do olhado estagnado em um ponto não visto
revisto dos incontáveis déjà vu enfileirados
nas plumas pombas revoando as ideias repensadas

Pensamentos cheiram a sensação daquele lugar
deitado em um imenso espaço desproporcional, medido
não estou lá, pois, lá está aqui me impregnando
de acessos aos tempos mentais sem números
me referindo referências dos meus acúmulos, limpos de pó

deixe minha poeira me revelar
revelação de coisa alguma
a não ser de mim mesmo
como era ao nascer luz
sem posição fetal

toda as cores
dos mundos

todos os cheiros
dos infinitos partos.

Folha de Outono (Rafael Belo) às 12h52, 16 de agosto de 2009.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Conversas com a Lua


(Um presente já entregue para uma aniversariante deste dia 28)
por Rafael Belo

Vestia um sorriso sobre suas vergonhas, uma ansiedade desproporcional, certa inquietação, muita emoção e claro dúvidas-dúvidas-dúvidas. JS16 não ia completar 17 e ainda está no fim dos 15. Contando os dias os via lentos, até arrastados. Dormia pouco ou demais, sem meio termo. Certo era sua conectividade. Queria alguém para ser seu, outra certeza. Fiel, amiga, mas vira e mexe a emoção tomava conta à “ajudando” a cometer os repetidos erros. O que nem sempre era ruim, mas dava aquela sensação de cachorro correndo atrás do próprio rabo. Subestimava-se.

Com seu mundo caindo e levantando quando menos esperava era uma das poucas adolescentes da raiz da palavra. Sua mentalidade extrapolava, às vezes, até as mais vividas. Meiga. Esta era a qualidade principal para a lua se interessar por ela. Conversando por troca de luares, assim que o sol se decompunha com horizonte. Momento esperado por ambas. Olho para a lua e sinto que ela me diz ser eu enluarada a brilhar luar sereno para ela, mas como seria possível?

Que inocência brilhante, pensava a Lua, a enxergar um sorriso puro despido e os desejos, de JS16. Esta de costas na cama sentia seus desejos realizados, sonhava. Minha liberdade eu quero – mal sabendo a poder conquistar mais e mais perante os pais e o mundo. “Chorona”, disse para o vazio do quarto com as luzes laranjadas das janelas do MSN. Chorar fácil era muito bom, mas desconhecia. Lágrimas eram fortalezas erguidas e não fraqueza demonstrada.

O quê virá? Interrogava perante sua delicadeza e educação. Sua simpatia, beleza e inteligência rogaram rubores. Errar é tão bom quanto acertar, iria pensar. Estava no Biquíni Cavadão: “ ...Quanto tempo será que demora, um mês pra passar?...”. Quero me sentir livre. A Lua se encheu. Cheia respondia: “Você e acha incompreendida e acaba se explicando demais, mas no fundo sabe não ser bem assim. Sabe que não consegue disfarçar seus pensamentos e sentimentos, a dominavam”. Descobrira ser bom, nada se controla de fato na vida e podemos nos preparar se ansiedade.

A Lua e o frio leve, a viram. A acompanharam. Descalça, de preto básico e jeans corria a noite pelo impulso. Gritou de alívio. Quantas não queriam ser impulsivas... Sorriu sua sorte e pairou seu luar e sereno.

segunda-feira, agosto 24, 2009

“De novo”


(Viagens sul-mato-grossenses o retorno, tirei co mvárias intenções)


não há bom dia – nem cumprimentos
qualquer aceno é censurável
um sorriso daqui
uma dúvida de lá
as ruas são antisociais

pessoas nuas, existem mais
estão
tão vestidas
revestidas dos seus próprios mandamentos
inseridas, em seu mau comportamento

se olham –fingem que não
se olhadas – quando não ofendidas- abrem um buraco no chão
possuem todos os dedos –ou nenhum
no meio termo podiam ser incomuns
mas há tantos a seguir – que em seguida são mais um.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 13h49, 17 de julho de 2009.

sexta-feira, agosto 21, 2009

O Filho de Murphy


(quintal, era uns dos milhares da minha falecida vózinha)
Por Rafael Belo

Ele acordou, como costuma fazer depois de dormir, sempre irritado por ter de levantar, sair do quentinho e do breu gostoso do próprio quarto -ou de um quarto qualquer. Já que vive de aluguel e de favores. Sentia algo estranho e pensou não ser nada anormal. Ledo engano. Dário Impossível logo descobriria sons desconcertantes saindo da própria boca. Mas, por enquanto estava calado e com gosto amargo da fome. Ainda não abrira a boca sequer para bocejar o sono ainda trajado de amassos.

De repente o acúmulo de bocejos evidentes pelos olhos lacrimejados e de-o-quê-estou-fazendo-acordado foi mais forte e um forte múúúúúúu ressoou na cozinha vazia. Blam e caimcaimcaimcaimcaim seguidos de um longuíssimo e assustado méééééééé vieram do chão. Assim, aos sair do primeiro som, Impossível tomou o maior susto da vida antes de tomar o copo de leite, se jogando para trás e despencando de costas no chão de madeira. Eles emitia todos aqueles sons? Desde quando se tornara poliglota animal?

Sem resposta passou a língua nos lábios que silvou tssssssss e ele pulou do chão para a mesa que quebrou uma das pernas e o jogou no chão a emitir guturais uuuuuuuaaaaauuuuaaaaaa. Ele lembrou de Tarzan, mas ele não era rei de nada nem de bosta. Não era órfão ou Mogli. Não era viajado nem conhecido. Era um puta de um anônimo, mas não rodava bolsinha na esquina muito menos impedia que rodassem. Mas, seu cérebro Neandertal coçador de saco, impossivelmente processava alguma resolução. Não, processava mesmo era a causa de tudo. Pensou algo ao som da noite uuu uuu uuu. Corujão plena manhã.

Então, piou muito e soltou trrruuubrrruu e já que estava nessa relinchou. Pegou sua bolinha favorita de trinta anos e ficou jogando pra cima ronronando, rindo feito hiena da sua cômica tragédia.começou a rosnar e realmente teve vontade de morder o próprio rabo imbecil. E ficou rodando sobre o próprio eixo. Animal! Vivia como um animal auaauaua. Vivia agredindo verbalmente os outros com coices e patadas. Tirando vantagem das carcaças da vida, feito urubu reinando na falida procriação dos seus genes. Pensava voar alta feito a livre águia quiáquiáa, mas era mais para um roarrrrrr, um leão sem bando. Abandonado feito um gatinho indefeso de um circo malcriado, sem garras nem juba.

Após balir e uivar ao mesmo tempo. Pensou ser filho de Gérson, mas não, era filho de um bom macaco. E uiiii feito um porco aproveitou a lavagem e pensou bem ruminante: vou tirar vantagem de tudo isso. Em um quase coito saiu galopando para avisar alguém da sua vantagem animal. Quem convive com animais selvagensenfurecidos? Abandonado ele deveria ir para adoção – mas quem quereria? Ele não sabia ser na verdade filho de Murphy e de uma camisinha furada e daquelas mudanças que você sempre deixa e/ou esquece um cachorro pra trás. Só que ele era o cachorro.

quarta-feira, agosto 19, 2009

“Antes”


(mais uma que tirei do ex quintal)

pensava a afastar do coração
a tendo distante do pensamento
mas em nenhum momento, ela me deixou
não sei se era amizade ou amor

falta em mim, ela
está na minha mente, subconsciente
de sonho em sonho a me despertar
amanheço com ela
ela não está

vi seu ventre me acolher
acarinhar-me com ternura
era sempre, eu, a massagear lhe por inteiro
suas lágrimas me abraçavam
o coração pensava- o pensamento batia

a gente se conhecia
de tempos atrás
antes do conhecer.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 13h36, 17 de julho de 2009.

segunda-feira, agosto 17, 2009

“Simples motivo”


(já subi nesta, mas esta foi dos primeiros dias de facul abaixo da antena torre, que já me transmitiu)

por Rafael Belo

Estava estranho. Me sentia recém parido. Das entranhas da luz. Mas, estava escuro fora do ventre. Era dia feito. Crescido com todo biotônico solar de uma preocupada infância. As vozes encorpadas nas rua, os insistentes latidos dos cachorros vizinhos, os carros sempre atrasados seguidos de buzinas e freadas impacientes, mas faltava alguma coisa.

Fiquei no escuro e no som dos instrumentos de músicas clássicas até o escuro se estender para as ruas ainda agitadas. Tinha certeza de algum mal-estar e me inibi de me movimentar. Nada de comida, nada de cochilo, nada de banheiro, nada das necessidades ao necessárias agora ao meu corpo. Meu castigo minhas chibatadas por não decodificar meu sentimento enrolado no pescoço.

Aquele piano frenético viria a me irritar. Muitas notas por segundo. O telefone chamou até cansar. Depois um celular e então o outro. Batiam palmas lá distantes na calçada. Batiam no portão. Bateram na porta. Chamaram meu nome. Meu nome foi gasto até acabar. O silêncio substituiu a insistência exceto pelos carros ainda velozes e cheios de buzinas no asfalto.

Do meu espaço pacífico e estanho vinha espaços de irritações contorções faciais a cada bagageira “incomodação. Seria necessário “o quê” para dize mais “não estou aqui.”Isto não bastava. Substituível feito tudo - menos o sentimento - e não há problema algum. Não existe insuficiência de presença, pois de alguma forma sempre estamos.

“Hoje era meu dia de sombra”. Repetia meu novo mantra. Mais ainda havia o estranhamento me mordendo. Mordia minha boca, minhas mãos, minhas pernas e meus pés até começar de novo e de novo... Ficavam marcas invisíveis a arder e queimar se espalhando pela minha corrente sanguínea para um, um grito enlouquecedor. Típico desabafo. A pergunta era: “O quê está abafado, afinal?”.

Ensaiava meu olhar vazio e o atuava pelos cômodos mais escuros e cheios de sombras, agora. Já me permitia sair do castigo, me movimentar livremente. “Por que então estava tão preso, tão pesado?”. Mudei a tática. Fui me esvaziando pele por pele, pensamento por pensamento, respiração por respiração... Senti um bom vazio me inflar no sopro de um ar quente imperceptível.

Estava estranho simplesmente pela primeira lembrança de estar de férias!

domingo, agosto 16, 2009

Balada minha


(tirei a bombordo de uma balsa)

Gaiola sempre aberta
do som do periquito
apitando os perigos da proximidade
de um verde amarelo avermelhado saboreando desconfiança
nas bagunças de uma casa de coisas

mãe e pai órfãos de lugar, perante a tevê
nada se vê, tudo se imagina
na cisma das imagens, captarem o medo
atiçarem, atos covardes
transmitidos na seriedade de uma visão

então, a ação e proteção
mesmo por uma ligação
maternidade e paternidade, terminam não
quem dirá filiação
a gaiola não tem grades

lá fora tem mais jeitinho de prisão.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 19h18, 16 de julho de 2009.

sábado, agosto 15, 2009

A imagem da palavra


(tirei esta no quintal da ex-casa)

Não a via há dez anos
Não tinha meus números profanos que ninguém fez
Mesmo assim ligou
Feliz ou algo havia- contando coisas pelo nariz
Infortúnios da beleza

Havia destreza e intimidade
Porém, poucas palavras troquei com ela
Uma das mais belas daquela cidade sem importunidades

Olhei pro teto
Depois do sonhei

Era o sonhar da confiança
Aos meus íntimos
E aos outros
Recuperei minhas palavras viciadas
Palavras perdidas de um sonho.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 18h58, 16 de julho de 2009.

quinta-feira, agosto 13, 2009

Pescador de atenção

(tirei nas margens do paraguai, só que este não mente só quer peixe)
por Rafael Belo

Às vezes -quando escuto histórias – atento meus ouvidos públicos e presto muita atenção. Quando a conversa é entre homens ou de um homem para uma mulher, lembro de Cazuza e sua menor “Menor Abandonado”: “Mentiras sinceras me interessam, me interessam”. Não pelo fato da mentira em si e seus artifícios de vantagem, mas pela sinceridade da forma contada. Por acreditarem na “contação” e no acreditar do ouvinte. É um pescador de atenção. Mas, não me peça para acreditar.

Tais mentiras desimportantes são conhecidas, pois nas histórias com finais morais quando esta pessoa diz a verdade, não há quem acredite. Mentiras inocentes viram vícios de alguns. Elegem muitos - mitos – e deixam de ser inocentes. Tomam proporções quase impossíveis de desmentir, uma vida de mentiras.

É como fingir de morto perante a vida e rolar – dizendo ser espasmos da morte. Detesto mentiras e me afasto de mentirosos. Funciona nas primeiras vezes e se acaba patológico ou meramente compulsivo dificilmente não se percebe é como uma Winona das palavras, um cleptomaníaco do palavreado.há um ditado sobre os ases da mentira: os poderes norte-americanos . Diz: “George Washington não conseguiria dizer uma mentira, Richard Nixon não conseguiria dizer uma verdade e Ronald Reagan não saberia diferenciá-las”.

Não diria faltar malícia para diferenciar ou sobrá-la para desconfiar de tudo. Nem haver inocência incapaz de identificar. Apenas acredito ser um vício. VOCÊ experimentou, te fez um mal – como me faz (não é uma confissão), você só volta a fazer se for um sádico ou sadomasoquista. Gostou do poder de dissuadir e enganar – Virou viciado. Manipular realidade e fantasia não me faz me sentir um mentiroso penso ser um entretenimento e um sabor coletivo. Mentir é uma fuga, um disfarce ou entretenimento pessoal com aquela palavrinha amarga: egoísta.

quarta-feira, agosto 12, 2009

Desnome

(tirei estas nas viagens sul-mato-grossenses)

Coisas ruins gostam de vir em sucessões
só se sucedem
para depois virem boas
boas coisas, são apenas mais um ponto de vista
como, unicamente, penas
não serem a razão de voar

mas muitos voam, imprudentes
dentes pra fora e ausentes
iniciantes e experientes
esperando a ruindade passar
sem, às vezes, nem pensar

em agir diferente
bondosamente ou por bondade
fica a vontade de escolher a semântica
pois coisas são algo qualquer – que não queremos nomear.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 18h43, 16 de julho de 2009.

terça-feira, agosto 11, 2009

Sentidos

(não sei onde tirei esta -risos- da torre antena)


Quando alguém está escondido
nem adianta procurar
provavelmente nem saber estar
encolhido em algum palco em si
desaparecido de qualquer outro lugar

atuando uma imagem favorecida
conforme com quem conversar
em algum lugar esqueci
sinceramente ser
um banquinho e o escuro

você pode me dizer quem é
aquele diz quem sou

misturo o segredar liquidificador, junto com uma dor
bebida insana da saliva
escondida na plateia.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 18h29, 16 de julho de 2009.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Merecimento

(tirei lá naquele reduto)

por Rafael Belo

“Os que merecem ser atendidos”. Ouvi de uma médica. Há algum cúmulo maior!? E o desespero e autoisolamento de quem está “infectado” com a gripe suína. A H1N1. Morreram algumas dezenas e a vacina só será produzida no Brasil no próximo ano. Claro, se ela pode esperar até o início das aulas por que não mais um ano! E como a Déia disse é “gripe escolar...” Porque de resto ela é antisocial. Milhares de casos registrados. Foi rápida a saída de uma epidemia para uma pandemia, gerando pandemônios. Há relatos do não atendimento de suspeito da influenza. O digníssimo secretário de Ciências, Tecnologia e Insumos estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, diz estar preparando parar “combater uma ‘eventual segunda onda’ da pandemia do Brasil, prevista pelo ministério para o próximo inverno, relata ainda a pesaridade deste problema grave, mas a vacina não servirá agora.”

Certo mesmo é tudo isso ter cara de endemia. Por quê a lentidão da vacina, vamos esperar um ano e quantas mortes mais? Espero nenhuma... Com tantas más abordagens como ficamos!? Desespero nunca adianta. Não há vacina contra a ignorância e conhecimento demais se saturado. Merecimento!? Chocante!?Qual o critério de “merecer” ser atendindo?! É um absurdo! “Isto é uma vergonha”, esbraveja enraivecido Boris Casoy. Se você estiver com febre-dor-de-cabeça será atendido depois – e olhe lá- de quem estive com febre-dor-de-cabeça-vomitos.Passe bem!(?).

quinta-feira, agosto 06, 2009

Tonicidade


(subindo as escadarias, tirei na torre dos sinos)

As coisas se moviam pelo ar
diante de atônitos olhos inquietos
nenhuma o acertou, boquiaberto

mas, ela os atirava em revolta
sem mira. Só objetos e palavras

veio de uma volta corriqueira

até com o gato preto que voava
cada qual se espatifava

feita a supertição da promessa quebrada
Quando foi – porque disse que ia.
Mas voltava – porque não aguentava

ele se movia pelo ar
nas coisas que o aquecia

não queria ser mai um par
mas um par queria

ambos olhares se encharcaram

o mover era atônito e inquieto.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 17h08, 16 de julho de 2009.

quarta-feira, agosto 05, 2009

A existência


(O reflexo da cidade no meu olhar, tirei na torre dos sinos)

Com um beijo partiu da vida
Desta para jamais
voltar àquela idade

sonhava ser seu sonho
nã queria ser mais criança, não era

foi fuga ferida
só com atitude romântica, infantil

depois dos lábios molhados
colado a outra boca
não era mais do mesmo

da mesmice rstava o olhar,
mas mais apaixonado

tarde dormiu ao gosto do sabor do beijo
cedo cedeu seu novo eu

ao provar único sentimento
procurado por toda existência

Um beijo em essência.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 16h42, 16 de julho de 2009.

terça-feira, agosto 04, 2009

Um nó


(Pelas ruas de CG, tirei perto da casa da minha vó)

Há dentro de nós certa mentira
a dizer nossa falta de se envolver
Mais ao fundo, há certa verdade em nós
sempre nos envolvendo

Somos um nó de questionamentos

Desatar em entrega,
é um arrepio inconsequente no abismo do estômago

Então, há aquela canção trilhando momentos como este
nos levando ao longe, distante desembaraçar

no nosso desembaraço sorrimos
do nosso ridículo particular

Rimos por não nos atrever, atrevidos
a querer equilibrar as coisas


rimar apenas por versos de felizes finais iguais

Quero desequilibrar hoje
Cair, quebrar, não procurar nem ceder explicação

Chega de nós.


Folha de Outono (Rafael Belo), às 19h19, 13 de julho de 2009.

domingo, agosto 02, 2009

Procissão da madrugada

(Tirei esta ainda na facul-testando a máquina)

Por Rafael Belo

Não havia nada de especial neste dia, como há muito não havia na minha vida. Com o péssimo hábito gostoso de caminhar durante, um pouco antes, da quarta parte do dia: a madrugada. Estava eu chutando estrelas quando senti a umidade no ar e o frio (estávamos em uma época incrivelmente seca). Há alguns passos de mim a chuva mansamente me espreitava. Olhei devagar na direção contrária das gotas. Estava vazio feito uma casa abandonada às pressas. E toda aquela água me fazendo charco e um rio vertical, me preenchia enquanto a noite se transformava em madrugada.

Foi um tempo interminável me fazendo ajoelhar. Me sentia uma nascente. Uma divisa solitária do nada ao tudo. Aquela chuva. Aquela chuva era o retorno da minha alma perdida? Não mais! Desde minha mais senil lembrança me fadei ao fracasso, desistindo e não terminando nenhuma das atividades iniciadas. Não me esforçava! Era um corpo sem força. Nasci, adulto, no meio de barracos, remendando casas, orfão. Era filho do mundo. As pessoas não me enxergavam. Nenhum pertence -jamais. Só estes pés no chão e esta roupa, antiquada, doada.

Ouvi meu nome várias vezes, mas como era possível entender?”... Paudro... Paudro... Paudro...” Uma voz ecoada tão arrastada, como deveria ser a da morte. Tão nitidamente com a chuva escorrendo dos meus ouvidos e desabando, como? Meu corpo pesado era uma multidão enfurecida para minhas pernas fortes, acostumadas a inclinações e declives absurdos. Mais forte era o chamado sombrio do dobrar da esquina. Caminhei de joelhos até ela. Ao chegar e enxergar o cruzamento, subia uma neblina do chão, mas conseguia ver claramente incontáveis costas. Meus olhos ficaram quentes e contrastavam quentura no rosto, em sincronia com o arrepiar da pele e de todos os pêlos molhados.

Só então comecei a tremer. Era tanto tremor que eu parecia secar em meio a tempestade inclemente. Queria correr. Não gostava de encontrar ninguém! A estas horas desgostava intensamente. Por isso saía do buraco da ponte -onde me escondia- apenas à noite. Mas, o meu maior temor nao era este encontro, era eu me sentir parte daquele acúmulo. Do quê? Pessoas? Não me pareciam ter vida...! “Venha!” O chamado -agora entendia- vinha direto a minha cabeça!

No primeiro passo, daquelas incontáveis costas, preenchendo todo o espaço visível, estava em pé. Caminhava convicto atrás daquela procissão –que me esperava. Pareço ter fugido ao nascer, mas nunca vivi de fato.

sexta-feira, julho 31, 2009

Lugar partido

(esta foto tirei em busca de deficientes visuais - photocomedy)

por Rafael Belo

Coração partido. Acontece muito. Aí misturam-se raiva, revolta, tristeza e dor. Mas, o engano é achar um partido coração apenas nas relações de Amor, amizade e paixões pelas pessoas. Lugares também partem nosso motor essencial. Aqueles aonde mais vamos, às vezes, mais do que a própria casa. Também podem te dar às costas -as portas (fechadas).

Não me apontou o dedo, não quis saber dos meus problmas – quem gostaria?, não quis conversar de forma alguma, mal mostrou interesse. Eu nunca havia me considerado um cliente até então, mas não imaginava ser maltratado de tal forma – tão bem. Imaginava (claro) de outra forma. Tanto era, bastava olhar atrás das lentes, meus olhos denunciavam ao lacrimejarem – era uma rejeição – dizendo não ao “tudo” em resposta a cretina pergunta: “tudo bem?!”

Não era contradição, mas não queria demonstrar decepção. Nao chorei! Passei a raiva e depois a rvolta com tristeza e dor – decidi não voltar – por enquanto. É óbvio o instante, passado, de ter terminado a “conversa” com selvageria e sangue, mas foi um instante rápido. Fiz meus dois treinos. Conversei com “todos”, falei da minha ausência - mas só pelo resto do mês. Ainda fiquei enrolando, conversando mais, até fecharem o lugar -partido.

Vinha bufando pelas ruas escuras e vazias passadas da onze da noite de uma terça-feira, me sentino lobo mau dos três porquinhos e o seu lobo da chapéuzinho. Por´m não derrubei nada nm devorei ninguém – estava só. Qual era o problema?Acertaria dois meses em um. Nunca deixei de estar em dia durante quase dois anos. Tudo “se” venceria no outro dia...

Já sentia falta das pessoas, de cada uma das cinco artes e da musculação. Talvez por elas volte. Por enquanto vou procurar outros professores recomendados com um dojo apropriado – como se houvesse por aqui- ou os mesmos professores, mestres e senseis em outro lugar. Mas, “aquele” lugar partiu meu coração.

quinta-feira, julho 30, 2009

Sempre a nascer


(Memorial JK ao fundo, foto difícil de conseguir tirar programar)

Você estica a mão
para encostar no passado
Toca aquela face em preto e branco
Passando privadamente para você uma paixão passada
queima tua alma,
te inspira fundo
deita a cabeça para o céu

uma garoa quente deságua e conecta
ligado ao jamais fechado mesmo passado

houve um espaço e passos de despedida
foram feitos pedaços
e duas partidas

mas, o coração
já vinha partido
nasceu despedaçado.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 16h28, 13 de julho de 2009.

quarta-feira, julho 29, 2009

De uma gota


(depois das gotas desfocadas, todas as gotas ao fundo -tirei no quintal da casa dos meus pais)

Aquecido olhar borbulhante
A me bater hesitante, antes de o encontrar
Atravessando a ponte ela está
Com um bom dolorido sentimento
Subindo doce pela boca salivada,
saboroso coração

apertado, invadido, conformado
em ser a ressaca do mar em lua cheia

toma o corpo para si ao se dilatar pupila
vê a ponte se desfazer, acelerada
e o olhado vem lento
desenvolvendo aquele momento
movendo os traços da realidade
para um desenho do universo

cada cor captada na fotografia do terno instante eterno
tórrido intenso no sorriso daquelas mãos trocadas
tocadas no enlace entrelaçado
do calor
palavra por palavra
a ser abraçada pela imensa gota da emoção.


Folha de Outono (Rafael Belo), às 01h29, 13 de julho de 2009.

segunda-feira, julho 27, 2009

(Pacato) Cidadão

(foto do last show The Doors, tirei esta do Brett o vocalista substituto, mas bom)

por Rafael Belo

Veio a letra com a melodia enquanto assistia Mandela, beirando a madrugada. A cantava muito, mas nunca analisei a letra. É uma ironia aos supostos cidadãos que somos. “Pacato Cidadão”. Ô Pacato Cidadão!,é o Pacato da civilização, Pacato Cidadão!, é o Pacato da civilização...” Agora me lembrei do He-Man, mas deixa pra outro texto.

“Pra que tanta TV, Tanto tempo pra perder, Qualquer coisa que se queira, Saber querer. Oh! Pacato Cidadão!, Eu te chamei a atenção, Não foi à toa, não, C'est fini la utopia,Mas a guerra todo dia, Dia a dia, não...” Creio ter feito a conexão com Mandela pela guerra diária que enfretava e todo dia há uma guerra dentro e fora de nós. Faz sentindo estar nele e lutar nela. Porque o princípio básico –nascer livre- não cai do céu (ou cai?).

Tirar vidas não é uma opção, acaba por ser uma escolha e assim nasce uma guerra –ou continua. Ficar em casa, ir diariamente ao trabalho, depois fazer os sociais não é o bastante. Me incomoda. Quero lutar pela minha liberdade, ter minha própria utopia. Não sou guerrilheiro, não quero portar armas -não as usuais. Fico muito incomodado ao pensar ser um pacato cidadão. Então, vem a velha história –estória?- de direitos. Certo. Vamos exigir.... E os deveres? O Quê fazemos? “Eu” tenho o dever de tornar as “coisas” melhores. A outra velha história de cuidar do próprio jardim –ao menos ao meu redor- e lá vem as borboletas. Agir? Não, obrigado! Apenas “crescer, multiplicar, envelhecer e morrer” como uma árvore... Ah, não! Árvores “limpam” nosso ar.

“Pra que tanta sujeira, Nas ruas e nos rios, Qualquer coisa que se suje, Tem que limpar, Se você não gosta dele, Diga logo a verdade, Sem perder a cabeça, Sem perder a amizade...” Mandela ficou quase três décadas preso pela liberdade do seu povo. Mohandas Gandhi, mais conhecido com Mahatma (do sânscrito “a grande alma”) Gandhi espalhou os protestos de não-agressão como um meio de revolução, pedindo ao mundo o mesmo com a paz, sem tocar em armas. Há ainda os biblícos como Moisés vagando quatro décadas pelo deserto, tirando o povo da escravidão do Egito e Jesus, pela PALAVRA, libertou nossa alma e a morte dos nossos medos.

“Consertar o rádio, E o casamento é, Corre a felicidade, No asfalto cinzento, Se abolir a escravidão,Do caboclo brasileiro, Numa mão educação,Na outra dinheiro...” Estávamos muito bem no ventre presos, aquecidos e nos soltaram para a vida: choramos. Depois saimos do ventre dos pais, e “hemos de sair”, outro parto. Mas, sempre procuramos um ventre pacato para nos aquecer e esconder. Ah, pacato cidadão “não foi a toa não...”

domingo, julho 26, 2009

Hipotermia

(o vidro e a grade pla janela chuvosa do carro, assim tirei)

De repente estou frio feito lá fora
Minhas roupas não me aquecem
Nú igual a noite vermelha inverno índio
Um gelo norte, tremendo febre
Minha terra roxa imitada pela pele minha

Não sinto meu coração, pareço um ser de pedra
Duro e concreto e sem vida
Uma lacuna a durar breve
Durante o congelar do sangue entregue
Não circula calor, em greve, em mim

Esta dor descubro dos meus pés acimentados
De dentes destilados, batidos
Sem qualquer significado remóido no banquinho
Sentado, sozinho, dentro da casa que venta
Um terço do mu tamanho encolhido, aguenta frio

Mas, estou cavando um buraco no sofá.


Folha de Outono (Rafael Belo), às 00h05, 13 de julho de 2009.

sábado, julho 25, 2009

Quisera eu, quimera

(meu bairro de cima, terei do alto da torre de sinos)

Os planos de hoje acabaram, quando acordei e era tarde
Tomara-me uma praia nos olhos de um mar menstruado
Meus lábios e voz cansada Orfeu, eu, Morfeu
Na quimera de projeções
Cantando na afinação da harpa,
me mutando no domínio imaginário do despertar

preto ou branco de mil heróis afluentes, rugindo raça
face ilusória de traço fixos, coberta da lua aquecida sol,
na propriedade das estrelas

ondas oníricas acariciando a pele, para arrepiar a vida
no fundo respirar acometido do abismo da profundidade

Quisera eu, quimera
Ter paternidade nos partos influentes, por gerações de sonhadores

Gero a ti
Minha utopia pirofágica, para poder sonhar

Voar, no não lugar

Em (com) postura com os pés nas descomposturas
dos “achados” lugar.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 13h08, de 11 de julho de 2009.

quinta-feira, julho 23, 2009

Sobre as 24 horas

(torre os sinos, tirei do alto de Ribeirão Preto)
Por Rafael Belo

Todo dia começa a meia-noite. Isto se um dia tiver 24 horas – assim acredito e me ensinaram. Mas, para alguns começa a meia-noite e um. Fato, então, é o término do dia à meia-noite...! Minto! O fato é faltar um minuto todos os dias. Porém, se o dia começa como acreditava a pouca linhas, ele termina às 23h59... Não é um trava língua -ou neurônios- é a constatação de todos os dias nos roubarem um minuto, ou seja, se é dito: 24 horas é igual a 1 dia, não temos um dia sequer! Temos “exatas” 23h59. Quanto tempo perdido...!

Somos controlados por estes ditos marcadores. Há muito tempo -olha aí- eu usava relógios. Tinha vários. As pessoas sempre pediam informações sobre horários. Só para saberem o quanto estavam atrasadas, o quanto iam demorar, o quanto estavam adiantadas, o quanto ainda tinham pela frente, o quanto... Bem, Já até me roubaram um. Lembro bem. Estava eu -não brinca!?- e mais dois amigos (lá pelos meus 12 anos) dois de um lado da rua e um do outro. Quando atravessávamos, de encontro ao terceiro integrante, um sujeito grande de jeans e tênis rasgados, sem camiseta e boné veio na minha direção. Eu desviava, ele era minha sombra (o sol estava às costas). Com dois toques soltou meu relógio do pulso e saiu em disparada. Um verdadeiro “profissa” exceto, por depois de longe e ainda correndo, ter gritado: “Valeu baixinho”. “Baixinho”, repeti indignado. Fiquei com raiva. Foi o motivo da minha fúria. Não terem roubado o meu tempo. Isto só descobri agora. Alguns ano depois parei de usar relógio. Agora tenho o péssimo hábito de ficar consultando os celulares -puro tédio, falta do quê fazer mesmo.

Nosso fiel controlador, às vezes a despertar, nos rouba todo dia -a não existir mais- um minuto. Em dois anos e quatro meses perdemos um dia. Todos os dias acabamos pedindo sem pensar “só um minuto, já vou, pode esperar um minuto”. Em um minuto acontece tanta coisa – acreditem. Quem espera um ladrão? Nós!? Assim os dias não existem. O tempo nos rouba um minuto “por dia”, então por que se preocupar com o tempo se ele é um trapaceiro? É justamente por isso a preocupação. Não vou deixar o tempo passar sem passar com ele. Ele já leva muito. Não vou perder tempo(?).

quarta-feira, julho 22, 2009

Sem face


(foto de um passarinho procurado que tirei durante um campeonato brasileiro de ciclismo)

Reascendeu o Renascimento sem perceber pura morte no cheiro
Odor agridoce de dura dor incompatível ao sofrimento
Estendido no fim de semana prolongado
Extensão a apatia dos famigerados

Aromas gerados de alguma decomposição sob a bandeira verde amarela
Sobre a nossa flâmula, o incêndio da pátria

Deitado nas labaredas distantes
há sorrisos acomodados,
ouviram o crepitar intolerante das brasas
nas cinzas malas de couro do povo
o vento leva a inglória

São vilanias da pequenez representada

almas doadas para corpos sem brios
vazios vermes das promessas da maçã desejada
uma mordida, e a mandíbula intoxicada

Fênix promíscua, cheia de caras.

Folha de Outono (Rafael Belo), às 12h30, de 11 de julho de 2009.

segunda-feira, julho 20, 2009

Espelhos

(Tirei esta no FMS em Porto Alegre, passeata)Por Rafael Belo

Vi meu reflexo me imitando e decidi: “Não gosto de espelhos”. Eles refletem nossa luz e pretensa visão da nossa imagem. Julgam-nos por nós mesmos e nos fazem um paradoxo – desde o afogamento de Narciso. “Tudo bem” a transparência dos vidros se concentrando na sombra da nossa imagem, mas um espelho não. Fica a mostrar uma referência e nosso psicológico -pouco ou muito- intimidado pelos padrões de beleza. É uma piada do tempo. “Hoje estou bem”, “Humm, hoje não”... Vamos quebrar os espelhos e esperar apela sinceridade alheia. “Estou bem assim?”-algum tempo depois- “Ah, sim! Claro. Ficou.” Melhor não esperar nada. Creio termos perdido minutos da vida diante do acreditar sermos nós mesmos. Lembro do “O olho do Mal”, com a Jéssica Alba. Ela cobre todos os espelhos da casa ao voltar a enxergar e ver além – o além. Em uma parte ela: diz quem esta (se referindo a própria foto e o espelho mostra uma moça morta no começo do filme).

Os espelhos nos ajudam a sermos fúteis e a nos enganar para o bem e para o mal – como se fosse a definição (in) exata de mocinho e vilões. Ou nos eleva demais a autoestima ou a destrói – com meios termos. Espelhos levam nossa respiração e deixam parecer o muito não ser o bastante em nenhuma hipótese - nossa! Às vezes só prendem (nossa respiração). Jogam de nossa auto pseudoimagem para nós: “QUERER NÃO É SONHAR”.

Acertam ao nos mostrar tão “matérias”. Somo matéria... Atrás de tudo isso minha liberdade está lá presa, entre “meus olhos”, de reflexo. Quero partir estes espelhos, mas não tornarei estilhaços minha liberdade. Quero voltar a respirar... Quero culpar nossa geração da imagem e “ver para crer”, “tudo a ver”, “a gente se vê por aqui”. Mas, sei bem – sabemos bem – É... O problema não são os espelhos...!

sábado, julho 18, 2009

D‘água

(Esta foto tirei em Isla Maragarita no PAraguai, flamboiã)

Choveu por anos. Fomos migrando para as montanhas morrendo. Sabendo de única coisa: amigo é sempre bom. Não adianta procurar amigos, pois a procura é sempre longe, um amigo está sempre ao lado, não importa se distante. Sem família de sangue, só a escolhida – como se houvesse escolha no meio da tragédia. Este era nosso carregamento exato. Tragédia. As sobras das bagagens. Ninguém ousava chorar após infindáveis lágrimas do céu sem nuvens. Parecíamos desolados sem poder planejar nada, a não ser sobreviver. Mais! Éramos precisamente deslocados.

Não podíamos nos deitar. Só havia poças e onde não havia poças não estava seco ainda. Éramos 50 pessoas consideradas fortes. Infelizmente, não contávamos os mais velhos ou as crianças abaixo dos sete anos. Dez homens apenas. De todos dois eram imunes a “acquafobia”. Palavra denominada ao absurdo medo da água. Em um planeta água como a temer? Precisos 48 a temiam. Era consequência da mesma ter levado a vida da ex-Terra. Trauma. Um deserto líquido baumaniano (referência ao sociólogo Zigman Bauman) era a única paisagem. Afetos, amores, leis, família, religião, justiça eram pura fluidez como a modernidade.

Nenhuma metáfora mais. Beber da água era beber dos nossos e cada um daqueles planos ambiciosos. Não! Ninguém acreditava nisto! Uma noite só havia o silêncio em corpos empilhados, teimando planejar sobreviver, mas os planos era outros. Nunca mais havia dormido e toda noite observava os corpos vazios, me pareciam sem vida até acordarem junto ao sol insinuante e agressivamente sorridente. Neste dia sabia do meu sono, ele se aproximava conforme aparecia terra em volta.

Foram surgindo todas as frutas esquecidas. Olhei para os lados e um por um se afogava em terra. Sem som, sem luta, se entregaram. O naufrágio da terra “se acabava”. E agora? Decidi subir em uma árvore e escolhi negar a fruta oferecida. Assim as águas avançaram mais uma vez sobre nós e nos levaram. Bem, fiquei eu a ver minha família desaparecer, varrida. Uma mulher isolada. Penso em doar uma costela. Estou pronta para ceder uma costela. Não vim do barro, vim da água. Sou fluída e não modelada. Sou corrente pronta para libertar uma nova humanidade.

sexta-feira, julho 17, 2009

Só na lembrança

(Tirei no lugar mais incrível para apreciar o pô-do-sol: Rio Paraguai)

Alguém me vê mais quatro horas do dia anterior
É preciso voltar ao ontem
Este lugar perdido
Encontrado só na lembrança

Não importa sua atual inexistência ao toque
O amanhã também inexiste
A partir de agora

É certo quando se sente
O passado presente
Nem tudo vai embora

Nada chega em outra hora
Mais quatro horas pra memória

Torta trajetória de esquivas
Diagonais pra frente

Oh, locomotiva intransigente
Há tantos passageiros para descer da mente em um dia

Todavia, tinham tirado os trilhos
Acabaram-se o vagões

Folha de Outono (Rafael Belo) 11h44, 11 de julho de 2009.

quinta-feira, julho 16, 2009

Necessidades


(tirei há três anos na Páscoa, voltando pra casa)

Lá se foi o tempo
Engolindo as horas
Faminto feito mendigo
Ignorado por qualquer esmola de vida
Esvaiu-se no corpo com o estômago dolorido

E os olhos sedentos
Secos como todo este abandono de energia na madrugada
Depois do descanso despido, está passado
O amassado domina drástico, os detalhes
Ainda prendendo a noite no noturno
Mesmo com céu indefinido nestas horas vagas

Há ao atrito da insônia
Incomodando a casa

Atento sonâmbulo a intermediar
O preâmbulo perambular astuto
Escorrendo o descanso matuto
Para o não descansar
Acelerado adulto
Precisando sonhar

Folha de Outono (Rafael Belo) 11h22, 11 de julho de 2009.

terça-feira, julho 14, 2009

Imaginação



(tirei esta entre o fórum social mundial, em Porto Alegre)

Por Rafael Belo

“Fora”, “Não...”, “Eu odeio...” são os protestos nas redes virtuais. E aos ventos lá fora, pois lá não gritamos. Este fora do ambiente cibernético me lembra o ocorrido agora a pouco. Estava na calçada e logo atrás uma senhora no volante d um carro prata, classe média, sedã, não sei a marca, pois, a senhora de rugas marcas de “expressões” e um vestido bem – bem mesmo – estampado incrementado pelas jóias nos pescoços dedos e pulsos me chamou - não sei porquê - mais atenção. Não pela descrição dos artefatos artifícios tão discretos ou pela idade não comentada, mas pelo movimento da cabeça da senhora.

É bom escrever: Ela lembrou minha falecida vózinha materna (aliás, de “inha” não tinha nada além do tamanho). Tinha certeza sobre o balançar firme e lento da esquerda para a direita repetidamente, ser por minha causa. Afinal, estava abaixado com as mãos sobre o assoalho do carro e depois levantei bruscamente direto para o encontro do olhar negativo dela.

Procurava um pedaço da minha caneta. Depois de me esticar para pegá-la, travei o carro, levantei e bati a porta, para o olhar pesado citado. Estava lá à esquerda imediatamente me julgando e toda a negação da senhora me parou. Comecei a pensar compulsivamente sobre a imaginação dela e, agora, me dei conta das possibilidades furtivas e furtadas, a passar pela cabecinha da senhorinha: “Furando o pneu homenzinho. Feio, muito feio.” ou “Tentando fazer ligação direta. Que pouca vergonha!”.

Depois, sem dar seta para esquerda, saiu com o carro sem parar de balançar a cabeça. A senhorinha -juíza e júri- me lembra exatamente nossos protestos atuais contra “os mais um” ou “sempre os mesmos” da política. Balançando a cabeça em desaprovação, vemos um pouco do acontecido e partimos para criarmos comunidade, indignados com nossos eleitos. Eles agradecem e cultuam a deusa internet.

segunda-feira, julho 13, 2009

Névoa negra


(tirei esta na frente da facul, no antigo fim de tarde pós rádio)

negação nivela nervos
aliterários
navega em olhos irritados
ao naufrágio assombrado
saber aceitar

algo templário – de contemplar
na mudança de tempo

inexpressível de entendimento,
mas em expressão secular

banido das multidões para as massas
há o modelar tsunâmico dos mares

um avesso oceânico
de nossas gotas nas ondas

as ondas passam

nosso equilíbrio nas cristas
nos torna surfistas,
mas também foragidos

filhos adotivos das sombras nas cavernas
amontoadas em eras de alegorias

feitas d nossas feições temerárias
de ensaios da alegria

empresária da vastidão
nas muambas de “a(´)goras”

02h54 Folha de Outono (Rafael Belo) 10 de julho de 2009.

domingo, julho 12, 2009

Margens


(tirei esta nas margens do Rio Paraguai em Porto Murtinho/MS)

Silêncios e sons são toda esta explorada visão
Da nossa inexplorada melodia
Canção cantada no nosso notório silêncio
Perante protestos da sala sonora
Povoada de falas para não pararem os sons

Caos e bonança fazem feita a circunstância
De tantas desigualdades desiguais de tons
Para alguns ouvidos, arpões da pesca
- predatória dos raros “pensatos” a boiar
“Sões” para alimentar os silêncios

Chegam às orelhas a dor da pauta, “dolor” da pausa
Desfazendo o bolor dos surdos ouvintes
Propenso ao suicídio do fungo dos neurônios
Já pelas telhas da mente, ateia fogo no fundo
Ao vazar do propano tenso
Na ardência interna, há uma nova terra à vista
Onde floreia a ausência alternada em presença
Sustenta um ritmo íntimo margeado de sons
E sãos silêncios

02h32 Folha de Outono (Rafael Belo) 10 de julho de 2009.

sábado, julho 11, 2009

Sobre o amor (injustamente) platônico


(uma das minhas primeiras fotos com o experimento da lâmpada apagada e a máquina digital - primeira)

- Você fez eu me apaixonar, declarou ela.
- Desculpe não era minha intenção, defendeu ele.
- Só fui eu mesmo, continuou ele. Posso deixar de ser..., arriscou.
- Não!, se apressou ela. Tudo bem. Gosto assim, ponderou.
- Mas..., ele tentou argumentar.

Ela olhou intensa para ele, por breves minutos de silêncio - parando qualquer frase ou pensamento para depois concluir alegre: “Vamos ficar com nossas intenções e fingimentos”. Sorriram e seguiram o momento.

(Rafael Belo)

quarta-feira, julho 08, 2009

Ponte d’água

(Tirei esta foto em Isla Margerita no Paraguai de dentro de uma igreja barroca)

Clareou a noite ao emitir o chamado do escritor
Seu lado escuro levou o sono
Deixou toda a insônia desperta
Com palavras e versos enredados nos dedos apontados
Para o coração do leitor a pensar
Ser a própria luz solar

A noite madrugou devagar
Absorvendo as horas idas como se não fossem
Eram, um refúgio de silêncio e palavras nascidas

Refletidas no futuro raiar longe
A contracenar com o sono, em afastamento
Nada de sons, por um longo momento

Os pensamentos calaram o monte
Com montes de sentimentos no trono
Clareou o escritor, e ele, era dia

12h37 Folha de Outono (Rafael Belo) 06 de julho de 2009.

A Espera

Por Rafael Belo

Não deveria ser cena típica, mas os relatos são. Alguém sendo assaltado do outro lado da rua por vários ninguéns desarmados - ainda a espancarem covardemente a vítima -, e os espectadores, acumulados, ficam fascinados e não se movem para nada. Testemunhas com celulares nas mãos para filmar, fotografar, não para - ao menos - chamar a polícia. Sem falar da gratuidade surtada das pessoas. De repente você vê um alvoroço e certamente é briga. Todos querem saber o acontecido e quase sempre é totalmente banal. “Uma mente desequilibrada quis entender “tudo errado” e começou a esmurrar e chutar homens e mulheres”.

Eu agradeço por não ter presenciado nada disso ainda. Não conseguiria ficar de testemunha de uma atrocidade. Não adianta dizerem: “Não tem nada a ver com a gente”, “Não podemos nos envolver”... Eu pergunto como não? Tem a ver sim estávamos lá, o alvoroço mudou tudo e como estamos vendo estamos envolvidos. Isto me lembra dois filmes. “O Encontro” e “ Violência Gratuita”. Este último uma refilmagem fiel do mesmo título de 98, aliás, é uma tradução desnecessária de Funny Games.

A excelente atuação de Naomi Watts, Tim Roth, Brady Corbet, Devon Gearhart e Michael Pitt mostra um quê de esquizofrenia e de psicótico nos “vilões” criando um jogo divertido – sem diversão nenhuma - onde no final todos deveriam morrer. Já “O Encontro” vai mais com nossas caras de testemunhas. Uma amaldiçoada por Deus, Christina Ricci, é obrigada a ser testemunha de todas as tragédias da humanidade, simplesmente porque ficou assistindo fascinada a Crucificação sem reagir. Vem-me a cabeça nosso às vezes, assim, passamos o ano todo frios para esquentar no Carnaval. Olhamos o bloco passar, não porque há um amor exaltado por lá, mas por que ele está em todo pedaço de qualquer lugar e parece haver alegria naquele momento passante... Depois é um ano de espera.

domingo, julho 05, 2009

Latidos do planalto

(foto que tirei na virada captando as luzes e a dinâmica apenas para destacar a música e o movimento sem photoshop)

Por Rafael Belo

“Eu nunca fiz isso antes, eu nunca fiz isso antes”. Sempre vem repetido. Quem já não ouviu ou disse... Não importa se sirva apenas como afirmação para uma autocrença. Nós gostamos do óbvio e de jogos lúdicos, mas nem sempre os entendemos, pois faltam neles o gosto primo: o óbvio. Assim ele fica lá pela infância e mineiramente nos afastamos dele no decorrer da vida. Paulistanamente ficamos só com a ilusão e paulistamente persistimos no óbvio ao repetir o antes nunca feito por nós.

Mesmo mineiramente (comendo quietos mesmos), paulistanamente (mais egoístas e solitários) e paulistamente (teimosos) - definições de dicionários que apreendi em alguma revista – somos ávidos por suicídios, mas só os anestésicos, esses “levadores” de neurônios e vergonha. Vai lá se reunir com os amigos e só mais uma ou o clássico mando no meu nariz (e o resto do corpo é quem paga) depois libera as esquizofrenias. Falando em línguas... Aqueles bilíngües ou “pseudobilíngues” soltam o idioma chumbado e arrastado em inglês, espanhol e invocam a terceira pessoa para se referirem a si, além de tudo ser engraçado ou dramático a ponto de chorar. Tempos de baladas. Não sei o porquê os políticos começaram a pipocar na minha mente...

Nada a ver com a palavra ridículo ou a fatídica república das bananas saltitantes em textos por aí, mas eles são como nossos cãeszinhos mal acostumados. E quem deixou os pequenos cães peludos tomarem conta da nossa casa da mãe Joana?! Os meus, os seus e os nossos bichinhos de estimação que me desculpem por tamanha ofensa comparativa (logo eu averso a comparações), contudo é bem óbvio o osso roído jamais largado na boca deles. Quando você deixa um cachorrinho entrar, deitar na sua cama e comer sua comida não há quem o convença dele não ser o dono da casa. Há um instinto deliberativo do disfarce descarado no qual eles passam por nós e fingem, com certeza, terem sido invisíveis ao passar. Ainda assim nós os xingamos e tentamos impedir a passagem. No final desistimos, dividimos nossa casa com eles e na inversão dos papéis eles tomam conta da gente. Espero não sair latindo por aí e passar raiva no planalto porque nunca tomei anti-rábica!

Afinação do tempo

(foto da primeira vez frente a uma rotativa e lá se vão os anos)

Aquele vento não sopraria de novo para bandear com as folhas
Ele correu o mundo único soprando outras únicas folhas
Uma turnê particular soprando em melodias locais
Por quem o vento tocar e levar
Para quem se lembrar ser também das bandas do vento

Passando por brisas e bandalheiras aos grunhidos e agudos
Absurdos sopros acumulam poeiras ou as retiram
E vento soprado primeiro não é o mesmo na segunda vez

Quando aquele vento volta vindouro
Varre as primeiras vezes consecutivas
E os ventos furtivos do planalto furtam nosso ar

Na terceira leva do vento voltado
Ainda há unicidade pérolas e diamantes
Basta contar até três e soprar para o vento sumir
E todas as outras infindáveis vezes de (re) volta
Ele acumulará bandas sopradas e tocará igual, mas mais afinado

23h42 Folha de Outono (Rafael Belo) 04 de julho de 2009.

Sem tragédia, só bagagem

(quando penso em Isolda lembro desta minha foto no fim da tarde ao sair da rádio de dentro da facul então vai a minha homenagem a ti)

Há alguém do outro lado sofrendo as minhas mesmas experiências
Porém absorve seus arredores em pormenores próprios
De miudezas engrossadas de destrezas insólitas

Lenda Isolda dos mitos celtas
De reluzente armadura feita pele
Ainda perdidamente na poção de amor
Reporta a vida crítica, mas não há de morrer de tristeza

Vê a beleza da vida na felicidade contida na metade de todas as coisas
Há magia naquele mágico olhar a ser também escrita
Esta escriba da rotina feita para reflexos e reflexão

Não procura razão em tudo, mas porque não questionar o nada
Diria esta força articulada gesticulada em amplitudes
Ah, suas atitudes dão corpo a uma argumentada opinião

Um tanto de Tristão habita nesta Isolda, dama solta
A cavalgar qualquer visão.

20h24 (Rafael Belo) Folha de Outono, 04 de julho de 2009.

sábado, julho 04, 2009

Apontar dos ponteiros

(foto que tirei aos arredores de CG)

Há o bater do coração acelerado de todas as horas
Incomodado nestes ponteiros se movendo em círculos
Guardado no alto pelas memórias
Silenciado pelo bater covarde da bela torre de sinos
Todos sincronizados nos ouvidos alterados pelos uivos de redemoinhos

Alta estação da sucessão de esquecimentos comprimidos
Umedecidos na boca pela língua nos lábios
Engolidos secos aos gestos contrários
Até o covarde bater do coração haver
Há o silêncio acelerado do bater alto da antiga torre dos sinos

São dezoito horas na fronteira misturada entre luz e escuro
No círculo seguro de onde o tempo vem e vai
Fica
Uma ou outra batida entre os bateres do peito e da duração
Momentos parados postos diante dos contínuos
Haveres secretos
Abertos para revelação

18h - 02 de julho de 2009 – Rafael Belo (Folha de Outono)

Há você

(foto que tirei da janela de um apê que morei)

Saiam sons indiscriminadamente daquele corpo exposto na noite apagada
Onde ninguém enxergava a água
Caída de outros corpos também de ninguém
Criando um rio parado do outro lado do fardo
De se deixar levar

Pela correnteza de pensamentos
Levados pelos sentimentos
A desaguar
Em um distante lugar
Tão perto
Chamado lembrança

No deserto de lágrimas
Caladas invisíveis
Saído de um rosto impávido
De falso brilho
Há você
Um ser de lembranças

17h30 – 02 de julho de 2009 – Rafael Belo (Folha de Outono)

terça-feira, junho 30, 2009

“Apenas o que devemos ser?”

(foto que tirei enquanto olhava para o céu deitado no banco traseiro do carro)

Por Rafael Belo

Na maioria sub nas outras sobre... Somos assim inconstantes. Quem somos? Ora, humanos... Não é? Deveríamos ser pelo menos... Não há e nem pode haver um medidor de humanidade pelo simples fato da nossa individualidade. O famoso desumano para um certamente é banal para outro. Não quero desviar do assunto, já se tratando de algo do tipo “não imaginei acontecer comigo”. Sabem aqueles fatos da vida envolvendo amigos os levando a se tornarem mais próximos, então este é o assunto.

Parece coisa de cinema para “evitar” lugares comuns, algo do roteiro de “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”, sem a morte (na verdade não ocorrida depois) e sem a sequência de mortes e perseguições. Mas, um quase pacto silencioso me levou ao filme. Nada grave ou criminoso apenas uma comoção de preocupações envolvendo cinco pessoas. Não vou detalhar a situação, mas o sentimento nascido dela. Quatro pessoas extremamente cuidadoras da quinta.

Foi um desmaio súbito, vindouro de um sequência combinatória não aconselhável a ninguém, perdido nas reações dos demais presentes. Porém, naquele momento surgia algo mais na amizade deles. Uma fortaleza de resquícios da muralha da china totalmente sem pretensão. Despretensiosa de tal forma a parecer algo comum. Nesses momentos não há o dito ou o não dito, há uma ligação interminável, incorruptível. Palavras muitas vezes duvidosas no nosso vocabulário diário.

É recente, mas posso afirmar ser minha concepção de amizade ainda de pouco retorno para mim. Compreensão, aceitação, apoio, opinião, procura... Estava presente em todos. Não pensei em subumanos ou sobre-humanos apenas em humanos. Somos inconstantes e codificados. Como somos humanos e como podemos ser quando a situação exige, mas não deixo de me perguntar se não é tão humano quanto não querer participar do problema alheio ou de quem aparentemente nos é querido?

domingo, junho 07, 2009

Colecionador de fantasmas

(Rafael Belo - foto pela estrada)

Prevaleceu o silêncio diante do caos de sons naquela tarde. Foi o motivo das mudanças. Porém, foi tudo repentino até o sentimento de... Traição (?), de queda de heróis (?)... Quando o nosso mundinho pessoal é estremecido a razão se distancia, mas - se a tivermos de fato – ela volta logo do passeio solitário por aí. Jogando um pouco de luz em tanto subentendido, confiar dói e dói mais quando você acredita em alguém acreditando sempre em você... Mas – sempre ele o “mas”- não é assim o funcionamento da mente humana. Olhando com atenção as relações não é difícil perceber as “’meias’ confianças”, os “meios sorrisos”, as “’meias’ pessoas” escondidas ali atrás das palavras faladas a dedo, resumindo o medo de se expor e se machucar.

As pessoas queridas e amadas bastam em presença em muitos momentos assim. Falar, esbravejar e gritar com as (más) intenções são opções viáveis também ou simplesmente ouvir sua voz incontrolável cheia de porquês, soltar palavras doloridas pela dor causada ao simplesmente confiar. Se arrastar fora deste corpo dono da sua voz. Ver a alma presa a um monte de carne possuída ao verbalizar as dores do mundo. Depois vestir um olhar triste de melancolia vazia ao ruir dos valores. Um traje típico fácil de colocar e se acomodar nele. Fácil também vestir preto e ver na imagem de quem confiava um luto vivo corroendo. Foram dois ou três suicídios onde velei corpos inexistentes, sozinho. Depois dividi meus “mortos”. Colecionador de fantasmas, mas para lembranças e avisos, não amarguras.

Vejo assim o motivo da falta de durabilidade de pessoas e coisas. Quando é com a gente, ficamos arredios por um tempo e pairamos no limbo de nos tornarmos metade ou mais um ator no mundo dos egos. Se, e apenas se, tivermos condições – além da capacidade inata – de medirmos a autodestruição a depois nos tornar póstumos em vida, não passaremos para o outro lado do limbo e nem permaneceremos neste além do necessário luto. Por isto respiro fundo, lamento e dou o próximo passo paciente. Esquecer? É uma homeopatia desnecessária se soubermos realmente o significado de pontos de vista. Autenticidade deveria ser a mistura essencial do homem, porém, é o item de série embutido mais vendido da “máquina humana”. Triste. É fácil ficar triste, por isso prefiro permanece alegre.

Entrega

O indireto doeu além da bebida alta
Fez a curva do bafômetro e levou as sobras contigo
Junto com pedaços da esperança perdida
Foi quando o céu fechou e a luz foi impedida de entrar
Aturdida enquanto o mundo era breu e gelo

Embriagadas das verdades caladas no copo vazio
As pessoas caíram, já não estavam mais entre as escuridões
Onde as ilusões não eram noite sem brilho, já eram elas
Amarelas levadas para a descoloração

Brilha o fundo da garrafa no momento da confiança devassa
Devastar os bloqueios do corpo vago a pintar
Um agora neutro concedido ao próprio inimigo, no espelho
Envergonhado o suficiente, não o bastante... Para mais se envergonhar
Estender a mãos para o escuro, adiantar o relógio e esperar...

Tirei essa também no Rio Paraguai/15h32(Rafael Belo)Folha de Outono 07 de junho 2009.